Notas iniciais
Um novo capítulo eletrizante pra vocês ;)

Scorpius aproveitou que Rose não estava e desabafou com Alvo.

Desabafou tudo que ele sentia pela garota, tudo que o estômago dele fazia quando a via, o modo como ele se envergonhava e seu rosto ficava quente a cada palavra que trocava com ela, relatou tudo para Alvo, que era um bom ouvinte. Ao terminar de relatar, Scorpius pensou que Alvo fosse pegar a varinha, apontá-la para ele e gritar "Tarado, ela é minha prima", o que teria sido aceitável. Alvo apenas sorriu e deu umas dicas sobre Rose para Scorpius. Ele disse várias coisas sem utilidade, como por exemplo: "A banda favorita dela é As Esquisitonas" e "Ela gosta de tortinhas de abóbora". A dica mais útil que Scorpius ouviu foi "ela gosta de cavalheirismo".

Pois bem, Scorpius sabia ser cavalheiro, aprendeu com a avó dele, resmungando que ele devia ser assim, e de tantas reclamações ele resolveu aprender a ser um cavalheiro, o que durou cerca de três dias para acontecer. Ele então tomou uma decisão: seria cavalheiro com Rose na primeira oportunidade que tivesse. Alvo e Scorpius aproveitaram que a garota estava no banheiro colocando as vestes de Hogwarts para conversarem sobre mulheres, sobre o quão estranhas elas eram, enquanto Alvo dava umas dicas para impressiona-las, que ele dizia que leu em um livro que o pai de Rose deu para o pai dele, quando Scorpius sentiu o trem perdendo velocidade e parando.

Rose ainda não havia voltado. Ele estava saindo da cabine quando Alvo deu um peteleco na cabeça dele e apontou para o malão de Rose. Demorou um pouco para ele entender, mas por fim se tocou. Levaria o malão de Rose e sua coruja para a plataforma. Era a oportunidade perfeita para mostrar o quão cavalheiro podia ser. Ele arrastou o próprio malão que já estava pesado e o malão de rose que estava mais pesado ainda com a quantidade de livros que ela estava levando. Pediu ajuda a Alvo para carregar o peso, "Eu não quero conquistar a minha prima" foi a desculpa que ele deu.

No meio do tumulto para desembarcarem na plataforma, os garotos se perderam e Scorpius acabou indo para o lado errado que ele deveria ir, seguindo um grupo de sextanistas que estavam indo para as carruagens. Um rapaz alto de cabelos azuis e olhos de lobo segurou Scorpius pelo ombro e disse que ele deveria ir para lá, junto de Hagrid. Mas como ele iria reconhecer Hagrid? Nunca havia o visto. Fazendo um enorme sacrifício para levar o próprio malão e o de Rose, Scorpius foi para o lado oposto, voltando à plataforma.

Assim que chegou a plataforma, ele viu um homem gigante. Bem, não era precisamente um gigante, mas ele era enorme. Tinha pelo menos o dobro de altura de um humano normal, e seus pés eram tão grandes, que se o colocassem ao lado de um golfinho, Scorpius não duvidava que o golfinho fosse menor. As mãos eram do tamanho de uma lata de lixo e uma estava erguida acenando, e a outra segurava um enorme lampião enquanto ele gritava "Alunos novos, venham por aqui, por favor".

Se esforçando ao máximo, chegando a suar com o sacrifício de carregar dois malões, Scorpius arrastou seu malão e o de Rose em direção ao grupo; Faltando uns três metros para alcançar o grupo, ele localizou a garota. Os belos cabelos ruivos se destacavam na multidão, e ela estava discutindo com Alvo, aparentando estar muito irritada e desesperada. Provavelmente por conta do malão dela que sumiu. Scorpius tentou ler os lábios de Alvo e conseguiu, e a menos que ele estivesse errado, ele entendeu Alvo dizer "olhe para trás". Scorpius estava certo, pois no mesmo instante, Rose olhou para ele e sua expressão foi de surpresa e espanto.

