Roses And Demons: Warbloom
110 Por Nós Mesmos
Notas iniciais
Com o fim de Warbloom próximo, estou considerando realizar uma revisão de todos os 200 e tantos capítulos que escrevi até hoje (e dos que ainda escreverei) antes de começar Wilting Flowers. Como isso deve demorar pra caramba, é bem provável que eu lance alguns extras durante este tempo, algo que já faz algum tempo que quero fazer.
Um ano antes da morte de Martin Dedsoyon. Ele e seu melhor amigo, Thomas Ashfield, estavam diante um do outro no pátio do quartel-general da ordem, separados por uma distância de aproximadamente quatro metros. O antecessor de Roger como Quartzo estava bastante calmo, mas o outro manipulador ofegava, limpando o suor de sua testa.
–Qual o problema, Vulcano? Você consegue fazer melhor do que isso! Com um grito que canalizava seu esforço, o controlador do magma disparou uma rajada incandescente a partir de suas mãos, mas o golpe foi facilmente detido por uma muralha criada num instante por Martin. Mesmo aumentando a intensidade das suas chamas, o menino que agora tinha cabelos e olhos castanhos num tom muito próximo ao vermelho não conseguiu atravessar a proteção e caiu de joelhos, exausto. Deixando a barreira se espatifar, Quartzo exibiu um sorriso amistoso e começou a caminhar na direção do amigo. Ao alcançá-lo, deu-lhe um tapinha nas costas e o ajudou a se levantar.–Continuamos depois, acho que agora é melhor comer alguma coisa, Thomas.–É... pode ser. Enquanto os dois caminhavam pelos corredores do edifício, o controlador dos cristais notou a expressão melancólica no rosto do colega. Ele já imaginava o motivo daquilo, mas não queria ser incisivo.–Não precisa fazer essa cara, eu acho que você está evoluindo bem.–Eu não quero essa vida, Martin. Não quero ser um manipulador!–É verdade que você tem o direito de desistir da Rosa Branca e do que ela representa, mas é justamente por fazermos parte dela que-–Que podemos evitar que tragédias aconteçam e que mais crianças se tornem órfãs como nós. Foi com essas palavras que você me convenceu a entrar, mas mesmo assim... Tamanha era a angústia de Vulcano que ele sequer sabia como se expressar, mas ainda assim seu amigo o compreendia. A violência sempre o aborreceu, e nunca teve apego a atividades que exigiam esforço físico. Sua verdadeira paixão, e um dos motivos que o levou a criar um laço tão forte com Martin, eram os livros. O pai deste último, embora falecido há bastante tempo, havia deixado uma coleção respeitável para sua família. Realista, Ashfield aceitou entrar na ordem porque sabia que assim poderia ajudar outras pessoas, mas ao mesmo tempo era assombrado pela noção de que no fundo, mesmo sendo chamado de herói, não passava de uma ferramenta do reino. Uma arma para ser usada até encontrar algo capaz de destruí-la, e seu trauma era uma lembrança sempre presente de que existiam monstros capazes de matar até mesmo um manipulador. Enquanto outros encontravam propósito na Ordem da Rosa Branca, Vulcano enxergava apenas um futuro de amargura. Mesmo assim, Quartzo não desistia de tentar mostrar a ele que existia uma luz adiante, que aquele caminho valia a pena.–Escute Thomas, cada um de nós tem seus motivos para lutar, então eu vou lhe contar o meu. É verdade que eu quero evitar que outras pessoas sofram como nós e Maya, mas não é só isso que me move. Eu também me esforço para construir um futuro feliz para mim e as pessoas com quem me importo. Martin fez uma pausa enquanto abria a porta para o refeitório da Ordem. O lugar estava vazio, mas sempre havia alguns cestos com frutas, pão e outros alimentos sobre as mesas. Quando ambos sentaram ele prosseguiu.–Sabe por que você não consegue usar seus poderes tão bem quanto eu? Porque você não tem convicção suficiente, e isso é algo que só conseguimos quando nos esforçamos de verdade, não somente pelos outros, mas também por nós mesmos. Tenho certeza de que quando começar a acreditar num futuro melhor, vai se tornar um excelente manipulador. A postura de Karin Annings o lembrava de seu finado amigo. O vácuo que essa perda abriu em seu coração o impediu de acreditar nas palavras de encorajamento que ele disse, o impediu de cumprir a última promessa que fizeram, pouco antes da morte de Martin. Como se isso não fosse angústia o bastante, agora a menina queria forçá-lo a continuar uma luta sem sentido? Mas se recusasse, sabia que ela causaria um dano enorme a seus aliados, logo o controlador do magma não tinha escolha. Não, isso era mentira. Ele tinha escolha sim, não precisava continuar derramando suor e sangue apenas para proteger os outros. Esses eram os pensamentos que cruzavam a mente de Thomas, e por um momento ele esteve prestes a optar por dar as costas definitivamente a Karin. O que o impediu de tomar essa decisão foi a certeza de que veria a si mesmo como um covarde pelo resto da vida se o fizesse. Ainda assim, não acreditava que sua linha de pensamento estivesse errada. Mesmo que escolhesse lutar, não precisava fazê-lo por outras pessoas. Poderia lutar por si mesmo, não era isso que Martin havia dito tanto tempo atrás? No fundo Vulcano estava farto de se afogar em suas lamentações, e já que a manipuladora da luz não lhe daria a opção de se render, ao menos uma vez ele queria tentar. Queria fazer um esforço por seu próprio bem. Assim, ele ergueu o braço direito e uma coluna de lava irrompeu sob os pés de sua adversária.
