Notas iniciais
Nenhum cavalo foi ferido durante a produção desse capítulo.

Electron perguntava a si mesmo o que levava seu inimigo a acreditar que aquela tática funcionaria. O controlador dos relâmpagos possuía excelentes habilidades ofensivas, tanto para batalhas corpo a corpo como para aquelas à distância. Bastou canalizar suas energias através da lança em suas mãos, gerando pequenos relâmpagos pelo comprimento dela, e um rajada elétrica foi disparada contra Lince Walters.

-“É agora!” – Pensou o jovem capitão, usando o corpo do cavalo para se colocar em pé em cima do mesmo e, imediatamente em seguida, saltando enquanto mantinha a lâmina de sua espada voltada para baixo. O ataque elemental então encontrou apenas a montaria como alvo.

Electron logo percebeu a intenção do inimigo, distraí-lo com um ataque direto para então mudar a tática no último instante e pegá-lo de surpresa. Contudo, ainda era evidente demais, algo parecia errado. Como se enxergasse tudo devagar, o guerreiro da Rosa Branca desviou o olhar para baixo novamente e notou que o cavalo de Lince continuava avançando por puro ímpeto, sem controle algum de seus movimentos. O loiro estava prestes a ser atacado pela frente e pelo alto.

-“Ele é inteligente, preciso derrotá-lo rapidamente.”

Contrariando as expectativas de Walters, Electron manteve-se firme em sua posição, detendo o impacto do corpo do animal que agora tombava de lado sobre ele com sua lança. Então deixou a arma escapar de suas mãos e saltou sobre o cavalo, evitando com facilidade o ataque seguinte do adversário. Sua lança não quebrou, equilibrando o peso da montaria morta num ângulo próximo ao zero, mas seria impossível removê-la sem muito esforço.

-Você merece palmas pelo seu esforço, empericiano.

Com o braço estendido para trás, uma corrente elétrica saiu da palma da mão de Electron, prendendo-se a uma espada caída e trazendo-a para as mãos do manipulador. Ele não estava mais desarmado.

-Você realmente não vai facilitar as coisas para mim, não é? – Resmungou Walters, enquanto lidava com outros inimigos que tentavam atacá-lo.

A luta prosseguiu enquanto a distância entre os dois pontos da batalha diminuía gradativamente até que o centro da campina se tornou um amontoado de homens, animais e metal. Os Irmãos Prominence, agora prosseguindo a pé, conseguiram abrir caminho através dos inimigos que restaram perto do forte e o invadiram, atacando todos no interior e ateando fogo à muralha e a algumas das construções no interior.

-As esperanças deles virarão cinzas quando virem esse forte queimar! – Disse um dos gêmeos.

-Vamos encontrar aquele manipulador de gelo e amarrá-lo nos muros para queimar vivo! Isso sim destruirá a determinação dos nossos inimigos! – Respondeu o outro.

-Admito que suas táticas são eficientes, mas são claramente desumanas. Estão tão desesperados para vencer esta guerra a ponto de deixar de cruzar a linha que nos separa dos monstros.

Uma terceira voz fez com que os Prominence dirigissem o olhar para a passagem aberta por Ent anteriormente. Agas Pyrath caminhava na direção deles, dirigindo um severo olhar de repreensão.

-É verdade, que tolice a minha, esqueço que vocês foram corrompidos pela influência demoníaca. Mas estão muito enganados se pensam que será tão fácil destroçar a determinação dos soldados de Chesord.

Os gêmeos não sabiam que estavam diante do principal comandante dos exércitos inimigos, mas eram capazes de perceber que se tratava de alguém importante. A aura de nobreza, determinação e autoridade que fazia com que os subordinados de Agas seguissem suas ordens sem pestanejar também deixava claro que ele era um oficial. O pensamento que passou pela mente dos manipuladores do fogo foi exatamente o mesmo: matá-lo.

Otrom Secrett era um tolo e suas escolhas impensadas guiaram seu exército para uma batalha difícil. Contudo, havia uma razão para que os outros oficiais de Empericia o respeitassem: a força. Ainda jovem ele conquistou glória e fama derrubando alguns dos maiores inimigos do reino e agora, mesmo sem a disposição da juventude, ainda era um guerreiro formidável.

Segurando uma lança na mão direita e uma espada na esquerda, o primo do rei causava terror entre as tropas de Chesord. Muitos de seus soldados caíam ao redor, mas Otrom não fraquejava. Ele era o General Dragão, um homem que possuía um título ostensivo não devido ao seu talento para liderar, mas à sua fúria e habilidades de combate.

E quando o líder do exército de Empericia viu as chamas se alastrando lentamente pelos muros da fortaleza inimiga, bradou alto, sobrepondo-se até ao clamor da guerra por um momento.

-Vocês serão derrotados, chesordianos!!!

O incêndio no forte mantinha a maior parte dos soldados fora de lá. Devido a isso, Agas e os Irmãos Prominence lutavam praticamente sem interferência. O comandante chesordiano mantinha-se em constante movimento, obrigado a desviar de intrincadas sequências de ataques flamejantes. Seus inimigos eram bem treinados e o impediam de se aproximar. Contudo...

-Confesso que estou um pouco decepcionado com suas habilidades. Conheço uma manipuladora do fogo mais jovem que vocês dois que derrotaria ambos facilmente.

O Pyrath dizia tais provocações com uma expressão séria. Ele nem ao menos tentava atacar os gêmeos com sua espada, ao invés disso focava-se exclusivamente na defesa.

-Desgraçado, acha que conseguirá nos vencer simplesmente saltando de um lado para o outro? – Retrucou um dos manipuladores.

-Não é isso, irmão, ele está tentando nos cansar e ganhar tempo! Enquanto estamos aqui desperdiçando nossos esforços os outros soldados estão morrendo!

-Então vamos acabar com isso de uma vez! Vamos criar um inferno de chamas de onde ele não conseguirá escapar!

Os gêmeos cessaram os ataques contínuos para então focar suas energias nas chamas ao redor. Eles as juntaram num gigantesco turbilhão que logo cairia sobre Agas, tornando qualquer tentativa de esquiva praticamente impossível. Porém, era por este momento que ele aguardava, quando os oponentes finalmente baixaram a guarda por um instante.

Um grunhido de dor foi o único aviso antes que as chamas se dissipassem. Ambos os Prominence estavam surpresos e confusos, e um deles havia sido atravessado por uma espada.

-C-Como? – Questionou-se o manipulador ferido.

Agas ainda mantinha o braço estendido após lançar a lâmina. Não tivera escolha, pois se hesitasse teria sido ele a morrer. Contudo, sentia uma pontada de remorso enquanto via o inimigo que restava gritar ajoelhado sobre o corpo de seu irmão. Uma palavra que fazia com que o comandante lembrasse de Kenoh, e do quanto sentia falta dos dias em que viajaram juntos por Chesord.

Agas acreditava que irmãos deveriam permanecer juntos, mas tinham deveres a cumprir. Só restava uma coisa que ele poderia fazer pelo Prominence restante.

Notas finais
O provável resultado da batalha começa a se tornar iminente.
Capítulo 125: Fúria de um Dragão
Em breve.