Roses
3 Maçãs, Rosas e Golpes
Notas iniciais
Após contar todos os detalhes sobre a desconhecida — inclusive de que a mulher dormiu em sua cama, recebendo um sorriso malicioso da irmã -, Killian não sabia como dar o próximo passo.
– Já fez o bastante por ela. — Regina falou — Agora entregue-a para as autoridades!
– Está falando como prefeita, não como minha irmã — ele disse cruzando os braços.
A morena bufou, perdendo um pouco a postura que conservara e sorriu amigavelmente, quebrando a barreira entre eles dois.
– Essa mulher pode ser um problema — Regina continuou — pode estar metida em bandidagem, como a Mary Margaret!
– Duvido muito disso, aquela mulher está confusa, e eu vou ajudá-la. — ele concluiu — E você ainda não superou sua raiva pela MM.
Regina não se pronunciou, apenas pegou a mochila da desconhecida e começou a procurar pelo que ela chamava de evidências de que sempre estava certa. Só encontrou uma troca de roupa, um bolo de dinheiro — que não era uma alta quantia -, e um pingente de cisne.
– Posso jurar que já vi isso antes — ela tentava se lembrar do último objeto.
– Guarde isso imediatamente — Killian a repreendeu — Isso é violação de privacidade. Bandidagem.
– Só será se você contar. — Regina ficou misteriosa — E pelo visto essa desconhecida não é grande coisa, quando vou conhecê-la?
– Ela ainda está dormindo. — o irmão tentou mantê-la longe.
– Eu espero. — Regina sorriu — Trouxe torta de maçã, espero que ela goste.
...
P.O.V EMMA ON
Pelo que eu me recordo, o Sr. Jones havia cuidado dos meus ferimentos na noite anterior após admitir sobre o erro de me tratar daquele jeito mal humorado, e confesso que ele não era assim tão rabugento como eu pensava, e com certeza possuía um belo sorriso.
Mas quando acordei pela manhã, não estava na sala de estar em que eu jurava ter adormecido, mas sim no quarto.
– Sr. Jones? — o chamei, mas não obtive resposta.
Saí de lá, e atravessando o corredor andando pelo carpete frio, fui parar na cozinha. Havia realmente muitas maçãs ali, e minha barriga clamava por alimento, ninguém ia perceber a falta de uma fruta. Mas assim que dei uma mordida, a porta se abriu e eu fui pega no flagra e soltei a maçã no chão.
– Desculpa, eu não quis... — mas fui interrompida por uma voz feminina.
– Tudo bem, querida, eu sei que está faminta.
Era uma mulher tão elegante que eu me senti um pouco inferior... Está bem, muito inferior. Ela me analisou dos pés à cabeça, talvez tentando descobrir alguma coisa.
– Emma, esta é a minha irmã, Regina. — ele tinha chegado, o que me acalmou.
– É um prazer conhecê-la — falei sem reação.
– O prazer é meu, EMMA — ela sorriu como se estivesse descoberto uma mentira.
– Bom, eu achei isso no seu carro. — o Sr. Jones me entregou uma mochila — Espero que encontre algo que a ajude.
Eu o agradeci e procurei algo de útil ali, mas infelizmente nada sobre a minha identidade, só roupas e dinheiro. Então fui me trocar enquanto eles dois conversavam.
P.O.V EMMA OFF
...
Regina esperou a desconhecida sair da cozinha e certificou-se de que ela não ouviria uma palavra do que dissessem.
– Está vendo? Ela é inofensiva — Killian disse.
– Ainda não confio nela. — a irmã rebateu ao sentar-se numa das cadeiras.
Ele revirou os olhos azuis e resolveu deixar Regina ter razão daquela vez, não ia perder tempo discutindo com ela por causa de uma paranóia.
– E como vão as coisas na prefeitura? — Killian mudou de assunto enquanto arrumava a mesa do café.
– Péssimas. — Regina abaixou a cabeça — Estamos nos afundando em dívidas, só tem um jeito de reerguer essa cidade.
– Não! — ele exclamou parando tudo o que estava fazendo para repreender a irmã.
– O Sr. Gold é um magnata poderoso, ele me ensinou tudo o que sei. — ela falou — E eu vou pedir um novo empréstimo pra cidade, se você parar pra pensar...
– Você vai se endividar com ele, como vai pagar todo o dinheiro? — Killian estava nervoso — Ele sempre quer um favor em troca.
Regina se levantou da cadeira e foi em direção à porta. Naqueles últimos tempos, a única coisa que ela fazia era fugir de discussões.
– Não me importo com a sua opinião, e se quiser saber, o Sr. Gold já está vindo para Storybrooke.
...
