Roommate
21 Benvenuti a Milano .
Notas iniciais
Admirando a imagem a minha frente me fez abrir um largo sorriso , não existia paisagem , imagem mais linda que aquela. Talvez digam que as luzes da Times Saquare sejam lindas, a Torre Eiffel, as muralhas da china ou até mesmo uma visão ampla de Londres vista bem no alto da London Eye. Mas nada é mais lindo e mais perfeito do que o corpo nu de Brittany iluminado pelas luzes da Catedral de Milão logo vista pela janela de nosso quarto. Parando pra pensar por um momento , nada era mais lindo e perfeito do que Brittany em sua nudez. Ela era simplesmente perfeita. Tanto é que estavamos aqui desfrutando de nossa nudez após chegarmos de um vôo longo , como disse, ela era irresistível e eu não podia me conter.
Sorrindo ainda jogada na cama deixei minha mente vagar por essas coisas que faziam de mim uma pessoa mais completa, mesmo sabendo o que vim enfrentar nessa viagem. Era um sentimento leve, como se me preparasse para o furacão que vinha em seguida. Mas esses pequenos monentos que eu tinha com ela eram uma forma não só de demonstrar todo o meu amor por ela , mas também me servia de uma especie de morfina para todos os meus problemas. Quando estava com Brittany tudo parecia sumir, todas as dores eram anestesiada, todos meus medos sumiam e todas as minhas muralhas desabavam. Era como se ela fosse um remédio preescrito somente para acabar com todas as coisas más que estavam em minha volta, como minha droga perfeita.
Olhando ainda para ela eu sabia que poderia enfrentar o mundo se possível, poderia descobrir a cura para todas as doenças , poderia enfim encontrar a paz que todos falam . A minha eu já havia encontrado , ela estava bem a minha frente. Com sua pele branca totalmente exposta, com suas curvas e pintas que eu conhecia com a palma da minha mão. As vezes ficava a me perguntar se havia pessoas lá fora com a tamanha sorte que eu tinha ,com tanto amor que eu tinha e com tanta certeza que eu tinha. Que nós tinhamos.
–- Essa vista é simplesmente a mais linda que já vi .. — diz ela levando a taça de champanhe a boca. Seus olhos não deixando nem por um segundo de admirar a imagem a sua frente.
–- Só porque você não pode ver a que eu vejo daqui .. — disse sorrindo para ela que abria um sorriso lindo mesmo ainda olhando para a mesma direção de antes.
–- Eu poderia mudar de ideia se você não tivesse coberta . — disse agora sim me olhando e piscando . Ela sorriu logo após o ato e voltou a olhar para frente.
–- Talvez se você deixasse a janela de lado e deitasse na cama a sua visão de vista mais linda pudesse mudar. Talvez , só talvez, eu poderia te dar uma imagem mais emocionante que essa ai. — disse sorrindo — Fala sério, Catedral de Milão? Eu posso facilmente desbancar essa vista só com minha parte de cima .
Ela gargalhou fazendo o som ecoar pelo quarto . Lindo e que fazia cada vez mais meu coração se encher de coisas boas.
–- Aposto que pode . — ela disse . Ela se virou deixando a imagem da janela pra trás , logo descansou sua taça na mesa bem do meio da sala. Só então veio caminhando lentamente para a cama. Seus passos graciosos que indicavam que ela estava na dança , seu corpo nu exposto e firme.
Delicadamente ela subiu na cama , vindo bem devagar ao meu encontro. Seu sorriso não era o predador , era um sorriso bobo e levemente sexy. Eu nunca vou saber como ela consegue parecer coisas tão diferentes e em uma só ação, não tinha como resistir a Brittany S. Pierce. Ela chegou ao meu encontro , seu rosto bem próximo do meu , sua mão corria pela pele do meu estômago e seus olhos me olhavam com tanto amor que eu não conseguia não sorrir para ela . Seus olhos cairam nos meus e uma carga de arrepios caiu por todo o meu corpo , era automático a forma que ela me fazia sentir. Um simples olhar e ela tinha total controle do meu corpo.
