Rose e o Cara

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Oi genteee, tudo beleza com vocês, aqui está mais um capítulo pra vocês, cheio de emoções, histerias, bagagem perdida e muito mais fofura do casal mais fofis do mundo. Boa leitura.

Estávamos enfim em Milão, após um curto vôo de pouco mais de uma hora, lá estávamos nós, esperando a esteira de bagagens trazer consigo nossas malas. Mais minhas do que dele.

Eu havia levado duas malas grandes, eu sei que seriam apenas quatro dias, mas estávamos falando da Semana de Moda de Milão, eu precisaria de roupas para assistir a todos os desfiles, para passear, para ficar no hotel, ou só pelo simples fato de usar minhas roupas novas da Prada. Meu acompanhante trouxe uma mala mediana consigo, com apenas o básico do básico, embora eu tenha pedido, ou melhor, implorado a ele que trouxesse somente suas melhores roupas, ele disse que não era algo necessário e que uma peça de roupa social era suficiente para me acompanhar nos desfiles. O resto se tratava de roupas básicas, como camisetas e jeans sem marcas importantes.

A esteira já havia trazido a mala dele há alguns minutos, a pequena e simples mala preta com seu nome em grandes letras garrafais escritos numa etiqueta branca. Continuei aguardando minhas duas grandes malas Prada. Observei todos ao meu redor pegando suas malas e saindo dali enquanto a pequena chama de esperança parecia se apagar em mim.

— Não vejo suas coisas — Ele aproximou-se da esteira e seguia todas as bagagens com os olhos.

— Nem eu — Comentei chateada fazendo beiço.

— Estamos aqui há meia hora Rose, talvez eles tenham extraviado suas coisas. — Disse andando em minha direção batendo as mãos nas calças.

— Não diga isso, não digo isso, isso seria como perder um filho — Arregalei os olhos desesperada.

— Você pode conversar com alguma atendente e pedir pra te ligarem quando suas malas forem encontradas. Enquanto isso pode comprar algo pra se vestir se eles demorarem com suas coisas.

— Merda!

— O que você fez Rose?

— Meu cartão de crédito, eu deixei dentro de uma bolsinha na mala, junto com toda minha maquiagem e minha vida.

— Me diz que isso é uma pegadinha e só está brincando, por favor, diz — Ele pegou em meus ombros olhando em meus olhos.

— Isso é uma pegadinha e só estou brincando — Falei de forma robótica.

— Como você fez isso? Não se deixa este tipo de coisa na mala Rose.

— Na verdade é a primeira vez que eu faço este tipo de coisa, eu sempre trago com minha bagagem de mão, mas desta vez eu pensei que não teria problema em trazer tudo na mala grande, afinal é só uma viagem de uma hora e meia...

— Vamos procurar por ajuda então, talvez eles possam nos ajudar não é?

Fiz que sim com a cabeça sem confiança alguma.

Conversamos com uma atendente que nos instruiu a aguardar no mínimo dois dias para ter minha mala de volta. Se minha bagagem aparecesse entrariam em contato comigo. Felizmente meu celular não estava na mala.

— Não podemos ir pro hotel que reservei, estou sem meus documentos — Me sentei no meio fio da calçada do aeroporto.

— Tem algum dinheiro além do cartão de crédito? — Sentou-se ao meu lado.

— Tenho no sutiã, eu vi na internet que é sempre bom guardar algum dinheiro na lingerie — Enfiei minha mão na blusa, e vasculhei meu sutiã procurando por alguns euros perdidos entre meus seios e tirei as notas, as contando em seguida com a mão espalmada — Cento e vinte Euros, quanto você tem?

Ele pegou sua carteira no bolso da calça e a abriu, notei o quanto ela parecia vazia, mas mantive-me em silêncio engolindo em seco.

— Duzentos Euros. Acho que pela primeira vez tenho mais dinheiro que você — Brincou e olhou para mim com um sorriso tímido — Podemos ficar em um lugar mais simples até encontrarem suas coisas, isso deve dar.

— Mais simples quanto?

— Bem simples. Eu garanto que vai gostar, não significa que por ser simples é ruim. Já ficou em algum hotel assim?

— Já fiquei num hotel duas estrelas, o serviço de quarto era péssimo, merecia apenas uma estrela...

