Rosa de Vidro
22 Capítulo 22 - Sentimentos
Notas iniciais
Capítulo 22 – Sentimentos
Começava a tomar consciência do mundo à sua volta, abriu os olhos e focou o quarto, que estava um tanto escuro, como num dia nublado.
— Bom dia – uma voz doce lhe falou.
Olhou para cima e viu Ichigo sorrindo, a ternura transbordando de seus olhos castanhos. Ele já vestia o kimono preto. Sorriu também.
— Eu ainda não consegui me acostumar com essas suas tatuagens.
Ele riu.
— Nem eu... – ouve silêncio durante um minuto – São cinco da manhã, você esteve dormindo desde ontem. Como se sente?
— Bem melhor – falou levantando e sentando-se ao lado dele.
— Unohana nos liberou. Eu estava esperando você acordar...
Ela olhou para a cama à sua frente, seu kimono, meias, luvas e o emblema de tenente estavam lá. As sandálias estavam no chão. Desceu da cama.
— Vou te esperar lá fora.
O shinigami desceu da cama onde estivera sentado também e caminhou até ela. Abraçou-a forte, o que fez ambos fecharem os olhos e a shinigami estremecer e respirar profundamente. Assim ficaram por longos segundos. Após deslizar as mãos carinhosamente pelas costas dela enquanto a abraçava, a beijou demoradamente, sentindo-a estremecer novamente. Soltou-a, apanhou Zangetsu num canto da parede e saiu do quarto. A pequena fitou a porta durante algum tempo, com um sorriso sincero no rosto, depois se vestiu, apanhou Sode no Shirayuki e também saiu.
— Rukia...
— Nii-sama! – Surpreendeu-se ao encontrá-lo junto com Ichigo.
— Como você está?
— Eu estou em perfeitas condições. Espero que não esteja ferido.
O nobre notou que ela havia chorado, já esperava por aquilo, mas não notou pesar algum em sua voz, o que denunciava que ela falava a verdade.
— Eu estou bem. Vamos pra casa. Preciso conversar com vocês dois.
Não puderam deixar de se sentir um pouco apreensivos, mas após trocarem algumas palavras com Unohana e Isane e agradecerem, seguiram para a mansão.
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— Eu não sei o que você tem na cabeça.
— Mas capitão, ele fica preso o dia todo, e ninguém vai vê-lo. Ao menos o capitão comandante me autorizou visitá-lo.
— Bom, sim, mas você sabe que não poderá, por exemplo, se casar com ele, mesmo quando for libertado. Ele passou por cima de muita coisa pra vingar você. Provavelmente no dia em que ele sair ficará sob vigilância máxima até que seja tomada uma decisão entre deixá-lo voltar a suas atividades num posto inferior com poderes limitados ou selar os poderes dele, até mesmo mandá-lo pra fora de Sereitei ou exilá-lo.
— Eu sei... – a rua adquiriu uma expressão aflita – Mas não consigo ficar sem ele... Quando achei que estivesse morto, tive vontade de terminar o que ele havia começado quando me feriu pra enganar Aizen.
O pequeno capitão estava sentado em sua mesa tomando chá, era bem cedo da manhã, a ruiva estava à sua frente, com uma xícara de café. Observou-a por longos segundos. Podia sentir a dor emanar dela, podia compreendê-la, mas não sabia bem o que fazer ou dizer, era uma situação difícil e delicada.
— Matsumoto. Ainda falta muito tempo pra que ele seja solto. Até lá qualquer coisa pode acontecer, matá-lo o capitão já garantiu que não vai, então relaxe. Ele mantém aquela pose fria, mas tenho certeza que ele sabe o que vocês dois estão passando. Seja qual for a condição em que Ichimaru vá ficar quando for solto, eu tenho certeza que o capitão não vai impedir que vocês se vejam, contando que isso não interfira nas coisas aqui. Até mesmo porque o Ichimaru, mesmo sendo um traidor, se voltou contra Aizen na hora certa e fez sua parte pra ajudar a destruí-lo. E como eu já disse, falta muito tempo. Então, por enquanto, fique tranquila.
Os olhos azul claros da tenente se encheram de lágrimas, ela deu a volta na mesa e abraçou o baixinho com força pelo pescoço. Ele reclamou por quase derramar o chá, mas sorriu e afagou os cabelos ruivos da tenente como consolo.
