Notas iniciais
Você(s?) estava(m?) esperando por isso! Uma imagem do Carbon! (ou não, sei lá)

Seja como for, eis ele em bits, pixels e fumaça.

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As baixas de ambos os lados aumentavam aos poucos enquanto o conflito lentamente caminhava em direção ao equilíbrio. Os soldados de Chesord demonstravam toda a sua bravura enfrentando o inimigo, mesmo numa situação tão difícil. As perdas eram claramente maiores no lado dos defensores, mas isto era compensado pelo fato de que seu número de guerreiros era maior do que o dos atacantes no início do confronto. E de uma coisa ambos os comandantes estavam convictos: aquela batalha era decisiva, pois determinaria se a invasão empericiana teria chances de sucesso ou se estaria fadada ao fracasso.

A realidade da guerra era brutal, e isso certamente deixaria cicatrizes psicológicas em Erika Secrett e Gabrielle D’Illusie, mas por pior que se sentissem naquele momento, não se dariam ao luxo de parar. A despeito da pouca idade e experiência em combates tão violentos, ambas mostravam-se mais do que capazes de proteger a si mesmas, em parte devido a seus poderes mágicos, mas principalmente graças ao treinamento rigoroso de Anya.

A princesa era motivada pela humilhação de ter sido capturada e feita prisioneira. O sentimento de impotência, de estar à mercê do inimigo, queimava como um ferro quente e alimentava seu desejo de fazer a diferença de alguma forma. Já a irmã do alquimista tinha os esforços das bruxas que a salvaram na consciência. Sem sequer saber se elas estavam vivas ou mortas, mas acreditando com todas as forças na primeira opção, considerava sua obrigação libertá-las.

Subitamente, uma corrente se enrolou no braço direito de Erika e ela sentiu uma força poderosa a puxando. Esforçando-se para permanecer em pé, logo percebeu que estava correndo na direção de um homem loiro com vestes brancas bem distintas daquelas que os soldados usavam. Ele tinha um olhar confiante, de alguém certo de sua capacidade de derrotar o inimigo. Um tolo na visão da bruxa, pois certamente não tinha percebido a adaga em sua mão livre.

Mas Vulcano percebeu e protegeu seu amigo com sua rapieira, bloqueando a lâmina da oponente. Erika cerrou os dentes, compreendendo como sua situação era desvantajosa, enquanto Sol preparava-se para desferir um soco certeiro. A bruxa simplesmente não tinha condições de se safar e fechou os olhos, esperando apenas que fosse capaz de manter a consciência após o golpe.

-Bons sonhos, mocinha! – Disse o controlador das estrelas.

Erika sentiu o punho do inimigo atingir em cheio seu rosto, mas por algum motivo aquilo não era doloroso. Sua surpresa foi ainda maior quando percebeu que quem estava gritando de dor era justamente o homem que tentou atacá-la, agora apertando o punho ferido com sua mão esquerda.

-Mas... como? – A corrente que prendia seu braço desceu rapidamente, libertando-a. Quando ela tentou dar um passo para trás, sentiu grande dificuldade, seu corpo estava muito mais pesado do que o normal. Contudo, essa situação sumiu rapidamente e então ela percebeu que alguém estava apoiando uma mão em suas costas, Gabrielle.

-Tudo bem com você, Erika? – Perguntou a menina antes de desfazer o contato e se defender de um ataque inimigo.

Agora tudo fazia sentido, mas a princesa decidiu que agradeceria depois. Por hora, assumia novamente a postura de luta, pronta para enfrentar Vulcano. Enquanto isso, Sol continuava cambaleando, até que por fim caiu sentado após se assustar com o impacto de duas armas se chocando.

-Cuidado, você vai ser atingido! – Criticou Aurora, atingindo as pernas de um soldado com seu bastão.

-Droga, parece que eu soquei uma parede! – Reclamou o loiro.

-Levanta logo, nós não temos tempo para isso. – Insistiu a controladora do gelo.