Talvez fosse porque Scorpius estava todo suado sendo que era uma noite fria, ou pelo enorme esforço que ele fazia para arrastar os dois malões e as duas corujas em direção a eles. Ela estava tão espantada que nem saiu do lugar para ajuda-lo. Por fim ele chegou perto dela e ela mudou de expressão e passou a encarar os próprios pés. Alvo estava muito interessado em olhar um arbusto ao lado dele e Scorpius limpava o suor do seu rosto enquanto brigava com uma vozinha que dizia na mente dele "Fale com ela" "Não posso" respondeu ele, "Você pode sim, por favor, não seja burro, não percebe que ela está a fim de você? Entregue o malão a ela", Ele decidiu obedecer.

— Ãh...é, bem, Rose...aqui está seu malão. — disse ele, corando a cada palavra pronunciada.

— Ah, o-obrigada. — respondeu ela.

Silêncio. A não ser pelo barulho do vento nas folhas das árvores mais próximas e a risada de Hagrid que conversava com umas alunas do primeiro ano. Por fim, Hagrid quebrou o gelo e gritou.

— Alunos novos, Alunos novos por aqui... Estão todos aqui? Muito bem, me sigam!

E saiu em direção á uma trilha de barro totalmente escura. Alvo seguiu os demais, mas Rose e Scorpius ficaram os dois observando os próprios pés.

— Muito obrigada por carregar meu malão até aqui – disse Rose, por fim.

— Não foi nada.

— Não, foi sim...bem, obrigada. — disse ela sorrindo

Scorpius também sorriu. E ficaram por um longo tempo, fazendo contato visual e sorrindo feito bobos. Uma inusitada vontade de beijá-la tomou conta de Scorpius, ele foi chegando mais perto e percebeu que Rose também estava chegando. Faltava pouco. Quase. Faltavam milímetros para os lábios dos dois se tocarem quando Hagrid apareceu na trilha e gritou:

— Ei, vocês dois aí. Vão ficar de namorico a noite inteira ou vão me acompanhar?

Quase! Como Scorpius ouviu uma vez de um trouxa, "Bateu na trave". Eles se separaram, Rose apanhou seu malão e foi em direção a Hagrid, corada, e Scorpius a seguiu. Ao longo da trilha de árvores altas que encobria a visão da lua, ninguém falou nada, estava um silêncio absoluto que chegava a dar medo. Por fim, eles chegaram a beira de um lago enorme, que ligava diretamente a... Ah não, puxa! Lá estava ela! Hogwarts! A Famosa escola de Magia e Bruxaria. Um enorme castelo com diversas janelas acesas em cima de um penhasco no lado oposto da margem do Lago. Scorpius não pôde deixar de sorrir.

O sorriso durou pouco, pois quando seus olhos voltaram aos alunos todos sentados em barquinhos de pesca de no mínimo três pessoas, vários alunos estavam fazendo caretas para ele e Rose, outros estavam deduzindo mentalmente o que eles estavam fazendo lá atrás da trilha e algumas meninas davam risinhos e murmuravam "ele é um gatinho". Scorpius olhou para Alvo, que exibia um grande sorriso cheio de malícia, como se falasse "Hmm, eu sei o que você fez, garanhão". O garoto corou mais ainda.

Hagrid levou Scorpius e Rose para o único e maior barco desocupado. Os dois se espremeram um do lado do outro no banco de atrás, e Hagrid sentou-se na frente. Quando ele sentou o barco balançou tanto que Scorpius pensou que ele fosse virar. O homem enorme tirou do bolso do enorme do casaco um guarda chuva cor-de-rosa e deu duas batidinhas no barco. No mesmo instante, todos os barcos começaram a rumar para o castelo.

E aí, aconteceu. Scorpius perdeu a consciência do que fazia, ou com quem fazia, porém, ele foi trazido à realidade por uma voz severa e amargurada.

— Você está bem?

Ele abriu os olhos. O Lago, a noite fria e a cabeça de Hagrid sumiram. Ao invés disso, ele estava olhando para uma mulher velha, cheio de rugas, com intensos e profundos olhos negros, lábios finos e nariz pontudo. Ela usava um vestido verde com detalhes pretos, que cobria as suas pernas totalmente e na cabeça tinha um chapéu pontudo de bruxa com uma pena em cima;

— Ele está bem, Minerva? — perguntou uma voz masculina as costas da mulher que se chamava Minerva.

Scorpius olhou naquela direção. Um homem alto, com o rosto redondo, olhos verdes e dentes enormes olhava preocupado para ele. Vestia terno cinza, com uma enorme gravata borboleta no pescoço.

