Notas iniciais
Durante as próximas semanas não poderei garantir atualizações constantes. Com um pouco de sorte talvez consiga postar o capítulo 122 na próxima semana, mas... talvez não seja possível.
A partir do final do mês a situação há de normalizar.
Scythe caminhava pelos corredores da sede da Ordem da Rosa Branca evidenciando em cada movimento e expressão que estava perdida. Não era de surpreender, pois o lugar era enorme e foram raríssimas as ocasiões em que a garota esteve lá. Não sabia sequer como retornar para o seu quarto.

O manto que ela trajava agora não era sujo e esfarrapado como o que usava no Bosque Sinelth, mas seguia o mesmo estilo, pois os caules eram das mesmas cores e também tinha um capuz, que Scythe não estava utilizando. A própria aparência da garota estava diferente, com os cabelos arrumados e limpos.

Para a sorte dela, Inferno vinha na direção contrária. Ele logo percebeu a situação em que sua colega estava.

-Quer ajuda para ir a algum lugar, Sabrina?

Apesar do tom amistoso do líder, Scythe respondeu secamente.

-Eu já abandonei o nome Sabrina Grimheart faz muito tempo. Você, mais do que ninguém, deveria dar exemplo e me chamar de Scythe.

Inferno soltou um suspiro quase inaudível e fechou os olhos. Ele sabia que dentre todos os integrantes da ordem era Sabrina a que mais sofria, e justamente por não entender a dor da garota ele se sentia incapaz de reconfortá-la. Aparentemente o excesso de gentileza não funcionaria.

-Muito bem, quer ajuda para ir a algum lugar, Scythe?

-Quero, mas antes me responda uma pergunta, Inferno. Por que me fez vir até aqui se não pretendia me enviar para a linha de frente? Qual é a minha utilidade tão longe de Sinelth?

-Esta é uma situação bastante incomum, Scythe. Tenho que certeza de que eventualmente precisaremos de seu auxílio, e quando esse momento chegar certamente será uma necessidade imediata.

Sabrina não conseguia admitir, mas a verdade era que ela se sentia desconfortável em meio a tantas pessoas. Temia ferir alguém inocente e acreditava que o motivo de não ter sido enviada juntamente com o exército era porque Inferno não tinha plena confiança nela.

A manhã do dia seguinte trouxe consigo uma névoa espessa que atrasou a marcha dos soldados de Empericia. Otrom havia deixado parte de seus homens para trás, cuidando do acampamento com os mantimentos da tropa, enquanto que o restante marchava pronto para um encontro com o inimigo.

-Como é desagradável! Parece até um mau presságio!

Lince Walters ouviu o comentário de Gabrielle DIllusie, que seguia perto de si na companhia de outras bruxas. O capitão se aproximou da direção da voz até que pode ver a pequena silhueta da garota.

-Não seja supersticiosa! Embora sejam os últimos dias, ainda estamos no inverno e sabemos pouco sobre o clima de Chesord. Esse tipo de nevoeiro não tem nada de anormal, portanto sua preocupação deveria ser em se manter atenta caso comece uma batalha.

O sermão surtiu efeito, pois a garota não respondeu. Com o passar dos minutos na caminhada silenciosa, surgiu uma duvida na mente do capitão.

-Você não é um tanto nova demais para estar aqui conosco, Gabrielle?

-Como assim nova demais? Não me subestime! A garota retrucou, irritada.

-Tudo bem, que seja. Conto com você.

Walters não disse mais nada em voz alta, mas em sua mente não conseguia deixar de pensar no quanto gostaria que o general desse uma ordem de retorno. Arriscar um encontro com os inimigos naquela situação poderia ser desastroso, pois ele contava com o fato de que os chesordianos possivelmente estivessem preparados para combater em meio à névoa.

Elbio Lumarc entrou na biblioteca que lhe era tão familiar. Sentia como se houvessem passado anos desde a última vez em que esteve lá, pois a sensação de nostalgia era muito forte. Contudo, não havia tempo para isso. Guiando-se pelos ruídos, achou em menos de um minuto o que procurava: Madame Ancara, que vasculhava as prateleiras em busca de algum livro.

-Lumarc? Não pensei que voltaria a cuidar da biblioteca tão cedo.

-Eu sinto muito, Madame Ancara, mas provavelmente nunca mais voltarei a entrar neste local como o responsável pela organização dele.

A expressão de Elbio era de profunda seriedade e a bruxa mestra se sentiu compelida a assumir uma igual.

-Então devo assumir que você pretende conversar comigo.

-Sim, Madame Ancara. Eu vim lhe dizer que, após conversar com Rina, tomei uma decisão. Nós queremos que você realize o ritual das almas unificadas.

Depois de algum tempo, o exército de Empericia finalmente saiu do nevoeiro. O céu acima estava azulado e quase sem nuvens, o que deixou os soldados surpresos. A campina se estendia por alguns quilômetros e devido ao terreno relativamente plano era possível ver algo grande ao longe que não combinava com a região.

Conforme se aproximavam se tornava mais claro o que estavam observando. Tratava-se de uma espécie de forte de madeira. A estrutura era composta de galhos robustos entrelaçados como uma cerca, embora não fosse possível notar esse detalhe de tão longe. Era obra de Ent, que passou um longo tempo erguendo uma proteção grande o suficiente para comportar toda a tropa de Chesord e agora se encontrava exausto.

Agas Pyrath logo foi avisado da chegada dos inimigos e se apressou a subir até as partes superiores das muralhas, de onde pôde ver a quantidade de inimigos com relativa clareza. Em seguida deu ordens para seus homens se prepararem, não demoraria muito para a primeira batalha começar.

-Estou confiante de que esta fortaleza que você construiu nos dará vantagem, meu caro Ent. Eu peço desculpas por ter solicitado algo dessa magnitude em tão pouco tempo.

O comandante supremo, sempre respeitoso, se dirigiu a Ent tão logo quanto seus soldados começavam os preparativos para o confronto. O velho, lisonjeado, abriu um sorriso e respondeu.

-Eu que estou surpreso com a velocidade em que você bolou este plano levando em conta até mesmo as habilidades da Rosa Branca. E ainda por cima acertou a previsão de que eles nos atacariam.

-Eu já contava com tudo isso no momento em que soube a causa da morte dos homens que escoltavam aquela bruxa. Se tivesse esperado uma resposta do grupo de batedores seria tarde demais.

Enquanto isso, do lado de Empericia, Lince Walters estava cada vez mais preocupado, chegando ao ponto de demonstrar isso para o General Otrom.

-Senhor, talvez devêssemos pensar em um plano alternativo. Parece arriscado atacá-los diretamente.

-Não fale bobagens, garoto! Vamos demolir aquele forte e o exército de Chesord junto com ele!

-Mas como, senhor?

-Temos conosco os Irmãos Prominence. Disse Otrom, abrindo um sorriso malicioso.

-Os gêmeos manipuladores de fogo? Perguntou Lince, incerto se realmente estava associando o nome às pessoas certas.

-Os próprios.

Ao ouvir isso o capitão sentiu seus receios o abandonarem. Se aqueles gêmeos fossem capazes de incendiar o forte, então possivelmente Empericia conseguiria outra vitória relativamente fácil naquele dia.

Notas finais
Há apenas uma pessoa capaz de proteger o forte dos ataques dos Irmãos Prominence.
Capítulo 122: Protetora
Em breve. Eu acho.