— Certo, não foi bem isso que eu quis dizer, mas já é alguma coisa. Podemos pedir pra um taxista nos levar pra um lugar que possamos pagar. Eles conhecem a cidade toda.

— Tudo bem, mas espero que não seja tão ruim.

— Não será. Eu garanto.

Pegamos o primeiro táxi que apareceu em nossa frente e pedimos a ele que nos levasse para uma hospedagem que pudéssemos pagar. Dos meus cento e vinte Euros sobraram apenas cem, pagamos vinte pela pequena viagem até o local que segundo o taxista era acessível para pessoas como nós. Isso significa pessoas que não tem um tostão furado. Exatamente o que éramos.

O táxi nos levou para um lugar afastado do centro, afastado o suficiente para o caminho ser quase uma viagem de volta para Paris e paramos frente a um velho prédio com uma aparência um tanto rústica

— Chegamos — O motorista anunciou após nos contar uma infindável história sobre como foi traído pela ex-mulher que o trocou por um espanhol de vinte e três anos — São 25 Euros.

— Você disse que seriam 20 — Reclamei pasma.

— A viagem foi mais longa do que pensei, vocês são muito pobres e esse é o único lugar que tem um pernoite de 40 Euros com quartos vagos. Eu quis ajudar, eu juro.

— Eu não sou muito pobre senhor, senhor...

— Enrico Giordano a seu dispor — Estendeu a mão para nós — E você são pobres sim, Mamma Mia!

— Aqui estão seus 25 Euros senhor Giordano, está bem? — Entreguei o dinheiro ainda passada com a situação.

— Grazie, grazie — Ele agradecia enquanto saíamos do táxi — Espero que não tenham medo de ratos.

— Como assim ratos?

— Brincadeirinha — O taxista deu uma risada forçada e acelerou o carro —
Arrivederci — Despediu-se e logo o perdemos de vista.

Então lá estávamos nós, parados em frente a algo que deveria se parecer com um hotel. As letras luminosas que assinalavam o nome do estabelecimento estavam queimadas e piscavam hora sim, hora não, soltando algumas faíscas vez ou outra. A rua era mal iluminada e parecia um tanto perturbadora naquele lugar.

— Acho melhor entrarmos — Meu acompanhante sugeriu olhando ao nosso redor com olhos assustados que não me transmitiam qualquer segurança.

— Concordo.

Ele pegou sua mala e caminhei a sua frente abrindo a porta imunda daquele lugar com as pontas dos dedos em seguida os limpando em minha calça azul marinho.

— Puta merda! — Ouvi a exclamação dele quando adentrou o lugar logo atrás de mim — Esse tipo de lugar deveria ser proibido.

— Você disse que não seria tão ruim...

— Não imaginei que poderia existir um lugar assim.

O pequeno e sujo saguão do hotel apresentava um teto de madeira sustentado por vigas comidas por cupins, um balcão empoeirado ficava ao meio, sem ninguém para nos atender. E juro que de canto de olho vi algo passar correndo ao nosso lado. Tudo parecia tão imundo e perturbador. Uma velha escada com carpete magenta roído nos levaria para os andares superiores.

Ouvi o sino enferrujado da pequena campainha sendo tocado e aguardamos por algum atendimento enquanto continuávamos observando tudo ao nosso redor, as cortinas velhas e corroídas, o chão de madeira que rangia a cada passo e as paredes com quadros perturbadores.

— Buona notte — Uma senhora que aparentava beirar os sessenta anos com cabelos brancos misturados aos fios negros apareceu do nada e disse algo que não entendemos — Ciò che entrambi si rendono in questo luogo?

O que?

— A senhora fala nossa língua? — Indaguei me aproximamos mais do balcão encarando a mulher de rosto redondo e lábios finos.

— Con il quale questo vadia pensa che sta parlando? — Ela olha para nós dois com um semblante rabugento.

— Me desculpe senhora, mas eu não a entendo, fala inglês?

— Perché continua a parlare come se ho capito niente?

— Acho que ela não nos entende Rose.

— Constatou isso sozinho? — Cruzei os braços, irritada com toda aquela situação embaraçosa.

— Não seja rude, a culpa não é minha de estarmos neste lugar — Respondeu ele azedo — Vou tentar falar com ela.

— Ela não nos entende!

— Eu arranho no italiano, namorei uma italiana por um tempo.

