Roommate for Unknown

20 #20 Aquele frio na barriga agora ganhava um motivo


– Eu não sei, Rach. Você sabe que eu não consigo dizer não, ele simplesmente as convidou a ficar aqui, tínhamos um quarto sobrando, tudo se encaixou. ­- Kurt se revirava na cama com o celular na orelha, observava o teto como se ele fosse a coisa mais importante de sua vida. -­ Está tudo acontecendo muito rápido... Essas pessoas, esses sentimentos...

"Que sentimentos?" A judia perguntou do outro lado da linha.

– Ciúmes? Não sei. ­- Suspirou. -­ Essa tal Nancy é uma daquelas fãs maníacas de Blaine e se eu não me intrometesse eles estariam conversando até agora. Sem contar de que eu me desacostumei ver alguém tão perto dele.

"Kurt, posso te perguntar uma coisa?"

– Claro.

"O que você está fazendo?"

– Como assim? -­ Ergueu a sobrancelha sem se lembrar que a amiga estava quilômetros de distância longe para poder ver sua cara de curiosidade. — Eu estou no meu quarto, deitado conversando com você.

"Não... Você, Blaine, juntos de novo. O que é isso?"

– E­eu... Hm. -­ Kurt fechou os olhos por alguns segundos atrás de uma resposta. ­- Eu não sei, Rachel. É divertido, me traz esses sentimentos antigos, me traz a lembrança de tempos bons.

"Você está apaixonado pelo Anderson de novo."

– O quê? Não seja boba. ­É uma diversão. — Kurt se mexia na cama como um adolescente que ficava no telefone com a melhor amiga até altas horas da noite. ­- Já conheci a paixão, ela passou por mim e era até boa, mas no fim acabou tudo errado... E-­eu não estou apaixonado por Blaine de novo. Não. Não estou. Sem chances. Não estou. — A linha ficou alguns segundos em silêncio. – Você está aí? -­ Perguntou Kurt.

"Sim, mas pensei que você estava tentando convencer a si mesmo, e não a mim." Kurt suspirou. "Seja o que você estiver fazendo, se divertindo ou sei lá como você quiser chamar isso com Blaine, me prometa que não vai sair machucado."

– Rachel, calma, não somos mais crianças.

"Estão agindo como. Só não machuque os sentimentos do seu filho, ok? E muito menos os seus... Olhe o que você tem! Eu mesmo mataria por ter um terço do que você conquistou. Pense bem antes de arriscar tudo, ok?" Rachel pausou por alguns segundos. "Agora sou obrigada a dormir, ninguém quer que eu acorde amanhã cheia de olheiras, quer?" Gargalhou baixo sem esperar uma resposta do amigo. "Durma bem, boa sorte com a visita."

– Nem me fale. Boa noite, Rach.

"Eu te amo."

– Também te amo.

Kurt sorriu rápido como se a amiga pudesse vê­lo e desligou o celular e o pressionou contra o peito. Rachel nunca havia sido uma garota de palavras de poder, por que agora tudo que a judia havia falado pesava nas costas de Kurt? Ele sabia que precisava conversar com Blaine, sobre onde tudo ia acabar, mas estava tentando evitar essa conversa o máximo possível. E precisava se lembrar que agora não se tratava dos dois, e sim todo o resto: Leo, Burt, a família de Douglas que ainda mantinha contato... Droga, Kurt.

Essa conversa por telefone acabou gerando mais alguns minutos de Kurt deitado em sua cama, encarando o teto e pensando na vida. O que será que Blaine pensava? O que ele mesmo pensava? E o que realmente era?

Suspirou e desligou o abajur ao lado da cama. Foi colocar o celular para despertar logo de manhã e viu uma mensagem de Blaine perdida, de muitos minutos atrás. Forçou os olhos para ler as pequenas letras na tela.

"de Blaine: Tentei te ligar, mas estava ocupado. Só queria desejar uma boa noite e te contar que ainda sinto seu cheiro aqui no meu travesseiro. Sim, eu sei, parecemos adolescentes... Bom, de qualquer jeito, amanhã é meu dia de ficar com Leo, certo? Pensei em quando buscá-­lo da escola almoçarmos juntos, topa? Durma bem, xX."

Kurt clicou em responder, mas antes de digitar pensou em tudo que a amiga havia falado. Suspirou fundo, o que diabos ele estava fazendo? Dedilhou seus dedos pelo visor do aparelho contando algumas mentiras.

"de Kurt: Vou almoçar com meu pai, fica pra próxima. Entregue meu filho são e salvo amanhã perto das onze!"

