Roses And Demons: Extra
13 Profundezas do Abismo
Cultuar os deuses de Pravus é algo abominável, uma atitude que só poderia ser tomada pelos piores seres humanos, pessoas tão corrompidas que não há qualquer esperança de salvação para suas almas. Mas não basta se tornar maligno a ponto de ser rejeitado pela própria mãe, pois outra característica compartilhada por cultistas demoníacos é a completa falta de bom senso.
Analisando de forma lógica, adorar os deuses malignos não é uma ideia muito inteligente. Como seus aspectos já sugerem, a grande maioria está mais interessada em ferrar com Realia e seus habitantes do que em acumular seguidores. É preciso ser muito demente para crer que uma entidade que o destruiria na primeira oportunidade estaria disposta a lhe conceder algum benefício. Vale a pena lembrar, contudo, que há um antigo ditado que diz: para toda regra exista uma exceção. Hadal é o nome do décimo domínio infernal, o abismo no fundo de um oceano negro. Este é um mundo gelado e sem luz, onde a pressão esmagadora é terrível a ponto de se equiparar com Kronaria, e demarca o fim dos reinos do tormento, onde as almas dos mortos são castigadas. Apesar da profundidade as águas são turbulentas e, em meio a elas, se esconde a passagem que leva aos quatro domínios imperiais. Poucos são os condenados que chegam até Hadal. Isso se deve em grande parte devido à natureza gananciosa de outros domínios, como Magnabolos, combinada com o costume que Glafiros tem de manter humanos permanentemente congelados em Anthartos. Embora alguns venham parar por acaso nas profundezas do oceano escuro, a maioria dos mortais que se encontram aqui descumpriram algum tipo de pacto com a regente. Os demônios do décimo reino são bem adaptados para o local onde vivem. De aparência monstruosa, a parte superior de seus corpos remete a humanoides, enquanto que a inferior geralmente toma a forma de uma cauda de peixe. Outra característica comum é a presença de hastes saindo de suas testas que geram uma fraca luminescência a partir da ponta. Há também relatos sobre a existência de demônios imensos com a forma de criaturas marinhas distorcidas e aberrantes, mas, considerando-se a reputação da regente, não seria surpreendente caso isto não passe apenas de um boato infundado. A senhora de Hadal é conhecida pelo nome de Pontarus. A forma que assumiu ao ser exilada junto com seus irmãos é desconhecida, pois desde então ela se mantém oculta na escuridão eterna de seu domínio. Se originalmente ela era personificada como uma sereia deslumbrante, a forma com que foi concebida por Prima, tudo indica que isso já não traduz mais a verdade. A palavra verdade, inclusive, não significa nada para um ser que é conhecido como o aspecto da falsidade. Ela abomina a honestidade mais que tudo e mentiras permeiam cada uma de suas palavras. Assim como seu irmão perdido, Petrus, ela se tornou interessada nos assuntos humanos, embora aplique uma abordagem diferente. Ao passo que a maioria dos outros lordes demoníacos age de forma deselegante e violenta, Pontarus tem uma influência tão sutil que consegue alcançar até mesmo Realia. Isto porque um demônio só pode influenciar o mundo físico se esforços humanos assim o permitirem, e a regente de Hadal é a única que oferece algo em troca para aqueles que desejam obedecê-la. Cultuada secretamente por pessoas ambiciosas, ela espalha falsidade pelo mundo através de seus peões, que por sua vez usufruem da enganação para alcançar posições de poder e prestígio. Por trás do sorriso de um rei gentil podem estar ocultas intenções de um homem vil cuja alma foi tingida de trevas tão densas quanto as das águas de Hadal. E como é possível saber se for esse o caso? É impossível, pois a influência de Pontarus é simplesmente sutil e sedutora demais para que mortais possam resistir.
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