— Hum... namorou? — Tentei soar desinteressada embora algo dentro de mim dissesse que eu deveria esfregar a cara da tal italiana no asfalto, ou até mesmo a dele.

— Sim... — Ele apoiou as mãos no balcão empoeirado — Ciao noi vogliamo un cavallo blu.

— Lorenzo, questo ragazzo è pazzo, è venuto fino qui per chiedere un cavallo blu — A mulher gritava chamando por alguém chamado Lorenzo.

Um homem que aparentava a mesma idade da mulher apareceu com um sorriso segurando uma galinha com a mão direita. Ela cochichou algo em seu ouvido olhando para nós e ele gargalhou alto. Eles sabiam que ainda estávamos ali não sabiam?

— Buona notte, como estão? — O homem sorridente abriu os braços ainda segurando a galinha.

— Olá, o senhor fala nossa língua? — Ele indagou.

— Oui, oui, passei um ano na França e aprendi alguma coisa — Minha atenção estava voltada para a ave que batia asas em sua mão, apesar de estar com as patas amarradas — Você quer mesmo um cavalo azul?

— Cavalo azul? — Perguntei tirando os olhos da galinha e olhando para meu acompanhante.

— Sì, si,o ragazzo pediu para minha Gioconda um cavalo azul, já aviso que não temos nenhum por aqui.

— Eu arranho no italiano, namorei uma italiana... — Imitei seu modo de falar.

— Eu consegui pedir alguma coisa, mesmo que seja algo estúpido.

— Per favore, não briguem, não briguem, eu entendo que os pombinhos desejam um quarto para passar a noite han? — Piscou o olho com maldade.

— Sim, nós queremos um quarto por favor — Respondi passada — Quanto custa a diária?

— Ah sì, 40 Euros minha fanciulla de cabelos de fogo. A estadia mais barata de toda Milão.

— Não entendo o porque — Comentei sarcástica.

— Venham, venham, levarei os pombinhos para seu quarto — Acrescentou ainda malicioso e animado, deixando sua galinha com Gioconda — Vocês tem sorte, o melhor quarto está desocupado, os outros estão com um ninho de carrapatos na cama, mas esse não tem muitos, apenas algumas baratas.

Meu estômago se embrulhou e me senti nauseada quando a porta do quarto foi aberta. Um cheiro forte de algo estragado preencheu o ambiente e pulei gritando quando algumas baratas passaram correndo em meus pés.

— Não é maravilhoso? — Lorenzo indagou sorridente — Podem se acomodar, temos cobertores no armário, e o sanitário não está mais entupido, se a descarga não funcionar podem me chamar que apareço rapidinho — Ele abaixou a voz sussurrando em seguida — A menos que esteja muito ocupado com minha Gioconda, han, han...

— Parece ótimo — Meu acompanhante falou antes que eu pudesse reclamar de algo — Ficaremos com ele.

Arregalei os olhos, boquiaberta, mas decidi me manter calada. Lorenzo desceu a escadaria e sumiu de vista. Adentrei o quarto enojada evitando encostar em qualquer coisa que me parecesse intocável e notei que não tocaria em nada.

— Esse lugar é uma droga.

— É o que podemos pagar por duas noites, até encontrarem sua bagagem, precisamos guardar o pouco que temos pra pagar o táxi que nos levará até o centro nos seus desfiles, e pra comermos algo.

— Como eu pude ser tão estúpida? Eu e minha mania de achar que o mundo gira ao meu redor e que nada de errado pode acontecer comigo. E você não podia ter trazido mais que duzentos Euros? O que se pode fazer com duzentos Euros? — Esbravejei nervosa, andando de um lado para o outro, sentindo minhas orelhas queimando.

— Eu trouxe o que eu tinha Rose — Ouvi sua voz ressentida — Isso não é minha culpa, eu aceitei vir até aqui com você porque você insistiu. Eu disse que não poderia pagar, talvez essa viagem tenha sido um erro. Não tenho dinheiro como você Rose, eu tenho um aluguel pra pagar, e não sei o que vou fazer — Senti meu coração se despedaçando.

— Me desculpe — Andei até ele trêmula, prestes a chorar — Eu não devia ter dito aquilo — Não conseguia olhar em seus olhos — Não sei o que dizer, a culpa é toda minha, eu não deveria ter deixado todas as minhas coisas numa mala, nada disso é culpa sua — Mordi o lábio, envergonhada — Por favor, me perdoa eu fui uma idiota, estou descontando minha frustração em você e isso não é certo.

