"Você pode conseguir tudo que quiser, se tiver coragem o suficiente."


A voz de timbre agudo ecoava pelo espaço em branco. O tom nostálgico e estranhamente familiar. Olhos escuros surgiram do além a observando com zelo e cuidado. O brilho que provia deles eram carregados de calor...


"Fiz o que fiz para demonstrar até onde poderia chegar meu poder. Você não será diferente, minha doce pequenina..."


Ela sentiu sua testa sendo beijada.


Em seguida, tudo a volta escurecia. A figura sumindo. Roseh visualizava uma cama surgindo na névoa, mais precisamente uma maca hospitalar. Nela, uma garota de cabelos prateados cobrindo o rosto repousava.

Estava em sono profundo...


— IVY!


Roseh ergueu despertando em um baque súbito.


— Ela acordou. Venham. Venham, ela acordou!


— Hah! Eu disse que foi só uma batidinha de nada, Lottie. Deve ter doído menos que um balaço!


— Robyn..! Nem todas as garotas são robustas como você.


— Concordo com Kevin... Bom, perdi minha chance de testar minha poção de despertar. Ela teria sido uma boa cobaia de experimento.


— Daniel, tenha dó!


A visão de Roseh aos poucos foi ficando menos turva e distorcida. Recobrando lentamente os sentidos, perceberia que estava deitada em uma maca. Ela vasculhou confusa a volta ainda em choque com que havia visto, mas nada de Ivy nas macas ao lado. Aquilo a preocupava...

Há sua volta estavam Daniel, Robyn, Lottie e Kevin. Todos pareciam ter estado lá há algum tempo a assistindo antes da própria acordar.

Mas antes que voltasse a dizer qualquer coisa, uma dor insuportável tomou conta de sua cabeça, a fazendo pressionar o rosto com as mãos.


— Gelo!! Passem o gelo!!! — Alertou Lottie. Robyn apressou-se encostando a bolsa gelada na testa de Roseh.


— Você despencou de um dos lances da escadaria ontem. — Começou Daniel como se houvesse lido os pensamentos por trás da expressão confusa de Roseh — Bateu com a cabeça no chão e desmaiou na hora. Mas não se assuste, não caiu de tão alto.


— É, se fosse um andar a mais, só acordaria mês que vem.


— Robyn!!! — Todos gritaram juntos.


— De todo modo, eu tentei a impedir quando te vi saindo do salão, mas você foi mais rápida e acabamos perdendo 10 pontos pra Sonserina.


— 10 pontos? — Roseh pressionava a bolsa de gelo no galo em sua testa — Eu quero que engulam esses pontos e se engasguem! Estava tentando salvar a Ivy dos trasgos! Onde está ela?


— Hagrid conseguiu conter os tragos e levá-los pra fora do castelo. — Respondeu Kevin preocupado enquanto ajeitava seus óculos — Mas... ainda não encontraram Ivy. Deixaram essa tarefa para o zelador da escola...


— E nós nem podemos ir procurar por ela agora..! Daqui a pouco vão começar as aulas. — Suspirou Robyn se desanimando.


Roseh olhou para o relógio da enfermaria. Então realmente havia ficado inconsciente por uma noite inteira... Sequer aproveitou seu primeiro dia em Hogwarts, estava correndo risco de se atrasar para sua primeira aula, e ainda por cima sua amiga continuava desaparecida.

Do relógio um som de ponteiros gritando anunciavam ser 9h30 da manhã. Kevin e Robyn se apressaram se despedindo do grupo e Lottie esticou a mão para Roseh.


— Não precisa ir a aula se não estiver se sentindo bem. Mas se quiser te ajudo a descer da cama.


A Lestrange sorriu surpresa apanhando a mão de Lottie, descendo com sua ajuda.


— Vamos indo. — Resmungou Daniel — E segure firme a Roseh, Lottie. Se ela se esborrachar de novo, a casa da Corvinal é quem vai perder pontos dessa vez.


Os três atravessavam os corredores cheios de quadros com pinturas falantes nas paredes. Lottie perguntava a direção da sala de aula de feitiços mas as pinturas não estavam muito dispostas a ajudar. Algumas até orientavam irem em rotas opostas.

E durante o longo trajeto pelos corredores e escadarias do castelo, Roseh ponderava no que havia sonhado mais cedo.

Em seus sonhos, a silhueta excêntrica da mulher de voz aguda era frequente. Sua mãe sempre esteve presentes neles, mas o que a preocupava mesmo era ter visto Ivy desacordada numa maca. Roseh temia pesadelos agourentos e estava torcendo para aquele não ser um deles...


