Rosas sobre o chão
5 Walking in Yellow hallways
Notas iniciais
A cabeça bloqueava a saída e nós começamos a tatear a sala procurando uma outra saída, porém não tivemos sorte e voltamos a nós encarar no espelho, mas aquela cabeça surgiu atrás do ombro de Garry.
– Eeek! ... o que você quer?!- disse Garry com raiva se afastando do manequim.
– Calma Garry!- mas ele não me escutou e foi ao encontro da cabeça fazendo posição para chutá-la.
"ele não pode fazer isso! pode piorar a nossa situação."Parei Garry pondo meu corpo entre ele e a cabeça, torcendo para que ele parasse a tempo.
– Isso não vai mudar nada!- gritei. Ele parou por um instante e depois olhando disse
– Você tem razão. Isso foi infantilidade minha.
– Tudo bem. Vamos sair logo daqui.
Saímos daquela sala e uma Lady vestida de verde começou a nos perseguir, ela deixara cair algo ao sair da parede e nós sabíamos que era uma chave.
– Vá buscar a chave, enquanto eu as distraio. — sussurrou Garry
– Está bem. — disse dando a volta na pilastra onde estava a pintura.
Peguei a chave do chão, gritei para Garry se apressar e ele correu na minha direção. Juntos fomos até a porta, Giramos a chave e passamos pela porta.
Por Garry:
– Ufa! — Disse passando a mão na testa enxugando o suor. — Ib você está bem?
– Sim, mas estou cansada. Muito cansada.- disse tirando a franja do rosto.
De repente parei para olhar a sala em que estávamos, tinha algumas estantes, uma janela, um sofá (sim, isso mesmo uma das esculturas de meu avô) e algo que fiquei observando abismado, uma enorme pintura de minha família. Nela estávamos Meu pai, minha mãe, eu e Maryanne, nós eramos crianças e nossos pais vivos.
Ib tocou meu ombro e disse:
– Garry …. você está bem? — notei a preocupação no seu olhar e ela tocou meu rosto, limpando algumas lágrimas.
– V-você …. quer falar sobre isso? — disse ela olhando para o quadro.
Sentamos no “sofá” e ficamos em silêncio alguns instantes, até que batidas na parede atrás de nós
quebraram o silêncio.
– Ib, fique perto de mim! não solte minha mão!
– Não soltarei.- disse ela apertando minha mão
Ouvimos três estrondos e no terceiro a parede se rompeu, com uma " Lady in Yellow" vindo em nossa direção. Não havia como escapar de outra maneira, passamos pelo buraco na parede e todos os quadros e esculturas criaram vida e vinham na nossa direção. Ouvi um '‘clic’' e juntos corremos até onde tinha vindo o som. A porta estava quase aberta, a chutei e senti a mão de Ib desvencilhar-se da minha.
– Garry! Me ajude!- disse e foi quando vi que uma lady estava quase arrancando a rosa de suas mãos. Fui ao seu socorro, chutei o quadro e puxei Ib com força para dentro da sala.
– Ib, você está com sua rosa?- disse preocupado, afinal foi tamanha confusão que acabei não vendo se ela havia saído com a flor.
– S-sim- disse quase sem fôlego e me mostrando a rosa com apenas uma pétala.
– Deixe-me apoiá-la. — fui em sua direção oferecendo meu ombro.
– N-não …. p-precisa …. Garry — disse ela, pálida.
– Tem certeza?
– S- si…. — disse ela antes de desmaiar.
Claro eu fiquei desesperado, corri em sua direção pegando-a em meus braços, estava fria, e correndo em direção a sala mais próxima.
….
– Ib? Ib? Acorde! Ib ... Por favor acorde!- ela estava em meus braços gelada e pálida, de meus olhos lágrimas brotavam e eu não sabia por que me sentia tão mal, já que a conhecia há apenas algumas horas.
Entrei em uma sala não muito grande nela haviam apenas algumas estantes, um quadro e um vaso.
Coloquei Ib atrás das estantes e a cobri com meu casaco, peguei sua rosa e coloquei no vaso. Esperei ela acordar olhando as estantes e, de repente, ela se moveu.
– Ib, você acordou! como se sente?- disse me sentando
ao seu lado.
– E-eu tive um pesadelo. — disse escondendo o rosto entre as mãos.
– Ei? Não chore, venha aqui.- disse envolvendo-a em um abraço apertado, pude sentir suas lágrimas.
– Olhe aqui nesse bolso. — apontei para um bolso interno do meu casaco, ela obedeceu e encontrou um doce, não era nada de mais só uma bala de limão, mas pude ver um sorriso abrindo em seu rosto.
– Você pode ficar com isso- disse enquanto fechava a palma de sua mão — Sinta-se livre para comê-lo. Me levantei.
– Vamos descansar um pouco antes de sairmos novamente. Ajudei-a se levantar e voltei as estantes.
Por Ib:
O casaco de Garry estava ali na minha frente, peguei-o e vi minha rosa dentro de um vaso junto a de Garry.
Peguei-as e fui em sua direção.
– Garry …. — disse e ele se virou para mim
– Oh, meu casaco …. Obrigado, Ib.- Queria puxar assunto com ele, mas ele fez o mesmo.
– Oh, Ib …. Quantos anos você tem?
– Eu tenho 17 e …. você Garry?
– Eu vou completar 19 — disse se fazendo de sério e soltando uma gargalhada disse- Mas galerias de arte são interessantes para alguém da sua idade.
