Rosa de Vidro

7 Capítulo 7 - A fuga de Ashido


Capítulo 7 – A fuga de Ashido

Rukia abriu os olhos ao ouvir certa movimentação no acampamento. Havia se deitado, tirando a cabeça de Ichigo do seu colo. Precisava dormir também. Ele estava deitado a alguns centímetros dela, ainda dormindo. Corou pela proximidade dele, mas logo sua tensão se voltou ao movimento e as vozes ali. Ainda sem levantar, ela moveu os olhos procurando identificar os donos das duas novas vozes que ouvia. A certa distância, perto de uma das fogueiras ela viu Ashido conversando com Renji. Ao lado deles, uma garota de aparência um pouco infantil que Rukia nunca vira antes. Bem mais baixa que Ashido, devia bater em seu ombro ou perto. Tinha estranhos e raros olhos cinza claro e cabelo castanho, repicado, na altura dos ombros, com a franja acima dos olhos e pele tão alva quanto a de Rukia. Ela e Ashido estavam descalços e com as bordas das roupas desgastadas, devido ao tempo sem assistência no Hueco Mundo.

Rukia não sabia por quantas horas dormira nem quando os dois haviam chegado ali. Se ergueu apoiando-se nos braços. Olhou para Ichigo e tocou seu peito a fim de analisar sua respiração e após ter certeza de que estava bem, levantou-se e se aproximou do trio que conversava. Notando a aproximação, Ashido virou-se para olhá-la e sorriu.

— Rukia...

— Ashido... – também sorriu – desculpe por não ter voltado. Nunca consegui uma oportunidade. Mas jurei que levaria você de volta e vou levar.

— Tudo bem... não estou nem um pouco zangado, eu conheço aquele velho e as regras daquele lugar. Mas sabia que mesmo que eu conseguisse sair da floresta antes você ia aparecer. Em nenhum momento eu duvidei do que você disse. Vejo que todos vocês mudaram. Estou orgulhoso de casa um. Ichigo está bem?

— S-sim. Está dormindo, acabei de verificar e continua respirando.

— Eu disse que idiotas como ele não morrem fácil – Renji falou.

— Rukia... essa é Natsu – Ashido falou se referindo à garota ao seu lado.

Elas se olharam e trocaram um sorriso. Natsu parecia ser bem tímida.

— Eu disse a você que todos os meus companheiros estavam mortos, mas alguns permaneceram na Soul Society naquele dia. Natsu veio atrás de nós depois de quatro meses que partimos. Ela ficou perdida aqui por todos esses anos. Dias depois da primeira vez que nos vimos e vocês partiram, eu consegui explodir a passagem e sair.

{Flash Back}

Acabara de detonar mais algumas centenas de menos grandes. Se dirigia em velocidade total àquela saída, rezava para conseguir passar, provavelmente teria que explodi-la. Mais menos corriam atrás dele.

— Assim não vai dar... como eles são chatos.

Chegou. O caminho continuava bloqueado. Virou-se para os perseguidores e com alguns movimentos da espada os destruiu, virou-se para a saída obstruída e avançou na direção dela, com a zampakutou erguida. A lâmina e em seguida ele próprio colidiram com as pedras e houve uma explosão. Ele caiu no chão. Estava livre. Logo tratou de levantar e obstruir a saída novamente, de forma ainda pior que a anterior, assim os hollows não passariam, ao menos não os mais burros. Se afastou e olhou para trás, arregalou os olhos. Milhares de hollows derrotados, já desaparecendo. Guardou a zampakutou e caminhou por entre eles.

— Não pode ser...

Correu em direção à shinigami desfalecida, que se mantinha segurando a zampakutou. Abaixou-se e a virou, deitando-a em seu colo. Ficou ainda mais chocado.

— Você continua viva... Quando chegou aqui? – Deslizou os dedos pelo rostinho infantil dela.