— Obrigada capitão... – sussurrou com a voz embargada.
— Tudo bem... – ele olhou o relógio, seis da manhã.
A ruiva o soltou quando ouviram batidas na porta. Ela sorriu.
— Eu conheço essas batidas. Certos alguéns já tomaram uma iniciativa desde que voltamos. É sua vez. Boa sorte, capitão – pegou a xícara de café e saiu.
Ele ficou confuso por um tempo, mas deixando Matsumoto de lado, levantou-se e foi abrir a porta. Puxou-a para o lado e sorriu ao ver a pessoa.
— Você não precisa bater. É só avisar que vai entrar – tomou a mão dela e puxou-a para dentro, fechando a porta.
Abraçaram-se.
— Momo... – sussurrou após detectar a reiatsu de Matsumoto num cômodo consideravelmente longe dali.
— Hum...?
— Quer namorar comigo?
A shinigami arregalou os olhos e por algum tempo não conseguiu falar nada.
— Sim! – Respondeu com toda alegria e sorriu.
O jovem capitão repetiu o gesto dela e abraçaram-se mais forte.
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— Kurosaki Ichigo...
Ele e Byakuya estavam em uma sala distante da entrada da casa, onde Rukia estava com alguns dos empregados, tomando chá. Byakuya pedira que ela esperasse.
— Agora que não há mais revelações passadas pendentes entre vocês dois... Eu sei que em Hueco Mundo você iniciou um relacionamento com minha irmã.
O ruivo gelava mais a cada palavra proferida pelo nobre.
— Eu estou disposto a aceitar isso, mas saiba que se ela sofrer, não poderei garantir sua integridade física. E quero que respeite os limites. Você se casará com ela, eu espero, um dia.
O shinigami quase teve um ataque cardíaco ao ouvir aquelas palavras, não sabia se pela aceitação do nobre ou pela ameaça que acabara de sofrer, mas de certa forma estava feliz. Agora poderia estar ao lado de Rukia sem problemas.
— Dou minha palavra. E quero me casar com ela sim, no tempo certo.
— Eu passei por muitas dificuldades quando trouxe minha esposa. Eu penso que você é perfeitamente capaz de entender porque e espero que assim valorize a companhia da minha irmã e saiba respeitar e cuidar dela.
— Pode deixar.
— A atitude de partir imediatamente, apesar de autorizada, foi imprudente. Mas reconheço seu esforço em proteger minha irmã até mesmo no momento em que ambos estavam á beira da morte no quarto esquadrão, por isso acho que merecem apoio.
— Obrigado.
Minutos depois, o nobre falava com sua irmã. Ichigo estava no jardim da casa, onde os criados lhe ofereceram chá.
— Devo dizer que sua atitude, apesar de corajosa e autorizada pelo comandante, foi imprudente. A família poderia estar extinta.
A pequena não demonstrou tristeza, mas seu coração apertou no peito com aquela apreensão.
— Fiquei com medo... nii-sama.
Ele notou as lágrimas que ela insistia em prender.
— Apesar disso, estou muito orgulhoso de você. Você realmente evoluiu depois da batalha contra Aizen.
Os olhos da pequena se iluminaram.
— Tenho duas boas notícias. O esquadrão do capitão Mayuri constatou que esse era o último espécime que Aizen deixou à solta, não fique preocupada com isso. Agora está tudo em ordem e a segurança reforçada – ele fez uma pequena pausa, na qual a Kuchiki respirou fundo — Kurosaki Ichigo se esforçou em protegê-la, por isso acho que merecem apoio.
— Obrigada, nii-sama.
— Estou orgulhoso de você, Rukia – ele afagou seus cabelos negros antes de deixar o aposento e naquele momento ela soube que aquelas últimas cinco palavras dele valiam muito mais do que aquilo e novamente seus olhos encheram d’água, mas de alegria, e abriu um sincero sorriso.
Momentos depois estavam fora da mansão, no jardim do esquadrão de Rukia.
— ITSUGOOOOOOO!!!!!!!!!!!! – A hollow disparou, feliz, em sua direção e quase o sufocou num abraço.
Rukia riu. Os dois irmãos dela vinham logo atrás. Todos sentaram-se na grama.
— O que vocês vão fazer agora? – O ruivo perguntou à bonita hollow de longos cabelos verde bebê, que continuava abraçando-o pelo pescoço.
