Rosas Brancas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ela é tudo para mim
O sonho não correspondido
Uma canção que ninguém canta
O inalcançável
Ela é um mito que eu tenho que acreditar
Tudo que necessito para fazê-la real é mais uma razão
Olho para as minhas mãos e não as vejo.
Tudo é dor, desespero. Mas se passou a tantou tempo, já deveria ter esquecido.
Mas como se esquece um grande amor? Aquela que te marcou? A minha resposta é que não se esquece.
Principalmente quando as raízes não são tiradas de seu peito. Eu tento arrancá-las, mas quanto mais puxo, mais percebo que são profundas e que fazem parte de mim. E parece que a cada dia se entranham mais em meu ser.
Ouço algo... Um violino misturado com piano. Mas o som é angustiante, é só dor.
É a nossa canção, que mostra toda nossa tristeza e cumplicidade. Foi a mesma que ouvi quando achei que não chegaria a tempo para a sua execução.
Foi a mesma que ecoou em minha mente, quando achei minhas mãos cheias de sangue. Seu sangue.
Passo os dedos pela lápide. Traço os seus contornos nas letras com as pontas calejadas pelo manuseio da espada. A cabeça estava encostada no seu topo. Posso ver as manchas escuras que minhas lágrimas formam no mármore.
Kuchiki Rukia.
O nome gravado com letras douradas e rebuscadas num lugar que não faz sentido. Seu corpo não jaz ali, tinha se dissolvido em partículas espirituais. Fui testemunha de tal fato.
Não cheguei a tempo de salvá-la, mas de assistir. Ah... Aizen fizera questão disso.
Peguei o seu corpo pequeno e frágil e apertei contra o meu, na tentativa de manter-lhe o calor ou transmitir o meu para ela. Não havia ninguém ali que pudesse me ajudar.
Mas ironicamente ela possuía um sorriso, tocou a minha face com suas mãos frias.
\"Não perca o controle. O meu Ichigo não faria disso uma vingança.\"
Mesmo assim ela estava preocupada comigo. Grande idiota, estava morrendo e se preocupando comigo.
Tomei os lábios dela para mim. Uma súplica desesperada. O gosto de ferrugem de seu sangue se misturou com a macies de sua boca.
A ferrugem de seu sangue misturado ao meu. O salgado de minhas lágrimas.
Suas últimas palavras, enquanto as minhas lágrimas escorriam. Meus murmúrios roucos, pedidos de que ela não se fosse. As palavras eram desconexas.
Por fim um sorriso, o seu último sorriso.
\"Inferno!\" cerro meus punhos, voltando a realidade; contendo — me para não quebrar a lápide. Não era para destruí-la que eu vim.
Levanto-me, enchugando as lágrimas que não foram contidas. Passo as mãos pelos cabelos, os desarrumando. Arrumo meu o haori. Mas o nó na garganta persistia. A angústia ainda aperta meu peito... Mas estes são meus companheiros desde aquela tarde.
\"Meu amor, só vim lhe visitar. Esta tudo bem, estou cuidando do pessoal. Ah Rukia... É uma pena que você tenha ido antes de eu poder entender o que sentia por ti. Essas rosas são para você, mas não se comparam a tua beleza.
“Brancas como teu poder. Alvas como a tua pele. Puras como a tua alma.\"
Fim
Fale com o autor