Rosas Vermelho Sangue

1 Capítulo 1 - lembranças amargas


- Filho, você tem visita!

- Hai!

Kurama entrou rapidamente. Nunca recebia visitas, exceto de Yusuke, Kuwabara e Keiko, por ocasiões especiais. Sua mãe já os conhecia, eles já eram familiares. Quem seria?

- Apresse-se! Ela está esperando na sala!

“Ela?” Pensou Kurama. Algo tão estranho... Seria Botan? Mais alguma missão impossiv...

Não. Não era.

Ele congelou ao ver a bela jovem a sua frente. Sentada, postura impecável, cabelos longos e negros, olhos de cetim negro, brilhantes...Trajando um vestido preto, uma faixa vermelha na cintura, muito elegante. Estava diferente.

- So-So-Sophei??- Ele, tão controlado, não conseguiu disfarçar o espanto.

A bela morena se levantou e lhe abraçou. Ele não retribuiu o abraço, retomando a calma e o controle habituais.

-Hi my dear!!! — Disse Sophei, com sotaque inglês. Que bom ver você!!! Quanto tempo! Você está tão diferente!!!!

E olhou com aqueles olhos felinos. Ah malditos olhos! Ele se lembrava perfeitamente deles. Desgraçada... Era tudo que ele pensava.

A mãe de Kurama logo entrou com o chá.

- Fique a vontade. Preciso atender algumas coisas aqui, mas Shuichi atenderá você.

- Claro, Shiori–san. Shuichi-kun vai me tratar muito bem, não é? E sorriu para o rapaz de cabelos vermelhos, que ficara vermelho. De raiva.

Logo que a mãe saiu, ele a pegou pelo braço. Perdera os modos tão controlados.

- Que você veio fazer aqui???

- Vim visitar este lugar e alguns outros, além de alguns negócios... – A morena sorri ainda mais sarcástica – Você sabe, sou muito ocupada...mas tirei um dia para te ver...

- Maldita! Como veio parar aqui, como me achou?

- Achou difícil? Depois das façanhas de vocês, não foi tão terrível. Tenho meus contatos...

Kurama não se agüentou. Empurrou-a para fora:

-Saia!!! Saia já!

- Está com medo de que, darling? – e o tom de voz foi mais provocador do que ele se recordava – não mordo...muito...E não usei poderes na sua mãe. Ela abriu a porta porque quis.

E gargalhou. Ele estava a ponto de bater nela. Ela então se recompõe e se vira séria para ele:

- Sua família corre perigo... Sobretudo sua mãe...

- Como assim? Você... – e avança com os punhos fechados...

-Claro que não! Vim avisar – diz ela afastando-se com aquele brilho imbecil nos olhos, que ela sempre teve. Jasmim, sempre esse perfume.

Sophei vai até a porta e antes de sair pisca para ele:

- Saberá onde me encontrar... Kisses!!! E deixa para trás um Kurama estupefato.

Vadia. Realmente ela era uma vadia.

Flashback on

- VADIAAAAAAAAA!!!!!!

Kurama, apoiado na parede, observa Gouki sair da sala xingando. Todo arranhado, mordido, cheio de hematomas.

- Quando acabarmos eu mato essa vadia – e cuspiu no chão. Sangue. Kurama olhou com desprezo — Vai você, senão o Hiei que vá e acabe com isso. E Gouki sai, ainda xingando.

Hiei se aproxima. Kurama olha o ogro se afastar.

- Ele é um imbecil. Achou que ela ia dizer sem resistência... Idiota.

- Ela é bem forte... mais do que pensamos.

-Neste caso, vá você. Sabe que não tenho paciência em lidar com esses negócios – Hiei se vira e volta para a escuridão.

Kurama sabe que teria que ser ele a fazer isso. Se fosse Hiei, teria a matado na primeira palavra.

Quando empurrou a porta, Kurama viu uma cena horrível para quem não aprecia sangue.

