Rosa de Vidro

5 Capítulo 5 - A verdade


Capítulo 4 – A verdade

Na varanda do 13º esquadrão Rukia observava a lua cheia, encostada à grade. Sentiu a reiatsu de Ukitake ficando mais forte.

— Boa noite – ele a cumprimentou com um sorriso.

Ela sorriu também e acenou com a cabeça. Ele se aproximou e parou ao lado dela.

— Partirão amanhã de manhã. Como se sente?

— Agitada...

— Não se preocupe à toa. Byakuya sabe se cuidar. Pense que isso será apenas um envio de reforços. Se ficar nervosa não vai conseguir trabalhar na missão.

— Eu sei...

Ukitake sabia no que ela estava pensando. Aquela Lua era tão parecida com a daquele dia... Ela ainda se sentia culpada pela morte de Kaien, Ichigo quase morrera várias vezes e ela também se culpava por isso e agora Byakuya. Achou que era a hora de revelar um pouco de suas conversas com o capitão. Talvez pudesse animá-la.

— Cerca de três anos depois que Byakuya adotou você...

Ela o olhou.

— Ele já tinha se apegado muito a você.

{Flash Back}

Os dois observavam Rukia conversar animadamente com Momo no jardim da mansão Kuchiki. As duas falavam de algumas situações engraçadas em que certos hollows tinham se metido em algumas lutas. Ukitake e Byakuya tomavam chá, dentro da mansão.

— Eu sei que não gosta que ninguém fale, mas... imagino como seria se Hisana estivesse ali com elas duas – Ukitake comentou sorrindo observando as duas garotas que davam gargalhadas no jardim.

O capitão do 6º esquadrão apenas continuou tomando chá.

— Por que não conta a verdade a ela?

— Só se passaram quatro anos desde que Hisana se foi e três anos desde que eu trouxe Rukia. Um dia ela vai saber, mas ainda é muito cedo.

— É que... ela já sofreu tanto em Rukongai. Ela parece feliz com você, mas me pergunto se não sente falta de mais companhia... Afinal, vocês não chegaram a ter filhos.

Pode perceber o olhar de Byakuya entristecer. Hisana queria ter filhos, mas o tempo não permitiu.

— Agora eu tenho. Foi essa a missão que Hisana me deu. Foi seu último pedido.

Ukitake preferiu parar por ali. Sorriu. Hisana não pudera ser mãe, mas fizera ao menos Byakuya se tornar pai, mesma Rukia sendo sua irmã e não filha. As duas garotas levantaram e correram para dentro da casa na direção deles. Rukia queria falar algo, mas ainda se sentia embaraçada diante da seriedade do irmão adotivo.

— Precisam de alguma coisa meninas? – Ukitake perguntou sorrindo, percebendo o embaraço dela.

— Nii-sama... capitão... eu gostaria que me permitissem me ausentar por alguns instantes para ir até o 5º esquadrão. Momo vai me ensinar alguns kidous e hadous.

— Claro, pode ir, Rukia-chan. Momo-chan é excelente com isso.

— Obrigada capitão – ela agradeceu sem jeito pelo elogio.

— Pode ir, Rukia. Você também tem dom para isso, mas tenha cautela.

— Sim, nii-sama. Obrigada – ela curvou-se e saiu com Momo.

{Fim do Flash Back}

— Eu... me lembro disso... – Ela viu as imagens de todo aquele dia passarem na sua cabeça.

— Sei que Byakuya parece muito frio, mas ele ama você, como uma filha. Tenho certeza de que ele, em algum lugar bem escondido do coração, está esperando você aparecer, apesar da maior parte ter medo de que você apareça e algo de ruim ocorra. Não se culpe pelo que aconteceu. Eu sei que você disse a Ichigo que não adiantaria se culpar pela morte de sua mãe, que ela morreu para protegê-lo e não por causa dele. O mesmo vale para você. Byakuya ainda está vivo e vocês vão trazê-lo de volta.

— Obrigada, capitão... – ela olhava para baixo de forma a evitar que ele visse as lágrimas que invadiam seus olhos.

— Eu vou dormir. Não demore aqui ou ficará cansada amanhã. Boa noite – ele a cumprimentou e saiu.

— Boa noite – disse antes dele sumir.

Olhou para a Lua. As lágrimas brotaram de seus olhos azuis. Então era aquilo que estavam conversando naquele dia. Como era confortante saber daquilo. Muitas outras lembranças passaram em sua mente e com aquela revelação ela finalmente pode entender um monte de coisas que até aquele momento para ela eram confusas ou incompreensíveis. Chorou bastante. Precisava se livrar de tudo aquilo que causava aquele aperto incômodo no peito. Sentiu alguém se aproximar, não fez objeções. Não se importava mais que ele visse suas lágrimas. Ficou apenas parada e sentiu quando ele a envolveu pelas costas e a abraçou apertado.

— Me conta o que aconteceu... – os olhos castanhos estavam repletos de preocupação.

De fato, não estava sozinha. Nunca estaria. E agora precisava varrer aquela preocupação dos olhos dele e contar que suas lágrimas não eram de tristeza, mas puro contentamento. Sorriu e apertou carinhosamente as mãos que a envolviam.