Roommate for Unknown

22 #22 Você não precisa se rotular


Notas iniciais
Capítulo dedicado à Tamires, que prometeu que se eu agilizasse a postagem de Roommate for Unknown ela deixaria de ser uma leitora fantasminha! YEYY-Y

O sol havia se posto há algumas horas. Os adultos da casa estavam em seus respectivos quartos tratando de assuntos pessoais. Leonard finalmente havia terminado suas tarefas da escola e agora descia para o andar de baixo. Linda estava de costas para a escada, sentada entre as almofadas que Blaine havia no dia anterior espalhado pela sala. Seu gesso – agora assinado por Leo e uns amigos novos na escola – apoiado em um travesseiro fofo.

Leo se jogou ao lado da amiga, assustando a adolescente. Linda suspirou feliz, desligou a tela do seu celular e então encarou o amigo com uma face divertida.

– Você vai acabar me matando do coração assim.

– Você não precisa ficar no celular, eu estou aqui agora. – Leo sorriu.

Linda aumentou o sorriso. Aquilo parecia um sonho, se não fosse a parte da perna quebrada. Estava passando uns meses ao lado de Leo, e era a primeira vez que os amigos se viam desde sempre. Aquilo era indescritível para a garota. Estava ali, todos os dias ao lado do melhor amigo, ao lado do garoto que ficou sempre ao seu lado independente do motivo, ao lado do menino por quem Linda estava apaixonada há dois anos...

– Eu sei. – Sorriu encarando os olhos verdes do jovem. – Você não sabe o quanto eu fico feliz de estar aqui. Quem dera que fosse assim todos os dias!

– E pode ser. Você podia convencer sua mãe de se mudar pra cá... Vocês vão ter que passar uns meses aqui mesmo. – Leo falava como se a ideia de mudar de estado fosse a coisa mais fácil do mundo, e a garota sorriu abertamente sobre a ingenuidade do adolescente.

– Não é tão fácil assim, sabe? – Suspirou. – Minha mãe tem emprego lá, minha vida, meus parentes... E é Nova Iorque, sabe? A cidade dos sonhos, a cidade que não dorme.

– Eu daria tudo pra trocar de vida com você. – Leo disse sem pensar.

– É, até parece. – Bufou.

– O quê?

– Qual é, Leo. Você tem uma casa maravilhosa, tem tudo o que quer... Amigos no colégio, tem um quarto enorme, tem seus pais e... E-eu... – Hesitou. – Deixa pra lá.

– Pode falar. – Leo segurou a mão da amiga para encorajá-la.

– Seus pais. – Suspirou. – E-eu sinto falta. – Desviou o olhar.

– Sente falta do seu pai?

– Sim. Do meu pai. E eu tenho inveja de você. – Leo fez uma cara de dúvida e Linda assentiu. – Sim, tenho inveja. Você acha que sua vida às vezes é horrível, mas veja. Você tem dois pais que te amam e que se dão bem porque pensam primeiro em você, tem uma casa muito bem cuidada, amigos... E-eu não tenho nem metade disso. Se não fosse seu pai no domingo, sabe-se lá se eu não estaria no chão da quadra ainda. Ele me pegou no colo, me colocou no carro e me levou pro pronto-socorro... Sabe quando eu esperaria uma ação dessa do meu pai? Nunca... – A menina deixou seus olhos marejarem. – E minha mãe, coitada, faz de tudo pra eu ter sempre o que preciso, mas ela não pode exercer a figura paterna sozinha. E eu tinha muito medo de ter uma imagem deturbada dos homens por espelhar meu pai neles, mas felizmente isso nunca aconteceu, mas nunca se sabe...