Aquele rapaz contava com apenas vinte e dois anos, era impaciente e energético. Caminhava em círculos, mal dirigindo seu olhar para as cinco bruxas que deveria proteger. Sua mente não estava em sua missão, e quando ele finalmente se cansou dos próprios pensamentos, chutou o solo com sua bota metálica e desabafou.

-Nós deveríamos estar lá, lutando com nossos companheiros. Eu me sinto horrível sabendo que não posso fazer nada para ajudá-los.

-Eu entendo como se sente, e os sons da batalha não ajudam a me concentrar. – Concordou outro soldado, este mais contido.

-Francamente, vocês dois são uma vergonha! Não têm noção da importância da missão que o capitão nos repassou? Ao proteger a vida destas bruxas estamos também protegendo a vida de nossos companheiros!

O sermão veio de um homem bem mais velho, próximo da casa dos quarenta, que falava com a segurança de alguém mais experiente. Os dois jovens trocaram olhares de leve desagrado e então baixaram as cabeças, resmungando.

-Desculpe, tenente.

A atenção deles foi tomada por um barulho diferente e agudo. Não era como os gritos e choques metálicos que vinham da direção do acampamento chesordiano. Na verdade, parecia vir do lado oposto. Além disso, lembrava vagamente...

-Um assovio? – Disse o mais impaciente, pensando alto.

-Bem, já que estão tão entediados assim, vão lá ver o que está acontecendo! – Ordenou o tenente.

Sem questionar, os rapazes avançaram, um deles recolhendo uma tocha fincada no chão e levando-a consigo. Não havia lugar para alguém se esconder entre as árvores, mas estas eram robustas o bastante para ocultar uma pessoa do outro lado. Assim, eles procuraram com cautela através de cada uma, mas não encontravam nada.

Eventualmente, um de cada lado, eles contornaram uma árvore alta e frondosa, completamente ignorantes do fato de que agindo assim estavam apenas facilitando a ação de um inimigo. Suas gargantas atravessadas tentaram gritar, mas era impossível. Jamais se dariam conta de que uma mulher que caiu do topo de um galho havia atravessado ambos com suas adagas. Foi rápido e silencioso.

Em pé, Spectra olhou para suas vítimas. Ela não sentia nada, remorso, satisfação ou qualquer outra coisa. Sua mente concentrava-se apenas no objetivo. Enquanto isso, o tenente começava a perder a paciência e, pensando que seus subordinados aproveitariam aquilo para se envolver no combate principal, seguiu rapidamente na direção da luz da tocha.

-Quando tudo isto estiver terminado, vou obrigá-los a lavar os cavalos por três meses.

Logo ele percebeu que isso nunca aconteceria, pois encontrou os corpos e, acima deles, a tocha presa a uma árvore por uma espada. Instintivamente, o homem ergueu a mão para analisar o objeto de perto, cometendo seu último erro. Uma lâmina cravou-se em sua nuca e ele foi ao chão.

-Faltam sete. – Sussurrou Spectra para si mesma, recolhendo suas arma.

Não muito longe dali, Electron prosseguia seu combate pessoal com Walters. Porém, os dois guerreiros deixaram a rivalidade de lado quando um trovão retumbou por todo o campo de batalha. O controlador do relâmpago, preocupado, afastou-se e correu na direção de Ent enquanto os soldados se recuperavam do espanto.

-Ent! Aquilo foi...! – Gritou Leonard, exasperado.

-Não importa, temos que nos concentrar na tarefa que temos à mão. Vamos confiar em Spectra e fazer a nossa parte. – Respondeu o velho, que não baixou a guarda nem sequer por um momento naquela confusão.

-Então deixe que eu vá também, ela está demorando tanto que já estou preocupado!

-Acalme-se, rapaz. Não esqueça que ela é conhecida como o Fantasma da Rosa Branca. Tenho certeza de que, com ou sem poderes, ela manterá o mérito do nome.

Notas finais
Pedaços fumegantes caíam das bordas da cratera aberta na redoma de terra. Não havia barulho ou movimento no interior, apenas a fumaça que se erguia ao alto.

Capítulo 161: Dura Realidade

Em breve.