Roses And Demons: Warbloom

125 Laços Forjados na Batalha


Notas iniciais
Enquanto o Boneco de Neve aproveita o feriado (ouvi dizer que ele foi parar em cima de um carro aleagórico), eu continuarei a atualizar a história. Warbloom já está bem perto do final, que eu calculo que se dará no capítulo 230. Também pretende incluir uma pequena história sobre Kenoh e Agas.

Depois que os corpos daqueles caídos em combate foram recolhidos e incinerados em grandes piras, depois que Agas Pyrath e Lince Walters chegaram a um consenso e Yasmin Pyrath explicou a eles tudo que havia acontecido desde que iniciara sua missão de proteger os pilares, depois que os feridos recobraram a consciência e se deram conta da surpresa que os aguardava e superaram o susto, aliados e inimigos se reuniram, conversando civilizadamente pelo que consideravam a primeira vez.

No topo das muralhas, três pessoas estavam presentes: o comandante chesordiano, sua filha e Ent. Agas desejava saber a opinião do controlador das plantas sobre o plano audacioso para capturar Vladmir Banemare e, aquiescendo, o velho ouviu enquanto a ex-capitã contava uma versão resumida.

–Com toda a honestidade, senhor Pyrath, eu já tenho sessenta e um anos e durante esse tempo vi muitas situações inexplicáveis. Não posso afirmar com plena convicção que nosso rei não esteja sendo manipulador de alguma forma, portanto o mais sábio seria aguardar para ver o que Inferno tem a nos dizer.

–Muito bem, obrigado pelo conselho.

–A propósito, Ent, o senhor sabia que Quartzo era meu irmão mais velho, Roger Pyrath?

Aquela revelação chocou Agas, que lívido e incrédulo dirigiu o olhar para o guerreiro da ordem. Este, porém, mantinha uma expressão de louvável calma, embora as sobrancelhas levemente franzidas indicassem um sinal de preocupação.

–Você está falando sério, filha?!

–Sim, eu o enfrentei pessoalmente várias vezes. Inclusive, sinto muito em lhe dizer isso, papai, mas ele matou o tio Kenoh.

Nisto, a garota ergueu sua espada. Agas não havia reparado anteriormente devido às agitações do dia, mas analisando com calma não havia sombra de dúvida de que a lâmina era Draconis, a legítima. Com ainda mais essa surpresa desagradável, o comandante sentiu as pernas fraquejaram e um acesso de tontura, mas manteve-se firme.

–Eu não sei quem é Quartzo, mas o fato de ele ter sumido é muito suspeito. Acredito que os únicos que sabem a verdadeira identidade dele sejam Vortex e Inferno.

Alguns minutos depois, o controlador das plantas descia as escadas que conduzia de volta ao interior da fortificação. Aquela conversa havia dado muito em que pensar, tanto para ele quanto para Agas. Contudo, ele deixou para se concentrar nisto depois, ao notar que alguém estava no corredor ao final da descida: Anya Wald.

–Fico feliz em ver que você já está conseguindo caminhar, Anya.

–Hmpf, não pense que sou uma velha molenga! – Apesar da resposta em tom ríspido, a bruxa sorria.

–O que está fazendo aqui em cima? – Perguntou Ent, enquanto ambos seguiam juntos.

–Eu fiz minhas discípulas prometerem que não causariam nenhuma encrenca. Você tem jeito de ser o líder desses guerreiros de branco, espero que tenha feito o mesmo com eles.

–Quanto a isso você não precisa se preocupar. Tenho certeza de que Electron vai manter os mais problemáticos na linha. Inclusive, eu desconfio que essa batalha possa ter criado laços mais fortes que a inimizade entre nós.

–É, talvez você tenha razão. – Pondeoru Wald, tomando a si mesma como exemplo. A conversa, contudo, foi interrompida quando uma garota surgiu correndo na direção oposta.

–Ah, com licença, Yasmin ainda está nas muralhas? – Questionou Luna Watlear a ex-sacerdotisa.

–Sim, ela está conversando com o pai. – Respondeu Ent.

–Que bom, eu preciso falar com ela. Desculpem o incômodo.

–Espere um momento, mocinha. – Interveio Anya. – Eu já a vi antes, como era mesmo o seu nome?

–Sou Luna Watlear.

–Ah sim, não esquecerei novamente.

A manipuladora da água fez menção de continuar adianta, mas deteve-se ao perceber que Ent estava com uma expressão estranha. Parecia até mesmo espanto.

–Tudo com você, senhor Ent?

–Ah, tudo sim. Acho que não escutei direito, como você disse que era mesmo o seu nome?

–Luna Watlear...

–Entendo, é um nome... muito bonito. Mas não perca mais tempo conosco, vá encontrar sua amiga.

Apesar de ainda estar um tanto confusa, Luna decidiu não insistir, já que realmente queria se encontrar logo com Yasmin. Queria contar a ela sobre sua nova determinação, que não a abandonaria na luta que estava por vir.