Leo tinha um olhar caridoso nos olhos, como quem quisesse confortar Linda apenas por estar ali. A menina abria seu coração para o amigo, já que nunca havia tocado nesse assunto antes pela internet. Sentiu que era o momento de fazê-lo. Então continuou:

– Minha mãe é muito ocupada no trabalho pra ficar comigo em casa. Ela trabalha pra pagar o curso de ginástica, minhas aulas... Então quase não tem tempo pra mim, ou pra procurar alguém. Seria maravilhoso se ela encontrasse um homem bom que a fizesse bem. Ela é muito sozinha. Se minha mãe amasse um homem e desse todo seu amor à ele, do jeito que ela sente por seu pai Blaine... Estávamos feitas. – Forçou um sorriso.

– Linda, ela vai achar. Todo mundo acha alguém que é seu amor de verdade.

Leo olhava no fundo dos olhos negros de Linda, tentando confortá-la. Assim que viu uma lágrima cair, a limpou imediatamente. Queria ver a amiga feliz.

O cômodo estava com todas as luzes desligadas. A única iluminação provinha dos feixes de luz do poste da rua que entravam pelas frestas da cortina que caíam sobre o rosto dos adolescentes conversando. O segundo andar estava aceso, dando uma faixa de luz sobre a escada, porém longe dos jovens.

A adolescente tinha seus olhos vidrados nos de Leo. Ela estava perdidamente apaixonada por aquele garoto. Por sua compreensão, sua alegria, sua alma. Era maravilhosa a ligação dos dois, e ali estavam, em uma iluminação baixa de mãos dadas olhando a alma do outro pelas íris. Então Linda se inclinou, capturando os lábios de Leo nos seus. Não era seu primeiro beijo, mas por aquele instante, Linda gostaria que fosse.

Quando se afastou, viu Leo a olhar assustado, com os olhos arregalados. Poderia jurar que gotas de suor brotavam da testa do rapaz. O adolescente então desviou o olhar e se levantou rapidamente.

– E-eu tenho que... Ir. Tenho que fazer o dever. Da escola – Se atrapalhou com as palavras e correu para a escada, deixando Linda sozinha e perplexa na sala escura. O garoto correu como corria anos atrás para o colo do pai.

[...] MINUTOS ANTES

Kurt deixava a água quente correr por seu corpo. Não sabia porque estava tão cansado nos últimos dias, parecia que havia corrido duas maratonas.

Seu banheiro parecia uma sauna do bafo que o chuveiro expelia pelo local. O mais velho havia terminado o banho há alguns minutos, mas sempre ficara mais tempo debaixo d’agua, era costume desde adolescente. Enquanto a água caía sob seu corpo, o Hummel tinha alguns minutos de descanso.

Saiu do box do banheiro rapidamente por causa do frio e se vestiu com um roupão azul marinho que estava pendurado atrás da porta. Enquanto terminava de se vestir, seus olhos bateram em um ponto fixo. Kurt estava encarando o espelho embaçado pelo vapor.

“Kurt e Blaine haviam juntado todas as economias para comprar aquela casa. Foi por muita sorte que conseguiram uma casa tão grande por tão pouco dinheiro. Lima estava passando por uma crise e estavam leiloando casas que haviam sido hipotecadas pelo banco. E foi assim que conseguiram seu primeiro lugar para chamar de lar.

No começo os únicos móveis que os homens tinham eram um colchão que servia de cama e sofá e uma mesa que servia para todo o resto. Porém não precisavam de nada além disso, estavam mais felizes do que nunca com um lugar pra chamar de “seu”.

O primeiro dia na casa foi um dos melhores do qual o castanho havia passado em sua vida. Após um dia inteiro pintando paredes e tirando carpete antigo, os dois noivos estavam mortos de cansados. Decidiram por tomar uma ducha rápida e se deitar para no outro dia poder acompanhar a entrega dos móveis. Um banho, juntos.

Durante todo o banho, o que os garotos menos fizeram fora tomar banho. Passaram horas debaixo do chuveiro aproveitando aquele momento carnal um com o outro. Estavam mais apaixonados do que nunca. Saíram do box abraçados para evitar o choque de temperatura. Aquele lugar parecia uma sauna de tanto vapor. O espelho totalmente embaçado.

Blaine, em um ato involuntário, se aproximou do espelho e fez o que todo adolescente apaixonado faz. Aproveitando o embaço do vidro, escreveu B + K e circulou em um coração.”

