Rotten Flesh

3 Capítulo III


Notas iniciais
Queria agradecer muitíssimo a minha amiga Myokou Higurashi que comentou nos últimos capítulos

Amber:

“ Andamos por uns trinta minutos entre os carros até acharmos um ponto que dava para passarmos para a outra pista que estava vazia, esta ia para a cidade, mas ninguém pensou em usa-la para sair, e se pensou já devia estar bem longe dali.

[Dan: mesmo em pânico no meio de um apocalipse vamos respeitar as leis de transito pessoal]

[grunhido raivoso]

[risos]

Algumas pessoas nos perguntaram o por que de estarmos a pé se era mais perigoso, outras nos chamaram de ‘carne fresca’ ou ‘futuros defuntos’, mas quando um morto apareceu no lado da estrada foi George quem teve de ‘derruba-lo’.

Nosso plano era andar até o posto de gasolina mais próximo e pedir ajuda se ainda houvesse uma alma viva que não quisesse nos devorar.

—Se não tiver ninguém vivo, nós lidamos com os mortos e tomamos o lugar, pegamos o que der e procuramos um carro. —George disse, eu e Dan assentimos—Se chegarmos lá ou por do sol, nos escondemos lá dentro e esperamos até o amanhecer.

—Por quê? Quanto mais rápido chegarmos melhor. —Dan protestou

—Não sabemos o que chama a atenção dessas coisas, ou como eles são muito menos sua quantidade. —eu falei—Se sairmos à noite teremos de usar os faróis e não sabemos se a luz chama atenção deles, imagina de encontramos um grupo grande...

George sorriu orgulhoso.

Quando eu ainda morava com meus pais e ele, às vezes eu o ouvia gritar com os protagonistas dos filmes que assistia, ‘Não use a lanterna, seu idiota, vai atrair a atenção deles!”.

Ouvimos chiados, vinha dos rádios de alguns carros, nós três paramos e nos encostamos na mureta que separava as duas pistas, o motorista batia no rádio de seu carro nervoso enquanto sua esposa tentava conseguir sinal para seu telefone.

De repente uma gravação começou a passar no rádio.

‘... [chiados]... crise global... –militares já não conseguem lidar com as criaturas... [mais chiados]... ’

O motorista tentou mudar de estação, na seguinte também era transmitida uma gravação.

‘... Moscou acaba de ser bombardeada, uma bomba nuclear de poder duas vezes maior que a lançada sobre Nagazaki anos atrás, horas antes o governo russo se pronunciou avisando que tal medida teria de ser tomada, pois a capital e as cidades vizinhas haviam sido dominadas pelas criaturas e não haveria outro modo de impedir que se espalhassem... ’

A mulher do motorista desligou o rádio na hora e desatou a chorar, eu não podia culpa-la, aquela situação toda era aterrorizante. Mais a frente um homem em seu carro mudava de estação a cada 20 segundo ouvindo só alguns trechos das transmissões.

‘... Nova York se tornou cenário de filme de terror... ’

‘... Brasil é o único país que ainda não entrou em completo caos... ‘

‘... Campos de refugiados... ’

‘... O presidente foi movido para um lugar seguro... ’

‘... Todos os sobreviventes do oeste devem se dirigir ao interior do Arizona... campo de refugiados... – seguro... ’

‘... [gritos no fundo]... Darwin caiu... não venham! NÃO VENHAM! [gritos]... ’

Depois dessa ultima, o homem tirou uma arma do porta luvas, abriu a boca... George me puxou para perto de si e me impediu de ver o que aconteceu a seguir, mesmo tapando meus ouvidos com toda a força que eu tinha... o tiro soou alto e claro...

[Amber: Não consigo mais contar... ]

Dan:

Depois disso, nós voltamos a andar, sem parar momento algum, Amber parecia traumatizada, tremia como se estivesse na neve, ela era fraca no começo.

[Amber: Eu não era fraca! Não vamos nos esquecer que foi o senhor que vomitou quando as tripas daquele morto caíram no chão!]

[Dan: É obvio que vomitei, eu tinha acabado de comer e de repente um morto rasga a barriga na cerca... caralho dá ânsia só de lembrar]

[Pigarro irritado]

[Dan: Foi mal, G]

Nós andamos muito até achar o posto de gasolina, estava vazio, parecia ter sido abandonado as pressas, havia somente um carro lá, as portas da lojinha de conveniência estavam escancaradas, tinha sangue no chão e um morto devorando um corpo. George bateu na cabeça do morto algumas vezes com o taco de baseball até tudo virar uma papa repugnante, quando ia fazer o mesmo com o corpo que havia sido devorado, Amber deu dois tiros na cabeça do recém defunto, sua mão tremia enquanto segurava a 38 milímetros do homem que atirara na própria cabeça, nós a havíamos roubado, assim como alguns outros pertencer do suicida.

