Roses
17 Decepções
Notas iniciais
A intensidade da dor aumentava a cada respiração, fazendo com que a loira colocasse desesperadamente ambas as mãos contra sua cabeça, aliviando algumas pontadas enquanto lágrimas começaram a cair. Olhando assustado, Killian tentou se aproximar dela, já havia visto aquela cena antes — e esperava que suas expectativas estivessem corretas -, mas foi repelido quando a tocou.
– Emma? — deixou escapar o nome — Deixe-me ajudá-la.
– Sou Elizabeth! — ela gritou indignada por ser confundida com a outra mulher, novamente — Não se aproxime!
Killian jamais a vira daquela forma tão rude, e poderia jurar que estava diante da Sra. Miller naquele momento.
– V-Você não se lembra? — a dúvida ainda persistia.
– Me lembrar do quê? — a loira enxugou as lágrimas com o dorso das mãos, parecia que a dor havia passado.
– Storybrooke, o acidente, eu, você... NÓS. — ele engoliu o choro — Só me diga que se lembra, por favor.
– Sr. Jones, eu sinto muito pelo que aconteceu com essa tal Emma, e deve ter sido algo terrível. — ela suspirou — Mas sugiro que procure um especialista para essa sua obsessão.
“E eu sinto muito por ter te deixado partir”, Killian pensou em seus devaneios.
Notando o silêncio constrangedor, Elizabeth dava passos para trás, como se estivesse com medo de que ele a atacasse. Não. Ela estava apavorada.
– Você não sabe o que diz! — Killian se aproximou — A Sra. Miller e o Gold fizeram alguma coisa, os conheço o suficiente pra duvidar.
– Como você sabe disso? — a loira franziu o cenho enquanto tentava ignorar o fato de que podia sentir a respiração dele — Andou espionando a minha vida?
– É claro que não. — Killian argumentou, mas teve pouco sucesso — Eu te conheço há algum tempo.
– Quantos pagaram pra você mentir? — ela estava inconformada — Se me conhece por que não falou nada?
– Por que não pode acreditar em mim?
Uma única lágrima percorreu a face dele, mas o próprio Killian não a impediu de cair, era doloroso demais ver alguém que ele amava não corresponder os mesmos sentimentos.
– Já pode fechar as cortinas, — ela ironizou se afastando novamente — o teatrinho acabou.
– É a verdade. — ele tentou alertá-la.
– Kill... Sr. Jones, não me procure mais.
A loira deu meia volta e seguiu seu caminho a passos rápidos — escorregando vez ou outra no chão molhado pela chuva -, evitando que Killian a chamasse mais uma vez. Mas, de uma coisa ela estava certa: Não o queria por perto.
...
FLASHBACK ON
Um ano atrás...
Mesmo sabendo que o pai e a mãe a reprovaria, Emma ficou descalça na grama do jardim enquanto deixava que os raios de sol penetrassem em sua pele e o vento brincasse com seus fios de cabelo. Aquela sensação era boa, acalmava e a fazia esquecer-se dos problemas.
– Me disseram que você ignorou o café da manhã. — a voz da Sra. Miller surgiu.
– Estou sem fome. — a loira respondeu.
– Essa é a mesma coisa que você me falava quando fazia suas dietas malucas. — o lado maternal foi mais forte.
– Eu tinha 14 anos e queria parecer uma boneca. — sorriu se lembrando — Pobre ilusão.
– Como se já não parecesse uma... — a mãe a elogiou — Espero que não esteja fazendo isso novamente, mocinha.
A loira não pôde deixar de rir, a Sra. Miller não era tão agradável de se conversar, geralmente elas duas viviam discutindo sobre os assuntos mais banais.
– Elizabeth, sou sua mãe, pode contar comigo. — a mulher colocou a mão no ombro da outra.
– Já disse que meu nome não é esse. — a loira se afastou — Com licença.
– Emma? — a senhora a surpreendeu — Para se ter uma nova vida, tem que se desfazer da velha.
– Obrigada. — a loira foi gentil — Mas não estou pensando em me desfazer.
...
O Dr. Hopper começava a atender seus pacientes a partir das nove da manhã, mas naquele dia ele havia aberto uma exceção para a Sra.Miller, que não estava acompanhada da filha.
– Bom dia. — o homem lhe estendeu a mão, mas ela apenas o ignorou sentando-se na cadeira.