Aquilo podia parecer algo bobo, sem graça. Mas era a primeira lembrança de Kurt quando se recordava de começar uma vida com Blaine. Suspirou e balançou a cabeça tentando se livrar dos flashbacks, mas tinha um sorriso bobo no rosto.

Passou diretamente pelo quarto e entrou em seu closet, enorme porém ainda com alguns espaços vazios de quando Douglas ainda morava ali. Escolhia um pijama quando ouviu seu celular tocar no outro cômodo.

Em cima da cama, o celular tocava com o contato de Blaine piscando na tela. Kurt suspirou fundo, tentando esconder um sorriso no rosto de si mesmo, e atendeu o celular no terceiro toque.

– Oi, Blaine. Chegou bem? – Kurt andou até a janela do quarto para ver o movimento da rua principal enquanto falava ao telefone com o ex-marido. – Como foram as coisas?

“Oi, K. Tudo bem. Me encontrei no aeroporto com o Jason Brunnet, produtor da peça. Tivemos alguns minutos de conversa e marcamos uma reunião pra amanhã a tarde, para acertamos cachê e tudo mais. Encontrei com Rach e passamos o resto da noite jantando e conversando sobre ‘como o que estamos fazendo é errado’ na opinião dela.” Blaine gargalhou na última parte.

– Que bom, Blaine. – Kurt foi sincero. – Joey me ligou algumas horas atrás, estava tentando te encontrar mas o telefone estava fora de área. Falei que deveria estar no avião ainda. Ele disse que você deixou meu número em caso de emergência.

“Sim. O vôo demorou um pouco para chegar, mas aconteceu tudo bem. Joey está fazendo um ótimo papel como empresário, sabe? Achei legal, ele assim me ajuda e eu o ajudo. Ele me ligou agora a pouco, falou que recebeu a proposta de eu compor algumas músicas, mas o artista queria segredo e não contou quem era.”

– Estranho. – Kurt deu de ombros. – Me ligou pra avisar que chegou bem, ou tem outro motivo?

Kurt foi até sua cama e se deitou, ignorando os cabelos molhados em sua fronha de seda. Se ajeitou rapidamente em seu colchão de molas e repousou o celular sobre o travesseiro, colocando no viva-voz em volume baixo.

“Sempre tem outro motivo, meu bem.” Kurt corou do outro lado da linha. Blaine continuou: “Eu queria ouvir sua voz. Nos falamos tão pouco hoje...” Pareceu sacana, lembrando do ocorrido no escritório hoje pela manhã.

– Parece que a semana está corrida para nós dois. Só consegui descansar agora, trabalhei o dia inteiro desenhando, apagando e amassando papéis. Estava no banho quando você ligou.

“Atrapalhei?”

– Não, não. Eu havia acabado de desligar o chuveiro. Estava procurando algum pijama pra colocar e deitar quando ouvi o toque e vim atender. Agora estou só deitado e descansando mesmo. – Sorriu sem dentes, como se Blaine pudesse o ver.

“Hm.”

– Hm?

“Eu queria poder dizer as coisas que estão passando pela minha cabeça agora... Um total desperdício você nessa cama, aparentemente sem pijamas, e sozinho...” Blaine soou cafajeste.

– Não estou sem roupas, Blaine. – Kurt sorriu. – Estou de roupão.

“Tira ele então.”

Kurt corou. Sabia exatamente o que Blaine estava querendo, e isso parecia tão excitante que o castanho não tinha ideia de como proceder. Estavam agindo oficialmente como adolescentes apaixonados (ou com tesão, se houver alguma diferença). Porém Blaine não contava com o tempo. Da última vez que Kurt e Blaine fizeram sexo por telefone, Kurt era um adolescente com vergonha e medo, não sabia o que falar e como agir.

Hoje em dia, Kurt era um homem formado. Alguns fios de cabelo branco indicavam a maturidade do estilista, que dessa vez não iria estragar aquele clima como fizera anos atrás.