Samantha, Fernand, Karin, Gabrielle, Esther, Erika e a maioria dos membros da Ordem da Rosa Branca estavam todos reunidos depois de jantar. O guerreiro da terra tentava esclarecer a situação para as bruxas e seus antigos inimigos, mas por vezes o fazia de forma truncada, nervoso diante dos olhares generalizados de descrença. Para sua sorte, as discípulas de Anya o apoiaram, tornando o resultado final algo um pouco melhor que desastroso.

Depois disso os assuntos se tornaram mais variados, embora os principais focos ainda fossem a derrubada dos pilares, o conflito entre os dois reinos e, principalmente, o que aconteceria a seguir. Todos, sem exceção, tinham dificuldades em crer que seriam capazes de trabalhar juntos. Durante a conversa e após ouvir detalhes sobre as batalhas de seus colegas, surgiu uma pergunta na mente de Fernand.

–Espere um pouco, quer dizer que todos nós alcançamos algum tipo manipulação mista ou algo assim? Porque eu lembro de ter visto Yasmin lutando com o corpo coberto pelo que parecia uma armadura de chamas brancas.

–Tudo indica que sim. A amiga de vocês que enfrentei, Luna, usou uma manipulação dupla muito parecida com a de Ent. – Comentou Carbon.

–Eu tenho uma teoria a respeito disso. Todos nós utilizamos esse poder pela primeira vez inconscientemente, certo? – Disse Samantha, ao que o manipulador da terra acenou afirmativamente. – Creio que esse poder surgiu como resultado de nossas lutas contra os membros da Rosa Branca, que são todos manipuladores duplos. Sem nos darmos conta, nossos corpos se adaptaram para se tornarem capazes de manipular um segundo elemento.

–Tem um problema com a sua teoria. – Argumentou Spectra. – Nós da Rosa Branca éramos capazes de controlar dois elementos desde que nossos poderes despertaram. Será que isso não estava adormecido em vocês o tempo todo, mas só conseguiram acessar depois de aumentar suas habilidades?

–Mesmo assim, o fato de eles terem adquirido uma segunda manipulação somente agora é muito estranho. – Opinou Aurora.

–Manipuladores não são uma ocorrência tão comum. Talvez exista mais do que apenas um tipo. – Propôs Gabrielle.

–É bem possível, há muitas coisas que ainda não entendemos. – Ao dizer isto, Samantha lembrou-se de William e seu poder misterioso. Por que apenas ele, dentre todos aqueles manipuladores duplos, era dominado por uma consciência maligna ao usar dois elementos?

–Falando nisso, talvez vocês possam me ajudar a entender o que diabos eu estou manipulando. Sério, eu não faço a menor ideia.

Fernand moldou um pequeno pedaço da rocha da parede que, após arrancado, se tornou uma pequena pedra escura na mão do empericiano.

–Eu também gostaria de saber! Usei todo o meu poder contra esse desgraçado e mesmo assim só consegui causar danos superficiais! – Exclamou Sol enquanto todos ali observavam a pequena lasca, até que a iluminação veio à mente de Vulcano.

–Ah! Será que é adamante?! Se for então explicaria a rigidez capaz até de aguentar as explosões mais poderosas do Sol.

–Que diabos é adamante? – Indagou Erika, perdida.

–Francamente, Erika! Nós já tivemos aulas a respeito disso, é uma rocha vulcânica extremamente rara e quase indestrutível. – Criticou Esther.

–Pena que só consigo manter a consistência enquanto estiver concentrado. Se eu fosse capaz de transformar rocha comum em adamante, ficaria rico, não é, Karin?

A menina, que estava sentada ali perto, mas totalmente concentrada no pernil que devorava, virou o rosto ao ouvir seu nome.

–Alguém me chamou?

–Francamente, Karin! Já terminamos de jantar há uns quinze minutos e você ainda está atacando a mesa?

–Não me culpe, Fernand, você sabe que estou em fase de crescimento.

No subsolo do forte, um guerreiro solitário caminhava pelos corredores frios com passos leves. O ruído baixo causado pelas solas de suas botas metálicas sequer ecoava, apesar do ambiente propício. Ele alcançou um depósito de armas e admirou o local por um instante, até ser surpreendido por uma voz que vinha de trás.

–Finalmente achei você, seu trapaceiro!

Lince Walters rapidamente se virou, mas já sabia com quem estava lidando, ninguém menos do que Electron.

–Espero que não tenha me levado a mal, você certamente entende os meus motivos. Além do mais, no fim das contas nós realmente chegamos a uma trégua, não?

–Hmpf. Eu não descartaria minha honra por uma vitória, mas tenho noção de que sou a minoria. O que pensa que está fazendo aqui, Walters?

–Aprendendo. Não é sempre que sou convidado para passar a noite num quartel general de outro exército.

–Cada vez vejo menos motivos para confiar em você, sabia?

–Sinto muito, mas se serve de consolo, não tenho a intenção de continuar lutando contra vocês. Espero que possamos resolver tudo amanhã.

–Eu digo o mesmo, mas lembre-se disso: se voltarmos a apontar as armas um contra o outro, não terei piedade de você.

–Muito hospitaleiro da sua parte.

Notas finais
Inferno e William finalmente chegam ao Forte Brokefront, está na hora da verdade. Capítulo 226: Decisões Importantes Em breve.