Notas iniciais
Oi gente, tudo bem? Espero que sim, apresento mais um capítulo pra vocês e olha que o amor está no ar, tudo está lindo, puro amor. Espero que gostem, boa leitura proceis.

Soltei dezenas de palavrões quando a primeira coisa que fiz naquela manhã foi bater meu dedinho no pé da mesinha no meu quarto quando ia ao banheiro escovar os dentes. Minha boca já não estava mais inchada, embora estivesse bem dolorida com um corte no lábio inferior que ardia com o creme dental e o xinguei mentalmente enquanto meus olhos lacrimejavam.

Passei minha manhã de domingo assistindo Bonequinha de Luxo pela milionésima vez comendo meus salgadinhos usando apenas um lado da boca, jogada em meu sofá e sacudindo os pés tentando espantar minha ansiedade idiota por um segundo encontro com alguém que eu nem sabia o nome.

Eu havia prometido a mim mesma que faria daquela tarde uma tarde especial, já havia mandado uma mensagem para o cara dizendo que deveria me encontrar no chafariz do Jardin des Tuileries, já havia escolhido minhas roupas e pensava no que faria com o cabelo encarando meu reflexo no espelho da penteadeira branca e azul claro. Decidi por deixá-lo liso e solto como eu dificilmente usava. Vesti um top cropped de pretos de alças finas que mais parecia com a parte de cima de um biquíni, uma saia longa amarelo canário e um par de sandálias brancas baixas para suportar uma tarde toda no parque. Vasculhei meu armário e encontrei um chapéu floppy preto que ficaria perfeito e logo o coloquei na cabeça me admirando no espelho, eu estava incrível. Peguei minha cesta de piquenique Louis Vuitton quase esquecida na despensa e coloquei quase tudo que achei na geladeira. Eu deveria colocar frutas e coisas saudáveis, mas não coloquei, enchi com salgadinhos, refrigerante, biscoitos e todo tipo de coisa não saudável, peguei uma toalha de piquenique como vermelha e branca quadriculada como em filmes americanos e tentei fechar com tudo lá dentro, o que não deu muito certo, então sentei sobre ela como fazia com minhas malas até se fechar.

Com minha cesta de piquenique em mãos e meus óculos escuros saí do apartamento caminhando de cabeça erguida, desfilando pelo saguão principal, me sentindo incrível, se bem que ninguém estava exatamente olhando para mim, era domingo e todos no prédio ou estavam presos em casa ou passeando em algum lugar, o que não diminua nem um pouco o fato de eu realmente estar arrasando.

***

Quando cheguei ao jardim procurei por, por, pelo cara que eu estava saindo – era realmente uma droga não saber o nome dele – Tentei avistá-lo em meio a todas as pessoas e cadeiras ao redor do grande chafariz ao centro sob o raro Sol que aparecia em Paris. Ele me esperava debaixo de uma árvore e ao notar minha presença sorriu e acenou para que fosse até ele, acenei de volta sorrindo idiota ficando na ponta dos pés.

Não corri, mas caminhei com meus cabelos ao vento como naqueles comerciais de xampus, tirando meus óculos escuros com a mão livre. Tudo parecia bem até meu braço começar a doer com o peso da cesta e eu parar no meio do caminho pra tirar o cabelo que entrou na minha boca. Então ele correu até mim com cara de preocupado pegando a cesta me perguntando se estava tudo bem.

— Ta tudo bem? – pegou a cesta dos meus braços.

— Ah, ta sim, to ótima, eu poderia continuar carregando a cesta, mas já que você faz questão – menti descaradamente.

— Certo, hum... o que acha de ficarmos ali? – apontou para a sombra de uma grande árvore no gramado verde do jardim do palácio de Tuileries.

— Acho ótimo – concordei e andamos em silêncio até lá.

Ele me entregou a cesta e a abri revelando todas as besteiras que havia dentro dela. Peguei o pano quadriculado e o forrei no chão jogando sobre ele dois pacotes de batatinhas e duas latinhas de refrigerante de limão meu favorito.

— Isso é realmente uma cesta de piquenique? – se acomodou a minha frente sobre o pano.

— Ah sim, uma Louis Vuitton.

— É uma cesta de piquenique de grife?

— É linda não é? Ela está meio velha porque não uso há muito tempo, mas dá pro gasto.

Ele apenas abriu a boca e a fechou algumas vezes sem dizer nada e abriu sua latinha.

— É bom te ver de novo – sorriu e bebeu um gole do seu refrigerante.

— Digo o mesmo – respondi sorrindo enquanto abria o pacote de batatinhas e o ofereci a ele enchendo minha mão antes – Então, conseguiu sobreviver há um dia sem mim? – perguntei brincando.

— Foi uma tarefa bem difícil, mas consegui, não posso dizer que foi bom, mas sou um vitorioso por tal feito – respondeu irônico.

— Idiota!- ri com a boca cheia de batatinhas e engatinhei até ele me acomodando ao seu lado.

