Roses And Demons: Warbloom
113 Flechas e Setas
Notas iniciais
Às vezes eu sinto que dentro os principais, Luna Watlear foi a que menos recebeu tons. É claro que Karin também teve uma participação mais limitada, mas sua personalidade forte compensa um pouco. Por isto eu realmente acredito que está na hora de dar um pouco de profundidade à manipuladora da água.
Yasmin já estava longe, e Carbon lidando com um misto de raiva e tristeza. A noção de que a garota que um dia o admirou agora o enxergava como um covarde e, pior ainda, alguém que não merecia confiança, trazia consigo um desgosto surpreendentemente maior do que ter sido forçado a viver por anos como um espião de Vladmir Banemare. Diante disso, aquela missão de três anos atrás, durante a qual conheceu a jovem Pyrath, parecia ter ocorrido há uma eternidade.
Mas Vincent Blacdow ainda lembrava, com pesar, um dos poucos momentos em que não se sentiu miserável. Yasmin, que havia acompanhado o controlador da fumaça na ocasião, ainda tinha pouquíssimo controle sobre seu elemento e ficou maravilhada com a extensa habilidade demonstrada pelo guerreiro da ordem. As responsabilidades e, principalmente a vigilância de Vladmir, impediram Carbon de ajudar no treinamento da adolescente, mas ainda assim ela prometeu se esforçar para seguir seu exemplo e, um dia, se tornar tão forte quanto ele. Em resposta, Vincent prometeu que quando esse dia chegasse, indicaria ela para assumir um posto na Ordem da Rosa Branca. Ele jamais esqueceu o sorriso que surgiu no rosto de Yasmin ao ouvir aquelas palavras. Lamentavelmente agora a admiração havia se esvaído, e no fundo Blacdow sabia que a garota tinha razão ao chamá-lo de covarde. Diferente de Vortex, que desde o começo sempre esteve planejando a derrocada de Banemare, o controlador da fumaça já havia se acomodado com aquela realidade e desistido de qualquer esperança de derrotar o vilão. Mas agora ele desejava mudar, lutar de verdade por Chesord, e o primeiro passo para se convencer de que era capaz seria recuperar a confiança da única pessoa que, durante os nove anos em que serviu a ordem, o fez sentir que era um herói, mesmo que apenas por um momento. Os pensamentos de Carbon voltaram para a realidade diante de si, em que Luna Watlear bloqueava seu caminho. No fundo, ele não queria mais ferir os amigos de Yasmin, mas temia que a garota não seria capaz de alcançar seu pai, muito menos parar a batalha, sozinha. Mas pelo menos garantiria que sua adversária não sofresse nenhum ferimento fatal.–Cuidado, Luna, esses manipuladores são poderosos demais para se enfrentar num combate direto. – Disse Lince, que quase não tinha mais condições de lutar.–Você está falando com alguém que já enfrentou eles em cinco ocasiões, sabia? Eu tenho uma boa noção de com quem estou lidando. – Retrucou a sacerdotisa.–Eu discordo, pelo visto essas cinco ocasiões não serviram de nada para lhe ensinar o poder da Rosa Branca! Num instante Vincent realizou diversos disparos, oito no total, e cada seta estava envolvida numa minúscula nuvem de fumaça, garantindo ao homem controle completo sobre a trajetória. Luna reagiu lançando a flecha de água de seu arco, que se repartiu num número igual, fazendo com que todos os projéteis se anulassem em pleno ar.–Todas as vezes que lutei contra a ordem não serviram apenas para me ajudar a entender como funcionam seus poderes, mas também me tornaram mais forte. Em seguida, a manipuladora da água disparou uma nova flecha, mas desta vez manteve a mão direita aberta, alimenta o tiro com seu elemento e transformando-o numa pequena torrente. Carbon reagiu lançando duas bolas de fogo no chão imediatamente à sua frente, criando uma cortina de fumaça que logo foi atravessada pelo jato, mas não se ouviu nenhum som de impacto. No momento seguinte, uma saraivada de setas surgiu através da fumaça, cada uma seguindo uma direção diferente. Em rápida sucessão, a sacerdotisa disparou suas flechas, dividindo-as em pleno ar para interceptar os ataques do oponente. Para a surpresa de Lince Walters, que observava atento, ela conseguiu deter todos, exceto duas setas, cada uma completamente envolvida numa massa de chamas e fumaça, que faziam uma longa curva rente ao chão.–Luna, cuidado! – Avisou o capitão empericiano, mas a garota já havia notado também, a segundos de ser atingida. Envolvendo seu corpo com uma barreira espiral, Watlear estava protegida, mas a intenção era atingi-la desde o começo. Os disparos explodiram ao seu redor e ela também foi envolvida por uma cortina de fumaça. Assim que desfez sua proteção, começou a tossir e lacrimejar, e enquanto tentava sair foi atingida por uma rajada flamejante e empurrada para fora da massa escura, cambaleando até cair. Apesar de tudo, suas vestes estavam apenas chamuscadas e suas poucas queimaduras eram brandas. Enquanto se levantava e o leve vento dissipava o fumo, Vincent se aproximou lentamente, sem assumir uma posição ofensiva.–Dessa vez eu peguei leve, mas se continuar me importunando terei de ser mais grosseiro. Então faça o favor de não me atrapalhar, eu não sou seu inimigo. A manipuladora da água sabia que não era um blefe, se Blacdow quisesse poderia tê-la ferido gravemente. Era igual à luta contra Vortex, estava lidando com um inimigo que jamais teria condições de derrotar, a menos que o enfrentasse sem medo de se ferir ou até mesmo morrer.