— Roseh! Por Merlim, você quer parar na enfermaria de novo?! — Uma voz rouca e distante parecia gritar consigo.


A Lestrange percebeu que havia ponderado o suficiente para escapar da realidade por alguns minutos. O suficiente para não prestar atenção por onde andava. A mão de Daniel agarrada em seu braço a livrou de cair do 13° lance da escadaria novamente.


— Pessoal, eu acho que achei a sala de aula! — Lottie os chamou abrindo a porta após ter espiado pela fenda da fechadura.


Os três entraram na sala avistando alunos que ainda estavam se ajeitando nas mesas e arrumando seus materiais. Alguns olhavam assustados para o rosto de Roseh e se afastavam em suas mesas rapidamente. Roseh acreditou ter escutado alguém cochichar sobre seu rosto ser o retrato jovial de Bellatrix Lestrange.

Por sorte chegaram a tempo antes mesmo da aula começar!


— Bom dia, crianças. — Daniel, Roseh e Lottie se entreolharam confusos procurando de onde estava vindo a voz madura, pois só viam alunos na sala e nenhum adulto. — Aqui em baixo, meus jovens.


Os três perceberam que entre a grande pilha de livros grossos surgiu um homenzinho com óculos meia-lua e com o cabelo castanho penteado meticulosamente para o lado. Ele girava uma varinha pontuda como a batuta de um maestro entre seus dedos, enquanto subia nos livros como uma escada. Agora o pequeno homem poderia ser visto por toda classe.


— É sempre bom ver carinhas novas por aqui. Sei que circular pelo castelo pela primeira vez para os alunos do primeiro ano é sempre desafiador. Por isso particularmente, sempre deixo um tempo vago no início das aulas para que vocês se encontrem. Agora sentem-se. Sentem-se pois hoje estudaremos até nossos cérebros e nossas varinhas desmancharem!


Os três se acomodaram nas bancadas da sala de aula. Roseh e Lottie na bancada de baixo e Daniel na de cima. Alunos da Sonserina e Corvinal se misturavam pela turma, e muitos rostinhos estavam nervosos com sua primeira aula.


"Que gentil ele esperar os alunos perdidos pra não se atrasarem" Cochichou Lottie.


"Foi atencioso mesmo, mas algo me diz que nem todos os professores serão flexíveis. Então é melhor a gente dar um jeito depressa de aprender a andar por aqui se quisermos permanecer vivos." Daniel cochichava de volta.


"Por que está olhando pra mim?!" Roseh fechou a cara percebendo Daniel a olhando após a frase.


O professor pigarreou retornando a falar novamente.


— Queiram-me apresentar. Sou o Prof.Flitwick e serei o professor de Feitiços de vocês! Hoje ensinarei os fundamentos necessários para executar um feitiço com excelência e após discernidos os termos teóricos, faremos uso do Wingardium Leviosa para por em prática nossos estudos!


Lottie começou a anotar rapidamente palavra por palavra do professor em seu pergaminho. Roseh assistia focada de braços cruzados e Daniel entediado com o rosto caído sobre sua mão apoiada.


— Naturalmente, feitiços requerem três fatores cruciais que devem se considerar para obter sucesso. Eles são: Movimento da varinha, encantamento e intenção! — O professor rodopiou sua varinha, materializando um rastro de brilhos estrelares dourados. Toda a classe admirou em coro impressionada. — Se um bruxo não mover sua varinha de forma correta, não pronunciar o encantamento corretamente e não puder manter os resultados desejados em sua imaginação durante a execução do feitiço, então o feitiço irá sair pela culatra!


Prof.Flitwick girou sua varinha de forma abrupta propositalmente e um jato de água espirrou dela em seu rosto como um chafariz.

A sala foi tomada de risos.

O professor sempre atencioso explicava sobre a importância da varinha e também sobre feitiços não verbais sem varinha eram apenas de nível extremamente avançado.


— Mas não se assustem. Essa etapa vocês estudarão somente em seu sexto ano em Hogwarts devido sua complexidade.


— Apenas no sexto ano, professor? — Um dos alunos da Corvinal indagou — Mas isso vai demorar muito...


Flitwick sorriu benevolente.


— Não se preocupe com esses detalhes, Mr.Lima. Os anos em Hogwarts passam depressa o suficiente para sentirem saudades antes mesmo de se formar...


