Rosas

9 Capitulo nove


Em casa, Renée ainda estava na sala sem fazer nada. Eu ia ignora-la e subir para meu quarto mas ela me chamou.

— Sente-se eu preciso falar com você. – Ela ordenou, e eu sem escolha me sentei.

— Nós acabaremos recebendo mais visitas do que de costume, por causa da morte do seu pai. E você sendo a futura Sra. Black não é apropriado que te vejam de amizades com um criado. – Ela estava séria, por um momento achei que ela desconfiasse de algo. – Você é infelizmente a dona dessa propriedade, e o Black também tem e terá ainda mais posses. Juntos vocês serão um casal de grande fortuna, e assim sendo é inconcebível que trate como igual um caseiro que só fez uma faculdade por generosidade do idiota do seu pai.

— Como meu pai pode ter se casado com um ser tão digno de pena?- Indaguei tentando conter a minha raiva, não seria bom se eu discutisse com ela por querer a companhia de Edward, levantaria suspeitas até em mentes obtusas e vazias como a de Renée.

— Olhe bem como fala comigo. – Ela disse mais alto.

— Por que? Você é a dona apenas dessa fazenda até morrer, então ela será minha, e o que Black possui também. Então eu tenho um nível social mais alto que o seu, não insinuou agora a pouco que não devo tratar de igual para igual gente inferior? – Talvez eu estivesse sendo cruel, mas eu já estava a muito tempo farta dos preconceitos de Renée.

— Eu sou sua mãe. – Ela apontou para si mesma.

— Charlie era seu marido! E isso não te impede de trata-lo com desrespeito até depois da morte. Sabe o que vai acontecer se eu me casar com o Black? Eu nunca vou ter filhos! Toda a linhagem Black e Swan vai acabar, Jacob e eu não temos irmãos ou primos, toda fortuna vai acabar sendo deixada no meu testamento e no do seu querido Black para pessoas pobres.

— É claro que você vai ter filhos! E Jacob jamais deixaria sua fortuna pra gente... – Ela estava de pé apontando pra mim agora, mas eu a interrompi me pondo de pé também.

— Não faria isso? O rapaz cortaria a mão e me daria se eu pedisse. – Nos encaramos ansiosamente.

— Você é uma vergonha. – Ela murmurou.

— Obrigado. – Fiz um gesto de agradecimento.

Ela respirou fundo, estava tentando de conter.

— Ao menos esteja apresentável na hora do jantar, os Hale vem fazer uma visita. – Ela falou com a voz mais baixa, mudando o assunto da nossa discussão.

E assim eu pude finalmente ir para o meu quarto.

A vida sem meu pai se tornou mais entediante. A maior parte do tempo eu passava dentro do meu quarto. Havia uma estante de livros, todos lidos e relidos varias vezes. Na viagem que causou a morte de Carlisle e meu pai, eles disseram que trariam mais livros para mim. Acabou que eu fiquei sem livros novos e sem eles.

Sem saber o que fazer para passar o tempo, fui até a janela. O céu estava claro, sem nuvens. Os Hale devem ter resolvido programar uma visita justamente pelo bom tempo que parecia que ia durar.

Acabei por fim puxando um dos meus livros e comecei a reler ele pela milionésima vez.

(...)

Eu já estava pronta para o jantar. De banho tomado, cabelos presos e arrumados. Um vestido bonito acompanhado de sapatos bonitos. Não haveria nada para Renée reclamar. Quando eles chegaram, a mesa foi posta e todos fomos para a sala de jantar.

Os Hale eram um casal simpático. O Sr. Hale era um homem alto, de feições elegantes, tinha cabelos bem escuros e olhos verde oliva, ele estava provavelmente no meio da casa dos quarenta anos. A Sra. Hale ainda não tinha chegado aos quarenta mas estava bem próxima disso. Ela era um mulher miúda, magra, de feições pequenas e possuía um humor afável, conhecer aquela senhora e não gostar dela era algo muito difícil. Ela tinha cabelos loiros e olhos azul escuros, que a luz das velas pareciam quase violeta. Olhando eles dava pra ver quais características cada uma de suas filhas herdou.