— Nós vamos voltar.
— Por que voltar tão rápido? Lá é escuro e deserto.
— Lá é o nosso lar e há outros de nós esperando. Hueco Mundo também precisa ser protegido e quando vocês precisarem, estaremos de volta pra unir forças.
— Outros? – Rukia questionou.
— O capitão Mayuri deixou uma tela de transmissão lá. Durante o tempo em que esteve observando, foram vistos os espadas conhecidos como Grimmjpw, Halibel e Noitorra – o grupo olhou para cima para identificar o dono da voz.
Ashido os fitava com os profundos olhos cinza. Natsu, ao seu lado, segurava sua mão. Ao ouvir a afirmação dele, os olhos de Nell brilharam como nunca antes algum deles vira. Ichigo não gostou da ideia de Grimmjou e Noitorra vivos, mas sabia que a felicidade dela se devia à vida de Noitorra.
— Nell... – começou.
— Não se preocupe com isso Itsugo. Aquele Grimmjow nem repara na nossa existência e quanto a ele... Por mais que tenha evoluído não é capaz de se equiparar a nenhum de nós três agora. E provavelmente, Halibel cuidará das coisas por lá a partir de hoje. A possibilidade de brigas ou guerras será muito baixa.
— Se acontecer alguma coisa, você sabe que pode vir pra cá.
— Eu virei – ela sorriu.
— O seu irmão nos admitiu – Natsu contava a Rukia.
Horas mais tarde se encontraram com os demais que haviam ido a Hueco Mundo. Todos se encontravam bem.
— Kuchiki-san, nós vamos voltar amanhã. Você vem? – A ruivinha perguntou.
— Vou sim! – Respondeu sorrindo o que deixou a amiga satisfeita – e quanto a vocês dois? – A pequena perguntou a Urahara e Yoruichi.
— Pensamos em ficar um tempo ajudando nas investigações a respeito de todo o caso Aizen já que conseguimos novas informações durante nosso “passeio” pra salvar o seu irmão, mas eles saberão se virar bem. Já fizemos suficiente – o vendedor respondeu.
— Yoruichi-sama!!! – Soifon apareceu de repente – Aceite isso como um agradecimento por nos ajudar na missão! São alguns doces preparados pela associação feminina de shinigamis.
— Obrigada Soifon – a morena agradeceu sorrindo.
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Partiriam em duas horas. Mas antes havia algo que a shinigami precisava fazer.
— Então é aqui? – Ichigo perguntou.
— Sim – ela se ajoelhou diante do túmulo, depositou algumas flores e permaneceu em silêncio e de olhos fechados por um bom tempo.
Minutos antes haviam feito o mesmo no túmulo de Hisana. Ichigo, Renji, Orihime, Uryuu, Chad e Ukitake acompanhavam a tenente. Aquele era o túmulo de Kaien Shiba.
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Mais tarde, estavam na casa de Ichigo. Rukia conversava animadamente com as gêmeas e as três morriam de rir juntas. Ishiin terminava de arrumar a bagunça do jantar, boa parte já fora feita pelos outros quatro. Ichigo observava a diversão das três garotas com um sorriso bobo. Cerca de uma hora depois, Ishiin e as gêmeas já dormiam. Ichigo estava sentado na cama fitando o céu, estava lindo aquela noite. Ouviu a porta ser aberta.
— Rukia?
— Vim dar boa noite.
Ela sentou-se ao lado dele e ficou a observar a imensidão azul-escura cheia de pontos brilhantes. Já haviam conversado tudo que podiam a respeito da estada em Hueco Mundo. Ele a abraçou.
— Fico feliz que esteja tudo bem agora – ele falou – da última vez que estivemos aqui você estava chorando. Podia dormir aqui de novo.
Ela riu.
— Idiota. Sabe que não podemos. Finalmente você ganhou a confiança do meu irmão até pra se casar comigo um dia. Eu não quero perder isso e acho que você também não.
Ela o apertou mais forte no abraço.
— Boa noite – sussurrou e beijou-o.
Ele correspondeu.
— Boa noite – falou baixinho quando se separaram e ela deixou o quarto após trocarem um sorriso.
Ele sentia que aquela não seria a última vez que os inimigos os incomodariam, mas por hora aproveitaria aquela paz. Sorriu satisfeito e jogou-se debaixo das cobertas, até que adormeceu.
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