A Lestrange ouvia a conversa enquanto soprava a mecha de seu cacho desgrenhado do rosto. Feitiços não-verbais eram ditos como magia "complexa" em Hogwarts? Aquilo de fato lhe surpreendia, pois muitas vezes a própria até esquecia que portava uma varinha.

Seu pai, Rodolfus Lestrange apesar de sempre frio e crítico, apreciava mesmo que indiretamente o talento da filha em poder executar feitiços sem varinha. Talvez aquele dom fosse um dos motivos para não querê-la em Hogwarts.


"Eles temem o poder, Roseh."


— Hora de praticarmos! Alunos, apanhem suas varinhas com gentileza. — A voz do professor a fez retomar o foco.


A aula prática obrigou seus braços a se descruzarem, pegando a varinha de sua bolsa. A varinha portava um estranho acabamento torto e inflexível, era fabricada da madeira de nogueira. 34 centímetros e núcleo de pena de Agoureiro.


Toda a sala foi tomada por recitações de feitiços, burburios e risadas. Muitos demoravam para levitar a pena que estava sendo usada de testes para o Wingardium Leviosa. O feitiço de levitar objetos.

O professor sempre rico em detalhes os narrou sobre uma das aventuras de Rony Weasley e sua época em que estudou em Hogwarts. Em seu primeiro ano utilizou do feitiço Wingardium Leviosa para erguer o bastão das mãos de um trasgo, o fazendo cair em seguida em sua cabeça. Assim salvando seus amigos.


— Olhe Roseh! — Lottie apontava com a varinha para o teto. Sua pena havia levitado tão alto a ponto de planar para longe.


— Isso foi impressionante. Eu fazia bem parecido também quando tinha 5 anos. — Respondeu.


— Por que a minha pena está descendo ao invés de subir? — Lamentou Daniel.


A aula prosseguiu com Roseh de braços cruzados, apenas observando as tentativas dos colegas de turma.


— Por que não está praticando, Lestrange? — Cassandra apareceu em sua mesa. Sua voz carregada de desdém. — É um feitiço bobo demais para a filha de Comensais da Morte?


— É melhor nem dar ideia. — Disse Colby, um dos gêmeos que estava sempre com a garota.


— Se essa louca tocar na varinha é capaz de nos lançar um crucio aqui mesmo. — Acrescentou Fischer, o outro gêmeo.


O trio riu se afastando, mas Roseh nada reagiu. Ela sabia muito bem o que estava fazendo.

Distante em sua mente, a voz de seu pai ecoava:


"O primeiro truque que sair de suas mãos, Roseh, causará sua expulsão."


Aquilo aflingia Roseh. Ser expulsa de Hogwarts estava longe de suas cogitações.

Lottie e Daniel não questionaram muito a menina sobre sua falta de participação. Para os dois era compreensível após o tombo que a mesma levou na noite passada.

As tarefas haviam acabado e o professor deixou lição de casa sobre o feitiço Lummos para a próxima aula.


— Quero um pequeno resumo de 50 linhas sobre a história e as propriedades mágicas do feitiço. E isso inclui também sua execução final. Até a próxima aula, crianças!


Roseh saiu na frente, sendo seguida por Lottie e Daniel que conversavam entre si sobre a próxima aula na grade de horários.


— Oh, vamos nos separar a partir de agora. — Disse Lottie checando os horários — Corvinal nesse horário compartilha a aula de poções com Lufa-Lufa. Vejo vocês mais tarde! — Ela saiu sorridente acenando.


— Eu é quem deveria estar nessa aula... — Começou Daniel com os olhos presos no bilhete — Bom, agora é Sonserina com Grifinória na aula de... vôo.


— Acho que consigo participar dessa... — Pensou Roseh consigo mesma — Não é nada demais, todo bruxo voa numa vassoura! Um bruxo que nunca o fez pode se comparar com um analfabeto. Meu pai sempre diz isso!


Por uns instantes Daniel pensou em responder mas prefiriu permanecer em silêncio.

De repente os dois foram empurrados para frente com um encontrão.


— Cuidado Fischer, ela vai te lançar a maldição da morte! — A voz de um dos gêmeos soou travessa por trás de Roseh e Daniel.


— Como se ela fosse capaz de fazer isso. A Lestrange nem sequer soube levitar uma pena. Pobre coitada, o lugar dela é a enfermaria.


Caçoou Fischer. Era inacreditável como até as vozes dos dois eram idênticas.


