Notas iniciais
Oi gente linda, gente bonita, capitulo novinho pra vocês e o nome do capitulo é uma expressão pra quando alguém tem algum probleminha pra resolver e tem haver com uma das cenas do capitulo. Boa leitura e até mais.

Eu não fazia a menor ideia de como cheguei em casa aquela noite, minha mente vagava distraída repassando as imagens de nosso primeiro encontro, de cada palavra, sorrisos e olhares trocados, que poderia muito bem ter provocado um acidente, felizmente por sorte ou destino cheguei sã e salva, vestindo seu paletó e com um sorriso que não cabia em meu rosto. Eu poderia chamar nosso primeiro encontro de perfeito, mesmo com todo o sorvete em minha roupa.

De braços abertos, me joguei em minha cama, como naqueles filmes de romance onde a mocinha ficava abobada por ter encontrado o amor de sua vida e se jogava em câmera lenta em sua cama – não que eu tenha encontrado o amor da minha vida, mas era inegável que eu estava melhor que de costume — e adormeci, acordando no dia seguinte com as roupas da noite anterior e uma baba seca em meu queixo.

Vocês devem estar imaginando que acordei sorrindo e incrivelmente disposta, mas não, como em todas as manhãs acordei com a incapacidade de diferenciar uma cômoda de um ser humano e quase caí da cama quando o despertador de meu celular tocou e tateei meu criado-mudo ainda atordoada.

Levantei-me sonolenta e escovei meus dentes encarando meu reflexo medonho, em meu medidor de alto estima o ponteiro estaria lá em baixo, possivelmente quebrado. Tomei um rápido banho e ainda enrolada numa toalha recolhi as roupas espalhadas pelo chão do meu quarto tentando organizar a bagunça em que meu apartamento se encontrava. A família de Gabrielle almoçaria em minha casa e minha geladeira mais se parecia com Polo Sul, gelada e vazia, desanimada me despedi de minha gata que sequer olhou para mim, em busca de algo comestível.

Decidi que caminharia um pouco, respirar um ar fresco me faria bem e me daria tempo para pensar, processar todos os acontecimentos da semana na cabeça de forma mais tranquila e saudável. Aquele era um dos meus raros dias onde eu podia me vestir de forma confortável e sair nas ruas normalmente, sem pressão. Caminhei até um mercado a céu aberto no centro de Paris e procurei por algo que eu pudesse e soubesse cozinhar. Peguei alguns tomates, cebolas, camarões e temperos, quando ouvi uma voz familiar, não, não era nenhum parente, ou mesmo meu, meu, o cara com quem saí ontem à noite, olhei para trás e arregalei os olhos quando avistei um homem baixo, de cabelos negros lisos e roupas largadas, Matheo.

Matheo era um dos meus ex-namorados e empresário do ramo pesqueiro. Ele analisava algumas batatas atento aos detalhes, as colocando muito próximas ao rosto e em seguida na sua sacola de compras, então levantou o olhar em minha direção e tentei me esconder colocando um abacaxi no rosto. Acredito que isso não tenha funcionado direito, afinal ele caminhou até mim, mesmo que eu sussurrasse dizendo, “Por favor, por favor não me reconheça, sou apenas um abacaxi”.

— Ei! – Ouvi sua voz grave e tentei disfarçar fingindo analisar profundamente o fruto em minhas mãos.

— Nossa que abacaxi interessante hein, uau isso que é um verdadeiro abacaxi, acho que nunca vi um abacaxi tão interessante na vida, nossa... – Virei o rosto e o notei me observando parado logo a minha frente – Oh, é você, desculpe eu não tinha reconhecido, sou muito distraída mesmo – Forcei um sorriso amarelo e coloquei a fruta em minha sacola de compras de tecido e ele me cumprimentou beijando minhas bochechas.

— Quem diria, Rose MacIntyre fazendo compras.

Como assim?

— É... Compras... – Apenas repeti sem saber o que dizer – Hum... Vejo que também está comprando... Coisas!

— Ah sim, os pais de minha noiva irão jantar em casa hoje e eu prometi que cozinharia algo especial para eles, sabe como é quando se quer impressionar os sogros, e você vai cozinhar pra alguém?

— Claro, claro, Gabrielle e a família dela irão almoçar em casa e decidi fazer a minha famosa Paella.

— Lembro-me se sua Paella, era boa, mas sempre faltava um pouco de sal, não se esqueça do sal dessa vez – Disse bem-humorado – Sem contar que eu nunca entendi direito você ter terminado comigo por não gostar de frutos do mar, se os comia na Paella – Me encarou confuso.

— Eu só gostava deles na Paella – Menti –Sabe, você trabalha com peixes e não ia dar certo, eles não estariam só no risoto não é? – Ele apenas balançou a cabeça no que, não pude entender se era uma afirmação ou apenas uma constatação da minha possível loucura.

— Boa sorte com sua receita.

— Valeu – Continuei sorrindo amarelo.

— E não se esqueça do sal – Brincou me deixando irritada.

— Não me esquecerei – Dei uma risada forçada contendo minha vontade de desaparecer da face da Terra.

— Até mais Rose – Se despediu saindo daquele lugar e pude enfim respirar aliviada. O que deveria ser minha manhã calma se tornou na manhã pesadelo com ex-namorado. Por que eu tinha que ter tantos ex-namorados?

Caminhei para casa com um abacaxi, literalmente. Acabei comprando a fruta por causa de Matheo e nem sabia o que fazer com ela, afinal que frutas não eram o meu forte.

Comecei a cozinhar antes que minha irmã chegasse, cortei as cebolas, os tomates, limpei os camarões, enquanto cantarolava alguma música aleatória, segui toda a receita como de costume, mas dessa vez coloquei mais sal, bem mais sal, afinal não queria que reclamassem novamente da minha comida. Deixei tudo no fogo cozinhando quando a campainha tocou e corri para atender a porta.

