Roses And Demons: Warbloom
85 Dia de Sol
Notas iniciais
Finalmente chegou a hora de revelar o nome verdadeiro e o passado do Sol.
A movimentação no Forte Brokefront era intensa, principalmente nas muralhas, pois Agas Pyrath queria ter a certeza de que não seria surpreendido novamente pelos inimigos. Outra derrota desastrosa talvez fosse irrecuperável. Porém, no topo da muralha sul havia um homem que não parecia muito preocupado. Era Sol, que tinha um cacho de uvas em mãos e um cesto com mais três ao seu lado, sobre a mureta.
–O que pensa que está fazendo, idiota? Apesar da raiva na voz de Spectra, o controlador das estrelas continuava sorrindo, satisfeito consigo mesmo. Camilla não soube se foi para provocá-la ainda mais, mas ele comeu uma última uva e jogou os restos fora antes de responder.–Estou apenas aproveitando este lindo dia. Além do mais, ficar muito tempo naquelas masmorras frias e empoeiradas fará mal para minha aparência. Eu preciso continuar radiante como o sol acima de nós.–Eu juro que não sei como Inferno ainda te aguenta.–Ora vamos, Spectra, sirva-se de uma uva também. Toda essa raiva vai te deixar cheia de verrugas antes mesmo de completar trinta anos. Como sabia que discutir com Sol seria uma perda de tempo maior do que fazer o mesmo com um pedregulho, a controladora da névoa já estava virando as costas quando percebeu que mais duas integrantes da ordem se aproximavam. Uma ela reconheceu facilmente como Viper, mas levou um segundo para lembrar que quem a acompanhava era Scythe. Um rosto que não estava acostumado a ver.–Bom dia, Spectra e Sol. Espero que eu não esteja interrompendo nada. – Disse Priscilla, sorridente.–Estão interrompendo o descanso embelezador desse babaca. Melhor nem ficarem muito tempo por aqui, talvez a idiotice dele seja contagiosa. – Respondeu Spectra, com acidez. Sol deixou suas uvas de lado e se aproximou para ver melhor as pessoas que haviam chegado. Ele também não reconheceu imediatamente Sabrina, cujo olhar vacilante mostrava o quanto ela se sentia deslocada.–Mas o que estão fazendo aqui em cima? – Continuou Camilla.–Estou mostrando o forte para Scythe. Quero que ela se sinta em casa por aqui.–Eu acho meio difícil pensar num forte como- Mas a controladora da névoa foi interrompida, empurrada para o lado pelo das estrelas, que encarou a da morte intensamente e então exclamou.–Antes de mais nada você devia ajudá-la a cuidar dos cabelos e da pele, se é amiga dela! Olha só, parece até um cadáver! – A pobre garota não sabia o que dizer ou fazer diante disso. – Não, isso é algo que só eu posso corrigir! Escute, Scythe, se seguir meus conselhos tenho certeza de que você se tornará a moça mais atraente da ordem em pouquíssimo tempo! De tão animado que estava com a perspectiva de mostrar o quanto entendia do assunto, Sol colocou as mãos sobre os ombros dela. A reação dele não foi muito agradável, pois, Sabrina empurrou os braços para o lado e deu quase um salto para trás.–Não se aproxime! – Ninguém falou nada ou se mexeu enquanto a garota permanecia encolhida contra a mureta. Logo ela ergueu os olhos, mais calma, e falou devagar. – Desculpe, eu não quero que você se machuque.–Sol, você é mesmo um idiota! Tem que tomar cuidado, se tocar diretamente a pele dela vai apodrecer! – Ralhou Viper.–É mesmo! – O homem arregalou os olhos e sentiu um arrepio só de pensar no que poderia ter acontecido, mas se recompôs rapidamente. – Mesmo assim, eu vou lhe ajudar. É uma afronta ao bom nome da Ordem da Rosa Branca ser desleixada. As outras três estavam desconcertadas com aquela situação, principalmente Sabrina. Ainda assim, ela imaginou que aquilo era algo pelo qual ela deveria estar grata, então murmurou timidamente um “obrigado”. Em seguida, Sol apontou com o dedão para Spectra que estava atrás.–Só acho que teremos que dar um jeito nesse seu cabelo. Sabe como é, geralmente as pessoas não gostam muito de mulheres de cabelos acinzentados. Enquanto ele se desvencilhava dos braços de Camilla, que talvez estivesse tentando derrubá-lo do muro, Scythe passou a mão pelos próprios cabelos, estranhando a afirmação do aliado.–Mas meus cabelos ficaram assim depois que meus poderes despertaram...–Eu sei, mas não quer dizer que tenham de ficar dessa forma para sempre! Ela continuou sem entender o que Sol dizia, mas Viper logo tratou de explicar.–Você não sabe, não é? Os olhos dele eram amarelos, mas ele conseguiu deixá-los azuis com a ajuda da magia dos sábios do rei.–O que é uma tremenda imbecilidade na minha opinião. – Disse Spectra.–Ninguém liga para a sua opinião mesmo. Olhos azuis sempre realçaram a minha beleza, e eu não ia querer olhos que me fazem parecer um demônio! Enquanto a controladora da névoa olhava feio para o guerreiro mais belo, que voltou a pegar uvas, Priscilla deu um tapinha nas costas de sua nova amiga.–Não faça essa cara de surpresa, Scythe! Esse é o nosso Sol, mas logo você acostuma com ele.–Nem merece ser chamado de Sol, continua o mesmo Lucas Angels de sempre, isso sim! Mas talvez um dia ele entenda a responsabilidade que é fazer parte da Rosa Branca. – Criticou a fantasma da ordem.