–- Você disse que poderia me dar uma imagem mais interessante .. — disse com a boca bem perto da minha, sua respiração quente batendo em meus lábios e me fazendo tremer . Sorri olhando para seus olhos ainda mais fixamente , seu sorriso não deixava seus lábios e seus olhos não deixavam os meus .
–- Achei que a imagem já estivesse gravada na sua memória , Amore Mio. — disse bem próxima a seu lábio. Cada palavra sussurrada bem lentamente, o italiano saindo com bastante sotaque. Ela tirou seu sorrido imediatamente do seu rosto e me olhou de um jeito que eu não conseguia identificar. Seus olhos ficaram por um momento nublados e escuros , sorri para o efeito daquelas duas palavras ditas de um jeito que ela nunca antes tinha escutado sair da minha boca com aquele idioma .
–- Você joga tão baixo , Santana. — ela disse com uma cara de pesar que me fez rir. Eu amava a forma que o corpo dela respondia as coisas que dizia, era tão perfeito a maneira que nossos corpos e mentes se comunicavam ..era uma espécie de unico.
–- Não posso me conter , essa é uma característica dos Lopez afinal de contas. — disse querendo fazer uma piada de uma das coisas que mais me deixava pra baixo. Afinal de contas os Lopez eram conhecidos pelos seus status, poder , fama e principalmente por seu gênio forte. Mas mais que tudo , dentro da familia e por quem tinham entrado mesmo que sem querer e não tivessem se adequado aos termos , eram conhecidos pelos seus golpes baixos , sorrateiros e que não deixavam vestígios. A gama de pessoas com carater duvidoso naquela familia era enorme , dava para contar nas mãos os poucos que se salvavam. Eu por muitas vezes meperguntei em qual lado estava, mas nem com todas as decisões erradas que tomei e todas as merdas que fiz, me enquadraria no grupo do mal .
–- Seu sobrenome não te define , Santana. Você é muito mais que um nome que lhe foi dado .. — ela disse me olhando bem profundamente nos olhos, todos os sentimentos passando bem diante dos meus olhos. Amor, carinho, preocupação , força e fé . Brittany tinha fé em mim, ela acreditava que eu era boa. Acreditava que eu podia ser quem eu quisesse, que podia conseguir o que eu quisesse — não pelo poder que meu sobrenome me dava mas sim pelo esforço que eu poderia colocar nas coisas. Mesmo quando nem eu consiguia acreditar em mim mesma , ela o fazia . E quem sou eu para duvidar de suas crenças quando eu via nela o ser humano mais puro e integro que já havia conhecido?
–- O que me define então , Britt? — fiz a pergunta sem tirar meus olhos dos seus , era um fio de um sussurro. Tudo o que eu podia dizer no momento , mesmo que eu tivesse um medo idiota da sua resposta.
–- Você não precisa se definir , amor. Você só é você , com seus erros e acertos, com seus amores e desamores, com seus medos e sua vontade de viver até o último minuto. Você é a pessoa que é amada por quem você é , o resto não importa. Nome , status , poder . Nada disso importa , nada disso pode comprar a felicidade e o que vem com ela. Os erros dos seus pais e de sua familia não são seus erros , Santana. Não se culpe e nem se inclua na definição má dos Lopez. Olha seu pai por exemplo , carrega o nome mas não as coisas que vem com ele, ele é apenas ele.
Eu tinha um olhar de tanta adimiração por ela que era assustador, todas as palavras dela me disseram tudo que eu queria ouvir. Tudo que eu precisava nessa viagem era fazer o certo pelo menos uma vez. E desmoronar por pensamentos que envolve minha família não estava no plano de tentar contar a coisa mais difícil que minha irmã irá ouvir na vida.
