Roseons
2 O encontro com a besta
Notas iniciais
Corri até encontrar uma menininha com vestido branco fugindo de uma besta. — Heeeey — Gritei o mais alto que pude pra chamar atenção daquela coisa desengonçada coberta de sangue — Aquilo nem parece um humano... — Pensei alto. Aquele homem, antes de virar besta, provavelmente estava usando um terno, só que agora suas roupas estavam rasgadas e cobertas de sangue. Ele andava de quatro como se fosse um cachorro e sua velocidade era a cima do normal, seus dentes eram enormes e negros, além de parecer incrivelmente afiados.
A menina começou a correr em minha direção, mas "ele" logo percebeu minha presença. Seus membros se contrairam então ele pulou, caindo em cima da menina. Suas patas, ou melhor mãos, a prendiam no chão. Eu estava paralisada. A menina gritava desesperada por ajuda, seus olhos estavam em pânico. Tudo o que consegui fazer foi olhar para aquela cena horrível. A besta arrancava violentamente cada membro da garota com seus dentes negros. A menininha antes de vestido branco agora estava irreconhecível e coberta de sangue.
– D-De-Desculpe... — Saí correndo de volta para a moto. A besta iria demorar um pouco mais no seu "café da manhã" e se eu tivesse sorte, ela já estaria satisfeita.
Montei na moto e dei a partida, por sorte ela estava pegando e ainda era muito boa. Acelerei ao máximo e se tudo desse certo chegaria a prefeitura em menos de dez minutos, ou pelo menos esperava...
Meu coração estava a mil. Eu sempre fui uma menina forte. Mesmo depois do assassinato dos meus pais há 2 anos não fiquei aos prantos. Porém agora, até mesmo eu sentia aquela dor no peito. — O QUE EU PODERIA TER FEITO? — grito para mim mesma — O que eu poderia ter feito... — Antes de perceber já estava chorando...
Dor e ódio se misturavam ao meu sangue fervente — Ele me paga!! — Parei a moto e esperei. Eu sabia que ele viria atrás de mim. Respirei fundo e um ar de tranquilidade me preencheu, de uma forma misteriosa eu estava me sentindo forte. Eu não tinha mais medo, tudo o que eu poderia fazer em nome daquela garota era vingá-la.
"Ele" estava correndo em minha direção a toda velocidade, como se estivesse se preparando pra pular. — Eu já vi você fazendo isso. Nunca mostre um mesmo ataque duas vezes, cãozinho — posicionei meu facão e me concentrei em seus movimentos. Eu só teria uma chance, mirando em seu coração enquanto ele estava no ar ou pelo menos imaginava que isso iria matá-lo.
– Droga, estou colocando minha vida em um plano que nem sei se vai dar certo.
Ele avançava rapidamente e logo pulou, deveria estar a uns dez metros de mim e cobriu essa distância quase instantaneamente. Pousou violentamente no chão a um metro de distância. Antes de quatro no chão, agora estava sobre suas duas pernas. Suas mãos tinham garras afiadas que antes não havia percebido. Ou melhor, antes ele não as tinha!! — Merda — ele já estava perto demais.
Usando suas mãos que se parecem mais com patas de tigres ele tentou me arranhar. Desviei e me distanciei alguns metros. Ele caiu de quatro no chão novamente. "Se o ataque dele mudou, então o meu também terá que mudar" pensei. Seus olhos escuros e frios me observavam. Se eu me movesse de forma descuidada ele me atacaria e eu estaria muito morta.
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