–E quem sabe um dia você vai parar de me desprezar e admitir que se arrepende da oportunidade que perdeu. Agora foi a vez de Viper ficar confusa, pois ela não fazia ideia de que oportunidade era essa a que Sol se referiu.–Espera um pouco, do que estão falando?–Eu e Lucas nos conhecíamos antes de entrar para a ordem. Somos descendentes de famílias nobres que... frequentavam os mesmos círculos sociais. – Agora Camilla falava de um jeito que parecia que cada palavra causava dor ao ser dita.–Quando éramos adolescentes, nossas famílias resolveram combinar um casamento. E embora fosse por interesse, eu não me importava com isso naquela época, já que a Spectra era bonita. Mas agora... ainda bem que não deu certo.–Mas o que aconteceu para dar errado? – Priscilla estava interessada.–Esse idiota nunca levou nada a sério, simplesmente aproveitava sua riqueza e popularidade sem nunca pensar em ajudar os outros. E nem ao menos tinha a decência de ser fiel. Sem a menor vontade de continuar com esse assunto, a controladora da névoa foi embora. Sol nem deu bola para isso e continuou comendo suas uvas, mas derrubou sem querer o cesto quando levou um soco de Viper.–Por que você fez isso?–Você realmente É um babaca, Sol! E então ela foi embora, levando Scythe consigo. O lugar onde um dia existiu uma vila agora tinha um ar lúgubre, desagradável até. As bruxas buscavam abrigo nas poucas construções que ainda estavam em pé, mas tomando muito cuidado com o risco de desabamento. Grande parte das casas enegrecidas se desmanchava com facilidade, a madeira carbonizada delas se desfazendo em cinzas. Perto dali, a uns cinquenta metros da vila arruinada, William observava com curiosidade uma grande lápide, com metade da sua altura, sobre a qual havia uma pequena estátua de uma mulher de braços abertos e erguidas, com longas asas nas costas.–Hoje está um dia bonito, não? Sinto até minhas esperanças renovarem... A garota que havia acabado de chegar e lembrava um pouco Luna Watlear era Kate. William, que imaginou que ela se referia ao fato de que o céu estava azul e o sol brilhando forte, respondeu à sua maneira.–Prefiro os dias nublados.–Tanto faz, comigo por perto seu dia certamente ficará melhor. Elbio me contou tudo e disse para ficar de olho em você enquanto ele ajuda Yasmin.–Não precisa se preocupar comigo. Mas já que veio, pode me dizer o significado disto aqui? Kate se aproximou e estudou a lápide apontada pelo amigo. Até mesmo ela ouvira a respeito da tragédia de alguns anos atrás e, embora não tivesse certeza, possuía uma boa noção do que significava.–Acho que deve ser uma espécie de homenagem às pessoas que morreram aqui. A vila foi massacrada por monstros e não restaram nem sequer os corpos para serem enterrados. Só não entendo porque culparam as bruxas por isso.–“Culpar as bruxas? Se o que Vortex disse é verdade, então o responsável pelo massacre seria Vladmir Banemare.” – Uma certa preocupação se expandia no âmago do manipulador do vento. A pergunta que se formava na sua mente não tinha uma resposta. – “Mas o que ele teria a ganhar sumindo com os corpos?”
Notas finais
As tropas comandadas pelo Coronel Froz chegaram, a hora de batalha decisiva se aproxima.
Capítulo 186: Confronto Derradeiro
Em breve.
Fale com o autor