— Gabrielle! – Abracei minha irmã, em seguida Amelie que parecia mais distraída que o normal e por fim François.

— E aí François, fazendo muitas cirurgias? – Indaguei empolgada para o homem negro de quase dois metros de altura à minha frente tentando me enturmar.

— Eu não sou cirurgião Rose, sou clínico geral – Respondeu-me com sua voz grave – Já deveria saber isso.

— Pois é né – Ri sem graça – Aceitam beber alguma coisa?

— Eu tô bem, estou dirigindo – François respondeu observando o grande quadro em preto e branco com o rosto de Audrey Hepburn que ocupava metade de uma das paredes da sala de estar.

— Quero refrigerante tia.

— Pode pegar na geladeira.

Gabrielle se aproximou de mim com um olhar estranho, inquisidor e malicioso.

— Não vai contar a sua irmãzinha como foi seu encontro ontem à noite? – Levantou uma sobrancelha – Peguei nas mãos de Gabrielle e fomos até a sacada. Gritei para François e Amelie que podiam jogar videogame na televisão e fechei a porta de vidro.

— Foi demais! – Me sentei em uma poltrona e acendi um cigarro – Cigarro?

— Agora não, mas foi só isso? Demais? – Cruzou os braços e me lançou um olhar desafiador.

— Foi uma das melhores noites da minha vida – Sorri me lembrando de seus lábios nos meus – Foi tudo tão romântico.

— Esse cara deve ser mesmo bom, pra te deixar abobada.

— Ele é tão fofo Gabrielle, primeiro, nós jantamos em restaurante no Sena, podíamos vislumbrar a Torre Eiffel de lá, depois caminhamos sob o luar – Minha irmã revirou os olhos enquanto eu suspirava – Conversamos muito...

— Pediu o nome dele?

— Não, mas... – Levantei meu dedo indicador – Sei que ele dá aulas de música em casa e que o irmão dele o ensinou sobre estrelas e por isso ele conhece o nome de várias constelações e sabe onde ficam no céu.

— Nossa que romântico – Colocou um dedo na boca aberta fingindo sentir náuseas – Dormiu com ele?

— Não, não ainda, mas depois que ele derrubou sorvete em mim nos beijamos.

— O cara derruba sorvete em você e ainda beija ele?

— Foi sem querer, ele se abaixou para amarrar os sapatos e quando levantou bateu a cabeça em minha mão que por coincidência estava segurando seu sorvete e você pode imaginar o que aconteceu. Ele ficou tão preocupado tentando limpar a sujeira, até me ofereceu o paletó dele pra eu vestir e cobrir a mancha. Eu não resisti, tive que beijá-lo.

— Ele beija bem pelo menos?

— Sim, mas não direi a ele, os caras costumam ficar convencidos, e o melhor de tudo é que ele não entende de vinhos, me poupou horas de conversas monótonas sobre Merlots e Chardo-blá, blá, blá, tédio.

— Eu realmente espero que fique com esse cara dessa vez e não invente uma desculpa idiota como não gostar de frutos do mar para terminar com ele – Essa desculpa era tão ruim assim?

— O que aconteceu com Amelie? Ela está meio distraída – Indaguei mudando de assunto.

— Está mais para apaixonada.

— Então já sabe sobre o Mathias? – Apaguei meu cigarro no cinzeiro e lancei um olhar para a sala de estar onde François e Amelie pareciam se divertir com o videogame.

— Quem é Mathias?

— Agora você sabe...- Engoli em seco.

Droga.

— Rose, quem é Mathias – Me olhou furiosa.

— É só um garoto do colégio que sua filha gosta– Respondi encolhendo-me em minha poltrona, me sentindo coagida.

— Como sabe disso?

— Amelie me contou e eu acabei vendo os dois de mãos dadas no colégio na segunda, mas é coisa de adolescente.

— François não pensa da mesma forma.

— Por favor, não diga que eu te contei, eu prometi a ela que não diria nada, Amelie vai me odiar se souber que deixei escapar.

— Mas Rose, não posso deixar isso acontecer, ela é só uma criança.

— Faça ela te contar, é a mãe dela.

— Por que acha que ela não me conta? – Gabrielle respirou e tentou se acalmar – Mas eu vou tentar arrancar essa informação dela, como disse, eu sou a mãe dela ora.

— Merda, esqueci a comida no fogo – Corri para a cozinha abrindo a porta da sacada com força.

Notei que minha comida estava quase queimando e apaguei o fogo voltando a respirar novamente.

— O almoço está pronto! – Anunciei arfando.

Coloquei a grande frigideira sobre o aparador na mesa ao lado de uma garrafa de vinho, enquanto todos esperavam ansiosos para se servir.

— Isso parece estar bom.

— Realmente parece, parabéns Rose! – François me cumprimentou e sorri em agradecimento.

Mas nossa felicidade não durou tanto quando por fim provaram meu risoto espanhol.

— Mas droga é essa? – Gabrielle cuspiu a comida de volta no prato e limpou a língua com um guardanapo de pano.

— Deus, isto está salgado demais, quer nos matar com pressão alta? – François arregalou os olhos que lacrimejaram devido ao sal em excesso e virou uma taça de vinho num ato de desespero.

— Não deve estar tão ruim – Provei de meu próprio veneno quando coloquei uma grande garfada de Paella na boca e quase vomitei. Enchi uma taça com vinho quase a derrubando e bebi com a sede de quem está caminhando a horas sob o sol escaldante do Saara – Alguém quer pizza?

Notas finais
E aí gostaram? Entenderam o nome do capitulo? Comentem, um grande beijo e até o próximo.