Rose Malfoy
1 Rose Malfoy
Notas iniciais
P.O.V. Scorpius Malfoy
Eu queria que aquilo fosse só mais um pesadelo ou mais uma brincadeira da ruivinha. Infelizmente era tudo real. O altar, a decoração, as pessoas olhando para a porta, o babaca a esperando e eu assistindo aquilo com um sorriso no rosto.
Quando foi mesmo que ela se apaixonou? Onde eu estava quando isso aconteceu? Tudo aconteceu tão rápido que eu nem tive tempo de impedir. Há quantos anos os dois se conheciam? Dois ou três? Eu a conhecia desde os 11 anos e não larguei mais desde então.
Eu admito que não fui o perfeito amigo, na verdade mal era um amigo, mas ela sabia que no fundo eu gostava dela, certo? Éramos crianças, ela era uma Weasley, as provocações eram previsíveis! Ou será que ela esqueceu do último ano que estudamos juntos? Ela gostava de mim, eu podia jurar que sim!
"- Eca! Seu porco, esse quanrto nunca foi limpado, não?
– Não enche, ruiva. Senta ai e me ajuda a fazer as malas.
– Limpa o quarto e eu penso no seu caso.
– Quando casarmos você vai ficar mandando eu limpar o quarto? Ou será que até lá você amolece?
– Se eu vou dormir lá com você é claro que você vai limpar!
– Ainda dá tempo de mudar de ideia?
– De jeito nenhum! Seu nome agora já é Scorpius Weasley!
– Tudo bem, Rose Malfoy."
Ficamos nos chamando daquela forma o resto do ano inteiro até que virou nosso apelido. Mas ela seria Rose Lysander. Que droga de sobrenome é esse?!
O fato é que eu não estava simplesmente com ciúmes ou triste, eu estava com raiva. Raiva de mim, por ter pisado na bola um milhão de vezes pensando que não sentia nada por ela. Até que, no dia em que ela decide entrar pela igreja para casar com um babaca, eu percebo o quanto queria estar no lugar dele.
"- Desculpa? Por favor!
– Não é só questão de te desculpar, Weasley! Eu estou chateada, não vê?
– Mas continua me chamando de Weasley.
– Vai pro inferno!
– Malfoy! Espera! Eu sinto muito, eu sei que errei por...
– Por...? Por beijar a única pessoa nessa merda que realmente se importa com você? Por beijar a menina que você odeia e acha chata? Ou por praticamente engolir outra alguns minutos depois?! — permaneci em silêncio sem saber o que responder — Foi o que eu pensei."
Aquela não foi a primeira nem última vez que eu pisei na bola, mas ela me perdoava como sempre. Eu já tinha feito coisas piores, mas aquele dia eu sei que fiz Rose Weasley chorar e isso ainda me assombra. Eu entendo que depois de tudo ela tinha que se manter longe de mim, mas será que ela queria vingança? Será que ela queria que eu sentisse o que ela sentiu? Não tinha outro motivo para me chamar pra ser padrinho de casamento!
Ela entrou em passos lentos sorrindo ao lado de seu pai, que era outro que me odiava. Depois de alguns minutos ela já estava parada em frente ao futuro marido e o padre falava, mas ela não estava olhando para nenhum dos dois; estava olhando para mim com os olhos vermelhos e inchados que começavam a se encher de lágrimas.
Malfoy's não choram nunca em situação nenhuma, mas não consegui controlar meus olhos ardendo e ficando cada vez mais pesados. Eu não conseguia entender por que! Por que diabos ela estava casando com ele? É uma daquelas coisas que te pegam de surpresa e você sabe que nunca conseguirá entender.
"- Scorp, eu preciso te contar uma coisa.
– O que houve, Malfoy?
– Você... Você vai ter que parar de me chamar assim.
– Por quê? Pensei que gostasse.
– Eu gosto, mas... Eu vou me casar. E...
– O que? Você vai o que? É brincadeira, não é ruivinha?
– N... Não. — ela já chorava — E... E vai ser maravilhoso, eu... Ele é uma pessoa legal e minha família o ama e...
– E você? Você o ama?
– Que pergunta é essa, Scorp? Eu vou me casar com ele! E... E você pode ser o padrinho! Isso é.. É... Uma ótima notícia, não?
– Não foi o que eu perguntei! Você o ama?!
– Eu já respondi sua pergunta. Acho que já provei pra você quem eu amo, certo? E você fez o mesmo."
Continuei a encarado tentando não piscar para que as lágrimas não descessem, mas parecia mais difícil cada vez que ela limpava o rosto molhado. Não ouvia uma palavra do que o padre falava e foi mais uma surpresa para mim quando a ouvi dizendo: "aceito". Ele disse o mesmo e os dois se beijaram.
Todos estavam saindo da igreja para ir até a festa que iria ser em algum lugar perto dali. Eu já estava estrando no carro quando ouvi uma voz atrás de mim.
– Scorp! Espera! — me virei para olhá-la — Você vai na festa, certo? Eu estava pensando que a gente podia... Podia dançar aquela... Aquela música que eu dancei com você... Na floresta, lembra?
– Eu preciso ir para outro lugar, sinto muito.
– Ah, sem problemas! Então... Quem sabe você não passa lá na nova casa depois da lua-de-mel, não?
Fiquei um pouco enjoado com a palavra lua-de-mel e imagens me passaram na cabeça quando olhei para o babaca que a esperava.
– O que você quer que eu diga? Eu não posso mais te beijar, não posso mais te chamar de Malfoy, não posso mais dizer que você é a minha ruivinha!
– Aquilo tudo era brincadeira, você sabe.
– Talvez para você, Scamander.
– Não me chame assim, por favor!
– É seu nome agora, não?
Entrei no carro com raiva deixando uma ruiva chorosa para trás. Assim que dobrei a esquina comecei a chorar. Não importava mais o fato de eu ser um Malfoy. Eu já havia perdido demais por culpa daquele bendito sobrenome. E, no fundo, não tinha graça nenhuma carregar aquele sobrenome sem que ela carregasse também.
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