Rose e o Cara
17 Capítulo 17
Notas iniciais

— Deus como isso foi chato! – Meu namorado reclamava na saída do Palácio.
— Foi incrível. Você apenas não entendeu o que eles queriam dizer.
— Qual o propósito de fazer aquelas roupas estranhas? Vai me dizer que aquelas coisas enormes nos ombros eram normais...
— São apenas conceitos, não é nada literal, significa que as ombreiras voltarão à moda – Paramos na calçada a espera de Enrico.
— Aquilo eram ombreiras? – Levantou a voz, indignado.
— Sim, aquilo eram ombreiras — Ri de seu rosto confuso’
— E porque querem trazer aquilo de volta? – Indagou revoltado – Essas coisas morreram nos anos 90 e devem continuar enterradas.
— Não é tão ruim assim – Ele ergueu uma sobrancelha – Certo, é sim – Gargalhei e senti meu celular vibrar em minha bolsa.
Ai minha Nossa Senhora do Euísmo
— Encontraram minha mala – Vibrei dando pulinhos com o telefone em mãos – Encontraram minha mala, encontraram minha mala lalala – cantarolei sentindo que minha vida voltaria ao normal e finalmente teríamos um hotel descente para descansar.
Depois de fazer Enrico nos levar ao aeroporto para pegarmos minhas malas, pedimos a ele que nos conduzisse ao velho hotel de Lorenzo. Pegaríamos as coisas do meu namorado e nos despediríamos do homem que ficaria para sempre em nossas memórias.
— Vou sentir saudades de vocês – Lorenzo nos abraçou e beijou minha testa – Os franceses com medo de bolas de pelo, inesquecível.
— Não temos medo de bolas de pelo senhor – Mô tentou se justificar.
— Ah, vocês tem sim – Lorenzo sorriu e com olhos tristes abraçou sua galinha de estimação.
— Adeus Lorenzo!
— Adeus meus jovens, voltem quando quiserem.
— Voltaremos para te visitar... um dia.
***
— Uau, tem certeza que isso é um quarto de hotel? – Meu namorado olhava maravilhado para a suíte que havíamos acabado de entrar – Isso se parece bem mais com um palácio... Daqueles que a gente só vê em filme.
— Não exagera, eu não peguei o quarto mais caro desta vez... – Joguei minhas coisas no chão e me sentei na macia cama com lençóis de algodão branco e dourado.
— Rose eu poderia viver aqui, é sério, esse lugar é maior que meu apartamento todo! – Deslizou os dedos na cômoda branca e dourada com um vaso de Rosas brancas e amarelas e velas aromatizadas dentro de uma bandeja dourada.
— Sério?
— Eu sou professor de música se lembra? – Brincou colocando as mãos nos bolsos da calça batida.
— Quer comer alguma coisa? Posso pedir serviço de quarto – Levantei-me e andei até ele.
— Na verdade eu queria conversar com você – Seu tom de voz ficou sério e olhei dentro de seus olhos esperando algo de ruim e decidi que mexer no zíper de sua calça talvez o fizesse se esquecer do assunto – Rose, pode tirar as mãos daí? – Apertou os lábios e fechou os olhos.
— Por quê?
— Por que assim eu não consigo raciocinar direito, e o que tenho a dizer é importante – Fechou os olhos – Por favor, agora não.
— Tudo bem – Contrariada revirei os olhos, e tirei minhas mãos do fecho de sua calça.
— Primeiramente, pelo amor de tudo o que é mais sagrado nunca me chame de Mô novamente, é ridículo – Apertei os lábios segurando uma risada e concordei com a cabeça – Prosseguindo... Rose, nós estamos oficialmente namorando e eu adoraria que você soubesse meu nome, toda essa coisa de não saber meu nome é estranha demais.
— Mas eu não posso. Não antes de te conhecer o bastante.
— Somos namorados, não acha justo? – Franziu as sobrancelhas.
— Acho – Segurei suas mãos – Mas ainda não é o momento, meu líder nunca permitiria, e o deus Euísta ficaria extremamente chateado com essa situação.
— Quando voltarmos pra França promete pra mim que vai conversar com seu líder espiritual e orar pro seu deus sobre isso? Talvez eles ponderem nossa situação – Engoli em seco.
— Prometo, mas não posso garantir nada.
— Tudo bem. Outra coisa, você ao menos pode saber a primeira letra do meu nome?
Nunca havia parado para pensar nisto.
— Nunca parei pra pensar nisso, acho que sim.
— É “B” – disparou.
— B, hum... B... B – sorri amarelo – São tantas opções – ri sem graça.
— Se quiser eu falo a segunda letra sem problemas.
— Não – o interrompi pousando meu dedo indicador em seus lábios finos– Ta bom assim, não vamos trapacear com deus não é?
— É justo.
— Agora que está tudo certo, pode colocar sua mão no meu zíper de novo – comentou.
— Agora não quero mais – dei de ombros e soltei minhas mãos das suas.
— Por que não?
Dei de ombros outra vez sem saber o que dizer.
— Sabe o que eu acho Rose? – Aproximou seu rosto do meu.
— O que você acha?
— Que está mentindo – Envolveu suas mãos em minha cintura me trazendo para mais perto de si.
Naquele momento respirar parecia quase impossível.
— Eu só quero dormir... – menti fitando seus olhos cor de amêndoas.
— E eu só quero te beijar... – Sussurrou em meu ouvido provocando arrepios por todo meu corpo – Tirar suas roupas, uma por uma... E te jogar naquela enorme cama trás de você.