— Já parou pra pensar que eu nunca serei o tipo de cara como o Oliver? O tipo de cara engomadinho que usa um paletó mais caro que meu apartamento?

— Eu não quero um cara como o Oliver. Por isso terminamos, eu quero alguém como você, alguém com quem eu consigo ser quem realmente sou, alguém que não se importa se estou vestindo Gucci ou algo de dez Euros comprado num brechó. Você de alguma forma me faz me sentir em casa — Senti lágrimas descerem por minhas bochechas — E eu adoro essa sensação. Gosto de como olha pra mim, gosto que gosta de mim pelo que sou e não pelo que tenho que ser — Olhei para ele e vi seus olhos vermelhos segurando lágrimas.

Então senti seu corpo esguio envolvendo o meu em um abraço, senti seu calor em mim, seu lábio depositando um singelo beijo rápido em meu pescoço e me senti segura. Fechei meus olhos desejando que aquele momento durasse muito tempo. Eu sabia que de alguma forma ele sempre estaria comigo. E era bom saber disso.

Quando abri meus olhos não tivemos um momento belo ou fofo, foi mais algo como sair correndo gritando em pânico deixando ele sem entender nada do que acontecia.

— Um rato, ai meu Deus, um rato, um rato — Corri pulando apontando para algo cinzento sobre um amontoado de cobertas no chão empoeirado.

— Rato onde? — Ele correu junto comigo, parecendo tão assustado quanto.

— Ali — Apontava para o monte de cobertas — Ali, eu vi um rato, por favor, tira ele daqui — Eu pedia em pânico ainda apontando para a coisa cinza.

— Tem certeza? — Ele olhava alarmado em direção as cobertas.

— Acho que sim, eu acho que mexeu — Dei dois pulinhos para trás me encolhendo — Mata ele pelo amor de Deus!

— Eu não simpatizo muito com ratos sabia?

— Você ta com medo?

— Um pouco talvez — Correu para junto a mim.

— Ótimo, um rato nos expulsou de nosso quarto.

— Podemos dormir aqui fora, seria uma experiência inédita.

— Eu não vou dormir neste chão sujo porque você não quer matar um rato!

Ele correu para dentro do quarto e agilmente pegou um colchão fino da cama de solteiro e o trouxe para fora fechando a porta em seguida.

— Pronto, não vamos dividir o quarto com um rato e não dormiremos no chão — Sorriu amarelo colocando o colchão no chão, se jogando sobre ele em seguida.

— Vamos lá, vem comigo — Deu dois tapinhas no espaço a seu lado.

— Não acredito nisso, meu namorado tem medo de ratos... — Comentei de pé cruzando os braços.

— Sou seu namorado? — Levantou a sobrancelha e se sentou no colchão.

— Bom — Tirei minhas sapatilhas e me ajoelhei aproximando-me dele — Nós já saímos algumas vezes, sem contar que estamos na Itália juntos dividindo um colchão velho no corredor de um hotel barato, já tivemos nossa primeira briga a menos de cinco minutos atrás... Por que não oficializar o que é evidente?

— Namorados, gostei disso — Sorriu e entrelaçou sua mão na minha.

— Mas ainda tem medo de ratos.

— Tenho, e você também tem, temos algo em comum — Me deitei ao seu lado colocando minha cabeça em seu peito.

— Posso lidar com isso — Sorri alisando seu dedão com o meu — Sobre sua ex-namorada italiana, como ela é?

— Quer mesmo saber? — Soltou um suspiro misturado ao riso.

— Quero.

— O que eu posso dizer? — Sua voz soava preocupada.

— Ela é bonita? E sim você dizer se ela é bonita.

— Sim, ela é bonita.

— Descreva...

— Ela... Ela é morena, tinha cabelos cacheados e um rosto delicado.

— Como se conheceram? — Continuei alisado a palma de sua mão.

— Na faculdade de música, estudávamos juntos, éramos perfeitos um pro outro, gostávamos de música tanto quanto da vida.

— Se eram tão perfeitos, por que terminaram?

— Ela terminou comigo, Francesca terminou comigo, ela dizia que eu era muito previsível e isso tornava nosso relacionamento monótono, ela queria ser surpreendida, queria correr riscos, ela disse que precisava de um cara mal, um bad boy, e minha caretisse a afastou de mim.