— Eu tenho meus motivos. — Rebateu Roseh — Mas talvez isso não vá processar muito em primatas interligados por um único cérebro.


— Você ouviu isso Colby? "Aiii, meus poderes de comensal da morte estão restritos!" — Brincou Fischer afinando a voz, imitando o timbre agudo de Roseh.


— Vamos ver até onde vai as limitações da filha da seguidora de Você-Sabe-Quem.


Colby balançou sua varinha em direção a Roseh mas Daniel tomou sua frente.


— Cara de Lesma!



Um brilho surgiu num estalo na ponta da varinha do ruivo e o rosto de Colby imediatamente assumiu uma coloração verde. Estava ficando nauseado...

De repente uma poça de lesmas se formou no chão do corredor, formada pelos vômitos de Colby completamente enjoado.


— "Cara de Lesma"? — Um timbre gracioso e cheio de desdém se fez presente pelos corredores. Cassandra apareceu atrás de Colby pondo a mão em seu ombro. — Que feitiço mais pífio, até uma criancinha de primário sabe fazer esse tipo de truque patético. Fischer.


Fischer rapidamente obedeceu Cassandra lançando um contra-feitiço em seu irmão, que aos poucos cessava sua crise de vômito.

Daniel e Roseh os encararam com seus semblantes fechados. O ruivo irritado apertando sua varinha ainda apontada e a Lestrange com um olhar frio e as mãos dentro dos bolsos.


— Os garotos estavam apenas testando vocês, mas pelo visto devem estar em um nível muito abaixo. — Sorriu a loira com seu olhar observador. — Creio que não durariam um turno no Clube de Duelos.


— Eu acho que eles estão implorando é pra apanhar. Mas não vou perder meu tempo.


Respondeu Roseh com as mãos afundando nos bolsos.

Estava preparada para se retirar pois não queria desculpas para usar magia. O agouro de seu pai ainda martelava sua cabeça.

Entretanto Daniel com sua teimosia acabou se deixando levar pelas provocações.


— Clube de Duelos? Não me faça rir. Vai ser um prazer esfregar a cara desses dois no chão formalmente. Roseh, pode ir sem mim, eu dou conta deles.


— Mas Daniel, a aula de vôo...


— Não esqueça que somos da mesma comunal. — Advertiu Cassandra — Um combate franco entre eles será o evento mais curto da história. Independente de ser Colby ou Fischer. Esse pobre coitado estará estirado pra fora da arena, e ainda chegaremos a tempo na aula vitoriosos.


— Não esqueça que foram vocês que pediram. — Rebateu ele.


Daniel, Cassandra, Colby e Fischer atravessaram os corredores em direção ao clube.

Suspirando ao perceber que estava ficando pra trás, Roseh começou a correr em direção ao grupo.


O Clube de Duelo se abriu com suas enormes portas duplas. Seu interior era extensivo e ao centro da sala havia um palco retangular onde bruxos duelavam ferozmente. E a plateia de alunos à volta gritavam com garra torcendo e fazendo apostas.

Roseh teve que desviar rapidamente para o canto quando um dos duelistas foram jogados pra fora da arena com um feitiço Bombarda.


— Leonardo está fora! A vitória é de Mr.Lima nesse segundo round! — Anunciou o juiz, e gritos e urros tomaram toda a sala em resposta.


O piso do ambiente era repleto de rachaduras e nas paredes ainda haviam marcas de batalhas antigas. Era um lugar verdadeiramente assustador...


Cassandra caminhou até o juiz e pela expressão encantada do rapaz, o fez rapidamente ignorar a fila de duelistas que aguardavam para colocar os gêmeos e Daniel como os próximos a duelarem.


— Podem ir se preparando. Boa sorte...


Ela sorriu com malícia para Daniel que se preparava subindo no palco. Fischer subiu em seguida com um sorriso convencido.

Os gêmeos eram tão habilidosos sozinhos quanto unidos.

Roseh assistia da arquibancada com Colby e Cassandra. Seus olhos azuis demonstravam certa preocupação para com seu colega de comunal.


— JOGUE ELE PRA FORA DA ARENA DANIEEEEEEEEEEEEEEL!!!! — Urrou ela sendo a única voz a torcer pelo garoto em meio as vaias da platéia.


A torcida estava ao lado de Fischer. Os gêmeos Frey eram mestres na arte dos feitiços de Azaração, o que os tornavam exímios duelistas.


— DETONE ESSE MAGRICELO, IRMÃO! — Gritou Colby em resposta, ainda nauseado pelas lesmas.


