Rose E Scorpius - Revenge
12 Apaixonada
Notas iniciais
Lily Potter acordou na manhã seguinte com uma terrível dor de cabeça. Remexeu-se na cama e reparou que alguém dormia a seu lado. Primeiro assustou-se, mas depois conseguiu acalmar-se e começou a tentar acordar o ruivo.
– Hugo? — chamou baixinho mas o garoto nem se mexeu — HUGO! — chamou mais alto e o primo começou a abrir os olhos.
– Bom dia — esfregou os olhos e sentou-se na cama.
– Porque estás a dormir na minha cama? — perguntou, tentando não rir. A situação até era engraçada e nem um pouco constragedora. Afinal, ele era seu primo.
– Eu adormeci, desculpa — afirmou e as suas bochechas começaram a ficar vermelhas. — Lembraste do que aconteceu ontem? — tentou mudar de assunto, saber que tinha dormido na cama com a sua prima deixou-o um pouco nervoso.
– Mais ou menos — suspirou, levantando-se da cama — Estou com uma terrível dor de cabeça, lembra-me para nunca mais beber na vida.
– Acho bem que tenhas aprendido a lição — ele riu e saiu do quarto da garota.
(...)
Quando Lily chegou ao salão principal naquela manhã, Rose já estava à sua espera, pronta para brigar com ela sobre o que ela tinha feito na noite anterior. Mas depois do sermão, Lily desculpou-se e a prima mais velha logo a perdoou.
Enquanto comiam animadas e falavam sobre as férias que estavam quase a chegar, um monte de corujas entraram no salão, entregando cartas aos alunos dos seus pais.
Rose pegou a sua e abriu em seguida. Um pouco nervosa, começou a lê-la:
Querida Rose, estamos com muitas saudades suas. Como vai a escola? E as notas? Está gostando de Runas? Nos conte tudo, pois nos queremos saber.
Porque nunca mais nos escrevou? Estamos com saudades. Seu pai acha que não tem nos escrito mais porque você arranjou um namorado. Mas eu já falei para ele não ser tão stressado. A propósito, porque Hugo foi castigado pela Diretora McGonagall? Me diga a verdade, pois ele não me conta.
Muito beijos,
Hermione Granger
Rose releu a carta três vezes, tentando de alguma forma pensar no que escrever como resposta. Sempre contara tudo aos seus pais (principalmente à sua mãe), mas agora, ela não podia fazê-lo. Não podia contar porque Hugo fora castigado, não podia contar que sofria bullying e principalmente, não podia contar o que estava acontecendo entre ela e Scorpius, pois nem ela sabia. O que ela iria fazer?
(...)
Naquele dia, depois das aulas, Rose foi caminhando pelos jardins de Hogwarts enquanto pensava no que dizer aos pais. Aquela situação era complicada, ela odiava mentir, principalmente a quem ela mais amava. Mas ela não podia simplesmente dizer o que se passava. O seu pai ia pirar e ainda seria pior.
Sentou-se debaixo de uma árvore e respirou fundo, quanto mais rápido fizesse aquilo, melhor. Pegou num pergaminho e começou a escrever.
Querida mamãe, eu estou morrendo de saudades de voce e do papai, ainda bem que as férias de natal estão quase a chegar. Não tenho escrito muito pois não tenho tempo. As aulas estão a correr bem e eu adoro Runas.
Hugo foi castigado pois ele deu um soco num garoto da Ravenclaw. O garoto era um idiota e mereceu. Eu não sei mais sobre isso e mamãe, você sabe que o Hugo não costuma ser violento, então ele deve ter tido os seus motivos.
Tudo está a correr bem, não precisa de preocupar. Nos vemos no Natal.
Beijinhos,
Rose Weasley
Acabou de escrever e dobrou a carta. Não tinha sido totalmente honesta, mas não havia outra opção, tinha de lhes mentir.
– Escrevendo uma carta de amor? É para quem? — ouviu aquela voz rouca e sexy que sempre fazia o seu coração disparar e os seus pêlos se arrepiarem.
Levantou o rosto e viu Scorpius Malfoy à sua frente. Como não o tinha visto chegar? Estava mesmo distraída com a carta.
– Não é uma carta de amor — respondeu naturalmente, voltando a olhar para a carta e fingindo estar a lê-la.
– Então é o quê? — sentou-se ao lado dela, avaliando-a com o olhar. Era ótimo a avaliar pessoas e sabia que Rose estava a fingir ler a carta para não o olhar.
– Nada de especial — disse tentando acabar com o assunto por ali, mas Scorpius parecia estar decidido em fazer o oposto.
– Estás com medo de olhar para mim? — perguntou, cruzando os braços e sorrindo maroto.
– Claro que não e esta conversa não faz sentido nenhum — levantou-se e começou a ir embora.