– O que o senhor disse a Elizabeth? — a mulher foi direta — Ela está pensando em desistir do tratamento!
– Com todo o respeito, Sra. Miller, — ajeitou seus óculos desgastados — mas a escolha tem que partir de sua filha.
A mulher revirou os olhos, mas continuou a sorrir enquanto retirava um cheque milionário da bolsa. Pessoas da alta sociedade sempre conseguiam o que queriam. SEMPRE. Principalmente quando há um médico sonhador que precisava de dinheiro.
– Apenas gostaria de deixar claro que quem faz as regras sou eu. — ela disse mostrando o valor do cheque — Agora, onde estávamos?
– U-Uma vez iniciado o tratamento, as memórias jamais voltarão. — ele começou a explicar — Se for interrompido, trará problemas.
– Bom garoto! — a senhora levantou-se e lhe entregou o papel — Foi bom negociar com o senhor.
FLASHBACK OFF
...
Assim que chegou à portaria do hotel — atraindo a atenção de todos por suas roupas encharcadas -, Elizabeth não esperou o elevador, preferindo subir correndo as escadas até seu quarto, não dando importância aos “numerais” que estavam no corredor. Entrou em sua enorme suíte e se jogou na cama, pretendendo ficar por lá pelo resto da eternidade.
A confusão de sentimentos estava lhe deixando louca. Primeiro Killian a beijava e dizia o nome de outra mulher, depois garantia que conhecia sua família — Sra. Miller e Gold — numa atitude suspeita. Estaria ele mentindo ou ela sendo precipitada?
Deixou que o choro, preso há tanto tempo, se libertasse. Mas aquilo não a aliviou nenhum pouco. Só conseguia pensar no paisagista que havia virado sua vida de cabeça pra baixo.
Enquanto isso — há alguns quilômetros do Hotel Marseille -, raiva, indignação e amor eram sentidos por Killian Jones. Ele já não conseguia assimilar o porquê de Emma não ter se lembrado de quem ela era. Poderia passar todo o restante do dia e toda a noite deitado em seu sofá, tentando pensar numa solução. E de fato pensou.
...
P.O.V EMMA
Aquela foi a primeira vez em que eu reclamei do sol — que entrava pela fresta da janela -, incomodando meu sono. Num ato de desespero, cobri minha cabeça com o cobertor, mas logo fui desperta pelo canto dos pássaros — talvez Paris não fosse tão perfeita como eu pensava.
– Está bem, está bem... — falei com preguiça enquanto me arrastava para fora da cama ainda de olhos fechados.
Foi então que batidas irritantes ecoaram por toda a suíte, fazendo que eu tropeçasse em meus próprios pés para atender a porta. Com certeza eu já tinha ideia de quem se tratava: A pessoa com a mente mais “infantil” — depois de mim, claro — em acordar os outros pela manhã...
– Robin — eu disse num tom ameaçador.
– Já são oito horas e os numerais evaporaram. — ele sorriu — Eu não estaria te incomodando se tivesse atendido as ligações do seu noivo ontem à noite!
Aquela palavra com “N” me deixava insegura sobre o futuro. Quer dizer, o mundo todo já sabia que eu e Neal estávamos noivos, e aquilo não era surpresa pra ninguém — já que crescemos juntos e tal -, mas como eu contaria para todos que não haveria mais casamento? E tudo por causa de um homem, que eu já não acreditava mais.
– Elizabeth? — Robin perguntou, e eu percebi que ele escondia algo atrás das costas — Eu não tenho uma notícia muito boa.
– O que tem aí? — perguntei impaciente.
Ele me entregou uma revista parisiense de fofocas sobre os famosos. Havia uma reportagem inteira sobre mim e um suposto amante. Só podia ser piada!
Folheei algumas páginas e me deparei com Killian em todas as fotos. Na pizzaria, na fachada do hotel, no jardim, na chuva... Tive a certeza de que ele estava envolvido nisso. Por que mais se aproximaria de mim?
“[…]
Eu sei que tenho um coração inconstante e amargurado
E um olho errante, e um peso em minha cabeça.
Mas você não se lembra?
Você não se lembra?
A razão pela qual me amou antes?
Querido, por favor, lembre-se de mim mais uma vez.
Quando foi a última vez que você pensou em mim?
Ou você me apagou completamente da sua memória?
[…]
E espero que você encontre a peça perdida
Para trazer você de volta para mim”.
Don't You Remember — Adele
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