– Tirei, mas está frio... Você sabe algo que pode me esquentar? – Perguntou com uma voz passiva. Pôde sentir seu rosto esquentar, e sabia que Blaine sorrira do outro lado da linha. Kurt aproveitou o silêncio para realmente tirar o roupão.

“Sei, mas infelizmente eu teria que estar aí.”

– O que você faria se estivesse? – Perguntou enquanto acariciava de leve seu membro.

“Ah, você iria adorar.” Ouviu Blaine suspirar do outro lado da linha. “Eu iria começar te beijando forte do jeito que sei você gosta. Estaríamos deitados, desesperados e já sem roupas... Você estaria gemendo baixinho para não acordar ninguém na casa, mas você sabe melhor do que ninguém de que eu não consigo me controlar...”

– Hmmm... Continue. – Kurt se masturbava lentamente conforme a história do ex-marido acontecia pela linha do telefone. Céus, como queria que fosse verdade aqueles boatos de que a Casa Branca mantinha registros telefônicos. Provavelmente pediria uma cópia dessa conversa mais tarde.

“Eu não consigo ficar longe desse teu corpo. Ia beijar cada espacinho e chupar todo canto, pra deixar bem claro que você é meu.” Deu ênfase na ultima palavra, fazendo Kurt se enrijecer mais. “Claro, eu ia repetir o que fiz hoje. Te chupar com toda a vontade do mundo, que eu sei que você nunca recebeu um boquete melhor que o meu...”

– Nunca... – Kurt tinha os olhos fechados e jogava a cabeça pra trás enquanto acariciava seu membro, aumentando a velocidade conforme Blaine continuava a história.

“Vejo que você está se divertindo aí...”

– Sim. – Falou como se fosse um suspiro.

“Não é justo. Estou na desvantagem.” Blaine se fingiu magoado.

– Então tire a roupa e me acompanhe, meu amor. – Soou safado e Blaine sentiu um arrepio em se membro no mesmo instante. O moreno demorou um pouco a voltar à linha, mas logo fez sinal para Kurt prosseguir. – Uma pena que estamos fazendo isso à distância... Faz tempo que quero um tempo a sós novamente com você, pra fazer umas loucuras... – Kurt não sabia de onde tirava aquelas palavras. Tinha medo de soar muito falso, como algum tipo de filme pornô de péssima qualidade, mas estava tentando.

“O que você faria comigo, Kurtie?”

– Ah, eu estava me lembrando hoje da nossa primeira semana aqui em casa, quando mal tínhamos móveis. Estava pensando em tirar o pessoal aqui de casa pra, quem sabe, a gente poder reencenar alguns momentos que tivemos aqui. – Kurt esperou Blaine gemer baixinho para continuar. Aparentemente Blaine também estava se masturbando conforme Kurt narrava. – Iríamos aproveitar cada canto dessa casa, começando pela cozinha... Você lembra, não lembra?

“U-hum.”

– Imagine novamente. Você cozinhando apenas de calça jeans e avental... Eu chegaria por trás e beijaria seu pescoço, naquele ponto que eu sei que te deixa louco... Largaria todas as coisas e te apoiaria sob o balcão, de costas pra mim. O Jeans pararia no chão rapidamente, assim com sua cueca. Você gosta de imaginar, Blaine? – Kurt também mantinha a carícia em seu membro conforme contava.

“Gosto, uhm.” Respirava forte.

– Então. Eu usaria uma das minhas mãos pra prender a sua, você sabe como eu amo fazer sexo sabendo que estou no controle de você... Então eu iria te provocar um pouco, colocando meu pau bem perto da sua bunda, roçar ele em você... – Kurt nunca havia falado coisas assim em voz alta, nem sabia se estava soando sexy ou não. – Você iria gostar, não ia?

“Ia, Kurtie. Adorar...”

– Mas eu continuaria ali... Até você pedir por meu pau. Você pediria, Blainey?

“Pediria, u-hum.”

