Roses And Demons: Warbloom
47 Rosa ao Vento
Notas iniciais
Fui ameaçado de morte por causa deste capítulo...
O momento pareceu congelar no tempo quando William lançou o golpe. Seus olhos reluziam num tom amarelado, repletos de uma fúria inumana. Ent era um homem de idade e, portanto, era detentor de um conhecimento extenso. Não pôde deixar de traçar um comparativo entre seu inimigo e um demônio, não apenas pela forma como agia, mas também devido à cor de seus olhos, um dos poucos detalhes em comum que os raros textos que tratavam de tais assuntos esotéricos associavam aos demônios.
O momento passou e a realidade clamava por uma reação da parte de Ent, que corria o risco de ser ferido gravemente caso nada fizesse. -Um punho veloz, mas previsível demais! Ent ergueu seu braço direito, dobrando-o diante de seu rosto logo abaixo do pulso do manipulador do vento. A força aplicada no sentido vertical fez com que o punho se erguesse, passando acima da cabeça do alvo. Então, através de um chute desferido com a perna do mesmo lado, o velho afastou seu oponente. William aparentava estar surpreso com o contragolpe, pois seus olhos arregalados não demonstravam sinais de agressão. Mas isto durou apenas um segundo, pois eles lentamente cerraram e uma furiosa ventania invadiu o campo de batalha, lançando tudo para o alto. Embora soubesse que deveria se concentrar na luta, cada vez mais Ent se perguntava se a mudança extrema no garoto era fruto de alguma influência demoníaca. Tal pensamento corroborava o que havia sido declarado pelo rei: que as tropas de Empericia eram guiadas por forças malignas, mas se isto fosse verdade então talvez William fosse inocente. “Eu não escolhi estar aqui, estou lutando porque esta é minha obrigação e nada mais.” Estas palavras, ditas por William durante a batalha pelo pilar de Caeth, fizeram com que o controlador de plantas sentisse empatia pelo rapaz. Agora elas retornavam à sua mente juntamente com um desejo de libertá-lo dos grilhões que o atormentavam. -Cuidado, vovô! – Gritou Gabrielle, agora livre graças à violência do furacão. Elevado no ar, Ent não conseguiria usar plantas para se defender a tempo do ataque veloz que vinha do chão. Assim, usou ambas as mãos para segurar com firmeza o braço de William quando este o alcançou. Infelizmente para o velho, a eletricidade que corria pelo corpo do adversário o atordoou, e então foi arremessado contra o chão. -Droga, o que eu faço? Eu preciso fugir, mas se eu fizer isso... – Até mesmo a irmã de Gabriel reconhecia a ironia das palavras que dizia, pois momentos atrás ela mesma seria capaz de matar Ent. Contudo, a menina reconhecia em William um ameaça para todos. Por mais que seu olhar estivesse fixo na Ordem da Rosa Branca, ele certamente não hesitaria em matá-la também. O empericiano retornava ao solo já preparado para desferir um novo golpe contra o manipulador caído. Contudo, a menos de dois metros do chão, deteve-se usando o vento para segurar-se no ar enquanto um martelo atravessava em arco o lugar onde estaria no momento seguinte. Gabrielle, seguindo seus instintos, conseguiu salvar Ent, mas ao preço de atrair a atenção do agressor para si. -“Essa maldade que emana dele é tão intensa, eu nunca senti nada parecido. Se esse monstro não for detido, só Prima sabe que tipo de desgraça ele pode causar.” Mas antes que a bruxa pudesse fazer algo contra William, este reuniu uma enorme quantidade de energia elemental, furioso com a interrupção. Em seguida disparou tudo numa esfera de relâmpagos negros concentrados que arrastou Gabrielle vinte metros pelo chão antes de se dissipar, deixando apenas uma trilha fumegante. -Como teve coragem?! Enraivecido pela brutalidade do manipulador do vento, Ent puxou uma de suas pernas e o trouxe para o nível do solo, atingindo-o então com uma joelhada no abdômen. Contorcendo-se de dor, William foi ao chão. -“Não adianta nada eu pensar em como salvá-lo neste momento. Qualquer distração nessa luta pode ser fatal, então minha prioridade é contê-lo.” O rapaz mal se levantou e já foi surpreendido por uma sequência de socos e chutes desferidos com uma fluidez espantosa. Para combater a velocidade superior do adversário, Ent fintava o tempo todo, atacando sempre de uma forma inesperada. -Não se preocupe, William, eu vou encontrar uma forma de te ajudar. Agora me ajude você e desmaie de uma vez! Mas William não caía e a atmosfera ao seu redor estava cada vez mais instável. Por fim, o velho se viu obrigado a tomar distância quando relâmpagos negros começaram a infestar o ar. Em seguida, Storde passou a direcionar suas rajadas elétricas, mas Ent se movia rápido demais para ser atingido. Apostando a vitória no ataque seguinte, ele se aproximou tão veloz quanto suas esquivas o permitiam. O manipulador do vento estava ciente de que se seria atacado quanto viu o inimigo se aproximar e estava pronto para afastá-lo com a fúria de seu elemento. Contudo, galhos puxaram seus braços para trás, tirando toda a sua concentração. Resistindo às cargas elétricas ao redor de William o controlador das plantas atingiu sua cabeça com um chute, derrubando-o mais uma vez. -Espero que isso tenha sido suficiente. – Disse o velho, limpando o suor da testa. Veloz como um vulto, William se ergueu ao alto, tornando-se apenas um ponto escuro no céu tingido de vermelho.
— Será que ele está tentando fugir...? Não, ele está... Ent viu relâmpagos se desenhando no céu com intensidade cada vez maior. Estava claro para ele o que aconteceria, mas antes que tivesse a oportunidade de fugir, já era tarde demais. Um enorme raio negro desceu ao seu encontro. Um som retumbante assustou Electron e Aurora, fazendo-os olhar para trás. Permaneceram um momento parados, sem dizer qualquer palavra, tentando entender o que havia acontecido. Então, uma fina camada de fumaça começou a se erguer ao longe. -Será que o Ent tem algo a ver com isso? – Perguntou a controladora do gelo, incapaz de esconder a preocupação em sua voz. -É possível, mas esse barulho pareceu uma queda de raio. Ent com certeza não seria capaz de fazer algo assim, e aquela bruxa que ele estava perseguindo provavelmente também não. – Respondeu o outro integrante da ordem. -Será que ele caiu numa cilada? Ou então... Leonard sabia muito bem o que sua colega estava insinuando e a incerteza o fazia acreditar cada vez mais nessa possibilidade. Sendo assim, quem mais precisava de sua ajuda no momento era Ent, mas a ideia de abandonar Aurora naquele lugar ainda era absurda para ele. -O que faremos agora, Electron? Mas ele não podia virar as costas para um amigo que pudesse estar correndo risco de vida. -Por favor, volte o mais rápido que puder para o acampamento. Eu vou averiguar o aconteceu. -Tome cuidado então. -Não se preocupe, Aurora, eu e Ent voltaremos inteiros, pode ter certeza.
Notas finais
Sua batalha só termina quando todos estiverem mortos.
Capítulo 148: Diante da Morte
Em breve.
Capítulo 148: Diante da Morte
Em breve.
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