P.O.V REGINA ON
Pensei que Killian estivesse brincando quando me contou que estava ajudando uma completa desconhecida que diz ter perdido a memória. Sinceramente, não acreditei. Ele sempre teve um coração muito bom e se deixa levar por qualquer coisa que lhe digam, mas comigo era diferente.
Assim que saí da casa dele, ou melhor, casebre — porque ele não queria aceitar a minha ajuda financeira -, recebi um telefonema do Sr. Gold.
– Alô? — atendi.
– Regina?
– S-Sim — gaguejei.
– Eu liguei mais cedo pra te avisar que estou num funeral e vou me atrasar para chegar a Storybrooke.
– Não importa. — falei secamente — Mas eu não... tenho como pagar todas as dívidas.
– Tem certeza de que isso é realmente importante, dear? — eu detestava quando ele falava assim — Talvez não se importe tanto com seu cargo, o qual meu dinheiro financiou sua campanha.
– Gold, me dê mais alguns dias — eu pedi.
– Nos vemos mais tarde.
Bom, considerei aquela frase como um "Não".
P.O.V REGINA OFF
...
Após trocar de roupa, Emma foi até a cozinha, e encontrou a torta de maçã intacta e muito menos o Sr. Jones ou sua irmã, mas também depois de ouvir algumas vozes alteradas não esperava que estivessem sorrindo um para o outro.
Ela viu que além da porta havia uma sombra, e sem pensar mais uma vez, cortou dois pedaços de torta e os colocou sobre os pratos sobre a mesa. Quando abriu a porta com dificuldade, se deparou com Killian sentado nos degraus da varanda observando seu jardim abandonado.
– Rosas brancas significam a pureza, — ele apontou para um canto, cheio de galhos mortos — as vermelhas são o símbolo do amor, já as azuis simbolizam a confiança.
– Vejo que sabe sobre rosas — Emma falou sentando-se ao lado dele.
– Vejo que sabe dar golpes, — ele imitou seu tom de voz — meu rosto deve estar desfigurado desde ontem.
– Me desculpa. — ela lhe entregou um pedaço de torta — Imaginei que estivesse com fome.
– E estou, obrigado.
Foi a primeira vez que Emma o viu sorrir de livre e espontânea vontade, e concluiu que ele era lindo, mais do que ela havia percebido. Os olhos dele encararam os dela, e uma espécie de choque percorreu ambos. Para disfarçar o que havia sentido, Emma disse:
– Essa torta está incrível.
– É a especialidade da minha irmã, já que ela não gosta de outras frutas que não sejam a maçã.
– Eu tinha uma amiga que só comia maçãs. — Emma falou num quase estado de transe — Espera... eu me lembro disso!
Killian sorriu ao ver o quão feliz ela estava, mas viu que a desconhecida logo se frustrou ao não se lembrar de mais coisas.
– Isso vai levar um tempo — ele disse.
Mas Emma preferiu ficar calada, estava realmente triste por se lembrar de algo tão vago naquele momento.
– Vai me contar onde aprendeu sobre rosas? — ela disse baixo, tentando não se importar com o acontecido.
Ele hesitou, mas preferiu não expor sua vida.
– Só se me contar onde aprendeu a dar tantos golpes.
– Isso não vale! — ela lhe deu um soco no braço e riu — Me promete uma coisa?
– Diga — Killian falou.
– Quando eu finalmente me lembrar dos golpes, você vai me contar sobre as rosas.
– Prometo... — ele disse instantes depois.
– Por que o senhor tem um jardim tão... tão...
– Morto? — ele perguntou para si mesmo — Essa resposta está incluída na promessa.
Os dois seguiram até a caminhonete dele, e havia caixas e mais caixas de rosas vermelhas na traseira. Killian tinha se esquecido de fazer a entrega, mas com toda aquela conversa despertou para seu trabalho.
– É um carregamento importante, vamos até a cidade — ele disse.
– Mas, Sr. Jones, tem certeza de que as outras pessoas precisam saber sobre a minha perda de memória?
– Eles não precisam saber. — ele falou — Você é Emma, minha prima de Boston.
Ela lhe agradeceu com um sorriso sincero, nem acreditou que aquele homem estava fazendo todo aquele esforço só para ajudá-la.
– E só mais uma coisa — ele disse enquanto fazia um ato de cavalheirismo e abria a porta da caminhonete para ela — Me chame de Killian.
– Está bem, Sr. J...Killian — ela riu.
"Quando ela está nervosa, fica ainda mais bonita", ele pensou antes de começar a dirigir em direção à Storybrooke.
"Eu vou apagar as luzes da cidade
Vou mentir, enganar, eu vou implorar e subornar
Pra te deixar bem, pra te deixar bem [...]
Me dê razões para acreditar
Que você faria o mesmo por mim
E eu faria isso por você, por você"
Gone, Gone, Gone — Phillip Phillips
Fale com o autor