Bloqueou o celular e o colocou sobre o criado­-mudo. O castanho se ajeitou nas cobertas, mas depois de dormir com Blaine nenhuma posição o fazia sentir confortável. Provavelmente teria que tirar Bruce do fundo do armário.

– Que fim do poço, Kurtie. ­- Sussurrou pra si mesmo enquanto fechava os olhos. — Cogitar dormir abraçado em um travesseiro com braço por carência... Você voltou a ter 18 anos quanto? — O estilista sorria sozinho quando o quarto se iluminou com a luz do celular avisando uma mensagem.

Estranhou, pensou que Blaine estivesse já dormindo.

Passou os olhos rápidos pela tela do celular.

"de Blaine: Você está insinuando que sou perigoso? :O"

"de Kurt: Você saiu de casa para ver um campeonato de ginástica e você me volta com uma menina com a perna quebrada e uma mulher cheia de remédios para os nervos. Me conte você! Aliás, são quase três horas da manhã, você não deveria estar descansando para a grande reunião de amanhã?"

"de Blaine: Não consegui dormir."

"de Kurt: Saudades minhas? :P"

Kurt suspirou. Sua missão havia falhado, porque ele não conseguia ter controle das coisas que falava para Blaine? Queria apenas não sentir esse maldito frio na barriga que o lembrava dos tempos de colégio.

"de Blaine: Há, quase! Estou escrevendo."

"de Kurt: ...músicas?"

"de Blaine: Sim."

"de Kurt: Você tem uma reunião daqui a algumas horas para a entrega das músicas e resolve escrever agora? Um pouco tarde, não acha? hahaha. Típico Blaine."

"de Blaine: Típico eu? :O Assim eu fico ofendido! haha. Mas não, essas não são pro John."

"de Kurt: São pra quem?"

"de Blaine: Pra mim."

"de Kurt: Pensei que você não escrevesse mais pra você."

"de Blaine: De repente a inspiração voltou."

Kurt sentiu seu coração pular. Não. Absolutamente não. Aquilo não deveria significar que ele era a inspiração de Blaine. Apenas um lapso na madrugada onde Blaine sentiu saudades de voltar a escrever, basicamente. Mas Kurt sabia que estava mentindo pra si mesmo.

"de Kurt: Bom, você pode ter força de vontade para continuar acordado, mas meus olhos então quase se fechando e perdi a conta de quantas vezes deixei meu celular cair no meu rosto, então... Boa noite, B."

"de Blaine: Noite, K. :)"

"de Kurt: :)"

"de Blaine: :)"

Kurt sorriu sem graça para o telefone e o bloqueou agora de vez. O colocou sobre o cômodo ao lado da cama com o visor pra baixo, não poderia se deixar ser acordado pelo visor aceso novamente. Apenas se preocuparia agora em acordar cedo para levar o filho para o colégio.

Era capaz disso.

Pelo menos disso.

[...]

A tarde se passou dolorosamente lenta. Kurt tinha apenas uma semana para desenhar um vestido de noiva, caso contrário, a noiva de um grande amigo de seu pai entraria na igreja em trajes íntimos. Em sua mesa de trabalho muitos rabiscos na folha de papel, algumas tentativas de croquis que terminaram em uma bola de riscos e algumas bolinhas amassadas.

Linda e Nancy estavam na cidade procurando pela papelada de atestados, e mesmo se estivessem em casa Kurt não se preocuparia. Almoçou sozinho, metade de uma lasanha congelada enquanto pensava nas palavras de Rachel. Maldita judia.

O relógio marcava sete e meia quando Kurt ouviu um carro estacionando ao lado de fora da casa. Não demorou muito para Leo entrar correndo pela casa, dar um aceno rápido para Kurt e ir até o quarto de Linda perguntar como ela estava. Nancy provavelmente estava com ela, a mulher havia sumido o dia inteiro.

Blaine caminhou com passos lentos até a entrada da casa, avistando Kurt em sua cadeira de trabalho tentando desenhar alguma coisa. O castanho se esforçou em não olhar para a porta, tentava fingir que não se importava se Blaine resolvesse ir embora sem dar um oi.

– Kurt. ­- Se encostou no batente da porta.

Kurt se virou em direção ao moreno. Blaine estava usando roupas que o lembravam na época de escola, mas sem suspensórios ou gravatas borboletas, um look um pouco mais maduro. O que derreteu o coração de Kurt foi ver o ex­marido sob o efeito de gel nos cabelos depois de tanto tempo convivendo com os cachos do Anderson.

– Blaine. -­ Sorriu para o ex­marido enquanto caminhava até a porta.

– Podemos conversar? -­ Tinha um tom sério.

– C-claro... -­ Kurt estranhou.

