Rosas sobre o chão
11 Capítulo Extra, final!
Notas iniciais
A sombra negra soltou o corpo de Cora que agora estava inerte no chão. Senti o corpo de Ib
pender, mas consegui segurá-la e arrastei-a para trás de uma escultura. Eu a abracei apertando seu
corpo contra o meu tentando fazê-la ficar mais calma. Minha mente trabalhava a mil, " O que está
acontecendo comigo?". Eu tinha que proteger Ib, ela estava em choque e chorava baixo. Girei meu
corpo e pude ver aquela sombra desaparecendo.
– Ib ... — sussurei — olhe para mim ... — ela levantou o rosto e vi as lágrimas escorrendo pelo seu rosto,
sequei suas lágrimas — ... sei que está triste, mas nós temos que sair daqui ... — ela agora secou
algumas lágrimas e me abraçou — ... fique aqui ... eu ... vou olhar se ... a sombra saiu de ... lá ... certo
– C-certo ... — disse ela acentindo com a cabeça
Me levantei lentamente e caminhei em direção onde estava o corpo de Cora. Olhei para trás e vi
que Ib espiava por de trás da estátua. Continuei andando e me ajoelhei onde jazia o corpo de Cora,
olhei para ela e seus olhos estavam arregalados, mas eles não tinham vida, pareciam de vidro.
Fechei-os e quando me levantei ouvi o grito de Ib e a sombra apareceu em minha frente me
causando uma sensação horrível no estômago e ai eu apaguei.
* * *
Eu acordei com Cora tocando meu ombro. Eu estava na fonte com Ib encostada em mim.
– O que aconteceu? — perguntei confuso
– Vocês fugiram da festa e sairam andando pelas ruas, ai quando deu meia-noite eu sai andando
pelas ruas procurando vocês e encontrei você falando algo sobre sair de algum lugar, ai fiquei
tentando te acordar.
" Foi um sonho então?" eu estava mais tranquilo e acordei Ib
– Ei, Ib acorde! — disse em seu ouvido e ela começou a despertar esticando seus braços quase nos
derrubando dentro da fonte.
– Uaaaaa! — disse Ib se espreguissando — onde estamos?
– Na fonte da praça e são 3:45 da madrugada! — disse Cora impaciente — Vamos se levantem, Ib seus
pais estão preocupados com vocês.
– Tá bom — disse Ib se levantando e levando meu braço junto, fazendo com que eu me levantá se
também
Andamos de mãos dadas, com Cora na frente dizendo tudo que havia acontecido depois que
saimos da festa, que sendo sincero não prestei atenção, Ib andava em silêncio, ela ria quando Cora
falava algo como " sicrano pediu pra dançar com beltrana e ela recusou", e eu fiquei repassando
cada detalhe daquele sonho em minha mente, tentando entender seu significado. Pela manhã do
dia seguinte me sentei na varanda com Ib e contei meu sonho.
– Isso ... foi estranho — disse ela segurando minha mão — ... e essa carta ... será que nenhuma das
empregadas viu essa carta?
– Não sei, elas não falaram nada ... mas podemos perguntar — falei sacando meu celular do meu
bolso
Liguei para as quatro moças e nenhuma delas disse ter notado tal carta. Isso só me fez ficar mais
confuso, Ib segurava minha mão firmimente. Decidimos então ir até a casa ver se a carta estava lá,
antes eu pedi para Cora ir a casa de Maryanne levar um presente que comprei para Célestine.
Andamos até o carro e fomos em direção a casa.
Quando chegamos na casa olhei para Ib, meio desesperado mas ela me olhou ternamente, me
deixando mais calmo. Entramos na casa, nos dirigimos para o ateliê, olhei em cima da escrivaninha,
mas a carta não estava lá em seu lugar estava um caule com duas rosas uma delas era azul e a
outra era vermelha. Sai da casa seguido por Ib que me olhava, e disse:
– Garry ... vamos a galeria? — em outra situação teria pensado que ela estava brincando mas, eu
entendi o por quê desse pedido.
– Tudo bem. Vamos ... — sentamos no carro e fomos para galeria
* * *
Chegamos lá e entramos em silêncio, Ib apertava minha mão bem forte e continuamos andando.
Passamos por quase todas as pinturas que haviam tentado nos matar anos antes e chegamos até
onde estava uma pintura que antes não estava lá. Era uma caixa de correio e ao fundo vi a porta
dourada pela qual havia entrado com Guertena.
– E agora? — perguntou Ib — Você tem papel ? — disse me mostrando uma caneta esferográfica preta.
Retirei do bolso do meu casaco uma folha amaçada, peguei a caneta de sua mão e começei a
escrever.
" Caro Guertena,
Sou eu Garry, eu e Ib estamos bem, mas eu tive um sonho que me perturbou. Fechei a casa e acho
que vamos esperar um pouco antes de voltar para lá. Sinto sua falta e Maryanne me entregou o
anel da vovó, que dei a Ib. Sei que está nos observando ai deste mundo distorcido e agradeço por
isso. Voltarei aqui em duas semanas e espero sua resposta.
ass: Garry "
Dobrei a carta e coloquei-a na abertura da caixa de correio, que "engoliu" a carta fazendo-a
desaparecer de minhas mãos. Devolvi a caneta para Ib e começamos a sair da galeria.
* * *
Duas semanas mais tarde, retornei a galeria e andei até o quadro da caixa de correio, mas ele não
estava lá. Procurei por todos os lugares e falei com uma das curadoras:
– Mademoiselle! por favor, onde está o quadro "hoping for an answer"? — ela fez uma cara confusa e
disse
– Pardon monsieur, mais je ne l'ai jamais entendu parler de cette image, je pense que vous te
trompes. ( perdão senhor, mas eu nunca ouvi falar desse quadro, acho que está enganado. )- fiquei
pasmo
– Olha, mademoselle Tuile, eu estive aqui com minha noiva dias atás e ele estava aqui . — ela me
guiou para uma sala e me mostrou um catálogo. Olhei-o atentamente e não o encontrei.
– Pardon monsieur ... — ela disse perguntando-me meu sobrenome
– Guertena! — ela arregalou os olhos e fez uma pequena reverência.
– Pardon monsieur Guertena, mais je suis sûr que si cadre est pas ici ce catalogue, je ne sais où il se
trouve. ( mas eu tenho certeza de que, se este quadro não está aqui nesse catálogo, não sei onde
ele está.)
Depois daquilo, me afastei e agradeci. Sai de lá cabisbaixo, liguei para Ib e chamei-a para sair. Ib e eu
estávamos andando sobre a ponte do rio Sena, observamos a água e prendemos um cadeado, jogando sua chave no rio. Era uma tarde nublada, com uma temperatura agradável, sentados em um banco
observando o por-do-sol . Juntos. para. sempre.
* * *
Ib e eu andamos pela cidade procurando uma nova casa, já que não pretendíamos voltar para a mansão tão cedo e precisávamos sair da casa dos pais de Ib depois do casamento. Depois de algumas horas encontramos um sobrado que era conhecido com " a casa do penhasco". Dois dias depois compramos a casa.
* * *
Recebi uma última carta antes de me mudar com Ib para a casa do penhasco, nela não havia um
remetente, nem um endereço de origem, só dizia:
" Eu estou indo, Garry "
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