Dez anos depois...

Pela janela do meu quarto, eu podia sorrir de maneira boba ao admirar a cena. Tinha minhas rosas, um céu azul limpo como sempre e meus filhos brincando. Eu admirava tudo com minha pequena Rosa dormindo em meus braços, e o som de Edward escrevendo alguma carta as minhas costas.

Nos últimos dez anos, a brisa resolveu soprar a meu favor. Eu tive Arthur, que hoje tem nove anos, e é absolutamente a cópia do pai com seus cabelos ruivos e seus olhos azuis e era uma garoto muito inteligente. Então veio Ernest, que talvez por justiça teve seus olhos verdes e seus cabelos castanhos assim como a mim, era difícil saber sobre sua personalidade pois ainda tinha cinco anos, mas ele demonstrava coragem nos seus pequenos atos.

E ha poucos meses atrás, a vida me presenteou com Rosa, a minha garotinha. Ela tinha olhos azuis como o pai, o irmão e o céu que eu via através da janela e os cabelos castanhos como os meus. E eu esperava que pudesse ser para ela, Arthur e Ernest a mãe que eu sempre quis ter.

Há uns poucos anos, Kaure se casou com Gustavo. Isso causou um grande alarde nos cidadãos, que não viam com bons olhos um casamento entre pessoas naquela idade. Kaure estava agora na casa dos quarenta e não geraria filhos, então porque se casar? A resposta é amor, mas é algo que de tão raro é desconsiderado.

O segundo casamento polemico foi o de Jacob, que aconteceu dois anos após o meu. Ele se casou com Renesmee, que era uma criada da casa onde morava com seus pais, e hoje tinha uma filha da idade de Ernest que se chama Leah. Seus pais ficaram furiosos quando souberam que o filho deles havia seguido o exemplo de Isabella Swan e se casado as escondidas. Criticas correram a cidade, e a moça foi por cerca de um ano duramente difamada, e tida como uma oportunista, até a fofoca esfriar.

Rosalie e Emmett, tiveram sua filha Miriam alguns meses após meu casamento, e a dois anos atrás Rosie deu a luz a Vincent. Alice e Jasper tiveram há sete anos atrás Monica, e agora ela estava gravida novamente.

Na época que sucedeu meu casamento, o nome de Edward e o meu próprio foram motivo de fofocas na cidade por meses, mas eu não poderia ter me importado menos. Eu estava feliz demais para me importar que pais não deixariam suas filhas solteiras na minha presença para não serem influenciadas por mim. E logo após, tudo foi transformado ao saberem das posses de Edward, foi uma nova onda de fofocas, porém estas não tinham o intuito de denegrir e sim enaltecer.

De repente nós éramos uma bela história de amor, eu era uma ótima companha para mulheres e crianças e Edward era um homem admirável e distinto.

Minha mãe e eu nunca mais nos falamos, nunca mais nos vimos e nem tivemos nenhum tipo de contato. Eu me acostumei com isso, me contentando apenas em manter algumas pessoas de olho na fazenda e na segurança e bem estar dela.

Eu ouvi o barulho da escrita cessar, e os pequenos sons de papel sendo envelopado e selado.

— Rosa ainda está dormindo? — Ele perguntou atrás de mim, e eu me virei.

— Sim, não é uma graça? Ela puxou ao papai nesse aspecto. — Brinquei. Ele riu e veio até mim, me dando um beijo no rosto e outro na testa de Rosa. — Para quem é a carta? — Perguntei.

— Londres, você sabe, negócios. — Ele ergueu a parte da carta que tinha escrito o endereço de destinatário, onde escrito com sua caprichosa caligrafia eu podia ler que se tratava de um endereço londrino.

— As vezes me parece que te causa tanto incomodo morar aqui... — Suspirei. — Sabe bem que se for do seu desejo podemos todos ir para a Inglaterra.

— Isabella, eu sei que você prefere ficar aqui... E tudo bem, temos essa casa linda, amigos incríveis e nossos filhos gostam daqui. — Ele deu um lacônico beijo carinhoso como o habitual. — É o que importa, minha Bella. — Ele beijou-me novamente e sorriu.

— Está bem, vá lá enviar sua carta. — Disse a ele, que assentiu e saiu do nosso quarto.

Eu não tinha problemas com Londres, não a cidade em si. Meu problema eram as pessoas, tão arrogantes e cheias de si que até faziam os moradores da nossa vizinhança parecerem bons e adoráveis cidadãos. Até mesmo Jasper e Emmett perceberam isso, trazendo de vez a sede oficial da empresa para esse país e vindo morar aqui definitivamente com Alice, Rosalie e Mirian que era apenas um bebe na época.

