Roommate for Unknown
21 #21 Inédito
Notas iniciais
– Blaine Devon Anderson... - Kurt suspirou ainda encarando o teto. — ...Como você ainda tem esse efeito sobre mim depois de tantos anos? - Disse com um sorriso enorme no rosto, enquanto borboletas voavam em seu estômago. [...]
O dia amanheceu lentamente em Lima e Leo acordou bem antes do seu despertador tocar. Teve um banho quente e muito demorado, seguido de uma troca de roupas preguiçosa. Desceu pelas escadas se arrastando, seria a primeira vez que não passaria o dia inteiro com Linda desde que a menina chegara na cidade.
– Parece que você está indo pra guilhotina. – Linda fez piada ao ver o amigo tão desanimado aparecer na cozinha para tomar seu café da manhã.
A menina estava com uma perna engessada e se movimentava dentro da casa com uma cadeira de rodas que Blaine havia alugado no hospital. Kurt estava cozinhando o resto das panquecas de café da manhã e Nancy ainda estava no quarto. Leo deu um beijo estalado na bochecha da amiga e outro no pai antes de se sentar.
– Você não conhece o McKinley. Parece realmente que estou indo cumprir minha sentença de morte. – Suspirou enquanto colocava café em sua xícara.
– Lá não é tão ruim assim, Leonard. – Kurt gargalhou baixo, ainda prestando atenção nas viradas que fazia com as panquecas. – No meu tempo costumava ser pior, mas soube que agora com Sue na direção as coisas melhoraram muito. Você só não se enturmou ainda, não procurou por nenhum clube ou coisa do tipo.
– É, tanto faz. – Resmungou, mas o pai insistiu.
– Calvin faz parte do clube de jardinagem, você deveria conversar com ele sobre isso. – Linda revirou os olhos ao ouvir o nome do garoto. – Também há sempre o clube glee...
– Leo cantar? – Linda achou graça. – Desculpe, Sr. Hummel, mas apesar de Blaine ser um ótimo cantor, Leo não puxou nadinha do pai. Parece mais uma gralha... – Gargalhava.
– Meu pai Kurt também canta. – Leo sorriu e Kurt assentiu.
– Mesmo? Achei que o senhor só desenhava.
Kurt se importou com o jeito que Linda soltou a palavra “só”, como se menosprezasse seu trabalho, mas no fim acabou por dar de ombros e terminar de fritar as panquecas. Suspirou de se lembrar que depois teria que limpar tudo novamente.
– Linda, onde está sua mãe? – Perguntou como quem não queria nada, mas no fundo estava um pouco irritado pela mulher não aparecer e nem oferecer ajuda para o preparo do café da manhã.
– Ainda está na cama. Ela e Blaine vão almoçar juntos, então ela acha que se dormir alguns minutos mais talvez sua pele fique mais bonita e relaxada. – Sorriu. – Minha mãe é louca por ele. O senhor tinha que ver durante o campeonato, enquanto Leo e Blaine não haviam chegado ainda. Minha mãe me encheu a paciência ansiosa pra conhecer o famoso “Blaine Anderson”. – Riu fazendo aspas no ar.
– Hm. — Kurt foi incisivo, não deixando transparecer.
O resto do café foi tranquilo, Leo e Linda conversando sobre qualquer assunto aleatório que Kurt não fez questão de prestar atenção. O mais velho não conseguia distinguir se sentia ciúmes de Blaine, ou apenas irritação com a mulher que estava morando de favor em baixo de seu teto. Suspirou e apenas assentia enquanto os adolescentes conversavam.
– Linda, você poderia acordar sua mãe? – Interrompeu a conversa dos jovens. – Daqui a pouco vou levar Leonard pra escola e seria uma boa hora pra vocês a matricularem, já que vão ficar em Lima por algum tempo. – Tentou não cuspir as últimas palavras.
– Tudo bem, Sr. Hummel. – E foi arrastando sua cadeira-de-rodas pela casa até o quarto improvisado no primeiro andar.
O castanho estava sentado no carro esperando Nancy voltar da secretaria do McKinley quando seu celular começou a vibrar. Em um sorriso em vão achando que era Blaine, Kurt atendeu a ligação da judia sem muita alegria.
– Oi Rach.
“Oi Kurt, como estão as coisas?”
– Bem, na verdade, estou um pouco irritado porque hoje de manhã eu a- — Rachel interrompeu o rapaz.