–- Vem cá . — pedi a ela mas antes mesmo dela se aproximar eu a puxei de encontro a mim. Seu perfurme entrando em contato com meu olfato mais que acostumado do seu cheiro, sua pele entrou em contato com a minha — me fazendo arrepiar por inteira-, seus olhos se fecharam no mesmo momento que meus lábios tocaram o seu de uma forma leve e lenta. E como sempre todos os problemas do mundo desapareceram , todos os sons, todas as duvidas , todos os medos . Era somente eu e ela nos embriagando de puro amor, sem receio. — o que eu faria sem você ?
Ela sorriu , mordeu meus lábios de uma forma firme. Olhando bem para meus olhos logo após o ato, seus olhos agora me davam um olhar sapeca . Um olhar e um lado que eu amava nela. Como se eu não amasse todos ..
–- Provavelmente estaria indo pra cama com todas as meninas da faculdade. — disse beijando meus lábios de uma forma desleixada, seus dedos brincando com meu lábio inferior. Eu sorri em meio ao beijo , tentando inutilmente capturar os seus lábios inferiores.
–- Que vida monótona e totalmente chata essa ..dormir com uma garota diferente a cada dia. — bufei — quem no mundo idealiza isso ?!
Ela rapidamente franziu a testa e me deu um tapa estalado no ombro. Ri da forma que ela tentava fazer birra e tentava se afastar do meu aperto. Seus esforços apesar de parecerem verdadeiros , a força que ela aplicava era de rir. Brittany com beicinho era o tipo mais fofo de Brittany, era dificil não sorrir com a imagem . Elevei meu corpo pra cima do dela e logo consegui sem muito esforço prender seus braços acima da cabeça , apesar do bico fofo em seus lábios, ela sorria pra mim .
–- Eu me contento com você , amor. — seu bico aumentou ainda mais depois da minha brincadeira, eu adorava brincar com ela desse jeito. Seu corpo agora se remexia mais e suas forças pra soltar os braços do meu aperto era mais convictos. Como meu corpo não estava tão estabelecido por cima dela , ela conseguiu fugir um pouco para os lados . Meu movimento foi rápido para prender definitivamente seu corpo abaixo do meu. Quando ela viu que não adiantava muita coisa a se fazer , ela parou , mas seu bico aumentou ainda mais. — Eu troco todas essas garotas por apenas uma. A mais especial de todas . Elas não podem e nem conseguiriam competir com a minha garota, pois ela é perfeita. E é uma espécie de sonho poder fazer amor com ela todos os dias ..eu nunca vou me cansar.
–- Como você é baixa .. — ela disse balançando a cabeça de um lado para o outro. Mas deixando um sorriso surgir bem no canto dos lábios. Nós duas olhamos uma pra outra e no minuto seguinte caímos na risada, momentos como esse eram tão perfeitos .
–- Eu tenho uma variedade de tuques baixos na manga , que tal se eu te mostar hein? — disse bem acima do seu ouvido vendo como seu corpo todo ficou tenso e sua pele arrepiada. Sorri com o meu feito mas não parecia ainda completo. Então lembrei do que mais ela gostava nessa hora. Frases faladas bem ao pé do ouvido, bem lentamente . — io ti amerò per tutta la notte .
Depois de colocar um beijo em seu ouvido e ouvir sua respiração falhar eu sorri e levantei meu rosto para olhar em seus olhos . Nublados, escuros olhos .
–- Você vai me amar a noite toda ? — ela piscou um tanto incerta se essa era mesmo a tradução do que havia lhe dito. Eu sorri e deixei um beijo em seus lábios entreabertos.
–- Sì , il mio amore .
–- O que você está esperando ? — me sorriu de um jeito provocante .
Eu não a respondi com palavras , deixei que meus lábios fizessem isso .