— Sim, sim ele está bem, Profº Longbottom — respondeu Minerva.

O que se chamava Longbottom fez um barulhinho de alívio, enquanto Minerva se dirigia a sua escrivaninha. Scorpius se sentou. Ele estava tonto. Deu uma olhada na sala. Era um escritório grande, com piso de mármore e paredes brancas. Em quase todas as paredes havia prateleiras repletas de livros, e em uma prateleira atrás da escrivaninha de Minerva, havia uma enorme espada reluzente, com rubis brilhantes no cabo. Á toda á volta, nas paredes, havia retratos que se mexiam. Eles, homens e mulheres dos quadros, fingiam que estavam dormindo, menos um senhor alto, que estava sentado em uma cadeira cor de ouro, com óculos de meia lua apoiados no longo nariz torto. A barba do homem era tão grande, que chegava a seu cinto, e ele sorria bondosamente. Scorpius o reconheceu na hora. Era Alvo Dumbledore, tinha uma porção de figurinhas de Sapos de Chocolate com o rosto do ex diretor.

Ele estava sentado em uma cama macia, quente e confortável que não fazia parte do cenário do escritório de Minerva, provavelmente foi conjurada pela própria. O que se chamava Longbottom se aproximou de Scorpius, se agachou ao lado dele e perguntou bondosamente

— Então, qual é o seu nome?

— Scorpius — respondeu ele. — Scorpius Malfoy

— Ah, eu já ouvi falar de você, filho de Draco Malfoy e Astoria Malfoy não? — perguntou Neville dando um risinho.

— Sim — respondeu Scorpius fazendo uma careta. Sua cabeça doía.

— Então, Scorpius, você pode me contar o que aconteceu no lago? — perguntou o professor.

O Lago. Puxa, Scorpius não se lembrava de nada do que aconteceu no Lago. Ele só lembrava bem pouco. Durante o trajeto a Hogwarts, as mãos de Rose e Scorpius se encontraram e ambos ficaram muito vermelhos e afastaram as mãos um do outro. Scorpius olhou para o lado oposto de Rose, se xingando mentalmente. Quando tomou coragem para puxar assunto com ela, ele se virou e... ela não estava mais lá. Rose havia sumido. Mas sumido assim, do nada? Para onde ela foi? Será que caiu no lago? Mas o garoto não ouviu o barulho de água. Então uma menina gritou e apontou para o céu. Todos os olhares foram dela para o céu, a procura do motivo do grito. A noite estava fria, ventava muito forte e várias nuvens cobriam a lua tornando tudo escuro. Ficaram por um longo tempo fixando o céu, quando uma nuvem foi para o lado, permitindo a entrada de um pouco da luz da lua, e foi então que Scorpius viu: Rose.

Ela estava flutuando no céu. Flutuando? Não. As nuvens foram totalmente para o lado e Scorpius viu uma coisa grande e preta, do tamanho do corpo de Rose, enroscada nela, deixando á mostra apenas os pés e a cabeça. Scorpius ligou de onde vinha aquela coisa gigante e seu olhar recaiu no Lago. A Lula gigante. Draco havia recomendado a ele para ter cuidado com a Lula gigante que vivia no Lago. Então aquilo que estava enrolado em Rose era um tentáculo. A Lula estava puxando Rose para dentro do Lago. Não! Scorpius não podia deixar. Olhou para Hagrid que estava gritando "Larga ela, sua Lula idiota.", porém, a Lula não fazia nada, além de puxar Rose para dentro do lago.

Tchaaá.

Rose desapareceu no lago. Scorpius entrou em pânico e agiu por instinto. É uma coisa engraçada que acontecia com ele, de agir por instinto sempre que ele, ou alguém que ele goste — ou ame, no caso de Rose — corria perigo. Ele puxou a varinha e mergulhou no lado. Murmurou "Lumus" e da ponta da varinha saiu uma luz branca que reluzia e mostrava tudo que estava ao alcance dos olhos do garoto.

