Rose, bem-vinda a Hogwarts!
5 Madame Hooch
Notas iniciais
Em poucos minutos estávamos todos reunidos no campo de quadribol. Então, antes de alçarmos voo Tiago nos chamou ao centro do campo e disse:
– Eu e Lisa vamos voar em volta e um pouco acima de vocês. Tomem cuidado e não façam movimentos arriscados.
– Divirtam-se – Lisa disse.
– Nada de “Fintas de Wronski”.
– Divirtam-se.
– E nada de giros muito rápidos.
– E divirtam-se – completou Lisa. “Essa menina vale ouro!” pensei e não pude evitar imaginar que ela era o perfeito espírito rebelde para o espírito certinho do Tiago, mas não disse nada.
Montamos e começamos a voar.
No começo apenas voamos em círculos, depois, de repente Alvo cortou o centro da roda. Scorpius gritou, pois Alvo havia cortado sua frente e ele se assustou, com razão. Então ele me olhou e sorriu. Eu não gostei daquele sorriso! Ele deu meia volta e veio a toda velocidade na minha direção, me obrigando a descer um metro ou mais para me desviar.
Alvo ria da situação, pra me vingar eu fiz a volta e fui em sua direção, fazendo-o voar em disparada, mas Scorpius bloqueou sua passagem e ele teve que descer mais ainda. Fui na direção de Scorpius e ele deu uma pirueta do ar! O movimento foi executado com tamanha exatidão que eu finalmente percebi: o garoto voava bem, muito bem, melhor do que muita gente mais velha, mas afinal, o que eu podia esperar? Ele era filho de Draco Malfoy! O apanhador da Sonserina! O segundo melhor de sua época! Mas eu não me permiti admirar o movimento por muito tempo. Eu era filha de Ronald Weasley, sobrinha de Harry Potter e Gina Weasley Potter e era sobrinha Jorge Weasley, respectivamente o melhor goleiro, o MELHOR apanhador, a melhor artilheira e também um dos melhores batedores (junto com o irmão) que a Grifinória já teve!
Scorpius Malfoy voava muito bem, mas não melhor do que Rose Weasley!
Desci em disparada, bloqueando o movimento. Ele subiu rápido. Deu meia volta, eu também, tomei velocidade, mas ele sumiu! Em questão de segundos o garoto praticamente aparatou, montado na vassoura, na minha frente! Subi muito rápido e parei. Lá de baixo, também parado ele me encarava sorrindo. Era um desafio?
Levantei a sobrancelha, intrigada. Ele repetiu o gesto, sorrindo. Ah era um desafio? “Pois bem, vamos jogar!” mexi os lábios, sem emitir som. Ele me encarou e repetiu o gesto dizendo “Voa então, como pássaro! Vamos nessa, Rosinha!”. Aí eu explodi!
– Agora você vai ver seu gavião albino! – gritei, se o pai dele foi a doninha, nada mais justo do que ele ser o gavião, já que queria voar como um pássaro! Ele olhou pra mim e riu. Não deixei barato.
Desci a toda velocidade, atrás dele, que voou na velocidade do som, mas sem sucesso, eu estava determinada a ser rápida como a luz! Voei mais dois segundos e estava ao seu lado. Fui para minha esquerda, empurrando-o para a lateral do campo.
Quando ele estava muito perto, desviou e fez a volta por baixo, invertendo a situação, mas eu não cedi, não fui rumo a lateral, segui reto. Quando estávamos quase chegando aos aros e ao final do campo, olhei pra ele e sorri. Agora quem estava desafiando ele era eu, ele sorriu de volta. Começamos a contar de dez a um, sem emitir som algum. Quando chegamos ao cinco Tiago já havia gritado para que parássemos milhares de vezes, Lisa assistia atenta e imóvel. Alvo havia parado e observava a cena preocupado.
Quando chegamos ao dois, apenas movendo os lábios, sorrimos e fizemos algo que, pelo que eu sei, nunca foi feito antes. Nós descemos, ao mesmo tempo e giramos a toda a velocidade, um em volta do outro, demos meia volta a cinquenta centímetros do chão e aterrissamos ofegantes e sorridentes.
– LOUCOS! VOCÊS SÃO LOUCOS! – Tiago gritava. Havia descido da vassoura e vinha caminhando a passos rápidos na nossa direção, furioso. – Poderiam ter se matado! Nunca mais! Nunca mais vocês vão pisar nesse campo de quadribol se depender de mim!
– É, mas não depende! – respondi e Scorpius não segurou a risada.
– Isso. Não. É. Engraçado! – gritou Tiago, em direção à Scorpius. Ele se assustou e eu também. Alvo correu na frente do irmão e o segurou. Lisa correu desesperada para Tiago dizendo:
– Calma Tiago, pelo amor de Merlin, calma! – diversas vezes. Aos poucos o meu primo, que antes estava branco como pergaminho novo, foi se acalmando. Esfregou as mãos no cabelo e me olhou nervoso.
– Meu Merlin Rose! Fiquei com medo que você se machucasse! Isso foi loucura! – ele me abraçou forte. – Você não entra mais aqui, por um bom tempo!
Eu ia protestar, mas fui interrompida por uma voz feminina, autoritária e, pra mim, desconhecida.
– Tiago, receio que esteja equivocado!
Tiago ficou branco de novo, e se virou rapidamente. Lisa também se virou para a senhora ali parada. Ela tinha cabelos grisalhos, curtos e arrepiados.
– Madame Hooch! Meu Merlin! Por favor, nos desculpe! Trouxe minha prima, meu irmão e um amigo para voar um pouco e esses dois – disse, acenando com a cabeça para mim e Scorpius – nos deram um susto! Por favor, nos desculpe, eu nem sei o que dizer para a senhora!
– Não vai dizer nada a mim, mas vai dizer a toda a Grifinória que os testes para o time de quadribol estão cancelados. – Tiago a olhou horrorizado. Era o capitão do time.
Fale com o autor