Roses And Demons: Warbloom

123 Valente e Solitário


Notas iniciais
Hoje tenho comigo as frases que Spectra nunca diria. Sei não hein, mas acho que meu amigo Boneco de Neve está shippando alguma coisa: - Búúúúúúúú! Vulcaaaaanoooo! Eu vou puxar o teu pééééééé! - Não sei porque ainda insisto em fazer essa névoa. Eu nunca enxergo nada... Ai! Que é isso, uma parede? Ai! Outra parede?! AI! MEU NARIZ! - Ei, Ent. Fiz uma peruca pra você. Tudo bem que fiz com o meu cabelo, e ele nunca tá lá essas coisas, mas dá pro gasto. Eu acho... - O Sol? Ai, o Sol é... Hihihihi! Ele é tão lindo, tão elegante, tão valente... Hihihihihi! Ai, ele é muito gatinho! - Chuif... Eu nunca serei tão feminina quanto as outras garotas da Ordem... Como eu vou conquistar o Sol assim? - Eu digo que é assim e pronto! Por que? Eu sou juíza, ora essa! Respeite a autoridade, ô civil! - Ei! Tire as suas patas imundas do meu Solzinho, sua vaca! - Ah, nada como ver essa zona de quartel general... Me sinto em casa! - Meu cabelo precisa mesmo é de um tratamento de choque. E já sei quem pode me ajudar... Electron, venha aqui! - Bebendo escondida de novo, né, Viper? Você não aprende mesmo. Anda, passa uma garrafa aí que eu fico quieta. - Eu, Spectra, recebo-te por meu esposo a ti, Sol, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe. - Não é à toa que todo mundo me chama de fantasma. Com um cabelo que nem o meu, até eu tenho medo...

Samantha Datch nunca imaginou que um dia ficaria cara a cara com um membro da Ordem da Rosa Branca sem que ambos erguessem as armas para combater um ao outro. Sol já havia despertado há algum tempo e imediatamente uma discussão se iniciou entre ele e Fernand. Embora estivessem cansados demais para partir para um confronto legítimo, ambos não paravam de gritar e reclamar um do outro.

A bruxa tentava se esforçar ao máximo para não prestar atenção naquela ladainha, sabia que ficaria furiosa rapidamente se o fizesse e não se encontrava em posição de sequer dar uns cascudos no guerreiro da terra. Precisava economizar suas forças caso a situação subitamente perdesse seu tom de tolerância. Ainda assim, e a despeito do ódio que sentia pelas autoridades de Chesord, ela já não tinha interesse em retomar um confronto. Pelo menos ainda não.

Tanto a manipuladora das trevas quanto Scythe estavam sentadas no chão, exaustas depois da batalha, e seus olhares se encontraram. Era uma situação estranha para ambas, que simplesmente não sabiam como se comportar para tentar tornar aquela situação um pouco menos tensa que fosse. Se havia algo em que não tinham experiência era definitivamente como dialogar.

Foi com um esforço herculeano que Sabrina Grimheart conseguiu dizer algo, embora não fosse exatamente um assunto banal. De toda forma, ela o fez num tom calmo e respeitoso.

–Que história é essa sobre vocês se tornarem nossos aliados?

–Não estou exagerando quando digo que é uma longa história. Se tudo der certo em breve o líder de vocês virá ao campo de batalha para esclarecer tudo com o general do exército chesordiano.

–Então é sério mesmo?

–Sim. – Samantha estava prestes a deixar a conversa morrer, mas se esforçou também, embora fosse tão inexperiente quanto a controladora da morte no quesito de propor um assunto agradável. – Como foi que você me derrubou naquela hora? Eu achei que estava encurralada.

–Eu estava mesmo. Posso aumentar a intensidade com que meus poderes afetam a vitalidade dos outros ao redor, embora o alcance diminua com uma potência mais elevada. Além disso, também sou afetada e naquela hora eu usei força total.

–Então você escolheu arriscar a própria vida para não perder a luta?

–Bem, se eu não fizesse isso você teria me matado de qualquer jeito, não é? – Um tanto constrangida, Scythe abriu um pequeno sorriso amarelo.

–É...

A discussão entre os outros dois manipuladores estava cada vez mais acalorada, ao ponto que não era mais possível ignorar. Sol berrava a plenos pulmões.

–E o que eu vou fazer com o meu dente agora?! Você me deformou, seu monstro!!!

–Pelo amor de Argenta, será que vocês não conseguem manter a boca calada por cinco minutos?! – Ergueu-se a bruxa, gritando também. – Se perder um dente é uma tragédia tão terrível assim, eu posso usar uma magia para que outro cresça no lugar!

–É... sério isso? — Lucas Angels subitamente se viu esperançoso.

–Cuidado, Sol, ela pode criar uma verruga enorme no seu nariz ao invés disso! – Brincou Scythe, rindo.

–Sem brincadeiras! – Protestou o controlador das estrelas, observando Samantha com incerteza. Ela era uma inimiga e ainda por cima uma bruxa, como poderia confiar?