— Pensei que fosse tímido – rebati.
— Com desconhecidos – Envolveu meu rosto com as mãos magras – Você é minha namorada e pelos deuses, nós dormimos juntos apenas uma vez, a última vez que fui a sua casa, você dormiu no meio de um episódio de Breaking Bad – Constatou.
— Prefiro Game of Thrones, aliás você viu o último episódio? Foi incrível – me empolguei e sorri aproximando-me de seu ouvido – E talvez você esteja certo.
— Sobre o que?
— Estou mentindo – sussurrei fitando seus lábios.
Senti sua mão quente em minha coxa e seus lábios nos meus. Então deixei-me levar pelo seu toque.
— Você fica sexy com essas roupas – Murmurou entre beijos em meu pescoço.
— Cala a boca – Ordenei tateando o fecho de sua calça.
Suas mãos deslizaram sob minha camiseta e tocaram meu corpo seminu que se arrepiou por completo. Sem delongas desabotoei sua camisa e a joguei no chão. Passei meus dedos sobre sua pele desnuda, seu corpo esguio que de alguma forma exercia tanto poder sobre mim. Senti sua respiração pesada quando as pontas de meus dedos deslizaram até dentro de sua calça.
Seus lábios se comprimiram e seus olhos se fecharam. Seu peito subia e descia num ritmo acelerado. Com minha mão livre toquei seus cabelos e então fitei seu rosto, seus lábios entreabertos e suas mãos abriam o zíper da peça que separava seu corpo do meu.
O tecido jeans da calça tocou o piso brilhante do quarto e voltei minhas mãos para seu peito. Senti seus braços envolverem meu corpo quando nossos lábios se esmagaram um contra o outro num beijo roubado por ele. Ele sorriu quando mordeu meu lábio inferior e meu corpo estremecia quando suas mãos percorriam por meu corpo ainda coberto, acariciando cada centímetro alcançável.
Então minha camisa estava no chão, longe de nós. Meu sutiã ainda cobrindo meus seios e suas mãos lutando com o fecho da peça. Ele bufou seguidas vezes frustrado até que a peça fosse finalmente removida e seus olhos repletos de desejo me devorassem viva.
Senti o calor de seus beijos em meus seios, suas mãos que os apertavam e me traziam para mais perto de si. Levantando meu corpo e me jogando de costas na imensa cama atrás de mim.
Ele estava ajoelhado sobre mim, seus joelhos entre minhas pernas e suas mãos desabotoando a sua velha calça jeans em meu corpo. Deslizou as calças por minhas pernas e a arremessou para longe. Voltou a beijar meus lábios num beijo urgente, descendo para meu pescoço. Fechei meus olhos e mordi os lábios, deixando-me levar pelas sensações, por aquele momento que parecia único. Suas mãos seguravam as minhas sobre minha cabeça e seus beijos desciam por meu corpo. Meu peito subia e descia descompassado, acelerado, seu hálito quente contra minha pele, descendo até minha intimidade. Quente.
Quente.
Quente.
Desceu uma de suas mãos e me tocou.
Mexi meu quadril em direção a ele e senti seus beijos em minha coxa. Em meu corpo. Dentro de mim.
Arqueei meu corpo apertando minhas mãos, gemendo alto, sentindo o que não poderia ser explicado em meras palavras. Meu corpo extasiado, invadido por sensações inexplicáveis. Estremecido e ofegante. Gritei seu nome e senti que naquele momento o mundo poderia acabar e eu não me importaria nem um pouco.
Senti meu gosto em seus lábios quando me roubou outro beijo. Mordi sua boca e seu queixo quando adentrou em mim. Apertei minhas unhas contra sua pele cor de oliva e minhas pernas contra seu quadril, em seu ritmo rápido e constante. De sua boca escapavam gemidos baixos, suas mãos entrelaçaram-se as minhas até que seu corpo estremecesse por completo e seu corpo desfalecesse ao meu lado. Arfante. Com um sorriso maligno no rosto.
Não dissemos nada. Apenas repousei minha cabeça em seu peito que subia e descia rapidamente e fechei meus olhos quando me abraçou e nos cobriu com o lençol fino.
***
Meus olhos se abriram e notaram que a noite havia caído. A brisa noturna de Milão balançava as cortinas brancas da grande porta da sacada. Levantei-me e caminhei cambaleante até o banheiro. Banhei meu corpo e me envolvi em um robe. Vasculhei minhas coisas a procura de cigarros e me dirigi até a sacada, sentindo a leve brisa gelada em meu rosto balançando meus cabelos de forma delicada.
Acendi um cigarro e senti a fumaça quente adentrando em minha garganta. Meu corpo.
Então olhei para o homem deitado na cama. Me atentei ao seu rosto tranqüilo e a culpa me consumiu. O peso da mentira talvez. O peso de estar enganando alguém que realmente se importava comigo. Do primeiro homem que parecia me enxergar de uma forma diferente que eu não simplesmente não entendia. O homem que tem o nome que começa com a letra B.
Ele me fazia sentir coisas que eu nunca havia sentido.
Nem por Pierre e por mais que meu coração dissesse que ele poderia ser o cara certo e acabar com toda a besteira sobre não saber seu nome e informações importantes de sua vida, minha mente dizia que eu deveria pensar mais, deixar as coisas acontecerem e ter certeza de que ele era o cara certo. E eu não sabia qual dos dois deveria ouvir.
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