Roses And Demons: Warbloom
130 Pare de Agir Como um Covarde
Notas iniciais
Depois de 130 capítulos, Roses and Demons: Warbloom também chegou ao seu final. Antes de começar a escrever a próxima etapa pretendo dedicar um tempo a reler todos os 230 capítulos. Contudo, também não pretendo deixar a história parada e, portanto, tenho a intenção de colocar em prática uma ideia que está na minha cabeça há um tempo. Em breve devo lançar novos capítulos em Roses and Demons: Extra, descrevendo os domínios infernais de Pravus.
Agas ergueu o tronco e se espreguiçou, bocejando, antes de se dar conta de que algo estava terrivelmente errado. Tão logo quanto abriu os olhos em definitivo pôde constatar que havia um enorme barranco à sua frente, algo que absolutamente não deveria existir no lugar onde dormira. Então analisou os arredores e fez sua segunda constatação desagradável.
A monstruosidade rubra tinha um formato corporal que remetia ao humanoide, mas permanecia apoiada nos braços robustos. Já sua cabeça tinha feições absolutamente bestiais, com a boca e o focinho alongados, assim como orelhas enormes e uma tufo de pelagem negra logo acima da testa. O mais velho dos gêmeos já havia ouvido falar em tal criatura, o oni-beemote, e segundo os relatos tratava-se de uma fera rara e perigosíssima. Talvez até fizesse sentido que existissem espécimes na temida Floresta Everdread, mas a pergunta de como foram parar ali martelava sua cabeça. Tudo isto durou pouco mais que um instante, e no momento seguinte Agas se ajoelhou ao lado do irmão e começou a chacoalhá-lo para que despertasse.–Kenoh! Acorde, seu imbecil! Kenoh!!–Eu já disse que foi o Agas que arranhou sua armadura, papai... Mais dormindo que acordado, ele foi forçado a abrir os olhos após receber um soco na cabeça. Irritando-se instantaneamente, ele empurrou o irmão para o lado e se colocou em pé rapidamente.–Mas que diabos você pensa que- espere um minuto, onde nós estamos?–Eu pretendia fazer a mesma pergunta a você! Não tínhamos combinado que quem vigiaria primeiro seria você?–Acho que sim. – Kenoh sentia-se confuso, incapaz de remontar com precisão suas lembranças da noite anterior. – Eu lembro que senti uma picada na nuca, mas não o que aconteceu depois.–Não seja tão duro com seu irmão, Agas! Na verdade é uma surpresa que ele tenha acordado tão cedo depois de receber uma dose daquele sedativo. Uma voz masculina e nada familiar soou do topo da íngreme subida que impedia os gêmeos de saírem do buraco. Ao erguer o olhar eles perceberam que mais de uma dúzia de soldados se reunira na beirada e os observava, dentre eles um homem barbudo e careca com o porte físico mais avantajado dentre todos ali presentes. Este também vestia uma armadura com um formato grosseiro.–Quem é você? O que significa isso?! – Demandou o Pyrath mais velho.–Vocês dois deram bastante trabalho, sabia? Mas foram muito ingênuos de pensar que ninguém os encontraria. Quando soube que estavam viajando fazendo trabalhos como mercenários eu sabia que bastava plantar a isca certa que vocês cairiam na minha armadilha.–Espere um pouco, quer dizer que aquela história do fugitivo escondido na floresta...? – A compreensão subitamente veio à mente de Kenoh.–Nunca existiu, não passa de uma história que inventei para atrair vocês aqui. E agora que consegui está na hora de acabar com os dois últimos membros vivos da linhagem Pyrath original. Está na hora de dizer adeus, Agas e Kenoh. Ou será que eu deveria chamá-los de Sayd e Dan?–Droga, nós fomos descuidados. – Lamentou o homem que futuramente seria pai de Yasmin, frustrado. – A Draconis já está nas mãos deles.–Mas que se dar ao trabalho de nos prender aqui com aquele monstro que parece a mãe da minha primeira namorada? – Indagou Kenoh, em partes para si mesmo. – Ele poderia simplesmente ter nos matado quando teve a chance.–É verdade, mas aí não teria graça nenhuma. Vocês sequer saberiam o quanto foram tolos e que no fim das contas jamais seriam capazes de fugir do terrível Barão Nez. Demorei um mês para completar essa arena improvisada, então tratem de pelo menos não morrer rápido demais quando forem enfrentar meu bichinho de estimação.–Ugh, eu detesto esse tipo de gente que fala demais. – Desabafou o Pyrath mais jovem. – Qual o plano, irmão?–Acho que tentar derrotar o oni-beemote sem a Draconis é uma péssima ideia. Mas quem sabe se conseguirmos subir na cabeça dele...–Essa é a sua melhor ideia? Sério? Dessa vez nós estamos ferrados mesmo, não é?–Não quero mentir para você, Kenoh... Nisto, os soldados de Nez soltaram a parte da corrente que prendia a besta numa árvore. O monstro imediatamente percebeu que estava livre para se movimentar como quisesse, livre para destroçar os pequenos humanos que ousavam dividir com ele seu espaço.–Ah, que se dane, você é mesmo um inútil sem aquela espada. Fique aí assistindo enquanto eu amanso essa coisa feia! Para o espanto da plateia, o gêmeo que vestia armadura avançou destemido e rugiu de volta para o oni-beemote antes de desviar de um golpe perigoso. Com suas garras, o guerreiro desferiu cortes e socos com fúria capaz de ferir até mesmo a besta enorme enquanto desviava de suas patas grotescas e das presas cheias de baba. Agas assistia apreensivo, pois qualquer esperança que tivesse de seu irmão derrotar o monstro sozinho se esgotava rapidamente. Era impossível para um único homem fazer algo assim, mas se num momento de distração conseguisse escalar a fera de alguma forma e alcançar a superfície, talvez houvesse uma chance. A briga espetacular tomou a atenção de todos de tal forma que ninguém percebeu a aproximação de uma figura sorrateira, pelo menos não até que ela chegou perto o suficiente de Nez para arrancar da bainha a espada do barão. O vilão virou para encarar a pessoa que ousava cometer tamanha audácia e se espantou: era uma mulher com trajes rústicos.