O juiz engatou o início do duelo. Os participantes se cumprimentaram e posicionavam suas varinhas.


— Flipendo! — Fischer com sua exímia precisão de duelista foi o primeiro a realizar seu ataque.


O feitiço disparou contra o peito de Daniel tendo o mesmo impacto de um projétil.


Mas simplesmente parou no meio do caminho, congelando no ar.

Uma barreira de Protego circundava Daniel e o mesmo girou sua varinha de forma calculada.


— Expulso! — Disparou ele.


E uma pressão de ar se estourou nos pés de Fischer o empurrando para trás.

Por pouco não caiu do palco por se equilibrar a tempo.


— Ok... chega de brincar feito criança.


Um brilho roxo se forma na varinha do gêmeo e todos se espantam ao ver Daniel sendo acertado em cheio no rosto.

Roseh arregalou seus olhos ao ver sangue escorrendo no nariz do garoto.


— Humpf... Digo o mesmo. — Respondeu Daniel limpando o rosto com o canto da mão — Incendio.


O chão abaixo dos pés de Fischer instantaneamente são tomados por labaredas que crescem em chamas alimentadas pela magia.

O bruxo Frey começa a pisotear o chão sugando o fogo na ponta da varinha com o feitiço Tergeo.


— Troll.


De repente para o terror de muitos, um enorme troll esverdeado com um pedaço de tronco pronto para golpear vítimas se formou em cima do palco.


— Acabe com ele. — Ordenou Fischer à sua invocação.


A criatura rugiu levando toda a platéia a ter calafrios, alguns saíram correndo desesperados da sala.

Seu primeiro golpe foi contra o chão com a ponta do tronco. Uma cratera se forma e o solo treme. Daniel bambeia caindo para trás.

O troll marchava cada vez mais perto.

Seu tronco estava indo de encontro contra a cabeça do sonserino.

Roseh quase sobe ao palco impulsiva mas Cassandra a segura pelas vestes.


— Não interfira num duelo de bruxos. — Ela diz seriamente.


A Lestrange estava prestes a se soltar à força quando escuta o grito.


— INFLATUS!


O corpo do troll começa a se inchar como uma balão de ar. E seu peso alterou-se ao flutuar sendo apenas impedido pelo teto, por onde permaneceu.

O trunfo de Daniel foi aplaudido pela multidão e Roseh conseguiu respirar aliviada.


Mas Fischer não pestanejou. De sua varinha recitou outro feitiço.

Porém Daniel foi mais rápido desta vez.


— Incarcerus!!!


Correntes encantadas apertavam prendendo os braços de Fischer que caiu no chão com o impulso do acerto.

De longe era possível ver Daniel retirando um frasco de poção do bolso do seu casaco.

Ele joga arremessando no gêmeo e o frasco se rompe derramando um líquido verde e vaporoso pelo palco.


— Espero que goste de Veneno de Acromântula. Essa é a minha dose mais fresca do arsenal. — O ruivo sorriu bebendo outro frasco de poção.


— Uma poção de cura... — Analisou Roseh da platéia — É A SUA CHANCE! FINALIZE ELE!


Toda a sala do clube de duelo vibrou com gritos agitados. Mas o frenesi durou por pouco tempo.


— Não vou deixar que meu irmão seja derrotado dessa forma.


Colby, seu irmão gêmeo havia se juntado no palco. Ele puxou Fischer da poça venenosa como forma de aliviá-lo.


— Colby... — Fischer tossia enfraquecido mas logo foi retornando com sua postura aos poucos — Vamos acabar com esse otário.


— Vamos irmão.


Os dois se posicionaram.

"Isso não é contra as regras?" Pensou Roseh. Mas antes que pudesse acompanhar os movimentos de Colby, um terrível feitiço foi recitado. Um feitiço que ela não gostaria de ter reconhecido...


— SECTUMSEMPRA!


A varinha de Colby tremeu e o próprio caiu com o impacto do poder atribuído nela.

Roseh gritou e o projétil mágico zigue-zagueou pelo corpo de Daniel como cortes de faca. O garoto se contorceu com sangue respingando no chão do palco. A multidão observava atônita.


Mas o terror realmente se instaurou quando a Lestrange encostou seu pé no primeiro passo ao palco.

A platéia silenciou-se em súbito. Apenas o som dos sapatos da garota caminhando podiam-se ouvir.


A filha de Bellatrix Lestrange marca presença no duelo.