Rotina

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Essa fic é fruto de uma insônia do capeta. Há cinquenta por cento de chance de você ficar com diabetes depois de ler esse texto. Sinto muito. Escrevi essa história há dois anos e fiquei com dó de deixá-la sozinha e empoeirada nos meus arquivos perdidos por mais tempo. Enfim, espero que vocês gostem. ;)

Oliver acordou com a luz fraca da manhã passando pela cortina e o som familiar de saltos batendo contra o assoalho do apartamento. Não precisou nem abrir os olhos para saber que aquele seria um dia como qualquer outro: ele iria demorar meia hora para realmente levantar da cama, tempo suficiente para que Nina pudesse terminar de se arrumar, lhe dar um beijo de despedida, pegar as chaves na bancada da cozinha e desaparecer pela porta com um sorriso capaz de iluminar o mundo inteiro.

No meio tempo, ele iria colocar a primeira camisa que encontrasse no armário e tomaria o café frio. Colocaria comida nova para a Olivia, que provavelmente ainda estaria estirada no sofá, espalhando bolas de pelo por todo lado como se fosse dona do mundo. Depois, iria sair para procurar um emprego durante toda a manhã até o entardecer, e quando voltasse, a gata ainda estaria deitada no mesmo lugar do sofá, dormindo, e ele teria que checar se ela ainda estava viva.

Só de pensar em mais um dia de entrevistas de emprego sem sucesso, Oliver já se sentia cansado. Talvez pudesse ficar só hoje sem fazer nada.

Ele se remexeu na cama bagunçada e olhou para o relógio do despertador. Droga. Ele realmente teria que levantar em algum momento.

Oliver pôde ouvir o ruído ritmado dos saltos se aproximando do quarto, e logo depois a porta foi aberta, deixando um espaço minúsculo apenas para que Nina fosse capaz de passar sua cabeça pela fresta e espiar dentro do quarto. E quando percebeu que Oliver já estava acordado, sorriu — aquele sorriso que ele sempre adorou, que ela só mostrava para ele.

— Bom dia — foi a primeira coisa que Nina disse, como em todas as manhãs, e sua voz suave atingiu os ouvidos dele como uma canção.

— Bom dia. Você está adiantada hoje.

Ela abriu mais a porta, entrando no quarto e se sentando no seu lado da cama. Seu cabelo estava um pouco mais arrumado que de costume, caindo em cima do ombro em ondas negras e soltas. Usava um vestido social amarelo com um colar de prata no pescoço e o salto alto que Oliver adorava. Era quase um pecado ela ir trabalhar tão linda.

— Pois é. Eu queria acordar mais cedo para poder me preparar pra reunião de hoje.

Ele se aconchegou melhor na cama, apoiando a cabeça no braço para poder enxergá-la melhor.

— Hum... É por isso que você está assim tão arrumada?

— Também. — ela deu de ombros — Não sei, eu estava me sentindo animada hoje.

Oliver assentiu, pensativo.

— Ei, aquele tal de Mark vai estar lá?

— Bom, ele também é um dos professores, então...

Ela revirou os olhos de uma forma engraçada, e ele não resistiu à vontade de entrelaçar seus dedos com os dela e puxá-la pela cintura de volta para a cama. Nina ficou lá, meio deitada, meio sentada, em cima dele, abraçando-o com a mesma força com a qual ele a agarrava.

— Eu não gosto de como ele fala com você. — Oliver murmurou em seu cabelo, e ela riu contra o pescoço dele — É verdade! “Nina, você é incrível”, “Nina, como você está linda hoje!”

— Bem, se o que você sente pelo Mark é ciúmes, não precisa se preocupar. Ele é muito inteligente, muito gentil e também muito, muito gay.

Um sorriso involuntário tomou conta de Oliver, e ele teve que esconder o rosto na curva do pescoço dela.

— Além do mais, eu já estou comprometida.

Ele ergueu o pescoço e se soltou um pouco do aperto, olhando diretamente nos olhos castanhos e brincalhões da mulher maravilhosa em seus braços.

— É mesmo?

— Mesmo. — Nina respondeu, aproximando mais seus rostos — E sabe de uma coisa? Eu não poderia estar mais apaixonada pelo meu namorado.

Ela o beijou delicadamente, e naquele momento Oliver se sentiu da mesma maneira como sempre se sentia toda vez em que acordava com ela ao seu lado: como o homem mais sortudo da face da terra.

E o mais impressionante é que ele nunca acreditou que algum dia seria capaz de se sentir assim. Mas com ela, desde o início, tudo sempre pareceu muito fácil, mesmo quando as coisas estavam complicadas.

Quando eram só ele e ela; Oliver e Nina e, às vezes, Olivia balançando o rabo entre eles no sofá, o mundo era mil vezes mais simples.

Por isso, quando Nina se separou e lhe deu um último beijo de despedida, Oliver a segurou pelo pulso e a trouxe de volta a seu peito.

— Vamos, Oliver, eu tenho uma reunião hoje.

Ele suspirou, abraçando-a mais forte.

— Quão importante é essa reunião?

— Muito importante.

Oliver assentiu, beijando o ombro exposto da namorada demoradamente.

— Não adianta, Oliver, você não vai me convencer.

Ele arqueou a sobrancelha, aceitando o desafio, e beijou seus lábios com ainda mais vontade.

— Por favor, Nina. — Oliver sussurrou no ouvido dela, a voz saindo abafada e grave de sua garganta — Não vá embora hoje.

— Tudo bem. — Nina disse depois de um tempo — Talvez eu possa ficar mais um pouquinho.

Os dois sorriram dessa vez, e Oliver soube que, a partir daquele momento, ele estava verdadeiramente preparado para passar todos os dias — pelo resto de sua vida — demorando meia hora para levantar da cama, para depois se despedir de Nina com um beijo e vê-la ir para o trabalho com um sorriso. Estava preparado para ver a gata Olivia dormindo em seu sofá e ter que checar se ela ainda estava respirando. E sim, também estava preparado para passar, se necessário, todo santo dia fazendo entrevistas de emprego entediantes e sem sucesso, se isso tudo significasse que aqueles olhos castanhos e o cabelo bagunçado e a cara de sono impagável de Nina fossem as primeiras coisas que ele visse depois de acordar.

E aquela caixinha de veludo vermelho escondida no fundo da gaveta de roupas dele era apenas a prova disso.

Notas finais
Foi isso, gente. Por favor, comentem o que vocês acharam dessa one-shot. Podem elogiar, criticar, podem passar até só pra dar um oi. Eu vou adorar ouvir de vocês! ;) BYE! :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!