“Kurt, me desculpa mesmo, por mais que eu fosse adorar ouvir você resmungando sobre a mulher que está morando na sua casa e dando em cima do seu namorado ex-marido, eu na verdade liguei pra pedir um favorzão. Eu precisava que você me passasse o número de Blaine.” Kurt ignorou a mulher ter ligado apenas por isso.
– Claro, mas por qual motivo?
“Sabe a peça que eu havia lhe falado? Aquela off-broadway que estavam planejando fazer...” Kurt assentiu com um som e Rachel continuou. “O produtor fez uma reunião hoje pra acertar os últimos detalhes e revelou que estava pensando em chamar Peter Stuart para compor as músicas, mas você sabe que eu odeio aquele cara desde O Fantasma da Opera remake, então sugeri que Blaine escrevesse as músicas e todos gostaram da ideia.”
– Claro, Rach. Seria ótimo. – Se animou com a oportunidade do ex-marido. Saindo do McKinley, Kurt viu Nancy voltando com um sorriso no rosto e alguns papéis em mãos. – Posso lhe passar por mensagem assim que chegar em casa? Estou dirigindo.
“Claro, assim que puder. Obrigada.” Nancy entrou no carro.
– Beijo, também te amo. Tchau.
Kurt finalizou a ligação e colocou o celular no painel do carro, dando a partida do mesmo. Nancy arriscou:
– Era Blaine?
– Não, uma amiga. – Respondeu sem tirar os olhos da estrada.
– Perguntei porque aquele dia sinto que interrompi vocês. – Se sentia culpada ou era apenas educação? – Lembra? Domingo à noite... De qualquer jeito, eu não queria atrapalhar aquele beijo. Ainda me lembro dos boatos que aconteceram na época da separação. Não quero atrapalhar a volta de vocês e- — Kurt a interrompeu.
– Não era um beijo, você não atrapalhou nada. – Engoliu seco. – Blaine e eu somos amigos apesar das coisas que aconteceram. Não quero que pense outra coisa além, e muito menos fale com Linda e Leo sobre isso. – Respondeu rápido e ríspido. Não gostava daquela mulher, nem um pouco.
– Então vocês não vão voltar? – Tentou disfarçar um sorriso.
– Não gosto de conversar sobre minha vida pessoal com outras pessoas além das que eu escolhi para meu círculo de amigos, Nancy. Desculpe-me.
– Tudo bem. – A mulher se calou. O resto da viagem foi silencioso e constrangedor.
– Isso é maravilhoso. – Leo empurrava Linda pelos corredores da escola com certa dificuldade já que havia muitas pessoas por ali. – Agora sim a escola vai ficar boa. Você começa quando?
– Amanhã, mas a diretora Sue disse que eu podia acompanhar você em suas aulas hoje pra ir me acostumando. Ela também disse algo sobre “me preparar para os jogadores”, mas não entendi muito bem.
– Vai ver é uma gíria ou- — Leo parou devido ao impacto de algo gelado descendo do seu rosto e se perdendo por dentro da blusa.
Um menino com a jaqueta do time de futebol americano seguido de seus demais “comparsas” haviam acabado de passar por Leo e Linda, e não podiam deixar a oportunidade de infernizar a vida deles, então jogaram então as raspadinhas que tinham em mãos nos rostos dos adolescentes.
– Um menino vindo da proveta, e uma aleijadinha. Esse ano vai ser maravilhoso. – Resmungou um deles enquanto gargalhava e seguia pelos corredores. Os outros gritavam algo de “a hierarquia está de volta”. Linda não sabia o que falar ou fazer, apenas tinha a boca aberta em reflexo ao gelo em seu rosto.
– Mas que merda... – Leo iria reclamar alguma coisa, mas foi interrompido por Calvin, que vinha correndo ao encontro do amigo com uma toalha em mãos.
– Minha mãe falou que talvez isso voltasse a acontecer. – Entregou a toalha para Leo. – É uma tradição idiota dos jogadores, de se acharem superiores e humilhar os que não são “legais” pra eles. Eu sinto muito.
– Tudo bem. – Leo limpava o rosto com certa irritação. Aquilo provavelmente não ficaria por nada. Se vingaria dos jogadores, não de um jeito bruto, mas de um jeito Leonard.
– Eu sou Calvin. – O adolescente estendeu a mão para a menina em cadeira de rodas, que apenas assentiu e sussurrou seu nome de volta. Naquele instante, Calvin não conseguiu decifrar se a menina estava desconfortável com a raspadinha que havia sido jogado nela, ou em o conhecer, porém deu de ombros. – Estarei em Literatura. – E saiu.
– Aqui é sempre assim? – Linda saiu do transe. – Um porre?