–Eu não tenho o dia inteiro. Se quer o dente de volta sua chance é agora.

“Magias, sejam elas Airalos ou Airanul, são geradas a partir da energia vital dos nossos espíritos. É a mesma energia que mantém nossos corpos vivos e, por este motivo, um ser humano não é capaz de controlar grandes quantidades a seu bel prazer. Tentar fazer isso é suicídio, e é por este motivo que para usar magia vocês precisam de um bom controle sobre o fluxo espiritual.”

Elbio Lumarc lembrou da explicação que ouviu alguns anos atrás, numa ocasião em que teve de entregar alguns livros para Madame Ancara durante uma aula para bruxas iniciantes. Lamentava o fato de nunca ter recebido nenhum treinamento formal no uso de magia.

–“Mas também, quem é que ia adivinhar que um dia eu viraria um bruxo? E ainda mais desse jeito.”

Ele observava com desgosto o conflito que desenrolava logo abaixo dele. Os soldados de ambos os lados, preocupados demais em lutar, não davam a menor atenção para a figura angelical flutuando ali perto.

–“Eu acabei gastando energia demais voando de um lado para o outro. Mas se eu não fizer nada a situação só vai favorecer o tal Banemare, ou pior, podemos colocar tudo a perder se um dos comandantes for morto. Tenho que arriscar.”

Um suspiro. E então todo o corpo do rapaz se envolveu numa aura prateada e foi ao chão num instante, liberando uma poderosa onda de choque que empurrou e derrubou vários soldados ao redor. Sem perder tempo, Elbio se ergueu e disparou rajadas de energia, atingindo chesordianos e empericianos sem distinção.

A súbita aparição de um anjo deixou os guerreiros de ambos os lados completamente confusos. Alguns rapidamente o julgaram inimigo e atacaram, mas a maioria permaneceu parada, estupefata, e até mesmo aqueles que estavam distantes do ponto de impacto pararam para prestar atenção no alvoroço.

Os soldados que avançaram não puderam alcançar Lumarc com suas lâminas, que foram detidas em barreiras translúcidas de pura força mágica. Com um bater de suas asas, o bruxo liberou uma nova onda de impacto, atirando para trás os guerreiros que o rodeavam.

Em seguida, o rapaz moldou um enorme bastão com seus poderes e, segurando firmemente com as duas mãos no centro, impulsionou-se, mergulhando num voo por entre as fileiras dos exércitos, lançando ao chão todos por onde passava. Havia conseguido cumprir seu objetivo: impedir que os militares de Chesord e Empericia continuassem a se matar, mas no processo havia inevitavelmente se tornado inimigo de ambos os lados.

Sem fraquejar, ele continuou a combater enquanto inimigos subitamente uniam forças para tentar sobrepujar o terrível adversário. Em meio à confusão, Agas Pyrath observava a cena com enorme curiosidade.

–É aquele jovem de antes! Eu não acredito que ele realmente interrompeu a batalha, mas que loucura! Ele quer tanto assim que os dois lados cheguem num acordo?

O comandante estava honestamente admirado, vendo na figura de Elbio um anjo valente e solitário. Para levar alguém a se arriscar tanto assim, não havia dúvidas de que a mensagem que Yasmin trazia era de suma importância. Será que deveria ordenar a seus homens que recuassem? Deveria fazer essa aposta, mesmo sabendo que isso poderia acarretar a desgraça irreversível de seu reino?

Enquanto isso, o guerreiro que comandava magia estava de volta ao chão, incapaz de manter suas asas. Qualquer incerteza que houvesse entre os soldados que tentava nocautear já havia desaparecido, eles enxergavam a figura angelical apenas como uma ameaça.

Perto dali, Yasmin corria o mais rápido que podia em direção ao local onde a batalha ainda transcorria. Embora não pudesse mais ver seu amigo agora que estava no meio da multidão, ela tinha certeza de que a figura reluzente que vira entrando e saindo da massa de homens era, sem sombra de dúvidas, Lumarc. Além disso, ela também compreendia o que isso significava.

–Elbio, seu louco! É bom você não morrer, senão eu vou mandar seu corpo de volta para as bruxas num jarro de cinzas!

Para seu azar, o bruxo já estava no limite. Prestes a ser subjugado pelo número opressor de inimigos que fizera, ele liberou o que lhe restava de energias numa última onda de choque que afastou todos os algozes num raio de três metros, derrubando-os sobre os soldados que estavam atrás. Então ele caiu de joelhos no chão, apoiando-se com as mãos para não ceder.

–“Não dá mais...”

Lentamente, os guerreiros ao redor começavam se aproximar novamente, com cautela, pois temiam algum tipo de ataque surpresa. Mas nenhum veio e eles tomaram coragem de erguer as espadas para eliminar o perigo que Elbio representava.

Notas finais
A batalha entre os dois exércitos finalmente se encerra. Capítulo 224: Ao Final do Dia Em breve.