Eu me lembrava das Srtas. Hale, Rosalie e Alice. Não consegui me lembrar qual o sobrenome de casada que elas possuíam atualmente. Elas deviam estar Rosalie com vinte e um anos e Alice com dezenove. Até onde me lembrava das aparências delas, Rosalie era alta e tinha porte elegante como o pai, os cabelos loiros e os olhos azul escuro eram os de sua mãe. Alice era baixa e tinha as feições muito parecidas com a de sua mãe, mas os cabelos escuros e os olhos verde oliva foram herança de seu pai.

— Eu sinto muito pelo Sr. Swan, ele era um homem tão bom, foi uma grande perda para todos os que o conheceram. – A Sra. Hale disse antes de nos sentarmos para o jantar.

— Um homem honesto, um bom amigo, vou sentir falta de caçar com ele no verão. – Falou o Sr. Hale.

Eu sabia que eles estavam sendo sinceros, meu pai era bom com todos, todos gostavam dele.

Minha mãe agradeceu, e nos sentamos para comer. O Sr. Hale não tinha muito assunto com a minha mãe, mas a esposa dele conseguia manter uma conversa com qualquer um, esbanjando simpatia. Eu fiquei calada, concentrada na minha própria comida.

— Ah, e Isabella está tão linda! A cada vez que nos vemos ela parece ainda mais bela, não é mesmo Brandon? – Sra. Hale elogiou, e eu não me lembrava bem quando a conversa delas chegou até mim.

— Com certeza. – O marido dela concordou.

— Obrigado Sra. Hale. – Agradeci um pouco constrangida, e logo mudei de assunto. – Como vão suas filhas?

— Ah muito bem, chegaram cartas delas hoje mesmo essa manhã. Alice está muito bem, e Rosie melhor ainda, acha que pode estar grávida. Talvez se assim for Brandon e eu podemos ir a Londres para que eu possa cuidar dela. – Sra. Hale respondeu alegremente, e eu fiquei feliz em saber que Rosalie teria um filho.

— Quem sabe não nos mudemos para Londres de vez. A comunicação com nossas filhas é bem difícil nessa longa distancia. – Divagou o Sr. Hale.

— Vão fazer falta aqui, eu garanto.mas isso é uma maravilha! Devem estar contentes de já ter as duas filhas bem casadas e com um neto a caminho. – Parabenizou Renée.

— Sim, Lilian e eu sentimos saudades delas, mas o importante é que elas estão felizes. – O Sr. Hale sorriu, e me olhou de um jeito de quase piedoso. – Elas amam seus maridos e eles a amam de volta. Isso é o importante, creio que não há nada de mais penoso que um casamento sem amor.

— Com certeza, agradeço todos os dias por ter me casado com Brandon, imagine como é viver com alguém que é quase um estranho para você. – Sra. Hale disse horrorizada, minha mãe não respondeu com a desculpa de estar bebendo de seu vinho.

O silencio durou alguns minutos, e só se escutava o tilintar dos talheres, até que o Sr. Hale resolveu iniciar um novo assunto.

— Conseguiu um novo caseiro Sra. Swan?- Ele indagou não prestando muito atenção no que ela responderia.

— Já sim, o filho do que morreu. Charlie quando era vivo conseguiu uma bolsa em uma faculdade para o menino, creio que na mesma cidade que suas filhas moram hoje. Ele chegou essa manhã, e concordou em ficar no lugar do pai como caseiro. – Renée respondeu com desinteresse.

— Qual é o nome do rapaz?- Sr. Hale perguntou educadamente para manter o assunto.

— Edward Cullen. – Respondeu minha mãe.

— Cullen? – Sra. Hale indagou com curiosidade. – Acho que já ouvi esse nome antes...

Notas finais
Ooi? como vão? nem demorei dessa vez