Notas iniciais
Curtinho, mas é só o início, então espero que gostem!
Beijinhos da autora.

Você pode chamar de destino ou do que quiser, mas tivemos que sair novamente da cidade. Boatos corriam por aí de que tínhamos nos mudado novamente por meu pai ter tido um caso com a empregada (o que eu não achava tão impossível assim), outros diziam que era porque minha irmã estava grávida e havia até quem dissesse que era por causa dos negócios da estável empresa da família, mas nenhum deles se encaixava. O motivo, novamente, era eu.

Todos diziam que eu, Alexandre Di Venice, era o garoto mais inteligente, simpático e desejado do colégio de Santa Teresa de Ávila, de uma pequena cidade no sul da Itália. Garoto bem afamilhado, diziam eles, viajado e poliglota. Eu era realmente tudo isso, modéstia a parte, mas nenhuma dessas qualidades isentava a principal de todas: a minha verdadeira identidade era algo infernal.

Eu não era satânico ou algo assim, pelo contrário, eu era bem católico. Quando eu digo algo infernal, eu me refiro a outra coisa.

- Alexandre, estamos de saída. – Meu pai, o velho Petruccio Di Venice, entrou sem cerimônia em meu quarto. Ele me olhou como sempre: temeroso. Eu já estava até acostumado com isso, então simplesmente olhei de relance e assenti, colocando as ultimas coisas necessárias na mala. – E guarde essa camisa.

- É um moletom, e eu vou usá-lo na viagem. – Respondi, sem olhá-lo, analisando um livro que havia acabado de descobrir nas minhas coisas.

- Só por cima do meu cadáver, você fica parecendo um marginal com essas roupas, e a última coisa que precisamos é que achem que você é realmente um marginal. Não sei se você lembra, mas é por isso que estamos indo embora. – Eu encarei seu rosto envelhecido, mas ainda com aquele ar superior, totalmente atônito. Ele estava sendo duro demais comigo. Meu pai sabia que não era minha culpa.

Sem se desculpar, mas com um ar de culpado, ele fechou a porta com um estrondo. Eu larguei o livro que segundos atrás tivera minha atenção e sentei na cama, passando as mãos pelos meus cabelos tão negros quanto breu.

Petruccio sequer era meu pai de verdade, mas eu me importava com ele e com sua aprovação, mesmo sabendo que eu provavelmente nunca a teria. Eu havia sido achado na caçamba de lixo que ficava por detrás da mansão dos Di Venice quando era apenas um bebê. Naquela época, eles moravam em Veneza com apenas Alexandria, a filha mais velha. No início, acharam que haviam me colocado em uma casa aleatória, mas eu duvido muito. Os da minha raça quase nunca se enganam ou fazem algo aleatoriamente, afinal.

Eles me adotaram e, em vez de ter como filha apenas Alexandria, agora tinham também eu, Alexandre. Minha mãe Helena sempre me amou demais, assim como minha irmã. Mas meu pai... Bem, ele provavelmente me amava, mas do jeito dele. Só que depois que eles descobriram o que realmente eu era, não apenas me amavam. Me temiam, também. Menos Alexandria. Ela sempre fora a única que me entendia e que não tinha medo de mim, o que realmente me deixava aliviado.

Eles passaram a me arranjar, duas vezes por semana, alguns animais dos quais eu poderia me alimentar. Durante o resto dos dias eu comia o mesmo que eles, na tentativa de ser alguém normal. Mas eu não era, e até minha aparência insistia em me lembrar disso.

Cabelos negros, olhos cinzas como a névoa, a pele mais pálida que papel e levemente esverdeada. As pessoas geralmente achavam que eu era alguém anêmico, tanto pela minha cor quanto pela minha magreza. Mas eu simplesmente sou assim, magro e com um metro e oitenta e cinco de altura com apenas dezessete anos.

Ao contrário de mim, minha família composta por louros quase brancos, com a pele composta por a quantidade de melanina que a maioria dos italianos tem, ou seja, pouca mas normal, e olhos castanhos.

Passei as mãos pelo rosto, suspirando, e logo depois me levantei. Dei uma olhadela rápida no quarto, conferindo se tinha levado tudo, e finalmente saí e desci as escadas. Minha família estava conversando na sala com o novo comprador da casa, que ao me ver deu um sorriso fraco e veio me cumprimentar. Me senti enjoado ao tocar sua mão com a minha fria. Ele era o Sr. Enzo Pellegrini, o pai da última vítima de meu descontrole.

- Olá, Sr. Pellegrini. – Me forcei a dar um sorriso fraco também. – Eu sinto muito por Carlo.

Ele se limitou a assentir com pesar.

- Tenho certeza que ele adoraria essa casa... Uma pena que não esteja mais aqui conosco. – Percebia-se o quanto ele tentava não chorar.

Resolvi deixar por isso mesmo, pois as lembranças da semana anterior ainda estavam frescas em minha mente, e eu não suportaria nem mais um segundo conversar com o pai de Carlo. A tristeza dele era por minha culpa, e nem ele mesmo sabia.

Meus pais conversaram mais um pouco com Sr. Pellegrini, e eu conseguia perceber que Alexandria me olhava de soslaio com os lábios crispados. Ela provavelmente conseguia sentir minha tensão, e fez seu papel de irmã mais velha apertando minha mão.

- Bem, acho que já temos que ir para não nos atrasarmos. – Concluiu minha mãe, com seu habitual sorriso terno.

Nos despedimos de Sr. Pellegrini com sorrisos de pena e apertos de mão. Ele ficaria mais um pouco para ver a casa novamente, então deixamos logo a chave com ele e nos dirigimos para o táxi.

E mais uma vez, a família Di Venice iria embora novamente, levando a maldição do vampiro para outro lugar, com a expectativa de que tudo seria diferente. Mal sabíamos nós que no Brasil as coisas só fariam piorar.

Notas finais
Não ficou lá essas coisas, mas acho que dá pro gasto né?
Eu acho que demorarei um pouquinho pra postar por questões pessoais (ok, é que estou de castigo), mas quando puder eu posto. Beijoos!
REVIEWS POR FAVOR.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.