Rosa de Vidro
2 Capítulo 2 - Um dia de paz
Capítulo 2 – Um dia de paz
Rukia estava sentada ao lado de Renji, ainda desacordado e já fora de perigo. Depois de contar a Yamamoto tudo que sabia, ela havia ido com Ichigo até o 4º esquadrão depois de acordarem. Unohana a examinara e ela estava realmente bem. Entregara-lhe o manto de Byakuya para que ela e Isane analisassem. Seu mordomo já estava acordado e bem e no momento era ouvido por Yamamoto e Ukitake. Ichigo estava fora do quarto, esperando Rukia.
— Kurosaki-san?
Ele se virou para olhar Isane.
— Rukia está bem, agora está no quarto do tenente Abarai. Ela nos entregou o manto de Byakuya e nós vamos analisá-lo. Pode ajudar.
— Ok.
— Sabe... nós achamos que ela ainda estaria transtornada quando chegasse aqui. Mas está até bem calma... Segundo Ukitake-san você fez mesmo um bom trabalho em acalmá-la e cuidar dela durante toda a madrugada. Ela deve confiar muito em você – a tenente sorriu.
Ichigo corou ouvindo aquilo, mas foi salvo de seu embaraço quando alguém chamou a tenente e esta desculpou-se, pedindo licença e dirigindo-se para outro local. Ele a observou se afastar enquanto seu coração batia aceleradamente. Depois de recuperar-se parcialmente daquilo, levantou e se dirigiu ao quarto onde o tenente repousava. Entrou e encontrou Rukia segurando a mão deste, olhando-o daquela maneira triste da noite passada. Sentiu-se enciumado e ficou com raiva daquilo, questionando-se em seguida porque. Preferiu não piorar as coisas naquele momento e tentou ignorar, sentando-se na outra cadeira, ao lado dela. Renji usava apenas o kimono branco, o cabelo longo estava solto.
— Quando ele vai acordar?
— Ele foi operado há algumas horas e não sabem ao certo quando ele vai acordar, mas será logo.
Foram interrompidos por Ukitake, que os chamou para o 13º esquadrão.
— O mordomo já foi ouvido e mandado de volta ao 4º esquadrão até que esteja plenamente recuperado. Segundo o mordomo estava tudo em ordem na madrugada. Ele levantou cedo para começar a organizar o café e alguém estava na sala de estar quando ele desceu as escadas. A porta estava aberta e as luzes ainda apagadas. Ele pediu que o homem se identificasse, mas ele não o fez. O mordomo insistiu, pois não conseguia identificá-lo no escuro. O homem se virou para ele e o atacou, derrubando-o da escada e também derrubando o corrimão. Ele caiu ferido e perdeu os sentidos minutos depois. A última coisa que ele viu foi quando o homem já chegava ao topo das escadas e Byakuya apareceu. Eles começaram a lutar. Em segundos Renji e os oficiais chegaram e ligaram as luzes. E o que aconteceu depois disso, só Renji poderá dizer, quando acordar.
Rukia sentiu o aperto no coração crescer. Nada fora esclarecido. Ninguém sabia o que acontecera com Byakuya.
— A capitã Unohana disse que ele não acordará até amanhã à tarde. E nada pode ser resolvido sem ele. Você e o mordomo já foram ouvidos e ambos não sabem muito mais do que isso. Sei que é inútil dizer pra você não se preocupar, mas Byakuya sabe se cuidar. Tenho certeza de que logo tudo isso estará esclarecido. Você está de folga hoje. Pode ir ao mundo real com o Ichigo-kun se você quiser. O mundo real é bem melhor do que aqui pra distrair a mente. Tente relaxar um pouco e esquecer tudo isso até amanhã.
— Mas... e minhas obrigações como tenente...
— Não se preocupe com isso. Não é porque alcançamos uma patente de maior responsabilidade que perdemos o coração. Vá tranquila, eu cuidarei de tudo.
— Obrigada, capitão.
— Sei que você cuidará bem dela – disse a Ichigo, que assentiu.
Foram para Karakura. Chegaram às cinco da tarde. Rukia já com seu novo gigai e Ichigo com seu corpo. Ele a levou para sentar à margem do lago e observar a paisagem em volta. Ao menos ele, julgava aquilo muito relaxante. Alguns minutos depois ele a levou para passear pelo centro da cidade, tomaram sorvete e Ichigo lhe deu um coelhinho de pelúcia. Sentiu-se satisfeito vendo-a sorrir, mas aquela dor ainda nublava seus olhos. Com o cair da noite foram para casa e entraram no quarto de Ichigo pela janela. Rukia insistiu que não era necessário, mas Ichigo a deixou dormir na sua cama e improvisou uma cama no chão para si mesmo. Estava deitado de costas para ela e de frente para o armário, observando o raio de luz da Lua que batia no armário. Eram 3 da manhã. De repente escutou um choro baixinho. Levantou-se e olhou para ela. Ele surpreendeu-se em notar uma mudança pela primeira vez. Vendo-a deitada ali, pareceu finalmente perceber o quanto ela havia crescido nos quase dois anos sem se verem. Levantou-se e sentou na beirada da cama, tocando o ombro dela. Ela tremeu de susto com o toque.
— Rukia... está tudo bem, sou eu. O que aconteceu?
— Eu vi tudo de novo... – ela sussurrou derramando mais lágrimas, silenciosas.
Um pesadelo. Ele suspirou. Deitou ao lado dela.
— Vou ficar aqui... não se preocupe, está tudo bem... – afagava os cabelos dela.
Ela sentiu-se embaraçada pela proximidade dele e sentiu o rosto esquentar, mas controlou-se. Ele estava apenas tentando acalmá-la e duvidava que fosse dormir de novo se não fosse aquele afago suave em sua cabeça. Minutos depois ela dormiu, a respiração calma novamente, não chorava mais. Ichigo aproximou-se um pouco mais e a abraçou por trás, sentindo a pelúcia do coelhinho, seguro nas mãos dela. Sentiu-a relaxar. Provavelmente estava num misto entre o sonho e a realidade. Ela estava de fato dormindo. Ele tinha certeza que teria levado uma surra se ela estivesse acordada. Provavelmente aquilo aconteceria pela manhã, mas ele não se importava. Depois de mais um longo tempo tentando pensar em respostas para tudo aquilo, também dormiu.
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