Ashfield notou, antes que a menina fosse oculta pela rocha derretida, que ela tinha se protegido com sua costumeira barreira esférica de luz. Então, estendendo o braço esquerdo à frente, abriu um pequeno buraco logo adiante de si, do qual saltaram dezenas de bolas de magma que explodiam ao atingir a barreira. Mesmo exigindo um esforço enorme, Thomas manteve seu ataque enquanto sentia uma energia poderosa pulsar dentro da coluna ardente. Sua concentração e seu equilíbrio foram tirados quando uma tremenda onda de choque se expandiu, mas ele rapidamente se colocou em pé outra vez, enxergando Karin ilesa, mas visivelmente desgastada, com um dos joelhos dobrados e usando seu cajado como apoio.–Tudo bem... agora acho que você... está levando isso a sério... Mesmo sem se levantar ela disparou três feixes de sua arma que dançaram pelo ar, voando erraticamente na direção do controlador do magma. Prestando muita atenção nos padrões das trajetórias, este ergueu blocos flamejantes de rocha do chão que se espatifaram ao serem atingidos, mas anularam o ataque.–Ah, é assim?! Agora erguida, Annings empunhou seu cajado com ambas as mãos e o apontou na direção do oponente, lançando um largo raio. Mas desta vez Vulcano não seria surpreendido e elevou o solo ao seu redor na forma de um círculo a três metros de altura. Enquanto seu suporte era destroçado, ele, que não havia sido atingido, saltava adiante usando os escombros que caíam como apoio. Finalmente, ele se lançou adiante uma última vez, invocando sua rapieira enquanto caía em diagonal sobre a manipuladora da luz. Esta tinha noção de que ele pretendia atingi-la com a arma, mas previu que também a atacaria por baixo novamente, desta vez com chamas que giravam ao redor do escudo esférico que ela se apressou a criar. Sem tempo para reunir energia suficiente para contra atacar, Karin apenas assistiu enquanto filetes de rocha escaldante envolviam a arma de Thomas, resultando numa poderosa explosão quando a ponta atingiu a proteção, que causou inúmeras fissuras. A menina segurou o fôlego, ao mesmo tempo assustada com o impacto e aliviada que sua barreira havia resistido. Contudo, assim que seus pés tocaram o solo, Ashfield fez uma grande massa de magma ascender, atingindo a parte trincada do escudo luminoso, gerando outro estouro violento. A discípula de Jack Faith foi impulsionada violentamente para trás e caiu de costas, agora com pequenas queimaduras pelo corpo e partes da roupa levemente chamuscadas. Ela se levantou com alguma dificuldade e, ao fazê-lo, seu chapéu caiu e ela percebeu que estava arruinado, com um buraco no meio. Em seguida seu olhar foi de encontro ao adversário que ofegava, mas tinha uma expressão afiada.–Agora sim, é disto que estou falando! Apesar de tudo, Karin estava feliz. Mas ficaria ainda mais quando desse uma surra naquele rapaz que finalmente havia decidido brigar para valer.
Notas finais
Para se equiparar com Vulcano, Karin supera seus próprios limites.
Capítulo 211: Promessa
Em breve.
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