— Não estou mentindo, foi realmente difícil ficar longe de você depois do nosso encontro – disse sério com o rosto próximo ao meu entrelaçando sua mão na minha. Seu olhar era um tanto hipnótico e queria muito sentir seus lábios junto aos meus, embora meu desastre do dia anterior tornasse isso bem mais difícil. Ele segurou levemente meu rosto com a mão livre passando o dedão por meu lábio machucado delicadamente – O que aconteceu? – perguntou num sussurro que me causou arrepios.

— Eu caí de boca na esteira da academia, eu sei é ridículo – desviei meu olhar quase envergonhado.

— Como fez isso? – perguntou segurando o riso.

— Era a minha primeira vez na academia, porque eu odeio exercícios físicos, minhas pernas começaram a doer e eu pensei que iria morrer sem ar, então resolvi desviar minha atenção pra outra coisa e acabei me distraindo demais, pisei em falso e pronto, cara na esteira com direito a sangue e tudo.

— Uau, o que te deixou tão distraída, quero dizer pra acontecer isso... – ele passava a mão subindo e descendo pelo meu braço.

Eu não poderia dizer a ele que me distraí com o tanquinho perfeito de uma cara sarado de academia que me fez babar feito uma idiota e cair de cara.

— Com uma música, na verdade um clipe de música que passava na TV da academia e era um clipe muito lindo... hum...muito chamativo eu acabei me deixando levar pela música e por... por... toda a beleza do clipe – tentei convencer a ele e a mim mesma que aquela desculpa era aceitável – Mas eu nem lembro que música era, acho que quando caí acabei esquecendo.

— É uma pena, ainda dói – tocou novamente o pequeno corte.

— Uhum – concordei com a cabeça e ele graciosamente tocou seus lábios no canto do meu onde não havia machucado, beijou a ponta do meu nariz e minha testa sorri quase involuntariamente.

Certo, até aquele momento eu já podia classificá-lo como o cara mais fofo que eu já havia conhecido e vocês sabem que o meu portfólio é bem grande.

— Melhorou? – indagou olhando em meus olhos e me senti perdida por um instante.

Apenas acenei com a cabeça concordando, estava totalmente, completamente idiota.

— Bom – tentei me recompor piscando várias vezes e tomando um pouco de ar e colocando mais batatinhas na boca – Está um dia incrível não está?

— Ah, sim claro, é um daqueles raros dias ensolarados e divinos – respondeu olhando para o céu com os olhos semi cerrados.

— É... divino – admiti olhando para o céu de um azul vivo repleto de nuvens brancas que se pareciam com algodão e percebi o quão sortuda eu era por poder estar ali – Posso te perguntar uma coisa? – indaguei ainda olhando para o céu com os olhos quase lacrimejando.

— Claro – senti seu olhar sobre mim.

— Por que música? Digo porque trabalha com música?

— Por culpa do meu pai, ele é totalmente culpado pelo meu amor por instrumentos musicais.

— Seu pai? Ele não era contra?

— Isso não tira a responsabilidade dele. Eu tinha uns sete ou oito anos quando soube pela televisão que a turnê dos Rollings Stones passaria por Paris, a questão é que meu pai não poderia me levar a esse show e eu era apaixonado por eles, não me pergunte o porque, então pra compensar ele me comprou um violão de brinquedo azul e branco com estampa do Mickey Mouse e disse “ Quer música? Faça a sua própria música!” – explicou imitando o pai – Então o que era apenas algo pra fazer eu parar de encher o saco dele se tornou minha profissão.

— Seu pai parece bem legal.

­— Ele é doido, mas é legal – gargalhou e bebeu mais refrigerante.

— Me fale mais sobre sua família...

— Quer mesmo saber?

— Por que não?

— Certo, por onde eu começo? – alisou o queixo com o dedo indicador e o dedão – Meus pais são casados a mais de trinta anos e tem três filhos, meu pai é do tipo de cara sério, meio durão, mas ele é gente boa eu juro – continuou – Minha mãe trabalhou por muito tempo, mas depois que me teve decidiu ficar em casa pra cuidar de mim, então não trabalha a há uns vinte e sete anos – Hum, ele tinha 27 anos, era um ano mais novo que Pierre – Mas ela é incrível, eu tive uma fase difícil na adolescência e ela sempre esteve comigo...

— Difícil quanto? – alcancei dois sanduíches na cesta e entreguei um a ele.

— Fiz algumas coisas meio erradas, mas tomei jeito com a idade, a surra que levei do meu pai também foi de grande ajuda se quer saber – falou rindo – Já meus irmãos são mais velhos e meu irmão mais velho mora nos Estados Unidos, trabalhando na NASA, minha irmã do meio é a mãe da Marion, ela ta tentando abrir uma loja de tecidos porque enfiou na cabeça que precisa abrir uma depois que viu um vídeo no YouTube falando sobre empreendimentos. E então tem eu, é isso eu acho. Por que não me fala da sua família? – mordeu seu sanduíche me encarando.