Vários sereianos nadavam tranquilamente embaixo dele, á um canto, á esquerda, alguns estavam sentados em mesas e conversavam, à direita, havia várias casas toscas feitas de lodo como uma cidade, com outros tantos sereianos nadando de um lado para o outro, outros estavam na janela, observando o que devia ser a rua, todos não davam a mínima para Scorpius ou mesmo a Lula. Ele achou que uma lula gigante arrastando uma menina inconsciente e um garoto loiro a perseguindo com uma varinha não era algo raro naquele lugar.

Scorpius viu a Lula indo para o outro lado do lago arrastando Rose inconsciente. Não! Ela não podia estar morta! Nadou o mais rápido que pôde e a alcançou, atingiu-a com a varinha e em seguida, perdeu a memória. Não se lembrava de nada do que aconteceu depois, até ser acordado por Minerva em seu escritório. Ele relatou o que aconteceu para Longbottom — menos a parte das mãos de Rose e Scorpius se tocarem -. Ao final da narração de Scorpius, a porta do escritório se escancarou e Hagrid entrou molhado, tremendo e com um ar de preocupação no rosto.

— Professora McGonagall — gritou ele. — Os pais dela chegaram, Rony e Hermione, estão vindo diretamente para cá e... — ele olhou para Scorpius e sorriu. — Você foi muito corajoso naquele lago, parabéns.

Quando Scorpius ia responder, um homem, alto, musculoso e corpulento entrou acompanho de uma mulher magra, de cabelos castanhos. Ambos estavam chorando e tremendo. O homem tinha cabelo ruivo, igual os de Rose... Será que era pai dela? Ele não sabia, e se fosse, não queria conhecê-lo. O homem provocava medo em no garoto.

— Minerva, é verdade o que aconteceu no lago? — perguntou ele.

— Sim, Ronald — respondeu Minerva, se levantando da escrivaninha. — Irei explicar o que aconteceu.

"Hagrid esteve alimentando mal a Lula gigante que vive no nosso lago. Ela, porém, resolveu se vingar de Hagrid, tentando agarra-lo enquanto ele levava os alunos do primeiro ano para Hogwarts. A Lula, porém, não conseguiu fechar seus tentáculos em torno de Hagrid, que não a viu e nem sentiu as tentativas de aproximação do monstro marinho. Ela então, pegou a pessoa que estava mais próxima de Hagrid, nesse caso, a Srta. Rose. — Ela fez uma pausa para respirar e Scorpius sentiu uma forte dor nas entranhas. — A Lula a arrastou para dentro do lago para, não sei, tortura-lá, matá-la, comê-la, não sei, mas ela teria feito isso, se não fosse o Sr. Malfoy. Ele pulou no lago e perseguiu a Lula, acertando ela com a varinha, a Lula porém, bateu com uns dos tentáculos na cabeça do Sr. Malfoy, e nós não sabemos o que aconteceu depois. De qualquer forma, o Sr. Malfoy submergiu na superfície do lago, dois minutos depois com a Srta. Rose inconsciente. Após sair do lago, ele também desmaiou.

Silêncio. Então foi isso o que aconteceu? Scorpius salvou Rose? ELE salvou Rose? Mas como? Ele não sabia nem duelar com um humano, quem diria com uma Lula gigante. E o que aconteceu depois que ele foi atingido na cabeça? A mente de Scorpius borbulhava de perguntas que ele nem mesmo notou a expressão confusa e zangada com a qual Rony o encarava.

Ele foi trazido à realidade por Hermione, que dava um abraço nele e o empapava de lágrimas, murmurando "Obrigada, por salvar minha filha". Scorpius olhou para Rony, que fazia uma careta de desaprovação. Só o fato de Scorpius ser um Malfoy, já cortava qualquer laço de amizade com ele.

Hermione o soltou. No mesmo instante a porta do escritório se abriu e Alvo, junto de um rapaz alto e moreno com cabelos azuis que Scorpius reconheceu como o quartanista que o ajudou na plataforma do trem e um menino ruivo, menor que Scorpius que era idêntico a Ron adentraram a sala.

— Ela acordou. — disse Alvo.

— Ótimo, vamos lá vê-lá — falou Rony.

— Não, pai — cortou o menino ruivo.

— Porque não Hugo? — perguntou Hermione, ansiosa.

— Porque a Rose — disse Hugo, olhando para Scorpius. — Quer ver ele primeiro.

Notas finais
Tcharaaaaaaaaaaam, gostaram desse capítulo? Hehehe emocionante não?