Ela estava num canto, no chão, lambendo os ferimentos para pararem de sangrar. O vestido que usava não passava de farrapos, espalhados por todo o canto. Amarrara a alça arrebentada do vestido, e pelas marcas de sangue levou vários arranhões no peito. O rosto estava cheio de pontos roxos. O lábio inchado. Grotesco.

- Você devia ter colaborado.

Ela riu. Riu como se tudo aquilo fosse divertido. Abriu seus olhos felinos em sua direção.

Foi aí que ele entendeu a fama de Sophei. Uma súcubo. Uma filha de demônios. Mudava sua aparência de acordo com a ocasião. Qualquer tom de cabelo, de pele, qualquer roupa, qualquer trejeito. Contratada diversas vezes por homens do submundo para seduzir outros homens, fazê-los atender as suas vontades, como gatinhos. E levá-los ao delírio do prazer, para depois arruinar suas fortunas. Ou coisas piores. Ela era belíssima, devia ser fácil. Mas não era só isso. Seu poder espiritual podia ser usado para enfeitiçar qualquer humano, esse era seu poder de súcubo. Quem apresentava pouco poder espiritual caía facilmente. Ela ficara famosa por causa disso.

A cabeça dela valia uma vida milionária. Mas ela era bem protegida, os homens de má índole temiam. Exceto no dia que a raptaram. Hiei fora muito rápido e preciso. Agora lá estava ela.

Sophei, a gueixa youkai. Era assim que a chamavam.

Kurama aproximou-se. Ela se levantou.

-Não vou machucá-la. Se colaborar...

- Seu amigo é muito grosseiro. Nem me deixou ir ao banheiro... ele sabe que com isso – e puxou o cordão de mestre Hantoru no seu pescoço – nada posso fazer.

Kurama esticou a corda e indicou a direção com o dedo. Ela não se demorou. Aquela corda era famosa tanto quanto ela. Reprimia qualquer poder espiritual. Roubaram a muito custo. Gouki se queimara com ela. Talvez a vendessem depois ao mercado negro. Junto com a youkai.

- Ele me chamou de vadia? Todos chamam... – e sentando numa cadeira que Kurama trouxe, acendeu um cigarro que achou na bolsa – que ele queria? Era só pedir... E tirar esta porcaria do meu pescoço... Sabe, isso queima...

- Eu sei. Ele também sabe. Mas você vale muito, ele quer o dinheiro. E o que você sabe...

Ela era a única que sabia até então. Onde estavam os tesouros do Reikai. Cada ponto, cada armadilha do reduto sagrado. Entrara lá uma vez, seduzindo os guardas, segundo a lenda deu a vida de um deles para o espelho que Kurama ansiava em troca de beleza que possuía. E outro deu a vida de espontânea vontade, em troca de vê-la nua.

— Ah o que eu sei... Eu sei tanto... de tantos... – soltou a fumaça e o encarou – ele devia pedir com jeito.

- Gouki não tem paciência.

- E você tem? — Ela olhou no fundo dos seus olhos. Embora estivesse com o cordão que fazia mal a qualquer Youkai, queimando seu pescoço, sinal de que reprimira seus poderes, só de fita-la Kurama sentiu-se mal. Ela era muito linda...sedutora...tinha formas perfeitas, reveladas pelo vestido rasgado. E uma voz doce, um ar delicado, maneiras tão suaves... Ele ficou de pé e de costas para ela:

- Então me diga o que quero saber.

- Não. Sou uma mulher de negócios. Quero algo em troca.

- O que você quer?

Ela sorriu. Sorriso malicioso... Ele devia ter adivinhado.

— Você.

Ele nem olhou. Ficou em silêncio. O perfume dela estava impregnado na sala. Jasmim. Como tinha vontade de...

Saiu da sala.

Se não saísse, talvez não tivesse se controlado.

Flashback off

- Sophei...Você...Maldita...

Ele nem quis continuar seu pensamento. Temia que desse jeito o que controlava até hoje se revelasse por inteiro...

Continua...