– Weasley, espera! — levantou-se também e foi atrás dela, agarrou no seu braço e puxou-a na sua direção.
Rose apanhou um susto e ia abrir a boca para reclamar, mas logo Scorpius pressionou os seus lábios contra os dela num selinho demorado.
A ruiva, primeiramente, sentiu-se bem por estar a beijá-lo, mas logo a sua consciência chamou-a à razão. Ela não podia fazer aquilo! Podia beijar todos os garotos, menos ele!
Empurrou-o em seguida, terminando o beijo por ali. Tinha sido bom, não podia negar, mas não podia continuar com aquilo. O seu coração e a sua cabeça estavam numa batalha que parecia não ter fim e todos aqueles beijos só a confundiam mais. Ela não sabia o que queria.
– Não voltes a fazer isto! — exclamou, virou costas e foi embora.
Scorpius ficou a olhá-la indo embora, com uma expressão confusa e aborrecida, de certa forma tinha levado um fora dela e isso não lhe agradava.
(...)
Na manhã seguinte, o salão principal estava numa grande animação, ia haver jogo de Quidditch entre a Gryffindor e a Slytherin e todos estavam animados e ansiosos para o jogo.
Rose, quando chegou, foi sentar-se na sua mesa ao lado de Lily que falava sem parar dos preparativos para o Baile de Inverno, enquanto todos os outros pareciam mais interessados no jogo decisivo que ia haver naquele dia.
– Rose!! Ainda bem que chegaste — afirmou Lily comendo apressada e toda empolgada — Quando vamos comprar os nossos vestidos?
– Vestidos? — perguntou confusa enquanto ouvia Fred Weasley II e James Potter discutirem estratégias de jogo.
– Sim, para o Baile de Inverno, é claro — fechou a cara, olhando-a um pouco brava — Tu esqueceste-te, não foi?
– Desculpa — deu de ombros e bebeu o seu suco de abóbora — Mas podemos ir um dia destes...
– Um dia destes? — quase gritou, fazendo os seus primos se assustarem e pararem de conversar — O Baile é daqui a uma semana!!
– Ok, ok, vamos o mais depressa possível — concordou rapidamente, esperando que isso acalmasse a mais nova.
– Acho bem — cruzou os braços, voltando a comer — Já agora, quem vai ser o teu par?
– Não faço a menor ideia — respondeu Rose e instintivamente olhou para Scorpius que também olhava na sua direção, mas logo, a ruiva ficou vermelha e baixou o olhar para o seu café da manhã.
(...)
O jogo começou e Rose viu James Potter, capitão do time da Gryffindor, pegar a quaffle, voando entre os seus adversários e lançando-a para Fred Weasley II que, ao ver uma bludger avançar na sua direção, lançou a quaffle para outro membro da Gryffindor, o qual Rose nem conhecia, que lançou-a dentro do aro, fazendo ponto.
Os aplausos e gritos dos grifinórios foram gerais e Rose também aplaudiu, elevando o seu cachecol no ar. Ela nunca fora grande fã de Quidditch, tal como a sua mãe, mas claro está, torcia pela sua casa.
O jogo recomeçou, mas Rose deixou de prestar atenção, pois Lily começou a tagarelar sobre o Baile de Inverno e sobre o seu vestido.
– Eu queria que o meu fosse rosa claro, eu acho que combina com a minha pele, tu não achas Rose? — perguntou a ruiva mais nova empolgada com o baile. Apesar da sua mãe e do seu pai terem jogado Quidditch quando estudavam em Hogwarts, Lily não tinha nenhum interesse no jogo, achava-o demasiado violento. No entanto, os seus irmãos tinham outra opinião.
– Sim, mas branco também te ficaria bem, ou talvez azul — respondeu Rose e desviou o olhar de novo para o jogo vendo que tanto a Slytherin como a Gryffindor tinham os mesmos pontos.
– Não, branco não, azul claro talvez — começou a meditar sobre o assunto — Ou verde claro. O que achas? — perguntou mas viu que Rose estava a olhar para o jogo, de novo — ROSE! — chamou-a.
– Oh desculpa — disse desviando o olhar para a prima — Verde? Sim, verde ficaria bem em ti.
– Eu gosto de verde, mas tem de ser claro, pois depois não combina com os meus cabelos — anotou qualquer coisa num pequeno caderno e depois olhou para a prima mais velha — Azul ficaria ótimo em ti, Rose, na verdade, acho que a azul é a tua cor.
Mas a Weasley estava distraída enquanto via Scorpius Malfoy a perseguir a snitch de ouro, por um momento, pensou que ele a tinha apanhado, mas depois a snitch voou para o outro lado do campo onde Albus estava e este também tentou pegá-la, mas não conseguiu.
