Rosa de Vidro

1 Capítulo 1 - Prólogo


WitchCity, 28 de Dezembro de 1995. Ás 22h37min.


A noite estava fria e a névoa cobria o ar juntamente com a chuva que não parava. WitchCity sempre passava as noites de Dezembro daquele mesmo modo, porém aquela noite tinha um ar triste, misterioso e mais sombrio que o normal.
Suzane abriu a porta do guarda-roupa onde havia diversos cobertores para bebê, ela pegou o que mais lhe parecia aconchegante e colocou em Lorena, a bebê de olhos castanhos mel que dormia no berço feito especialmente para ela.


— Suzane? — disse Roberto, o marido de Suzane. Ele se encostou à borda da porta do quartinho de bebê, e ao ouvir a voz do mesmo, Suzane se virou olhando o marido que sorria amavelmente. — O quê estás a fazer?
— Estou cobrindo Lorena. — disse Suzane se aproximando de Roberto.
— Já é o terceiro cobertor que coloca nela. Lorena ficará bem. Venha, vamos tomar algo quente, somos nós que precisamos nos esquentar. — disse Roberto enquanto caminhava para a cozinha, porém, algo atrapalhou seus passos e Suzane olhou á porta assustada.


Alguém batia com força repetitivas vezes e dava para ouvir a respiração ofegante da pessoa que não parava de bater.


— Suzane?!Por favor, abra a porta! Sou eu, Morgan! — Suzane e Roberto se olharam assustados e com medo Suzane foi abrir a porta.


Morgan Deville era uma das filhas da família Deville, uma das mais antigas famílias da cidade. Morgan era a mais velha.
A mulher estava ensopada pela chuva e carregava nos braços algo coberto por dois cobertores e ao seu lado estava uma mala pequena.

Suzane pegou a mala do chão e á pós para dentro, juntamente com a amiga.


— Morgan, o que aconteceu? Você está ensopada! Por que estava na chuva á está hora? — perguntou Suzane preocupada e guiou a amiga até a poltrona e foi para a cozinha esquentar o chá de amendoim.


Roberto veio até Morgan e colocou sobre a cabeça dela uma toalha, e sobre seus ombros um cobertor. "Obrigada", agradeceu Morgan que se encolheu para se esquentar e se aconchegou mais com o que carregará no colo. Suzane veio com uma grande xícara de chá para Morgan e a mesma pegou e tomou um gole. Roberto e Suzane se sentaram no sofá a frente da poltrona a qual Morgan se sentará e encararam Morgan.


— E então? Quando vai nos contar o quê aconteceu? — perguntou Suzane.

Morgan abaixou a cabeça e sua expressão de frio se transformou em medo, tristeza e preocupação. Ela tirou um dos cobertores da coisinha que carregará. Era um bebê.

Pele branca, bochechas rosadas, cabelos loiros meio acinzentados, boca pequena, olhos esverdeados e bochechinhas fofas e cheinhas.


— Não me diga quê... — Suzane se calou e colocou a mão sobre a boca. — Quando engravidou? — perguntou.


Ambas as amigas não se viam á quase dois anos desde que Morgan se casou através de um casamento arranjado por sua família.


— Quantos anos o bebê têm? — perguntou Roberto feliz.
— Fez um ano dia 31... — Morgan se negou a continuar falando o mês. E agora Suzane desmanchou seu sorriso e Roberto não ficou mais feliz.
— 31 de quê? — perguntou Suzane que franziu a sobrancelha preocupada.
— Ou-... — Morgan hesitou e olhou a menininha que sorria dormindo. Um bebê doce e alegre, mas com um destino cruel. — Outubro, Dia das Bruxas, Halloween.

— Compreendo. — disse Suzane que agora abaixou a cabeça e ficou pensativa. — o quê pretende fazer?


Crianças nascentes no dia 31 de Dezembro sempre foram crianças abençoados entre o mundo das bruxas. Bebês especiais, mas com destinos dolorosos para si mesmas. Morgan temia por sua filha. Além de nascer em uma data amaldiçoada, havia também nascido na familia errada. Deville, uma das familias mais poderosas de bruxos, mas também cegas por poder. Ambiguas, bruxos com poderes extraordinários e misteriosos.


— Quero lhe pedir um favor, Suzane. — disse Morgan com a voz quase falha. Aconchegou mais as cobertas no bebê e a beijou na testa, esticou os braços com o bebê em mãos e fez um olhar firme e sério. — Fique com ela, cuide dela, seja como uma mãe e um dia eu voltarei para buscá-la.
Morgan era uma das bruxas mais destemidas da região além de muitíssimo poderosa, mas ela não poderia salvar seu bebê naquele momento, ela não estava totalmente pronta, precisava de mais tempo. Estava fugindo de sua família á mais de quatro meses e há um mês seu marido e pai de sua filha havia morrido através de uma doença, ela estava sozinha com sua menina. Precisava de mais tempo para se aperfeiçoar e poder descobrir e confrontar á todos que queriam machucar sua filha, sua amada bebê.
— Morgan... — Suzane ficou em silêncio com os olhos demonstrando surpresa.
— Por favor, Suzane. Salve Serenity!