– É Garry, disse “o” senhor né- e rimos muito.
– Ib, — disse ele realmente sério- você consegue andar? Se está cansada, basta me dizer, okay? Não tenha vergonha! Eu vou entender completamente!
– Não Garry, me sinto renovada na verdade.
– Sabe…. Eu estava me perguntando se eu deveria ter saído com algo mais chique essa manhã ….
– Por que?
– Bom …. Meu avô me deixou uma carta antes de falecer, pedindo que viesse a galeria este dia em especial, mas agora, estou grato que resolvi usar isso.
– Garry …. quem era seu avô?
– Bom, deixe-me apresentar adequadamente, Eu sou Garry Theodor Zafón Guertena e meu avô era ….
– Weiss Guertena! Me desculpe pela minha ignorância .... por isso reconheci seus olhos são iguais aos da ...
– Da minha avó materna, ou senhora Guertena e os da minha mãe. — percebi que sua voz ficou fraca quando falou de sua mãe, então decidi mudar de assunto.
– O que está lendo?
– Hm? Bom é um livro com muitas palavras, eu achei ele aqui. Até o título é meio longo. Talvez seja um livro “dele” (Guertena), é bem interessante …. um pouco triste, mas não consigo parar de ler.
– E você Ib o que veio fazer na galeria?
– Eu …. vim aqui por causa da exposição, desde os 7 anos sou fascinada pela arte de Guertena.
– Entendo …. — disse olhado para baixo- Eu me pergunto onde todos da galeria foram parar…. pelo que sabemos, podem ter outros perdidos por aqui.
– Agora que você falou, pensei sobre isso, eu estava andando sozinha até eu te encontrar….
– Tenho que dizer que estou grato que essa sala não estava longe ... Parece que essas pinturas não conseguem passar pelas portas, e aquela pintura ali é inofensiva.
– Isso é ótimo!- disse tentando me alegrar.
– Ib... Talvez tenhamos que continuar andando por mais um tempo ... Eu posso não ser a pessoa mais confiável para essa situação... Mas se você estiver pensando "eu não aguento mais!", apenas me avise, okay? Se for necessário, eu posso te carregar nos braços de novo.
– Tudo bem — disse sem jeito, com um leve sorriso.
Me lembrei de sua rosa e a entreguei a ele.
– Minha rosa? Obrigado, Ib de novo.
– Vamos?- fui em direção a porta
– Você está pronta?
– Sim!- disse cheia de entusiasmo
– Então vamos!
Saímos pela porta e seguimos escada abaixo. O corredor mudou de cinza para amarelo, ouvi umas batidas em uma porta, me aproximei dela, percebi um olho mágico na porta e olhei por ele, mas nada estava tudo escuro. Andamos mais um pouco e vi um quadro chamado “milk puzzel”.
– “quebra-cabeça do leite”, você sabe sobre ele Ib?
– Não. — na verdade eu sabia, mas gostava do som de sua voz e de suas explicações.
– Bom, — disse ele- o " quebra-cabeça do leite" é como um quebra-cabeça comum só que todas as peças são brancas como leite, realmente nunca me interessei muito por ele, mas meu avô me contava sobre as possibilidades do não completo e eu ficava encantado.
Por Garry:
– Legal. Você sabe quem ficou com a posse da mansão da família?
– Ah ...... Fui eu, por que?
– B-bom ... se não fosse pedir de mais ... poderia me mostrar o ateliê dele?- disse com os enormes olhos vermelhos brilhando de encanto.
– Pode ser, receberia a posse da casa em 4 dias, mas não sei a quanto tempo estou aqui. Mas podemos fazer isso sim. — seu rosto se iluminou e ela abriu um sorriso.
Continuamos andando e vimos outro espelho, desta vez eu observei Ib mais atentamente, seu olhos eram emoldurados por longos cabelos castanhos com uma franja na altura de seu nariz, tinha feições delicadas e em seus lábios se pintava um vermelho claro, quase apagado, seu corpo era esbelto e ela era alta tinha entre 1,65 e 1,70 de altura. Olhei para mim e vi como meus cabelos estavam bagunçados, dei um leve sorriso e continuei a me radiografar. Meus olhos estavam verdes
vibrantes, meu casaco estava um pouco amassado, por baixo vestia uma blusa comum cinza e calças jeans escuras. Me afastei do espelho e Ib me seguiu, andamos até uma porta no final do corredor.
– Mas o que é isso ...?- disse Ib olhando para o painel com um teclando ao lado da porta.
– A porta está trancada!- quando eu disse isso letras apareceram na tela que diziam:
" Para a porta abrir,
minha charada deve descobrir,
use sua mente com destreza
já que entrou pelo ......"
– Pelo que? — disse Ib.
– Não faço a menor ideia Ib.
Fiquei quebrando minha cabeça até:
– Já sei!- disse Ib com um sorriso triunfante- é óbvio:
"use sua mente com destreza
já que entrou pelo ABISMO DA PROFUNDEZA".
E a porta se abriu.
– Você é um gênio Ib!- disse levantando-a no ar.
– Eu sei Garry. Vamos continuar. — disse ela tentando tirar a atenção dela.
Passamos pela porta e era uma sala grande, porém haviam poucas coisas em seu interior apenas 4 estantes e um quadro chamado " Separation ". Nos aproximamos do quadro e quando terminei de ler a inscrição a luz se apagou.
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