— Minha família? Realmente precisamos falar sobre a minha família? – perguntei sem graça coçando a nuca e ele assentiu com a cabeça enquanto mastigava – Então vou falar sobre a minha família né... minha família é bem... bem, digamos... um pouco diferente, meus pais se separaram quando eu tinha sete anos e minha mãe, Gabrielle e eu saímos da Escócia para a França já que meus avós eram franceses, meu pai ficou na Escócia, minha mãe abriu a Belle com o dinheiro do meu avô e se casou novamente há...- dizer aquilo acabava com o meu humor e quebrava meu coração todas as vezes – Há dois anos com um cara vinte e nove anos mais jovem, papai está noivo há uns três anos de Elisabeth uma contadora de Glasgow. Minha irmã Gabrielle é dez anos mais velha e é a mãe da Amelie a aniversariante daquela festa, ah o marido dela é um ótimo médico.

— Nossa, é um tanto diferente, sua mãe deve ser incrível pra conseguir um cara com metade da idade dela.

— Mais da metade e não, ela não é incrível.

— Oh, vocês... me desculpe, eu sinto muito, não sabia que não se davam bem.

—Tudo bem, eu nem tinha dito mesmo – respondi com a boca cheia.

— Olhe pelo lado positivo não derrubei sorvete em você desta vez – falou tentando amenizar o clima – E a sua blusa, está bem?

— Ah, os exames ainda não chegaram, mas respira com ajuda de aparelhos, o sorvete acabou com o tecido, temo que seja grave e ela não sobreviva – brinquei.

Como eu poderia ficar chateada? Ele não fazia ideia de como as coisas eram com a minha mãe, e eu não fazia questão de dizê-lo.

Nos deitamos lado a lado no gramado do jardim e ficamos de mãos dadas como dois adolescentes apaixonados, observando e apontando para as nuvens, tentando encontrar algum formato nelas como fazíamos quando éramos crianças.

— Aquela se parece com uma galinha! – ele disse apontando para uma nuvem muito parecida com uma ave.

— Parece mais com um pato – o contrariei.

— O que você entende de galinhas?

— O que você entende de patos?

— E se for uma patolinha?

— Pato o que? – olhei para ele.

— Patolinha, uma mistura de pato com galinha, sai todo mundo feliz.

— Talvez seja um patolinha, ou só um pato mesmo!

— Certo você venceu, espere cadê nossa nuvem pato?

— Se desmanchou agora parece um guarda chuvas?

— Não parece um guarda chuvas, está mais para qualquer coisa que não seja um guarda chuvas – olhou para mim rindo enquanto tentava fazer uma cara de aborrecida inutilmente.

— Você é um grande idiota sabia?

— Mas você gosta de mim.

— Quem disse isso?

— Eu apenas sei – se aconchegou mais perto de mim, colando sua testa na minha, e o abracei ainda deitada. Senti seus lábios em meu ombro num leve e delicado beijo e em seguida em meus lábios cuidando para não machucar, me tirando novamente o chão me levando as nuvens, ele sorriu e apenas sorri de volta em silêncio, palavras não precisavam ser ditas, era apenas o nosso momento onde eu estava abraçada a um cara incrível sob o sol aconchegante daquela tarde de domingo, e me sentia realmente abençoada, se existisse um deus do Euísmo teria quase certeza que era ele quem estava me ajudando.

Passamos horas ali, ora conversávamos e ríamos de coisas idiotas, ora comíamos mais e mais, ora apenas ficávamos em silêncio apenas apreciando um ao outro.

— Eu preciso de você – disse quebrando o silêncio ainda aconchegada a ele sentado recostado ao tronco de uma árvore.

— Precisa de mim?

— Sim, é sério veja, a Belle promove um baile todos os anos, é uma espécie de festa pra alguns famosos e pessoas importantes no mundo da moda, e eu adoraria que fosse meu acompanhante este ano, pode considerar como nosso terceiro encontro.

— Uma festa de ricos – reportou torcendo o nariz.

— Vamos lá, esse ano foi eu quem organizei tudo, fiz questão de que não fosse um baile de gala, só um coquetel mais informal, bem simples, nada comparado aos anos anteriores já que tive que ver quase tudo sozinha, poderia por favor – implorei com as duas mãos juntas como em uma oração – por favorzinho.

— Tá bem, eu vou, mas eu já digo que não tenho essas roupas de grife que essa gente usa.

— Não precisa, só coloca um paletó, calça social e nada de gravata, por favor.

— Nada de gravata, certo.

— Esse ano o baile será no prédio da Belle, no último andar, vou te esperar lá.

— Estarei lá.

— Valeu mesmo, esses bailes são uma tortura.

— Eu vou cobrar a minha parte nisso – me trouxe para mais perto de si com seus braços magros.

— Ah é, como?

— Eu não sei, ainda estou pensando, provavelmente com beijos, muitos deles.

— Adorarei fazer seu pagamento – beijei sua bochecha – Nós parecemos dois adolescentes idiotas sabia?

Ele apenas riu e beijou minha testa.

Notas finais
E aí gostaram? Espero que sim, comentem, recomendem, divuguem pra sua mãe, pro seu pai, pros cachorros, e um grande beijo e até mais!