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Na manhã seguinte meu corpo se encontrava extremamente dolorido da noite quente de ontem. Eu cumpri com minha promessa e fizemos amor até o sair do sol, adormecemos de uma maneira exausta nos braços uma da outra . Mas foi uma das noites mais incriveis da minha vida e o melhor sexo ever. E apesar do corpo estar em estado crítico de dor , minha maravilhosa namorada não pensou duas vezes em me acordar para que pudessemos sair para almoçar. Apesar das minhas tentativas de tentar permanecer no Hotel e fazer nossa refeição no mesmo, de nada adiantou. Segundo ela , a vista lá de fora é muito impressionante e nós não poderíamos perder de explorar isso ficando no Hotel. Mesmo a contra gosto eu concordava com ela, ela tinha um ponto.
Então depois dela ficar mais de meia hora tentando encobrir as marcas de noite de ontem , o que precisou de muita base- culpada-, nós fomos para o restaurante mais próximo. Apesar do pique de querer explorar o lado de fora, nem mesmo ela queria andar muito , de modo que entramos no primeiro que vimos. Nossa viagem foi cansativa , a noite de ontem definitivamente foi cansativa e eu ainda esperava ver Kayla hoje. Eu estava orando aos céus que pelo menos eu conseguisse dormir nem que fosse uma hora antes de partir para a batalha com minha irmã. Kayla nunca foi fácil , você precisava de todas as armas para pelo menos neutraliza-la. Eu cansada e quase caindo no sono em pé não era uma das coisas que poderia usar a meu favor .
Apesar de ter arriscado horrores em entrar no primeiro restaurante que vimos, a comida era ótima. Eu amava massas, qualquer que fosse. Uma das coisas que mais amava nos italianos era a culinária, sem deixar de fora a Laura Pausini é claro. Nas vezes que vinhamos para a Itália, cada um tinha seus desejos . Minha irmã só queria saber de moda e dos carinhas italianos, minha mãe só queria saber dos lugares famosos e meu pai dos carros . Eu por outro lado sempre passava mais tempo nos restaurantes, em diversos deles. Gostava dos mais modestos possíveis, aquele que provavelmente a comida era feito por uma das pessoas mais velhas da família, como uma tia ou uma avó. Não por um Cheff de cozinha. Nada contra os caras mas eu amava a comida feita pelas avós e tias . Tinha um sabor mais especial.
–- Você quer que eu vá com você ? — falou Brittany me tirando dos meus pensamentos. Ela tinha os talheres na mão e me olhava com um sorriso. Deus , ela era tão linda.
–- Não, eu tenho que ter essa conversa sozinha com ela . Isso vai ser duro .. — deixei a respiração sair devagar , eu não sabia se estava preparada para essa conversa. Eu não tinha ideia do que ia acontecer e coisas imprevisiveis me assustavam . De uma coisa eu tinha certeza , isso não ia terminar com abraços e choro. Esperava que choro sim , uma gritaria não estava descartada porém.
–- Tudo vai dar certo , San. E se não der , nós vamos encontar um caminho . Prometo.. — disse apertando minha mão. Meus dedos logo se entrelaçaram aos seus, por mais pequeno que o gesto foi , ele causou uma enorme motivação em mim .
–- Eu te amo . — disse apertando ainda mais seus dedos. Tentando transmitir toda a verdade de dentro do meu coração. Ela precisava saber o quanto isso era importante pra mim e o quanto ela era importante também. Ela saber que eu estava agradecida por ela estar lá pra mim .
–- Eu também te amo . — falou com um sorriso no rosto, logo depois levando minha mão ao seu lábio e deixando um leve beijo nela. Brittany conseguia me fazer flutuar com apenas demonstrações simples de amor.
O resto do almoço foi tranquilo . A maior parte do tempo era só nossos olhares se encontrando e transmitindo o que os nossos lábios soltaram momentos antes.
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" Me encontre no SignorVino às 19:00, não se atrase. — Kay."