No fundo, ela já estava cansada disso. Duas noites atrás. De tanto se revirar enquanto dormia, Yasmin acabou acordando e deu uma olhada ao redor para garantir que estivesse tudo em ordem. Outras três pessoas estavam deitadas ao seu redor e uma quarta, Samantha, a fitava em pé. Até aí tudo bem, já que estava no turno de vigia da manipuladora das trevas, mas não demorou para a ex-capitã notar a falta do último integrante.–Onde está Luna? – Disse a Pyrath em tom baixo, aproximando-se da garota em pé.–Disse que não estava conseguindo dormir e que queria caminhar um pouco.–É mesmo? Nesse caso eu vou ver se encontro ela. Antes que Yasmin pudesse se afastar, Samantha a segurou pelo ombro, demonstrando uma expressão ainda mais séria que seu normal. A bruxa então sussurrou.–Pelo visto você ainda não percebeu, não é?–Do que está falando?–Está na cara que ela não quer estar aqui. Já faz um tempo que sempre a vejo desanimada. A manipuladora das chamas não respondeu nada, mas em seu íntimo admitiu que as palavras de sua aliada faziam sentido. Preferia acreditar que ela estivesse errada, mas quanto mais pensava a respeito, mais seus temores pareciam se confirmar. Somente depois de meia hora Yasmin conseguiu encontrar a sacerdotisa. Luna estava ajoelhada diante de um córrego, recolhendo pedrinhas do chão e jogando na água. Embora não pudesse ver o rosto dela, a ex-capitã tinha uma forte impressão de que a garota estava deprimida.–Luna, tudo bem com você?–Ah, Yasmin? – Ela se virou de súbito, quase como se tivesse levado um susto. Seu semblante tinha traços de cansaço. – Desculpe, só estou com um pouco de insônia.–Você deveria tentar ao menos descansar um pouco, precisamos estar preparadas caso tenhamos de lutar contra a ordem.–É verdade, a ordem... – Luna baixou o olhar e soltou um pequeno suspiro. – Tudo bem, vamos voltar.–Está tudo bem com você, Luna? Se tiver algo incomodando, pode confiar em mim. Eu sou sua amiga e quero o seu bem. A sacerdotisa entrou em um breve conflito interno, deixando transparecer que estava confusa, mas no fim resolveu ser honesta.–Sabe Yasmin, desde o começo eu lutei ao seu lado porque achei que era a coisa certa a se fazer, proteger o reino e tudo mais. Mas tanta coisa mudou que eu já nem sei o que estou fazendo ou porque estou aqui. Já estou cansada dessas lutas que só levam a mais dor e sofrimento. Então Samantha tinha razão e, pior do que isso, a Pyrath não podia deixar de se sentir culpada, afinal de contas era a responsável por arrastar Watlear para batalhas que nada tinham a ver com ela. Não bastasse isso, o pensamento de seguir adiante sem o apoio dela assustava Yasmin, mas jamais se perdoaria se continuasse forçando a sacerdotisa a fazer algo que não queria.–Eu sinto muito mesmo, Luna. Realmente achei que não teríamos mais que continuar lutando deste jeito depois que o último pilar caísse, mas está na cara que nem sempre as coisas saem como planejado. Mesmo assim eu tenho certeza de que o que estamos fazendo é para o bem de Chesord e de todas as pessoas que queremos bem.–Pessoas que queremos bem, é?–Sua ajuda é muito importante para mim, Luna, mas eu não quero que você se sinta mal. Então se preferir ir embora, eu respeito sua decisão. Novamente, a sacerdotisa se viu num conflito interno. Contudo, por mais que quisesse deixar de lado o futuro doloroso que a esperaria se continuasse ao lado da ex-capitã, ela não podia ignorar o fato que sua amiga havia se tornado uma das pessoas que queria bem. Depois de um longo tempo, ela finalmente chegou a uma decisão.–Não quero viver com arrependimentos, então vou com você até o fim desta missão, Yasmin. Mas quando isso acabar, quero voltar para Hadob.
Notas finais
Luna decide lutar, mas inevitavelmente está será...
Capítulo 214: A Última Luta da Sacerdotisa
Em breve.
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