Rosas

5 Capitulo Cinco


4 anos e alguns meses depois...

O rapaz bateu na porta três vezes, entrou quando finalmente ouviu seu chefe dizer “entre”.

– Correspondência para o senhor, senhor Cullen. – o rapaz franzino deixou um envelope pardo na mesa de seu chefe.

– Tudo pronto para minha viagem? – Edward perguntou.

– Sim senhor, o navio que o senhor irá embarcar é o mais rápido de Londres, e é muito seguro. A propósito, os senhores McCarty e Whitlock o esperam na sala de reuniões em meia hora. – Disse o secretario.

– Bom, ao menos agora a filial americana não ficará nas mãos de estranhos. – O Cullen murmurou.

– Sim, senhor Cullen. – O rapaz concordou, e se retirou.

Eis um resumo dos últimos quase cinco anos: Edward fez a faculdade, mas logo no primeiro ano conheceu Jasper Whitlock e Emmett McCarty, que faziam o mesmo curso que ele. Eles o chamaram para ser sócio no pequeno negócio que eles estavam fazendo, afinal vieram de uma família rica, tinham capital suficiente porém faltava saber o que fazer, e Edward se mostrou inacreditavelmente bom com contabilidade. E enquanto estudavam, os três amigos fizeram aquela pequena empresa se expandir e agora já formados, possuíam uma empresa de renome mundial. Inacreditável, como a vida mudou para Edward. O filho de dois caseiros humildes era agora um respeitado homem de negócios.

Edward pegou o envelope, e se assustou ao ver o endereço do remetente: Texas, EUA. Edward sentiu um mau pressentimento, por fim abriu o envelope, uma carta escrita numa Letra um tanto desajeitada.

Edward Cullen,

É com pesar que lhe escrevo essa carta, para lhe informar que seu pai veio a falecer.

Ele e meu marido, Charlie, foram fazer compras na cidade, e uma das rodas da carruagem se soltou. Os dois foram lançados à um precipício.

Creio que não terá tempo de chegar aqui a tempo para o Velório, mas o convido a vir, visitar o tumulo de seus pais. E se desejar poderá ficar, afinal sem meu marido e sem caseiros não saberei me virar.

Eu sinto muito pela sua perda, estamos todos em luto, Seu pai e meu marido eram bons homens. O céu os acolherá com festa.

Atenciosamente,

Renée Swan.

Foi uma carta curta, e mesmo lendo varias vezes Edward não podia acreditar que era verdade.

Seu pai estava morto, ele nunca mais o veria. Primeiro sua mãe, agora seu pai. Edward agora não tinha mais uma família. Porém agora, ele não chorou. Doeu? Sim, como milhares de facas perfurando a pele enquanto álcool era jogado nas feridas. Mas chorar não faria nada mudar.

Edward percebeu que a mãe de Isabella não sabia de sua atual situação. Afinal quem ofereceria um emprego de caseiro para alguém do seu atual nível?

Edward guardou seus problemas para si mesmo, e foi para a sala de reuniões. A reunião não durou muito, seus amigos combinaram mais algumas coisas a respeito de sua partida, e o desejaram boa sorte. Edward não contou sobre a morte de seu pai, a distancia do antigo lar o deixou mais... misterioso, talvez seja essa a palavra.

Enquanto isso no Texas, Isabella estava em sua cama, olhando para o nada e se perguntando o Porquê de tudo isso.O que ela fez de tão errado para merecer tanto castigo? Hoje fazia exatos dez dias desde que seu pai e seu padrinho morrera.

Primeiro perdeu sua madrinha, depois Edward se foi, e agora seu pai e seu padrinho ao mesmo tempo. O que lhe restava agora? Uma mãe que não gostava dela. A vida poderia ser diferente para ela, Bella já tinha estudado as possibilidades.