Com um último olhar no espelho e tantando tirar a coragem que eu não sabia que carregava, eu saí pela porta depois de receber um abraço e palavras de apoio de Britt. Depois de todo o meu caminho até o restaurante, de pensar bastante a cada paisagem que se passava de forma rápida pela janela do carro, de tantar colocar em ordem todo o discurso que havia programado e de pensar na melhor forma de revelar o que tinha que revelar. Eu cheguei a uma conclusão. Eu não sabia se teria força e coragem de olhar nos olhos da minha irmã e dizer aquilo tudo. Como eu iria olhar nos seus olhos e dizer que nosso pai não era biologicamente o seu verdadeiro pai ? E não sabia se teria coragem mas eu tinha que fazer, eu precisava.
Depois de chegar ao restaurante e ser levada para a mesa reservada, fiquei aliviada por ter sido a primeira a chegar. Precisava de mais tempo para pensar, para tomar coragem, para me orientar. Kayla e eu nunca fomos próximas, ela era um borrão na minha vida. unca entendi a forma como ela sempre se manteve afastada de mim durante todas as nossas vidas. Mesmo antes de minha sexualidade ser exposta, ela sempre se manteve distante, só piorando depois da minha saída do armário. Por muito tempo achei que ela só odiava o fato da minha sexualidade porque ela não tinha ideia do que era, mas com o tempo as brincadeiras, as insinuações e as provocações só aumentaram quando ela se manteve mais peeto da minha mãe. No fundo eu sabia que ela me amava, mas nós nunca conseguimos ser mais do que pessoas estranhas uma para outra. O mais próximo de afeto que tive vindo dela foi um abraço meio desajeitado quando sai de casa, por mais estranho que tenha sido eu sentia tudo que ela tentava me mostar com aquele simples abraço desajeitado. Um cuidado, um vou sentir sua falta mesmo que mal trocamos mais de uma frase uma com a outra e eu te amo — nem que seja subentendido.
–- Você me parece deprimente . Se for contagioso nem chegue perto .. — olhei pra cima e vi minha irmã mais nova em pé do outro lado da mesa. Ela parecia mais velha do que da última vez que a vi. Talvez seja sua roupa ou a maquiagem, ou talvez seja só minha cabeça.
–- Olá , Kay. — disse respirando um pouco para aliviar o oeso que estava nos meus ombros ao olhar pra ela. Ela ssentou e fez uma varredura pelo local . — como você está?
–- Sua namorada não veio com você ? — disse me olhando atentamente e depois desviando o olhar para o menu.
–- Não, ela ficou no Hotel. — bebi um pouco da água para mais uma vez tentar me aliviar . — eu queria ter esse encontro a sós com você.
Seu olhar imediatamente saiu do menu para me encarar de uma forma um pouco alarmada. Seus olhos faziam uma leitura minha , que parecia muito assustadora. Ela brincou com seu dedo no copo por alguns segundos e abaixou a cabeça. Eu não estava entendendo as suas expressões.
–- Você está doente ? — perguntou de uma forma lenta. Parecia até mesmo que tinha medo de ouvir a resposta da minha boca. Por um momento eu achei que pude ver preocupação em seus olhos, mas quando olhei de novo já não estava mais lá.
–- Não. O que te faz pensar que estou doente ? — perguntei sem entender de onde ela tinha tirado aquela teoria . Tá certo que queria falar com ela de uma forma urgente, que voei dos Etados Unidos até a Itália pra isso. Mas isso não significava que eu estava morrendo.
–- Ah sei lá , pessoas como você tendem a pegar doença a todo instante ..eu só pensei. — disse dando de ombro de uma forma que pouco se importava.
–- Pessoas como eu? — Franzi a testa logo percebendo que aquilo era uma completa perda de tempo. Ela só iria me irritar mais do que ela já fez, sempre com suas insinuações de péssimo gosto .