Nancy saiu do quarto e caminhou até a cozinha para pegar um copo d'agua, não se preocupando com os homens conversando. Apenas sorriu e deu um aceno para o ídolo quando o viu.

– Em particular.

– Tudo bem. ­- Kurt estava desconfiado. -­ Vamos subir.

Blaine assentiu e seguiu o ex-­marido até a suíte. Entrou primeiro e esperou Kurt fechar a porta com chave. Kurt demorou alguns segundos para se virar e encarar o Anderson. Por que eles tinham que conversar? Por que tinha que ser em particular? E por que estava sentindo um frio na barriga tão forte?

Kurt se virou enquanto brincava com os dedos.

– Pronto, ninguém nos atrapalhará aqui. -­ Desviou o olhar de Blaine. ­ O que você quer conversar? ­- Blaine não tinha mais o olhar sério no rosto.

– Primeiramente... -­ O moreno colocou as duas mãos no rosto de Kurt e o puxou para um beijo molhado. Kurt naquele momento nem se lembrava como havia chegado ao quarto. Correspondeu puxando o ex­-marido pela cintura e fazendo os corpos se colarem. As bocas sugavam uma à outra até o beijo terminar com alguns selinhos demorados.

– Hm. ­- Kurt se afastou colocando as mãos na cintura, tentando recuperar o ar que havia perdido no beijo. -­ F-­foi... Ótimo argumento pra começar a conversa.

Blaine soltou um sorriso encantador que podia curar uma doença.

– Espera. ­- Kurt já havia se recomposto. -­ Essa história toda de conversa só existiu pra me trazer aqui e me dar um beijo? Porque me preocupei à toa e- — ­ Blaine o interrompeu com um sorriso divertido no rosto.

– Não, tem um assunto. Só achei que se eu fingisse que fosse algo sério você aceitaria ficar em particular comigo. -­ Blaine deu alguns passos e puxou a cintura do castanho pra si.

– Qual o assunto então, Sr. Anderson? -­ Kurt perguntou com um sorriso no rosto. Sabia que Blaine adorava quando era chamado pelo sobrenome, ainda mais de um jeito sexy que só o Hummel conseguia fazer.

– Estava no shopping almoçando com Leo quando vi seu pai.

– E você está me falando isso porquê...

– Você disse que ia almoçar com ele... Se lembra?

– Ah.

– É... -­ Blaine deu um sorriso engraçado. -­ Acho que alguém inventou uma desculpa qualquer pra escapar de um almoço comigo. O que, devido aos acontecimentos, obviamente aconteceu. ­- Ainda puxava o corpo do Hummel contra o seu. -­ O que me faz perguntar porque esse alguém fez isso.

– Eu?

– É, você.

– É-­é que, na verdade, eu e ele íamos almoçar juntos, mas acabamos cancelando e­- -­ Blaine interrompeu o castanho.

– Como você mente mal, Kurt. ­- Blaine gargalhou. -­ Você pode me contar.

– Eu estava tentando te evitar... -­ Kurt se soltou do abraço de Blaine e deu alguns passos pra trás, trazendo os braços ao peito. Desviava o olhar.

– Bom, isso foi meio óbvio. ­ Blaine gargalhou e se sentou na cama. ­- E isso porquê...?

– Eu conversei com Rachel.

– Ah, não, Kurt. -­ Blaine olhou para o céu como se pedisse ajuda. -­ Eu amo a Rachel, mas aposto que ela te falou coisas que te deixaram confuso, certo? Em relação à nós, o que estamos fazendo...

– Exato. ­- Kurt levantou os braços para cima. ­- O que estamos fazendo?

– Estamos... -­ Blaine torceu os lábios. ­- Estamos nos divertindo, matando a saudades. Isso não é errado, Kurt.

O castanho suspirou e sentou ao lado de Blaine na cama. – Eu sei que não é errado, e isso é ótimo, é divertido, é bom... ­- Blaine sorriu para o chão, típico de quando o moreno estava envergonhado. -­ Mas dessa vez não somos só nós, tem tudo envolvido. Não sei nem por onde começar... Leo? O que ele irá falar quando descobrir que estamos escondendo isso dele? E minha família? E-­eles me ajudaram demais quando você se foi e agora é como se eu jogasse tudo o que fizeram por mim para o ar e falasse "não adiantou de nada, voltei com Blaine", sem falar nos parentes de Douglas que ainda procuram por conforto e... — Kurt falava com as mãos sem respirar, seus olhos começavam a ficar vermelhos. ­- ...Eu não sei o que fazer, é mais forte do que eu, estou de um jeito que não ficava há anos, mas parece errado. Mas ao mesmo tempo parece tão certo e... -­ Kurt fungou. — ...Me ajude, por favor.