Se tivesse nascido um menino, sua mãe gostaria dela. Se tivesse dito o que sentia para Edward antes, ele talvez tivesse ficado. Se tivesse ido com Carlisle e seu pai para as compras na cidade, ela não estaria preocupada nem sofrendo agora, estaria agora sentindo a passividade da morte.

Nesse momento a porta se abriu, e por ela entrou sua mãe. Por que o vestido dela era tão grande? Isabella pensou consigo mesma, Renée e suas amigas pareciam bolos gigantes, em sua opinião.

Sua mãe e seu vestido gigante sentaram na poltrona no canto do quarto e a encararam com desdém.

– Com camisola até agora Isabella? Já devia estar vestida, e na sala, como toda boa moça faria.- Renée advertiu.

– O que quer? – Isabella perguntou irritada.

– Conversar, não tenho nada para fazer. Espero que aquele filho dos caseiros chegue logo, odeio tomar conta desse tipo de coisa, contas, compras, delegar funções... isso me aborrece. – Renée se queixou.

– Então você chamou mesmo o Edward. – Bella murmurou, ela estava se sentindo absolutamente traída. Edward já havia terminado a faculdade, porém esqueceu de sua existência mesmo ela sendo hiper consciente da dele. Ele tinha prometido, ela lembrava muito bem daquele dia. Lembrava do abraço, do beijo, e lembrava que ele disse que a amava. Edward havia mentido para ela, por pena, ou por não querer magoar a filha do homem que conseguiu a bolsa de estudos para ele.

– Sim, já faz algumas semanas, pedi a um dos criados para a escrevê-la por mim

– Podia ter pedido a mim, sabe que sei ler e escrever muito bem desde pequena.

– Não seja idiota menina! Já é vergonha de mais para mim, saber que você escreve e lê melhor que seu futuro marido, e nem sabe costurar sem se furar toda. Nunca diga isso quando se casar ouviu? Para todos os efeitos você não sabe escrever e lê mal. – Renée a aconselhou, fazendo Bella bufar e revirar os olhos.

– Aham.- Só que eu não vou me casar, ela completou mentalmente.

– Eu recebi uma carta do senhor Black essa manhã. Apesar do fiasco de seu encontro com o filho dele, ele gostou de você. Francamente Isabella, você deixou chá quente cair nas calças do rapaz. – Renée falou indignada, e Bella se controlou para não rir. – Mas o rapaz é um tolo, ate parece com seu pai. Ele disse ao pai que você não é artificial como todas as garotas, é naturalmente encantadora, e inteligente. – Ela bufou. – Sinceramente se ele não fosse um duque eu arranjaria outro noivo para você.

– Eu não gostei do Jacob. – Ao menos não para ser meu noivo, fora isso ele era até uma boa companhia, Bella divagou.

– Não seja ingênua, gostar de alguém não garante um bom casamento. Eu gostava de Charlie quando me casei, e olhe só o que aconteceu...

– Se é pelo dinheiro, por que não me vende logo de uma vez? – Bella perguntou indignada.

– Nós temos o dinheiro o suficiente, mas o que diriam se uma filha minha se casasse com alguém da Ralé? Lembra-se dos vizinhos, Os Hale, daquela fazenda aqui perto? – Renée indagou e viu a filha assentir. – Depois que se mudaram para Londres, descobri que as filhas deles Alice e Rosalie, se casaram com uns empresários importantes de lá, de boa família. Se esforce para ter um futuro assim, ou então eu te mandarei para um internato na França.

– Quer mesmo que eu viva uma vida infeliz, apenas por que eu tenho que ser o que os outros querem que eu seja? – Ela perguntou.

– Sim. – Renée deu de ombros. – Você é uma menina, moças não tem direito de escolher o próprio futuro. – Renée se levantou, e sem dizer nada saiu.

– É o que veremos. – Isabella falou desafiadoramente olhando para a porta.

Notas finais
e ai gostou? deixe um comentário por favor *-*