Rosa Negra
1 Rosa Negra
A chuva fria de novembro caia devagar pela cidade naquele final de noite. As ruas já estavam praticamente vazias, quando uma moça, jovem, bonita para sua idade, deixava um prédio qualquer do centro. Seus olhos eram verdes claros praticamente brilhavam naquela noite acinzentada. Seus cabelos castanhos caiam por seus ombros a medida que molhavam.
As ruas estavam completamente desertas devido a chuva que apertava agora, um pouco assustada ela aperta o passo até chegar em ponto de ônibus. Ela procura então por seu celular, mas é surpreendida por um forte trovão, derrubando seu telefono no chão, que cai dentro de um bueiro.
Na rua, apenas os "Clacks" abafados de seu andar, ecoavam. Ela corria de maneira desajeitada por causa do salto molhado, o cabelo estava grudado no corpo, enquanto fugia das sombras da noite que a seguiam. Na fuga, tropeça em um buraco e vai de encontro ao chão molhado, seu salto quebra e ela fica estirada no chão, sua vontade era de chorar, mas a lágrimas pareciam se misturar na chuva.
Um outro estrondo forte seguido por um clarão que iluminou toda a cidade, revelando a sombra de um homem parado perto de um beco, pois a jovem a correr de novo. Só pensava em fugir daquele pesadelo, seu coração batia rápido como nunca, e agora lágrimas saiam de seus olhos.
Sua corrida a leva ao parque da cidade, que neste dia estava rodeado por uma densa nevoa branca por toda sua extensão, ela acaba se perdendo depois de passar pela cortina, mas estava ocupada demais fugindo para perceber isso. Somente quando deu de cara com um lago que ela percebeu que não fazia idéia de onde estava. E então o silencio pereceu, sendo quebrado somente pelos pingos surdos da chuva na água.
Um andar arrastado tomava conta do lugar, uma sombra alta surgia por trás da fumaça branca, chegando mais perto, era possível ver melhor o ser, usava um sobretudo pelo corpo, e segurava na mão direita uma grande faca. Em seu rosto, coberto pelo capuz e acobertado pela falta de luz, era possível apenas ver um sorriso diabólico no canto
de seu rosto. Um outro clarão, revelava dois pares de olhos azuis e uma barba mal feita. Ela também vira sangue escorrendo pela arma do homem.
Indefesa e impotente, a jovem tenta sem sucesso fugir rastejando, mas o homem a puxa pelos cabelos levantando-a de modo que seu tórax ficasse bem expostos. Ela podia sentir o aço frio passando por seus seios até chegar no pescoço. Aquilo parecia ser uma boa diversão para o homem que ria gargalhava por dentro. A jovem soluçava pelo medo, praticamente se engasgando com o choro, e novamente, um outro estrondo e a o clarão cortam os céus, e assim como vieram, se vão. Deixando apenas um corpo vazio e sem alma, e uma rosa negra.
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