– Então peça. – Kurt aumentou a velocidade na qual masturbava seu membro. Aquilo era mais excitante do que parecia, falar aquelas coisas em voz alta, assumir esse seu lado tarado. – Pede.

“Coloca, Kurtie.” A respiração de Blaine era pesada, provavelmente estava no mesmo estado que o ex-marido. Coração acelerado, suor no corpo inteiro enquanto acariciava o membro com força, sentindo um tesão maior ainda. “Mete.” Um frio correu pela espinha de Kurt.

– Eu iria meter em você, com força. Você iria gostar disso, Blaine-e?

“U-hum.”

– Que bom. Porque é isso que eu quero fazer quando você voltar dessa viagem. Vamos foder em cada canto dessa casa, eu quero recuperar todo o tempo perdido que fiquei longe desse seu corpo! – Dizia convicto, incorporara o personagem e estava adorando.

“Vamos, v-vamos sim.”

Kurt percebeu que estava perto de seu ápice, provavelmente Blaine também estaria. Então resolveu ter impacto nos próximos “atos”.

– Merda, Blaine-e. Você é tão gostoso. Tô morrendo de vontade de te chupar inteiro, engolir teu pau e só parar de chupar quando você estiver perto de gozar. Quero que goze em mim inteiro, tô morrendo de saudades de sentir teu corpo no meu, sentir você por trás de mim, me pegando e aaag-gg...

Então um silêncio se instalou nas duas linhas, apenas a respiração dos homens era sentida.

Alguns segundos de silêncio, então Blaine soltou uma risada nasal, satisfeito.

“Sabe, Kurt. Você nunca havia dito essas coisas antes... “

– Eu tenho muitas coisas novas qual você não sabe ainda... – Soou cafajeste, suspirando fundo após o orgasmo. Seu peito estava todo melado de seu líquido e provavelmente precisaria de outro banho.

“Estou disposto a descobrir.”

– Pai, você está aí? – Leo bateu na porta um pouco desesperado, assustando Kurt. – Posso entrar? Quero conversar sobre uma coisa...

– Droga. – Sussurrou. – Leo está querendo entrar aqui no quarto. – Disse com o telefone entre o ombro enquanto corria para o banheiro se limpar.

– Pai?

– Só um minuto, filho.

“Tudo bem, Kurtie. Te ligo mais tarde, pode ser? Quero continuar nossa conversa...”

– Claro, Blaine. Agora tenho que ir.

“Caso eu caia no sono antes de te ligar, boa noite. T-“ Kurt havia desligado sem querer a ligação. Encarou o celular por alguns minutos querendo saber se Blaine falaria um breve tchau, ou se repetiria a frase de hoje de manhã e soltaria um “te amo”.

– Pai!

Foi desperto dos pensamentos por Leo batendo na porta novamente. Secou o líquido com uma toalha perdida no banheiro, ajeitou seu roupão e caminhou até a porta para atender o filho. Tentava, mas um sorriso ainda estava fixo em seu rosto.

[...]

– E então ela me beijou... – Leo tinha as bochechas vermelhas de vergonha em contar isso para o pai, mas precisava de ajuda e não sabia o que fazer, ou com quem conversar. Ambos estavam sentados na cama de frente um para o outro.

– E você gostou? – Kurt foi passivo.

– E-eu não sei.

– Leo, posso te perguntar uma coisa? Se achar que isso invade sua privacidade, você não precisa responder, tudo bem? – O filho assentiu com a cabeça. – Você já havia beijado alguém antes?

– Não. – Respondeu sincero.

Kurt entendia totalmente a situação do filho. Leo viera pedir ajuda para Kurt porque não sabia o que fazer, sua mente era confusa demais para distinguir as coisas. O estilista por alguns instantes viu em Leo o pequeno Kurt Hummel, com 15 anos, quando Mercedes o falara que estavam namorando. Encarou Leo por alguns segundos, e então soltou cuidadosamente:

– Você acha que talvez possa estar confuso por ela ser uma garota?

– Como assim?

– Você acha que possa ser gay, Leo? – Perguntou o pai cauteloso.

