Rosa Negra
1 Rosa Negra - Capítulo 1
Nenhuma alma viva estava naquela rua estreita e mal iluminada de Londres aquela noite. Nenhuma, exceto por uma.
Como um fantasma, Becky corria na rua, arfando, com o sangue escorrendo no rosto e de outros cortes de seu corpo, mas talvez fosse a adrenalina, ou talvez puro medo, mas ela não sentia mais nada, a não ser a necessidade de fugir. Estava tudo silencioso, conseguia apenas ouvir sua respiração irregular e seus passos correndo, mas Becky sabia que ele estava bem perto dela. Arriscou olhar para trás, viu o vulto cada vez mais próximo. Soltou um grito. Virou na outra esquina, praticamente cega de terror.
Bateu em uma parede.
─ Não, não. ─ disse ela, desesperada. ─ Isso não pode estar acontecendo, não pode estar acontecendo. ─ gritou ela. Ele agora estava a poucos passos dela. Podia ver seus olhos, doentios e descontrolados. ─ NÃO!!! ─ foi tudo o que conseguiu gritar.
Robert andava de um lado para o outro na sala, inquieto. Checava o relógio a cada minuto, embora não se cansasse disso. Fazia um dia que não via Becky, e a noite passava rápido. Cerca de cinco da madrugada, bateram a sua porta. Ele ficou aliviado enquanto corria para abri-la, mas esse sentimento logo foi trocado por nervosismo.
─ Posso ajudar? ─ perguntou ele, ao ver dois bruxos, vestidos com longas capas, à sua porta.
─ O senhor é o sr. Plant? ─ perguntou um deles, o loiro, com uma cicatriz que atravessava o rosto, da testa, fazendo uma pausa no olho, intacto, e continuando na bochecha até o queixo.
─ Sim, sou. ─ falou, apertando as mãos estendidas dos dois bruxos.
─ Nós somos agentes do Setor de Interação Trouxa-Bruxa do Ministério da Magia. Trabalhamos para a Prefeitura de Londres. ─ disse o loiro novamente. ─ Sou o agente William Kent e esse é o agente Michael Formann.
─ O senhor se importa em nos acompanhar? ─ perguntou o outro de cabelo castanho. Robert apenas assentiu com a cabeça, pegou o casaco e saiu com eles, fechando a porta ao passar. Entrou no carro, e eles dirigiram. Robert ficou em silêncio, pensativo, mas sem saber o que pensar, até que o veículo parou.
─ Agora, sr. Plant, é preciso que o senhor entenda que vai entrar na Prefeitura de Londres, e é completamente proibido o uso de magia. Você receberá total assistência do Setor, mas o que passará não é fácil.
Robert apenas assentiu com a cabeça. Parecia que tinha um nó na garganta, que lhe impedia de dizer qualquer palavra. Os dois saíram do carro e Robert seguiu seu exemplo. Entraram na prefeitura, mas ao invés de pegar um elevador, desceram uma escada um tanto escondida. Foram parar numa sala, com as paredes claras, e com apenas uma mesa e duas cadeiras simples. Robert sentia muito frio, embora soubesse que estivesse quente. Ele olhou, um pouco desamparado, para os agentes Kent e Formann.
─ Já vão vir atender você. ─ disse o William. Os dois subiram a escada novamente. Robert se sentou em uma cadeira e apoiou os cotovelos na mesa. Achou que nunca tinha estado mais nervoso na vida, até porque já suspeitava sobre o que se tratava. Só por pensar naquilo seu estômago deu uma volta. Olhou para os lados, estudando a sala. Uma das luzes piscava constantemente, como se estivesse com mal contato, ou prestes a queimar. Robert ficou observando a luz piscando, tentando afastar todo tipo de pensamento de sua mente. Ouviu alguém – uma mulher, pois o barulho dos passos eram de sapatos salto alto – descendo as escadas, mas ele não sabia o que esperar.
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