O castanho apoiou sua cabeça no ombro de Blaine, que segurou sua mão forte enquanto dava um sorriso torto. Blaine brincou com os dedos de Kurt em silêncio, dando o tempo certo ao Hummel. Sabia que Kurt não queria chorar, então deu um tempo para ele engolir as lágrimas.

– Eu sei as coisas que estão passando pela sua cabeça, Kurt. -­ Começou. -­ Acredite, elas passam pela minha também. Eu sei que é difícil, principalmente com essa enorme teia de aranha que nossa vida se formou, com Leo, Douglas, seus pais como seus pais e como meus pais... -­ Blaine olhou Kurt nos olhos. -­ E eu sei que parece errado, que no passado não funcionou entre a gente, mas agora parece certo. Eu sei disso tudo. E posso te dizer? Eu não me importo.

– Não se importa? ­- Kurt franziu o cenho.

– Não, e não dou a mínima por não me importar. Olhe pra nós, nós conseguimos. Temos um filho maravilhoso, que pode não ter herdado nosso talento para a música, mas soube que tirou um A+ na prova de álgebra. Temos uma família só, Burt, Carole, Finn e Quinn, até mesmo Rachel. E nosso plano no passado era construir tudo isso e continuarmos juntos. Quem se importa com o que aconteceu no meio? Nós estamos juntos. -­ Blaine apertou um pouco mais a mão de Kurt. -­ E eu sei que parece uma loucura, mas eu quero continuar brincando com você.

Kurt ergueu a sobrancelha e se afastou um pouco.

– Droga, não. -­ Blaine sorriu divertido. -­ Não brincando com você, você não é um brinquedo, eu digo... Eu quero dizer... Droga, Blaine. Como você consegue escrever músicas assim? ­- Kurt sorriu ao ver o ex­-marido atrapalhado. ­- O que eu quero dizer é que não podemos dizer que nós não demos certo, porque ainda não acabou. Entende?

– Então o que faremos? Continuamos escondendo isso de todos até acharmos que estamos prontos e fixos, que não iremos cair novamente? Tentar de novo, nós? ­- Suspirou.

– Sim, é exatamente isso que iremos fazer! Você consegue?

– Está me desafiando? -­ Kurt colocou um sorriso no rosto.

– Talvez. -­ Blaine se inclinou e alcançou os lábios do ex­-marido em um beijo rápido.

– Assim já é covardia. -­ Kurt sorriu ao se separar.

– Bom, eu adoraria ficar mais um pouco assim com você, mas tenho cinco minutos pra cruzar a cidade e encontrar John Huy em uma reunião que pode custar minha carreira. ­- Blaine se levantou soltando a mão do ex-­marido e atual namorado. -­ Boa noite, Kurtie.

– Boa noite, Blainey.

Blaine sorriu e caminhou até a porta, destrancando com a chave que Kurt havia trancado minutos antes. Kurt continuava sentado na cama, com um olhar fixo em Blaine. O compositor antes de sair do quarto se virou novamente para Kurt:

– Aliás, Leo adoraria saber disso.

– É, eu sei.

Kurt abriu um enorme sorriso enquanto Blaine deu uma piscada rápida com para Kurt que quase parou seu coração, logo desceu as escadas e dirigiu até o centro da cidade para sua reunião de trabalho. Kurt aproveitou que estava sentado na beira de sua cama e se jogou pra trás, batendo as costas contra o colchão fofo.

Não sabia se podia colocar um sorriso no rosto, então era isso, ele e Blaine estavam tentando de novo, e isso era ótimo.

Bom, não era ótimo, mas o fazia sentir ótimo, então resolveu que a partir daquele dia, o que sentia era mais importante do que qualquer outra coisa. Então sim, poderia dizer que era ótimo.

– Blaine Devon Anderson... -­ Kurt suspirou ainda encarando o teto. — ...Como você ainda tem esse efeito sobre mim depois de tantos anos? -­ Disse com um sorriso enorme no rosto, enquanto borboletas voavam em seu estômago.

Notas finais
POIS É! Enfim, aqui foi o último capítulo escrito. A partir de agora todos os capítulos serão novos. Preciso de comentários pra saber se vocês estão gostando ou não. Eu, sinceramente, estou adorando esse Blaine todo maduro. E eu amo esses dois juntos, não tem como negar... E aí, mereço uns reviewzinhos por ter voltado? hahaha. Até semana que vem, com mais um capítulo inédito deeeeeee Roommate for Unknown!!!!! hahahaha. Beijos!