– E-eu. Eu não sei, pai. – Afundou o rosto nas mãos. – Eu acho Linda uma garota linda, e eu cogitei algumas vezes, antes de ela vir pra Lima, que poderíamos ficar, mas assim que ela chegou eu não senti vontade. Eu sinto que estou passando uns dias com uma irmã, e só. E-eu... Eu tenho medo, pai.

– Medo do quê, criança? – Kurt sentou-se mais perto de Leo e o puxou para um abraço. Aquela conversa provavelmente seria melhor se Blaine estivesse ali. Blaine saberia o que dizer nesse momento, afinal, foi Blaine quem foi o tutor de Kurt quando o garoto estava confuso.

– Todos me diziam que por ser filho de gays, eu seria gay. – Leo suspirava. – Mas eu não achava que isso iria acontecer, eu nunca havia pensado nisso, pra falar a verdade. Achei que iria me apaixonar quando desse a hora certa... Mas agora, estou confuso.

– E Calvin? – O garoto levantou o olhar quando ouviu o nome do amigo sair da boca do pai. – Ele é um amigo pra você? Porque seu pai me contou que nos dias que você passou no apartamento, vocês passaram bastante tempo juntos.

– E-eu, eu não sei. Ele é meu amigo, víamos filme... E-eu não sei. – Seus olhos começaram a marejar. – Eu não quero ter que escolher, pai. Eu quero que um dia eu apenas me dê conta do que eu sou, do que eu gosto... Eu... Não sei.

– Tudo bem, meu amor. – Beijou o topo da testa do adolescente.

– Eu não preciso ter que escolher nada agora, não ë?

– Claro que não, querido. Claro que não...

E pai e filho assim ficaram em um abraço sincero. Kurt afagava os cabelos cacheados de Leo enquanto tentava bolar uma maneira de ajudar o filho. Encarou os cachos que deslizavam por seus dedos e lembrou de Blaine, de como havia sido especial a presença de Blaine durante sua adolescência, para o ajudar nesse assunto.

Leonard particularmente era muito sozinho. Não lembrava muito bem do filho ter outros amigos além de Linda e outros amigos no computador, e Calvin apareceu assim que toda Blaine voltou para a vida do filho, fazia apenas alguns meses.

Kurt se separou do abraço e entrou um Leonard dormente em seu colo. Sorrindo, ajeitou o filho em sua cama e o abraço. — Tudo vai ficar bem. – Dizia enquanto beijava a testa do garoto em seus braços. Queria de coração e alma que Leonard encontrasse alguém que o fizesse bem igual Blaine fazia ao castanho.

Quem sabe essa pessoa já estivesse presente na vida de Leo. Quem sabe.

Notas finais
Eu queria MUITO agradecer por todos os comentários no último capítulo, eu adorei a opinião de todo mundo e ver que todo mundo participa e está ativo na fanfic. Sobre Leo, bom, ele ainda não sabe o que ele é... Mas quem nunca passou por momentos assim até realmente descobrir, não é? E agora, escritores que me leem aqui. Tá posto o desafio de fazer um lemon por telefone. Sem-or, dificuldade mil. Você não pode ser muito explícita porque seu personagem não é do funk, mas não pode ser muito técnica porque teu personagem não é um maldito escritor de romance gay... É foda!!!!! Acho que não ficou tão bom quanto eu esperei que ficasse, mas bom. Desculpa quem não gosta de capítulos grandes, mas a partir de agora a fanfic vai seguir essa mesma quantidade de palavras. Particularmente não gosto de fanfics com mais de 30 capítulos, e essa tá beirando os 23 e eu ainda tenho MUITA coisa pra escrever, então vou ter que acelerar mais nos prazos. Capítulo que vem, Blaine vai tentar ajudar o Leo, já que ele tem mais experiência em ser tutor. Acho que é isso. Seu comentário é bem vindo, seu favorito e sua recomendação também. A porta da fanfic tá aberta, haha. Obrigada por ter lido até aqui! ♥ Tamires, comenta!