–- Eu não quis dizer sobre o fato de ser gay.. — disse agora com um pouco mais de importância em sua voz. — talvez um pouco. Mas eu falei pelo fato de você dormir com todo mundo , convenhamos, você é bem rodada maninha.
Eu respirei fundo e contei de um a dez. Aquele iria ser um longo jantar e eu torcia sinceramente que não acabasse em gritaria e insultos em espanhol.
–- Kay, pelo menos uma vez na vida dá pra deixarmos essas coisas de lado e termos um jantar normal ? Eu vim aqui pra conversar e não repitir as nossas brigas idiotas , leva a sério pelo menos uma vez.
–- Olha , eu só estava preocupada com sua namorada. Quer dizer, essa menina sabe que você possivelmente tem mais doenças que um viciado que compartilha sua seringa com todo mundo ? Ela pelo menos toma alguma vacina ou precaução contra isso ? — ela falava de uma forma sarcástica que me lembrava nitidamente minha mãe, era como se fosse a versão mais nova .
–- Kay! — eu quase gritei , algumas pessoas se viraram para a nossa mesa com olhos desconfiados. Eu balancei a cabeça e tentei mais uma vez me acalmar, inutilmente.
–- Se você estivesse doente .. eu só ..- parou me olhando de um jeito envergonhado . — quer dizer.. eu conheço um médico muito bom aqui ..e ..- ela gaguejava de uma forma energonhada que admito era um tanto quando bonito. — esquece.
Eu ainda a olhava e podia sentir um sorriso se formar dentro de mim. Ela estava preocupada. Ela estava mudada de algum jeito e eu me perguntava o que havia acontecido para essa sua pequena mudança repentina.
–- Eu não estou doente, Kay. E nem vou ficar. — tentei passar o máximo de confiança em minha palavras. E ela mesmo dando de ombro eu sabia que ela estava um pouco aliviada.
–- Que bom, vamos estourar uma champanhe para comemorar. Ihuu. — disse com salsa alegria. Mesmo assim um sorriso se formou em meus lábios, ela ainda tinha seus comentários sarcásticos mas não era tão rude como os de antigamente.
Nós pedimos os nossos pratos logo depois. Ela por incrível que pareça pediu massa, ela nunca comia massa. Talvez ela tenha mudado isso também, aliás faz sentido agora o seu vestido estar apertado na prova de roupa a alguns dias. Nós não trocamos muitas palavras além de alogiar a comida, o jantar estava calmo. Eu já havia reunido toda a minha coragem para ter a conversa com ela, apesar dos pesares, foi um bom momento para falar já que descobri as suas ligeiras mudanças. Talvez no final de tudo não fosse tão ruim.
–- Então, como está indo a preparação para o desfile ? — perguntei pra começar a entrar na conversa. Tinha que ir aos poucos.
–- Cansativo. Eu mal durmo e estou comendo correndo a todo instante, é uma correria após a outra. Não tenho tempo pra nada, só provar roupas e mais roupas. Ensaios na passarela. — disse bufando e passando a mão pelo cabelo negro. — mas no final de tudo sei que vai valer a pena. Quer dizer, é um desfile em Milão. Isso é como o sonho de qualquer modelo, é o seu momento. — disse de uma forma nostalgica, sonhadora. — apesar da insegurança que tenho que eu possa fazer alguma coisa errada, nossa mãe me levou a um terapeuta e ele me disse que não preciso me preocupar. Só manter a mente sã e tranquila e não me esressar pscologocamente..
Engoli em seco por um momento quando ouvi aquilo. Minha coragem indo para o ralo em cinco segundos, tudo por agua abaixo. Eu não acreditava naquilo , não acreditava que fiz isso tudo pra desistir . Mas ela tinha um ponto, dar essa notícia a ela iria fuder com seu psicológico de uma forma devastadora e eu não poderia e nem queria isso. Ela lutou tanto pra conseguir isso, era seu momento, tudo que ela sonhou. Eu não poderia acabar com isso e não ia .