Não houve hesitação por parte de Iris, contudo, e ela rapidamente derrubou o homem careca com um soco. Então correu pela orla do barranco, desvencilhando-se dos soldados enquanto se aproximava do local onde estava Agas.–Sayd! – Ela gritou, pois não sabia o verdadeiro nome do jovem que estava prestes a salvar. – Se vai cuidar tão mal assim dessa espada, deveria ter deixado comigo! Mas apesar das palavras, a caçadora jogou a lâmina buraco abaixo e ela se cravou no solo, a apenas poucos metros de distância do Pyrath. Ele a empunhou e soltou um suspiro de alívio para então voltar a assistir a batalha feroz de seu irmão. Admitidamente, estava impressionado. Jamais imaginou que alguém pudesse durar tanto, mas ao observar Kenoh chegou a pensar que estava assistindo o embate entre dois monstros. A situação, contudo, não permitia que perdessem tempo.–Já fez um bom trabalho, irmão. Agora saia da frente que é minha vez. Reparando que Agas estava novamente em posse da Draconis, o mais jovem acatou a ordem e correu, ainda que um tanto insatisfeito por interromper a luta. O oni-beemote, contudo, estava determinado a não deixar sua presa escapar e correu também, ambos seguindo na direção do mais velho. O futuro pai de Yasmin sequer moveu os pés do lugar. Limitou-se a desferir um corte semicircular num ângulo elevado. Mas ainda que a espada jamais houvesse se aproximado da cabeça da aberração, esta se separou do corpo que então tombou. Com alguns saltos para o lado, Agas evitou ser esmagado pelo monstro agora morto.–Exibido. – Disse Kenoh.–Olha quem fala. Não fui eu quem tentou mostrar que conseguia sair no braço com um oni-beemote. Um soldado caiu gritando logo atrás dos gêmeos e eles voltaram a olhar para cima, preocupados com a caçadora, mas bastou um instante para se verem aliviados de novo. A única pessoa em pé acima do barranco era a própria e sorridente Iris Hart.–Vocês garotos já terminaram aí embaixo? Ela lançou uma corda que os dois usaram para escalar e, tão longo quanto deixaram a arena e garantiram que nenhum inimigo estivesse em condições de lhes ameaçar, Kenoh fez a pergunta inevitável.–Não que eu esteja reclamando, mas como foi que você descobriu que estávamos encarrascados?–Eu imaginei que havia algo de errado quando percebi várias trilhas que não poderiam ser de outra coisa senão humanos carregando equipamentos pesados. Entrei na floresta para avisá-los, mas nunca pensei que seriam capturados tão facilmente. Um pouco envergonhados e muito agradecidos, os gêmeos concordaram em contar a Iris a verdade quando ela perguntou o motivo de terem sido emboscados daquela forma. A caçadora ouviu tudo com atenção e, ao final, confessou uma revelação.–Eu já desconfiava que vocês dois eram da família Pyrath. Meu avô, Misael Hart, foi um grande amigo de um homem que acredito que seja o avô de vocês, Cast Pyrath, e me contou muitas histórias sobre a famosa família Pyrath e a espada lendária Draconis.–Espere um pouco! Nós já nos encontramos antes, não foi? – Uma memória veio à tona na mente de Agas. – Quando éramos crianças e visitamos um amigo do meu avô em Releav!–Ah, então você lembra disso também. Eu tive a impressão de que conhecia vocês logo no início.–Então no fim das contas você nos ajudou em respeito à amizade das nossas famílias? – Kenoh fez uma breve pausa e então completou. – Obrigado.–Não apenas isso. Lembra quando eu disse que pensava que vocês precisavam mesmo de um guia, Agas? – O Pyrath assentiu e caçadora prosseguiu. – Eu até entendo que queiram viver em paz, mas não vai adiantar nada continuar fugindo se pessoas como o homem que os capturou hoje ainda estão atrás de vocês.–O que devemos fazer, então? Somos apenas nós dois e nem sabemos quem podem ser nossos inimigos. – Retrucou o gêmeo mais velho.–Pare de agir como um covarde! Se derem as costas para o inimigo, uma hora ele vai pegá-los desprevenidos. Mas se lutarem contra, ao menos terão uma chance de vencer.–Você não pode estar falando sério! Como vamos enfrentar um inimigo desconhecido?! – Protestou Kenoh, mas antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, Agas levantou a mão direita pedindo que os outros dois se calassem.–Ela tem razão, irmão. Mesmo que continuemos a viver escondidos, não podemos fugir para sempre. Além disso, eu acabo de ter uma ideia de como vamos começar nosso contra-ataque!
Notas finais
Desiludido e desesperado, um homem genial toma uma decisão que causaria consequências terríveis para o mundo. A verdadeira motivação por trás do homem que se deixou engolir pelas trevas.
Capítulo 231: O Segredo de Banemare
Nos vemos em Roses and Demons: Wilting Flowers.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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