Roses And Demons: Extra
9 O Rei dos Desmortos
A morte é o fim natural de todo ser humano, assim é o desígnio divino. Mesmo que os habitantes de Realia possam temer tal destino, essa efemeridade faz parte da beleza da vida. Quando Vitae criou a humanidade, sua mãe Prima determinou que Argenta seria responsável por cobrir cada pessoa com a sombra da morte quando chegasse a hora certa. Contudo, existem aqueles que decidem rejeitar esse destino, e a eles é dado o nome de desmortos.
A desmorte em si é uma perversão absoluta da natureza e algo abominado pelos deuses de Utopia. Trata-se de um estado que só pode ser alcançado destruindo o espírito, a fagulha divina que concede vida ao corpo, ao mesmo tempo em que mantém a alma – ou um fragmento dela – ligada à existência física. Este é uma situação que não pode ser considerada nem vida e nem morte, alcançá-la só é possível àqueles que se dedicam a um longo caminho de necromancia e perversão. Os que seguem o caminho de Nekrael. Via Mortis é o nome do sexto domínio infernal, um pântano de águas escuras permanentemente coberto por uma névoa espessa. Escondidos nestas brumas estão centenas de mausoléus que servem de refúgio e laboratório para aqueles que seguiram o caminho da necromancia com tamanha dedicação que não lhes restou outro lugar para existir senão no próprio inferno. Nenhum desmorto permanece em Realia por muito tempo, pois Argenta dedica esforços incansáveis para destruir aqueles que fogem do véu da morte, mesmo que não possa influenciar diretamente o plano mortal. Felizmente – para eles – é possível encontrar abrigo em Via Mortis, sob a autoridade de Nekrael. Em termos de aparência, eles invariavelmente acabam seguindo um padrão, cobrindo os corpos ressequidos com trapos. Embora suas formas físicas ainda existam e sejam mantidas íntegras graças à força da alma, quanto mais tempo passa, mais um desmorto se torna parecido com uma múmia. Demônios criados pelo próprio regente são bastante raros. Em tempos antigos ele formou uma pequena hoste de aparições esqueléticas cobertas por mantos espectrais, aos quais deu o nome de ceifadores, e que por séculos foram responsáveis por capturar as almas dos condenados de Via Mortis e levá-las ao calabouço do castelo de Nekrael. Dizem que em raras ocasiões eles ainda podem ser vistos espreitando em meio à névoa. Em tempos recentes, porém, a maior probabilidade é que uma alma recém-chegada ao reino seja encontrada pelas abominações criadas pelos próprios desmortos. Durante suas infindáveis experiências com os conceitos de vida e morte, eles constroem um sem número de monstruosidades usando almas humanas tanto como combustível para seus rituais como cobaias. Diversos aglomerados de almas escravizadas e distorcidas vagam pelo pântano e o resultado final de um encontro entre estas criaturas e os condenados que ainda vagam pelo pântano é praticamente o mesmo que o ocorreria com um ceifador: o humano é capturado e preso para depois servir aos interesses de um dos necromantes. Nekrael, o regente de Via Mortis, é merecidamente chamado por alguns de “O Primeiro Necromante” e inimigo mortal de Argenta. Sua aparência em muito remete aos desmortos que o servem, sempre coberto por um túnica com capuz rota e esfiapada. O que se esconde por baixo disto é um esqueleto de ossos amarelados e envoltos numa aura roxa. O aspecto de Nekrael é o da perversão, o que reflete seu desejo de distorcer tudo que existe e mudar o conceito de morte de “fim natural da vida” para “corrupção inevitável da alma humana”. Mesmo os outros regentes demoníacos pouco o veem, pois ele possui uma fixação irremediável por realizar experimentos com almas humanas. O que pretende alcançar com isto ninguém pode dizer ao certo, mas um rumor popular no inferno é que o primeiro necromante busca criar uma maldição que transforme os humanos em mortos-vivos capazes de propagar essaa praga, infectando aqueles que atacarem. Para nossa sorte, ele parece ainda não ter alcançado este objetivo nefasto.
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