Roseons
4 O Despertar Confuso
Notas iniciais
"Ouço vozes..." Abro meus olhos lentamente. Está claro. "Que saco, apaga essa luz!" Cubro meus olhos com meu braço direito. "Aliás, o que eu estou fazen..."
– Ela acordou. A Paciente nº 1 acordou! Chamem os enfermeiros, iremos começar os exames.- "Hã? Que exames? " Estou confusa. Ficar em um lugar desconhecido com pessoas desconhecidas, definitivamente não é agradável. Principalmente quando você não sabe sua situação ou a situação do mundo. Depois de me darem alguns remédios para dor, eles me disseram que eu tinha visita. Me ajeitei na cama e esperei por ela.
Dois toques na porta e ela se abre. Sem muita surpresa me deparo com o mesmo rapaz que eu vi antes de desmaiar. Ele não era tão alto, devia ter 1,75 de altura. Seu cabelo era curto e preto, seus olhos da mesma cor. Ele usava nesse dia calça jeans e um suéter azul marinho. Com certeza era muito atraente.
– Bom Dia Bela Adormecida, como vai? — Seus olhos me fitavam com um ar de preocupação e alívio
– Ah sim, muito bem. E você? — Disse sorrindo.
– Estou bem também. Bem, deixe-me apresentar — Ele sorriu — Sou Rafael, 27 anos. Professor e de hoje em diante seu mentor.
– Hããã? — "Ele não podia ter 27 anos, eu daria no máximo 20...Ou melhor...mentor?"- Eu provavelmente fiz uma cara bem estranha, pois ele sorriu.
– Desculpe, muita coisa aconteceu... você deve estar confusa. — "Você percebeu isso só agora, moço?" — Por que não saímos para almoçar? Você deve estar com fome. Ficou desacordada por doze dias...
– Doze Dias?!?!?! — Interrompi ele. "Como eu assim? Eu me lembro de tudo como se fosse ontem... Da besta, da menina, do meu braço..." Analisei então meu braço enfaixado, a dor era tolerável e ele parecia ter sido cuidadosamente limpo. Eu estava limpa...
– Ei, acalme-se. Vou te explicar tudo o que você precisa saber. Por hora, trouxe a pequena mala que estava com você. Troque-se, estarei te esperando lá fora. — E ele sai.
Eu precisava pensar. Mas antes deveria me vestir, aquele homem estava me esperando. Abri minha mala e percebi que ela estava da mesma forma que eu deixei. Tirei o avental do hospital e coloquei uma calça de cotton preta e uma regata. Lá fora parecia realmente frio. Mas eu não tinha agasalhos ou blusas de manga comprida para usar. Coloquei meu tênis e fui até a janela do quarto que se parecia com um hospital. "Onde eu estou?" Da janela, eu via prédios, carros e lojas. As poucas pessoas que eu via na rua, estavam bem agasalhadas. "Para fazer tão frio não devo estar em Jerask" nome de minha cidade natal.
Penteei meu cabelo e o deixei solto, ele repousava levemente sobre meus seios fartos. Logo guardei minhas coisas e sai do quarto com minha mala.
Encostado na parede ao lado da porta estava o Rafael. Ele segurava um casaco pesado e o estendeu pra mim. — Pegue, se você sair assim vai ficar doente. — Disse ele.
– Obrigada — Disse enquanto vestia o casaco. — Vamos?
– Sim. Por aqui... — Primeiro tive que assinar uns papéis de saída do hospital, depois fomos até o carro dele para guardar minha mala. — O que você prefere comer? Tem vários restaurantes aqui no centro. — perguntava ele.
– Onde estou?
– Ah sim, chamamos esse país de Garden. É do outro lado do mundo, comparando com Jerask.- Respondia ele enquanto andava em direção ao restaurante mais próximo. Eu o segui.
– Como eu vim parar aqui?
– Tenha paciência, estamos chegando...
Rafael entrou em um restaurante japonês. "Que bom gosto", penso enquanto tirava meu casaco. O lugar era bonito e confortável. Sentamos em uma mesa no fundo para que ninguém interrompe-se nossa conversa. Pedimos dois "Shoyu Lamen" e começamos a conversar.
– Antes de tudo — Eu disse — Acho que deveria me apresentar. Sou Karina, só Karina. Tenho 16 anos e sou emancipada.
– O que aconteceu com seus pais? — Perguntava ele. Eu não queria responder, mas ele me salvou. Não poderia negar nenhuma resposta para as perguntas dele. Essa seria minha forma de retribuição.
– Morreram a dois anos em um acidente de carro. — Eu disse, fria.
– M-Me desculpe... — Ele disse sem jeito.
– Não se desculpe. É passado. — Vejo o garçom chegar com nosso almoço. "Que rápido..." penso. "Espero que esteja gostoso também." Meu estômago roncava.
Comemos em silêncio por um tempo, até que ele parou e ficou me observando. Eu parei também, mas não por muito tempo. Minha fome era maior que meu desconforto. Já me sentindo satisfeita e incomodada com aquela situação, disse:
– Rafael, se não se importa, poderia me contar o que aconteceu?
– Ah, sim. Me desculpe. É que você me lembra muito uma pessoa. — Seus olhos agora estavam melancólicos...
– Oi?
– Nada não, me desculpe. — Voltando a ficar sério, ele diz: — Nossa situação atual é complicada...
Fale com o autor