– Rose, estou a falar contigo! — disse brava, pois a amiga não estava a ouvir nada do que ela dizia — Isto é importante!
– Desculpa, Lily, estava só a ver um pouco do jogo — desculpou-se e decidiu desviar a sua atenção para o que a prima falava — O que estavas a dizer?
– Estava a dizer que devias comprar um vestido azul, acho que ficaria bem em ti.
– Ok, se tu o dizes... — concordou, embora não percebesse muito de roupas. Na verdade, Rose não ligava nada a roupas, vestia a primeira coisa que encontrasse, não se importando se estava na moda ou não.
– Outra coisa, eu queria-te contar algo — afirmou a mais nova dos Potters, olhando para os seus sapatos — O Hugo convidou-me para ir com ele ao baile — disse e as suas bochechas adquiriram um tom vermelho.
– Sério? Eu sempre pensei que ele ia levar alguma garota da Ravenclaw, aquela amiga dele, a Amy ou talvez a Rachel — disse, admirada. Hugo, apesar de ser novo, era bonito e querido e tinha muitas amigas ansiosas para saírem com ele.
– Mas nós vamos só como amigos! — defendeu-se atrapalhada — Quer dizer, somos primos, né?
– Eu nunca disse outra coisa — respondeu e ouviu gritos e aplausos vindos dos alunos da Slytherin. Scorpius Malfoy tinha apanhado a snitch de ouro e todos sabiam o que isso significava, a Slytherin tinha ganho o jogo.
(...)
Depois do jogo, Rose ficou um pouco no salão comunal a estudar, mas estava lá uma confusão pois todos estavam a falar do jogo que tinham perdido e logo a ruiva desistiu do estudo. Não tinha mais nada que fazer então decidiu ir até ao corujal enviar a carta aos seus pais. Saiu pelo retrato da mulher gorda, reparando que os corredores estavam todos vazios. Devia estar a haver uma grande festa no salão comunal da Slytherin e todos tinham ido para lá.
Rose continuou andando e quando chegou ao hall de entrada viu Scorpius saindo do salão principal. O loiro, logo que a viu, abriu um pequeno sorriso e foi na sua direção.
– Não devias estar a festejar a vitória? — perguntou a grifinória, cruzando os braços sobre o peito.
– Estava à tua procura — ele afirmou, quase sussurrando, talvez por vergonha de o admitir.
– Porquê? — questionou surpresa. Não estava realmente à espera daquilo. Sentiu o seu coração começar a bater mais rapidamente.
– Porque quero o meu prémio — este afirmou esboçando um sorriso travesso enquanto Rose levantou a sobrancelha, confusa — pela vitória no jogo — acrescentou.
– Eu não me lembro de te ter prometido nada — imitou o seu sorriso travesso. De certa forma, adorava irritá-lo e começava a não ter medo de fazê-lo, embora ele fosse Scorpius Malfoy, a pessoa mais desprezível que ela conhecia.
– Mas eu ganhei o jogo — ele avançou um passo na sua direção e Rose nem se mexeu — Mereço um prémio.
– E que prémio é esse que tanto queres? — fingiu estar entediada, revirando os olhos e mantendo-se no mesmo lugar. Pela primeira vez, aquela proximidade entre os dois não estava a incomodá-la.
– Não sei — o loiro fingiu pensar, embora soubesse o que queria — Talvez um beijinho — este afirmou apontando para os seus próprios lábios e lançando-lhe um olhar que acabou com o seu auto-controle.
Foi Rose a dar o primeiro passo, avançando na sua direção e puxando-o para um beijo apaixonado. A garota pressionou os seus lábios contra os dele e colocou os braços em volta do pescoço do loiro, diminuindo a distância entre os dois.
Scorpius pareceu ficar chocado com a atitude repentina dela, mas logo poisou a mão no rosto dela e beijou-a lentamente.
Era diferente dos outros beijos que tinham compartilhado, mas de certa forma era melhor. Não havia aquela insanidade, aquele desejo louco por um contacto físico, era apenas um beijo apaixonado entre duas pessoas que por muito tempo tinham tentado combater aquele sentimento.
Então, de súbito, Rose percebeu o que se passava com ela, porque é que ela reagia de forma diferente quando estava com o sonserino, porque é que se sentia tão confusa e porque é que o tinha beijado. Ela estava apaixonada por ele e não havia nada que pudesse fazer quanto a isso, pois, se por um lado ela preferisse morrer a admitir o que sentia, por outro ela sentia-se feliz por gostar dele e por estar ali com ele.
Quando Scorpius se afastou, a ruiva não conseguiu deixar de esboçar um sorriso e por estranho que pareça, o garoto também o fez.
O que os dois não sabiam, era que estavam a ser observados e Evanna não tinha gostado nada do que tinha visto. A sonserina ia-se vingar, só ainda não sabia como.
Fale com o autor