Rosas sobre o chão
9 The white rose
Notas iniciais
Mary saiu saltitante com a rosa de Ib em suas mãos, Ib andou rapidamente em minha direção e me ajudou a ficar de pé.
– P-por que ... Ib?- eu disse entre lágrimas.
– Porque ... eu — antes de terminar de falar deu um grito de dor — Ah!!!!!
– Ib! — apoiei seu corpo fraco, que começou a se contorcer — Vamos Ib temos que pegar sua rosa!
Peguei seu braço e o apoiei em meu ombro, quase carregando-a, e andamos até um corredor onde ela pediu para que eu parasse. Coloquei-a no chão e a ajudei a se encostar na parede, ela puxou minha mão para perto de si e disse com uma voz rouca:
– G-Garry ... e-eu ... — ela não conseguia terminar de falar
– Ib, não se esforce demais! Você está gelada!- disse tirando meu casaco e cobrindo-a.
– Garry, continue ... v-você vai conseguir deter M-Mary ... — Ela chorava mas conseguiu abrir um sorriso fraco- s-se apresse e conseguirá recuperar ... — sua voz foi ficando fraca e mais distante.
– I-Ib ... não m-me deixe ...- as lágrimas rolavam em meu rosto, a abracei e ela disse mais algo antes de seu corpo quase não tivesse mais vida.
– E-eu ... nun...ca... i...r...e...i.............- Seus olhos se fecharam e seu rosto foi deslizando pela parede, pude segurá-lo e ajeitei sua cabeça para que ficasse confortável.
– Ib ... nós vamos sair daqui juntos ... eu prometo! — peguei o isqueiro e minha rosa do bolso do meu casaco e dei um beijo de leve na testa de Ib.
Corri até a escada e subi correndo pude ouvir Mary cantar " Bem me quer, Mal me quer " e sabia que ela estava despetalando a rosa de Ib e comecei a pisar com força e me aproximei de Mary com o isqueiro aceso.
– G-Garry? O que é isso?- disse ela confusa- O que pensa que pode fazer?
– Eu sei que você tem uma fraqueza e ela é sua tela!
– Como você ... é mesmo? Mas onde está a minha tela?- disse Marry, segurando a rosa de Ib que continha apenas uma pétala.
– Ela está atrás das roseiras amarelas — disse uma voz que eu conhecia.
– P-pai? — disse Mary espantada deixando o caule da rosa de Ib cair — você não e-estava ...
– Morto? Não Mary, estive aqui esse tempo todo — era ele, era Guertena, era Meu avô — Garry, obrigado por ter vindo esperava que nos encontrássemos antes mas, a existência de Mary me impediu.
– Pai, por que não me procurou, por que desapareceu? — Mary chorava
– Garry, já sabe que Mary é a pintura de sua mãe mais jovem, não?
– S-sim vovô...
– Bom, quando sua mãe saiu de casa com minha irmã ,comecei a pitar "the last beautfull rose" e foi a maneira que consegui de mantê-la comigo, ela morreu antes que eu terminasse seu retrato e pus seu espirito na tela. Mas sua alma estav corrompida pelo desejo de vingança e atenção.
–Então esse é o meu propósito? Ser uma substituta, um receptáculo para uma alma atormentada? Você não me ama? Nem você? — disse ela apontando para mim — então eu vou matar vocês e vou criar figuras suas para que suas almas fiquem presas e atormentadas para sempre!
– Não Mary!- disse Guertena pulando sobre ela e mantendo-a imobilizada — Garry vá destrua o quadro!
– Nãoooooooo!- Mary se contorcia
Queimei os galhos da roseira desenhada em giz de cera e corri até o final do corredor e ate-ei fogo na tela.
Por Guertena:
Vi então Mary, minha filha, ardendo em chamas dando um ultimo adeus:
– Pai por que me abandonou!
E finalmente ela estava morta. Um peso enorme tomou conta de mim, era minha culpa, se não tivesse pintado aquele maldito quadro. Mas agora era tarde para me arrepender.
Ao olhá-la em chamas me lembrei de minha verdadeira filha Mary:
" 15 de setembro de 1989
Hoje minha, amada Maryanne deu seu adeus final, deixando me sozinho com a pequena Mary.
Ela se foi e agora não sabia mais o que fazer, meu mundo começou a ruir e foi quando recebi a carta de minha querida irmã Juliett, ela dizia que sentia muito por minha perda e que iria vir morar
comigo para me ajudar com Mary. Coitadinha dela, tão pequenina e sem sua mãe, ela tinha apenas 4 anos quando tudo acontecera, ela chorava todas as noites sem entender o por que de sua mãe nunca voltar para casa.
15 de Abril de 2000
Mary está cada vez mais bela e mais distante de mim, comecei um quadro novo, algo que fiz para lembrar dos bons tempos. Mary completou 15 anos e lhe dei um lindo vestido verde que ela observava há algum tempo, ela ficou feliz e três dias depois desapareceu pelo mundo com minha irmã. Sem deixar um bilhete, uma carta nem uma mensagem de despedida
15 de Maio de 2005
Mary me mandou uma carta de Lisboa e disse que logo retornaria para França, nesta carta me contou que havia se casado com um tal de Jacques Zafón e agora esperava uma filha que chamaria de Maryanne em homenagem a sua mãe. Derramei uma lágrima e no final da carta dizia " de sua querida e única filha. P.s.: Peço que não nos procure, fui embora por um motivo então não torne isso mais dificil" .
