Rosas mulheres, mulheres rosas
1 Capítulo Único.
Eu estava não sei aonde, fazendo não sei o que, e muito menos me lembra a data. Só me recordo que era uma explendorosa tarde de Primavera; o vento soava como música fazendo as árvores dançarem, o céu azul cor de amor (dejavaneando), escasso de nuvens, batido por um soberano sol mais exibido do que o habitual. Eu já parabenizava a Natureza por sua belíssima obra de arte quando a vi; linda como uma lua minguante que da ao céu a impressão de um largo sorriso, uma beleza que embebedou-me de súbito e roubou da belíssima tarde pintada pela Natureza, toda glória e esplendor; era minha Rosa Negra. Estava num canteiro, junto á outras damas, que assim como a tarde, tornaram-se opacas perto de minha Rosa Negra. Percebi que esta não estava acompanhada por nenhum par de calças e não pensei duas vezes, fui ter com ela e andei a lhe dizer gracejos, que esta, visivelmente envergonhada, respondeu-me com um balançar de vestido. De fato foi realmente estranha a sua reação, mas não lhe tirou a graça, duvido muito até que alguma outra coisa fosse capaz de realizar tal façanha. Era linda em demasia.
Não custou muito colhi-a e levei comigo. Chegando em casa, sugeri-lhe um banho e esta aceitou. Mergulhei-a na água e fiquei a observar enquanto ela se banhava. Eu já não tinha mais olhos para outra coisa, todo eu era minha rosa.
Enquanto eu, embasbacado, namorava minha amada, que exalava um perfume inebriante , uma ideia me veio a cabeça: ''de que me adianta ter em casa a personificação da beleza e não ostenta-la?'' Tomei minha rosa e andei ir para a rua. Uma vez na rua com minha amada, percebi logo nos tornarmos o centro das atenções; pares de calças olhavam de soslaio e cochichavam uns com os outros, as damas se acotovelavam e mordiam-se de inveja, e eu triunfava. Minha amada parecia não se importar, fazia-se indiferente. Eu não, queria mesmo ser observado e invejado por toda gente, meu ego inflou de tal forma que tirou-me os pés do chão, eu já não caminhava, pulava de nuvem em nuvem, voava com pássaros de todas as espécies, quando aconteceu algo que ainda hoje me dói lembrar; minha Rosa Negra incomodada com todo aquele meu visível egocentrismo, murchou e foi-se embora. Os pássaros mansos, amigos de outrora, tornaram-se selváticos e me estouraram o balão do ego, as nuvens fugiram-me dos pés e eu caí, atingindo o solo como um meteoro.
Se o leitor está confuso entre este escrito ser uma forma poética de comparar uma mulher a uma rosa, ou uma rosa a uma mulher, digo que não façam distinção entre estes dois magníficos seres que são exatamente a mesma coisa. Mulheres são rosas e rosas são mulheres, a única diferença que há entre elas é que umas falam e andam por serem mais evoluídas, ao passo que outras são inanimadas (mas tem vida) e se limitam a um canteiro.
Ambas podem ser estudadas com toda a dedicação possível, mas será sempre em vão. Não foram criadas para serem compreendidas, sim cuidadas e contempladas.
Homem, se tu o canteiro, a água e o sol de tua rosa.
T. O. Dantés.
Fale com o autor