– Bem vindo à Lima!
[...]
Kurt estava perdido no mundo dos vestidos quando ouviu na frente de sua casa um barulho de motor familiar que nas últimas semanas havia se acostumado a ouvir novamente. Um sorriso breve brotou em seus lábios e o estilista foi até a porta atender o namorado antes que ele tocasse a campainha. Blaine ficou um tanto surpreso quando viu a porta se abrir assim que chegou à entrada.
– Bom dia. – Disse Kurt tentando disfarçar a felicidade em começar o dia ao ver Blaine.
– Bom dia, Kurtie. – Sorriu com seu lindo sorriso. — Posso entrar?
– C-claro. – Deu passagem. – O que faz aqui?
– Vim pegar Nancy para almoçar. – O sorriso de Kurt havia ido embora. – Prometi a ela que almoçaríamos e depois a mostraria meu estúdio e algumas músicas.
– Ah, claro. – Deu as costas e seguiu até seu escritório. Não percebeu o ex-marido o seguir, apenas quando ouviu a porta se fechar atrás de si. – Blaine?
– Eu poderia jurar que você está um pouco decepcionado por eu não ter aparecido aqui por sua causa. – Brincou, vendo certo desconforto brotar no rosto do estilista.
– Talvez.
– Hm. – Blaine rodeou o escritório, tentando ignorar um Kurt ciumento no meio da sala. – Sabe... Eu não estava acostumado com você tão ciumento assim... Me faz até pensar no quanto você está desesperado pra passar mais tempo comigo... – Blaine provocava, tentando esconder um sorriso em seu rosto. Estava adorando aquela situação.
– Não estou com ciúmes. Eu nem poderia almoçar com você hoje, aliás. Estou cheio de trabalho pra fazer. Muitas roupas, muitos modelos... – Kurt mentiu.
– Ah, claro. – Blaine passou as mãos pelos desenhos em cima da mesa do castanho. Então voltou a caminhar até Kurt, passando os limites de uma distância sadia. – Creio que a vida nesse escritório seja chata, não é? – Provocava.
– U-um pouco. – Kurt olhava nos lábios do namorado, que estava a centímetros de distância.
– Você está tão tenso... – Blaine conduzia Kurt até finalmente o castanho bater com as costas contra a madeira crua da porta. – Parece que está sobrecarregado com o trabalho... – Blaine agora tinha as mãos na cintura do castanho e aproximava os corpos ainda mais, se perdendo na curva do pescoço do ex-marido.
– B-blaine, o que você está... – Kurt desistiu de tentar formular uma frase quando sentiu os beijos molhados do compositor no seu pescoço. – Seja lá o que estiver fazendo, continue. – Disse cerrando os olhos.
– Estou tentando te relaxar... – Sorriu. – Aparentemente você não tem tido muita diversão nesse escritório. – Colou os corpos, com força. Beijava o pescoço de Kurt com vontade, pensando em deixar um chupão por ali.
A tensão sexual ali era enorme. O lugar estava abafado, ou melhor, Kurt e Blaine estavam deixando o lugar abafado com o calor dos corpos.
Kurt pensou em alguns instantes em parar Blaine porque guardava ali rabiscos importantes pra sua profissão, mas deu de ombros. Afinal, eram só desenhos, podia refazê-los depois. Acordou da epifania ao ouvir um barulho ao lado de fora da porta.
– Blaine, acho que- — Foi interrompido.
– Você não acha nada. – Blaine moveu suas mãos até a calça do ex-marido, desabotoando os botões e revelando uma boxer vermelha com uma ereção pulsando dentro dela. Seus olhos se encheram de luxúria, e um sorriso sacana tomou conta de seus lábios.
– Blaine.
– Shhhh. Ralaxa, Kurtie.
O mais novo desceu rapidamente para admirar a visão do membro de Kurt, mas não podia fazer isso se ele continuasse coberto, então tirou sua boxer fazendo o membro saltar pedindo por espaço, já que a ereção quase rasgava o tecido.
Kurt o encarava curioso. Blaine finalmente se pôs de joelhos e começou a distribuir uns beijos pela cabeça do membro, sentindo a respiração do outro se alterar. Era isso que ele queria, Kurt perdendo a compostura. Sorriu sacana e continuou a distribuir beijos por aquela região.
– B-blaine, tem gente em casa.
– Então fique quieto. – Falou um tanto imperativo, e Kurt adorou ver aquele Blaine.