[Amber: Não diga que roubamos, isso me faz sentir mau por ele... ]

[grunhido]

[Dan: Mas dizer que pegamos emprestado seria uma mentira, agora cale a boca e me deixe continuar!]

—Amber!! —George tirou a arma das mãos dela rapidamente—O que você pensa que está fazendo?!

Ela começou a chorar como um bebê.

[Dan: nem pense em me interromper]

George a abraçou e suspirou.

—Está tudo bem, vai ficar tudo bem... shiii. —tentou acalma-la

Ele me lançou um olhar de desculpas, dei de ombros, ela estava com medo, eu podia entender, eu vi os miolos daquele cara manchando o teto do carro, quase fui devorado pelo motorista do ônibus... Eu também estava com medo.

Depois de acalmar Amber, nós puxamos o carro mais para perto da lojinha de conveniência, George vasculhou o local enquanto eu cuidava de Amber. Havia acontecido um mini desastre lá dentro, prateleiras foram derrubadas, mortos caídos no chão presos embaixo delas... terminamos de limpar o local quando os últimos raios de sol sumiam no horizonte, empurramos algumas coisas para a frente das saídas- janelas e portas- para impedir que algo entrasse e nos aninhamos em um canto. Jantamos pãezinhos, uns que achamos ali, e bebemos refrigerante, essa era a primeira noite de muitas que passaríamos juntos nesse mundo.

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Acordamos uma ou duas horas antes do sol nascer, pegamos tudo o que nos seria útil- comida, água e outras coisas-, Amber parecia mais firme, ela dormira a noite toda ou pelo menos pareceu ter dormido. George ficou acordado por um bom tempo tentando se comunicar com seus pais e eu ... Eu não dormi de imediato, mas consegui tirar um cochilo, não muito longo, obvio. Mas todos nós tínhamos forças suficientes para mais um dia.

George contava pela terceira vez as balas na arma e na caixinha que havíamos roubado do homem.

[Dan: Nem começa, Amber!]

Amber tentou mais uma vez se comunicar com seus pais, mas no fim acabou bufando e desligando o celular com brutalidade.

—Nada? —George indagou

Ela negou com a cabeça.

—Você acha que eles estão bem? Eu liguei para nossos vizinhos e nada também, até Adam... —ela disse

Ele suspirou, eu o encarei. George é três anos mais velho que eu e dois mais novo que Amber, entretanto ele parecia dez anos mais velho e responsável. Realmente ele parecia física e mentalmente mais velho, pois desde o dia anterior suas sobrancelhas estavam constantemente franzidas, sua expressão era séria e concentrada, até mesmo sua postura havia mudado. Tudo em apenas um dia. O mais estranho é lembrar que dias antes ele era só um geek maluco pulando no vestiário com gelo nas calças.

—Eles estão bem, eu sei disso, papai não deixaria uma gripezinha idiota transforma-lo em uma presa fácil, e Adam é o cara mais forte que eu já conheci, ele vai proteger aqueles dois por você. —ele falou

Amber abraçou o celular.

—Tomara.

Sorri ao ver os primeiros raios de sol surgirem no leste.

—Logo poderemos partir.

George guardou as balas junto com a arma em sua mochila.

—Só tem mais uma coisa que precisamos fazer. —ele disse tirando uma tesoura do pacote—Amber vamos cortar seu cabelo.

Amber arregalou os olhos, agarrou os cabelos e recuou.

—P- por quê?

—Se uma dessas coisas aparecer e começar a te perseguir ela pode agarrar seu cabelo e te puxar, eu joguei The Walking Dead, sei do que estou falando. —ele disse

Ela implorou, fez birra e chorou, mas no fim George cortou seus belos cabelos castanho claros compridos deixando-os na altura da nuca e desiguais.

—Meu cabelo... —ela choramingou apalpando a cabeça

[George: Não ficou tão ruim assim]

[Amber e Dan: Ficou sim!]

—Vamos, mulher, quanto antes irmos melhor. —sorri

Tiramos as coisas da frente da porta e levamos o que recolhemos, o que acreditávamos ser necessário, para o carro. Assim que terminamos fechamos a porta para que nenhum morto entrasse na lojinha, demos uma olhada no carro- que graças a Deus funcionava- e colocamos Amber para dirigir.

Foi quando nossa ‘jornada’ começou de verdade.”

Notas finais
E ai? Mereço reviews? Favoritos? :3