15 de dezembro de 2008
Minha irmã me escreveu uma carta dizendo que Maryanne era grande e inteligente, e que Mary espera outro filho, desta ves um garoto. Ela escolhera Garry, e disse que estava tentando convencê-la a trazê-los aqui.
16 de Agosto de 2013
Mary finalmente trousse seus filhos para que me visitassem. Maryanne era tão linda, tão parecida com a mãe, delicada de traços finos e longos cabelos ruivos ,já Garry tinha traços como os meus mais maduros,apesar de ter apenas 5 anos parecia ter oito ou nove, tinha cabelos ruivos bagunçados e era bem risonho. Ao contrário da mãe e da irmã ele gostava da minha arte e quando o pai podia trazia-o e ele passava longas tardes comigo no ateliê
17 de Março de 2019
Mary e Jacques morreram em um acidente de carro há três meses. Maryanne parou de vir me visitar e só tenho noticias suas de Garry, que me visita diariamente. Hoje dei uma festa em nome de seu aniversário, havia meses que eu não ouvia seu riso e hoje pude apreciar uma gargalhada. Meu coração está em paz agora."
Mary tornou-se cinzas e ouvi os passos de Garry se aproximarem.
Por Garry:
Fiquei observando a tela arder e pude ouvir um ultimo grito aterrorizado de Mary. A tela se tornou cinzas e me lembrei de Ib e corri até aonde havia deixado meu avô, o vi olhando para onde jaziam as cinzas de Mary. Me aproximei dele e pude ver uma pequena lágrima que teimava no canto de seu olho.
– Garry ... — disse ele se aproximando de mim, seus olhos cinzentos marcados pelo tempo, mostravam ternura — ... onde ela está?
– Ib ... ?- lembrei que estava com sua flor
– ... sim, pegue-a e iremos sair daqui.
Corri até onde havia deixado Ib, ela estava fria e imóvel. Peguei-a em meus braços e segui Guertena.
– Como vamos salvá-la?- disse aflito esperando uma solução.
Ele nada disse até chegarmos a uma porta com uma maçaneta dourada, do bolso da blusa social que vestia, tirou uma chave dourada que reluzia. Meu coração estava acelerado e ele girou a chave.
Entramos em uma sala totalmente branca nela haviam uma cama e um pedestal, sobre ele havia um vaso com um liquido branco dentro.
– Coloque-a na cama- disse Guertena apontando para a cama e indo em direção ao vaso.
Pus Ib delicadamente na cama e a cobri com meu casaco. Ela estava com uma expressão tão serena que parecia estar dormindo. Fiquei observando-a até que Guertena me chamou.
– Garry ... traga a rosa dela. — me aproximei e reparei que havia uma rosa branca no vaso.
– O que ... você ... ? — sua expressão revelava precisão em suas atitudes, isso me tranquilizou e entreguei a rosa a ele.
– Garry ... logo que criei este mundo — disse tirando a rosa branca no vaso — também recebi uma rosa, pude explorar este lugar, e fiz desta sala meu porto seguro, pintei uma cama e um vaso. Enquanto pintava o vaso imaginei poder ter minha Mary de volta, e algo aconteceu, uma névoa bloqueou a passagem e fiquei preso aqui, até Ib descobrir o segredo de Mary. Esta névoa se descipou e pude chegar até você para salvá-lo. — eu achei ter entendido mas ele perseguiu — Então, ponha a rosa dela ai e faça um pedido, mas algo puro e verdadeiro, diga o que realmente sente por ela e funcionará.
Engoli a seco, “o que eu sentia?”. Eu era indeciso, muito indeciso, mas sobre isso, eu já sabia. Me aproximei do vaso, depositei o caule da flor e comecei a falar:
– Ib ... eu ... desde quando te vi pela primeira vez, lá na porta da galeria, senti algo especial, eu achava que poderia ser só uma empatia instantânea, mas quando nos reencontramos nesta galeria bizarra, senti novamente este "algo especial", senti que deveria protegê-la a qualquer custo. Quando você desmaiou fiquei aflito, nervoso e muito preocupado. Nossa conversa depois disso foi muito especial, apesar de eu não ter me aberto muito, senti que agora você estaria segura, mas eu estava errado. Quando você ficou sozinha, pensei em voltar e eu tentei, fiquei implorando que você estivesse segura, e te ver enfrentando Mary daquele jeito, fiquei grato e pensei "nota mental: nunca pise no calo dela!". Então você deu sua rosa, sua vida, pela minha e eu tive certeza do que sentia por você ... era mais que gratidão ... eu ... te amava, não! Ib ... eu te amo — uma lágrima escorreu pela minha bochecha e pingou dentro do liquido branco.
Porém, quando a lágrima tocou o líquido ele mudou. Ele se transformou de branco em vermelho e a rosa dela se transformou, recuperando seu esplendor. Me aproximei de Ib e a observei, até que ela abriu seus olhos e disse claramente:
– Garry ... eu te amo
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