Decidiu-se então não prolongar aquilo e engoliu o membro do estilista, sugando cada pedaço pra si. Kurt apenas jogou sua cabeça para trás e aproveitou a sensação do oral do namorado. Não iria reclamar, não era o pior jeito de iniciar seu dia, certo? Certo. Então ao invés de retrucar, apenas aproveitou.
Blaine sugava com vontade, chupando toda a extensão do maior. O tempo todo mantinha o olhar em Kurt, que mordia os lábios tentando evitar fazer algum barulho. Mas era exatamente isso que Blaine queria. Blaine queria ver Kurt gemer, ver Kurt perder a compostura. Resolveu então aumentar a velocidade na qual chupava o castanho. Agora com mais vontade, masturbava o marido no mesmo ritmo que sugava a cabeça do pênis de Kurt.
– Hgnnm. – Kurt deixou escapar na tentativa falha de abafar um gemido.
– Kurt, Blaine, vocês estão aí dentro? – A voz de Nancy veio de fora do escritório. Kurt demorou algum tempo para perceber que Blaine não pararia o que estava fazendo para dar tempo ao estilista responder a pergunta. Então respirou fundo, tentando ignorar o fato de estar sendo chupado, e respondeu tentando parecer normal.
– Si-im. Estamos, hm, acer-tando o cheque. Da. Pensão. – Disse a ultima parte pausada ao sentir Blaine passar a atenção do boquete para as bolas, mas logo Blaine se cansou e voltou a chupar com vontade o membro de Kurt.
– Tudo bem. Diga à Blaine que estou o esperando para almoçar. – Gritou a mulher.
– Direii... – Kurt suspirou.
Involuntariamente, repousou suas mãos nos cachos do ex-marido e acompanhou o ritmo do menor, forçando às vezes para que Blaine continuasse o que estava fazendo. Não demorou muito pra sentir uma vontade enorme de gozar, então apenas se deixou levar.
Blaine sorriu ao sentir o líquido preencher sua boca e ver Kurt puxar seu cabelo com força, descompassado. Limpou uma gota que escapava pelo canto de seus lábios e sorrindo voltou a ficar de pé, encarando Kurt com as bochechas vermelhas e olhos fechados, ainda apoiado na porta.
– Fiz bem? – Como se precisasse perguntar, Blaine tinha um sorriso enorme nos lábios. Aquela imagem de Kurt, sem conseguir raciocinar, era tudo que o moreno precisava para continuar o dia magnificamente bem.
– Você não presta.- Kurt finalmente suspirou.
– Eu também te amo. – Gargalhou enquanto tentava colocar a boxer novamente em Kurt e fechar suas calças.
O moreno não percebeu Kurt passar do estado de êxtase para assustado em alguns segundos. O ex-marido havia acabado de falar que o amava, certo? Em tom de brincadeira, mas ainda sim valia. Não é como se o moreno não houvesse deixado claro antes, mas dessa vez havia dito com todas as palavras... E nem pareceu perceber.
– O que foi? – Perguntou Blaine ao ver Kurt um pouco assustado.
– N-nada.
– Eu tenho que ir. – Fez sinal como quem lembrasse Kurt de Nancy. – Mas não se preocupe, vou dar um jeito de tirar Leo, Nancy e Linda de casa. Ficaremos a sós. – Kurt assentiu, ainda tentando controlar a respiração depois o oral.
– Você janta com a gente? – Perguntou esperançoso.
– Não posso, vou voar para Nova Iorque para resolver uns assuntos. Parece que Rachel quer que eu escreva umas músicas pra sua peça, então vou ter uma reunião com os produtores e músicos. Mas volto quinta-feira, provavelmente.
– Dois dias sem você, huh? – Kurt torceu os lábios, Blaine particularmente achou aquilo maravilhoso. Haviam passado onze anos separados, e agora Kurt não conseguia passar dois dias longe do moreno?
– Não se preocupe. – Blaine deu um selinho em Kurt. – Sexta-feira volto e te faço mais uma surpresa como essa. — Piscou e sorriu cafajeste. Sem se despedir, abriu a porta atrás de Kurt e saiu do cômodo, deixando o ex-marido sem palavras.
Logo em seguida, Kurt ouviu o mesmo som de motor que havia lhe trazido alegria minutos atrás ir embora, e o silêncio se instalou na casa. Tentou assimilar os fatos, juntar o que havia acabado de acontecer ali. Tensão, oral, paixão, eu te amo, dois dias longe de Blaine, tchau.
Suspirou, balançou a cabeça e voltou seus pensamentos à voz de Linda e Leo entrando pela porta da frente.
– Pai, está em casa? – Gritou o adolescente.
– A-aqui.
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