— Essa tal de Francesca é uma idiota. Aposto que ela deve estar muito mal agora.

— Na verdade ela está ensinando música em Nova York na Juilliard, e parecia muito bem nas fotos do Socialbook, que eu juro que olhei antes de te conhecer.

— Ah... Mas eu não trocaria de lugar com ela — Levantei a cabeça e sorri para ele.

— Você não precisa, é quase dona da maior Revista da França.

— Eu gosto da sua previsibilidade — Ele abriu a boca em silêncio — No momento você é a coisa mais segura que eu tenho, eu não quero um cara mal, eu quero alguém que me faça sentir segura, apesar do medo de ratos — Soltei uma curta risada.

— E eu gosto da sua loucura — Levantei uma sobrancelha — Gosto de como você não para, de como parece sempre saber de tudo, mesmo que não saiba de verdade, gosto de como olha pra mim, isso é meio bobo não é?

— Não, é lindo, mesmo eu sendo louca.

— Eu posso ser um cara mal se mudar de ideia.

— Quero você do jeitinho que você é sem tirar nem por.

— Mesmo nem sabendo meu nome, ou quantos anos eu tenho?

— Mesmo assim — Engoli em seco.

O que eu estava fazendo com ele?

— Tem ideia de quando sua religião permitirá você saber meu nome?

— Vou conferir quando voltar pra casa — Menti sentindo-me culpada.

— Certo, quero ver sua cara quando descobrir meu nome ou quantos anos tenho.

— Também quero — Forcei um sorriso — Eu to morrendo de sono — Fingi um bocejo — Acho melhor descansarmos pra amanhã.

Ele beijou minha testa e fechou os olhos.

Demorei a pegar no sono pensando em todas as mentiras que já havia contado a ele. De certa forma aquilo estava me corroendo por dentro. Eu sabia que ele poderia me odiar se o contasse a verdade e isso me afastava cada vez mais de dizê-la.

Acordamos com o cacarejar de uma galinha muito próxima a nós. Abri os olhos vagarosamente e a primeira coisa que vi no dia fora uma galinha no colo de Lorenzo.

Bocejei e senti um gosto de bile na boca. Sentei-me no colchão e acordei meu agora namorado.

— Bom dia Lorenzo — Cumprimentei sonolenta.

— Buongiorno meus pombinhos, trouxe a Estela para conhecer meus novos inquilinos — Ele alisava a cabeça da ave.

— Esta é a galinha de ontem?

— Não, não, esta é Estela, nossa galinha de estimação, a de ontem foi nosso jantar.

— Ai meu Deus, tem outra galinha aqui — Meu namorado acordou com a cara amassada e olhou para o homem segurando a ave.

— Me digam uma coisa meus jovens, porque dormiram aqui no corredor?

— Tem um rato em nosso quarto e nós dois temos medo.

— No, non, neste lugar não tem rato nenhum, Luca acaba com todos eles!

— Luca?

— Nosso gato, Luca, Mama Mia, vocês não entendem nada mesmo.

— Eu juro que vi um rato em nosso quarto.

— Deixe-me ver uma coisa — Ele colocou a galinha no chão e abriu a porta de nosso quarto.

Nos levantamos ainda cambaleantes e o seguimos. Ele vasculhou todo o quarto, procurando pelo animal.

— Mas, eu não vejo nada.

— Ele está no meio das cobertas.

Lorenzo pegou as cobertas e as chacoalhou deixando algo peludo e cinzento cair no chão. E aquilo não estava exatamente vivo.

— Você se referia a isto? A esta bola de pelos?

— Bola de pelos?

— Sì, Luca deve ter cuspido uma bola de pelos no seu quarto antes de vocês chegarem — Ele pegou a bola e andou até nós — Viram, bola de pelos.

— Isso é muito engraçado hein, nossa — Ri sem graça me sentindo uma grande idiota.

— A moça pobre nunca viu uma bola de pelos antes?

— Pra falar a verdade eu tenho uma gata em casa — Respondi embaraçada.

— Mamma mia, mamma mia, vamos deixar isto para lá, vamos? É hora do café da manhã, me acompanhem, o dia hoje está muito bonito, vocês precisam ver.

Notas finais
E aí, gostaram deste capitulo? Comentem o que acharam, logo tem a continuação da viagem deles. Um beijo e até mais!