Estava descalça e as bordas de seu shuhakusho deterioradas como o dele. Sentiu-se vivo. Há quanto tempo não via nenhum de seus companheiros? Alguns deles não veria nunca mais. Mas ter a única sobrevivente, além dele, ali em seus braços o fez sentir-se como há centenas de anos não se sentia. Por alguns segundos, tudo parecia ter voltado ao normal, embora ele soubesse que nunca mais seria como antes. Abraçou forte a shinigami adormecida. Guardou a zampakutou dela na bainha e se levantou com ela nos braços, seguindo dali com o shumpo.

{Fim do Flash Back}

— Ela não veio pra cá com a gente naquele dia por que estava em uma missão no mundo humano. Quando voltou e soube do que aconteceu ficou desesperada e no primeiro descuido da Soul Society ela veio pra cá e ficou nos procurando por todo esse tempo. Quando a achei, estava desmaiada por puro cansaço depois de derrotar aquele monte de hollows sozinha, mesmo tendo ficado consideravelmente mais poderosa com os anos aqui. Alguns menos são fortes de mais. Nós encontramos com Nell, mas fomos separados pelo hollow de areia e decidimos procurar por ele pra achá-la novamente. Ele adora causar desordem onde há mais alguém além dele. Quanto ao seu irmão... nós vamos ajudar.

Algumas horas passaram e todos acordaram. Cumprimentaram Ashido e Natsu e seguiram viagem. Certo morango se mostrava irritado pelo fato de Rukia e Ashido se darem tão bem. Mas não podia fazer nada. Ambos haviam conhecido a solidão. De repente Ichigo e Rukia falavam sobre Tsukushima.

— Não sei como ele não alterou suas memórias também. Interagiam o dia inteiro.

— Aqueles seus dois irmãos não conseguiram apagar minha memória. Ele não conseguiu também. Deixei isso claro quando você apareceu.

Ele a viu virar o rosto e sorrir. Sorriu também, um daqueles sorrisos que reservava somente a ela. Um pouco atrás outro casal os observava.

— O Kurosaki-san parece tão feliz com a Kuchiki-san – Orihime sorria, observando-os.

— Mas Orihime... eu achei que você gostasse muito dele.

— Sim, eu o amo – tinha uma olhar incrivelmente doce – mas depois de tantos anos sendo tão egoísta notei que... se o amo e ele só será feliz longe de mim... eu devo deixá-lo ir. Eu não gostaria de ser prisioneira de alguém que me ama se eu também não amasse essa pessoa com a mesma intensidade. Eles precisam um do outro.

Uryuu ficou impressionado com as palavras dela, havia mudado... ficou feliz também. Tinha uma chance com ela.

— Às vezes também não percebemos quando alguém que nos ama tanto está muito próximo e talvez sejamos capazes de também amar essa pessoa.

Ela o olhou, surpresa. Aquilo seria uma indireta? Precisava de tempo para saber. Outros conversavam ao redor do casal.

— Não temos tido muito tempo pra nós Yoruichi-chan – Urahara falava escondendo a expressão frustrada com o leque.

— Isso teremos de sobra quando terminarmos o serviço aqui – ela sorriu, abraçando-o e deitando a cabeça em seu ombro.

A certa distância, atrás de todo mundo, Ashido estava sentado com um joelho flexionado e a outra perna esticada. Abraçava Natsu, que estava sentada, apoiada em seu tórax. Conversavam sobre o que haviam passado nos trezentos anos separados. À frente deles Kira e Hisagi discutiam sobre zampakutous e Hitsugaya era novamente importunado por Matsumoto e Momo, fazendo Nell dar altas risadas com a irritação dele e incomodando os sérios membros do esquadrão dois. Continuaram seguindo em direção à Las Noches. Não demorou para encontrarem mais hollows chatos, que com toda certeza haviam sido enviados de Las Noches. Tinham como única determinação atacar e matar Rukia a todo custo.

— Eu sabia. Já sabe que estamos aqui! – Dizia Hitsugaya no momento em que todos se posicionavam a frente da nobre para criar uma barreira de proteção.

Notas finais
Achei que era hora do Ashido fugir e ter alguém pra ele também.