Tirei essa conclusão quando Edward me levou para lá pela primeira vez. Foi antes de Arthur nascer e eu estava muito ansiosa para finalmente conhecer Londres... Mas foi uma das piores viagens da minha vida. As pessoas não viam nosso casamento melhor que as pessoas de nossa cidade natal, e isso frustrou minhas expectativas de que aquele seria um lugar melhor. Eu era só uma americana, e mesmo assim, Edward fez pouco de belas donzelas filhas de respeitáveis senhores londrinos para se casar comigo. Uma senhora chegou a dizer na minha frente que sua filha seria uma esposa melhor para Edward que eu, e a garota corou e pediu desculpas, mas o estrago já estava feito, eu estava magoada.

Nos Estados Unidos Edward não era bom o suficiente para mim, e na Inglaterra eu não era boa o bastante para Edward.

Mas com os anos deixamos tudo para trás. Edward e eu nos amávamos, tivemos filhos saudáveis que se tornariam crianças felizes e inteligentes, e a cada dia nos tornávamos pessoas ainda mais felizes e realizadas.

Vi pela janela Edward ir até onde nossos filhos brincavam, e eles alegremente correram ao seu encontro, quase podia ouvir suas vozes de soprano exclamarem com animação “papai”. Ele abraçaram o pai pela cintura, que com um sorriso se abaixou e deu um beijo na testa de Ernest e Arthur em seguida. Após algumas palavras, ele se levantou e foi despachar sua carta, deixando meus filhos voltarem as suas brincadeiras.

O amor entre Edward e eu cresceu com o decorrer dos anos, talvez até mais rápido que o ritmo de crescimento de nossas crianças. A cada toque, cada beijo, cada “Eu amo você” nos amávamos um pouco mais.

Fui até o berço de Rosa, que ficaria aqui em nosso quarto até ela se acostumar a dormir noites inteiras sem acordar nenhuma vez, e a coloquei ali, a acomodando para que tivesse um sono mais tranquilo. Então me deitei em minha própria cama e dormi.

O tempo exato que se passou eu não saberia dizer, mas quando Edward me acordou, daquele modo gentil e suave que não mudou nos últimos dez anos, o sol já havia se posto.

— Bella... — Ele chamou novamente, com sua mão acariciando meus cabelos.

— Quanto tempo dormi? — Indaguei sonolenta.

— Algumas horas... Está na hora do jantar, os garotos estão te esperando.

— E Rosa? — Perguntei me sentando na cama e tentando espantar o sono para poder descer e jantar.

— Ela ainda dorme, e sabe bem que seu choro poderia acordar a casa inteira. — Ele riu.

Descemos as escadas, e fomos para a sala de jantar, chegando a tempo para ver Ernest jogar uma ervilha em seu irmão usando uma colher como catapulta. Arthur teria revidado, mas nos viu chegar, então apenas abaixou sua própria colher e fez cara de anjo.

— Vamos tentar ter um jantar como pessoas normais, sim? — Edward pediu e ambos assentiram rapidamente.

— Vai ser uma tarefa difícil. — Falei enquanto me sentava em meu lugar, fazendo meus filhos rirem baixo.

Durante o jantar, ambos tinham grandes assuntos sobre seu dia, e Edward e eu nos esforçamos para parecer interessados em suas aventuras nas “fortalezas de rosas”

— Rosa se chama Rosa porque mamãe gosta de rosas, não é? — Arthur perguntou, e Edward assentiu.

— A senhora então gosta de... Ernest’s e Arthur’es? — Ernest indagou inocentemente, me fazendo rir e Edward bufar.

— Eu sempre gostei de Edward’s, vocês tem apenas nomes que achamos bonitos. — Falei rindo.

Quase no fim do jantar, uma criada entra com Rosa no colo, completamente desperta e entrega a Edward.

É uma cena maravilhosa de se observar, uma cena que me fazia pensar “tudo valeu a pena”. Todos os anos de espera, todos os comentários maldosos, todo o ódio de minha mãe por mim, todo aquele escândalo que foi nosso casamento, absolutamente tudo valeu a pena. A cena de Edward sorrindo para nossa filha em seus braços, e nossos dois outros filhos também sorrindo e dizendo coisas carinhosas a irmã. Eu era provavelmente a criatura mais feliz que já havia existido.

Se um dia eu tivesse que citar as coisas que eu mais amava no mundo, em ordem aleatória seria: Rosa, Ernest, Arthur, olhos cor de céu, rosas e Edward.

Notas finais
Então, acabou. Foi um prazer escrever essa história, e conhecer cada um de vocês. Eu sinto tanto pelo fim quanto vocês, irei sentir saudades. Espero que tenham gostado, e aproveitado cada pedacinho dessa história. Obrigado por tudo e adeus.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!