–- Só ..se concentra e tudo vai dar certo . — bebi agua e olhava para todos os lados menos ela . Não conseguia encarar seus olhos quando um minuto atrás eu quase coloquei seus sonhos em risco.
–- Então..nós já jantamos e tivemos papo furado. O que você queria tanto falar comigo que não poderia esperar eu voltar pra casa ?. — disse me encarando agora de uma maneira séria.
Eu abaixei a cabeça e soltei um dos maiores suspiros da noite. Eu mal conseguia olhar acima da mesa, minhas mãos suadas me davam a real noção do quanto estava nervosa naquele momento. O que iria inventar agora? Isso não fazia parte do plano, abortar a missão nunca tinha se passado pela minha cabeça.
–- Bom, eu vou ficar uma semana aqui. Isso pode esperar.. — disse tentando sorrir , mas parecia mais uma careta. Ela viu isso mas não comentou nada, apenas fingiu não ter visto. — só vamos ter um jantar e uma conversa civilizada essa noite ..
–- Ou podemos falar de DST.. — disse com um sorriso perverso mas um pouco brincalhão.
Eu balancei a cabeça mas um sorriso de lado surgia sem que eu tivesse conta.
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Depois do jantar e de implorar pra pagar a conta , eu e ela estávamos em frente ao restaurante esperando um taxi. Nós não nos mantivemos conversando, o único som que se podia escutar eram dos carros que passavam por nós. Estava ficando um pouco desconfortável na verdade. Não era o estilo de silêncio que eu compartilhava com Brittany por exemplo, esse era natural e totalmente confortável. O de agora me fazia pensar em colocar a cabeça no forno e ligar o gás.
–- Já que vai ficar aqui uma semana..deveria levar ela no Savini. — ela disse monotamente olhando para os carros que passavam pela rua . — é chique e romântico. Quer dizer ,até mesmo vocês garotas que estão no pecado devem gostar dessas coisas ..
–- Seus insultos estão cada vez mais parecidos com os da nossa mãe. Parabéns. — disse revirando os olhos para ela. — além do mais , Britt não é esse tipo de garota que se importa com coisas extravagantes e chiques.
Ela bufou e me olhou.
–- Ela é uma garota , Satã. Qual garota não ia gostar de um jantar em um dos restaurantes mais incríveis de Milão? Se vestir com um lindo vestido e ter um jantar a luz de velas com bastante vinho..pode apostar, ela iria dizer que foi o melhor encontro que vocês tiveram.
–- Brittany não se importa com essas coisas, ela não é esse tipo de garota. — falei pensando que ela provavelmente iria se sentir muito melhor com um jantar a luz de velas em nosso quarto. — além do mais não teria muito o que comparar..
Ela me olhou espantada por um momento.
–- Eu pensei que a mãe tivesse dito que você estava louca por essa menina. Mas vocês não tiveram nem um encontro? Isso é tipo aqueles relacionamentos de sexo doentio? — ela disse divagando um pouco . — ela não é tão importante então.
–- O que? É claro que ela é imporante. O que um encontro deternina de um relacionamento , cabeça de titica? — disse zombando dela . — Eu amo a Brittany.
Ela levantou as duas mãos como se tivesse se rendendo.
–- Olha , por mais que ela não seja esse tipo de garota e que se contentaria com um jantar na pizzaria da esquina e tesourar a noite toda com você .. — ela fez sinal para um táxi que logo parou na nossa frente. — as vezes uma garota por mais diferente que for , quer só ter um dia de conto de fadas. — ela puxou algo na bolsa dela e estendeu a minha frente. Era um cartão. Relutante o peguei. Ela me deu um último olhar e mumurrou um " Até mais, Satã." e entrou no carro.
Eu vi o táxi ir desaparecendo na rua até que ele desapareceu completamente. Olhei para o cartão e la estava escrito " Ristorante Milano Savini". Balancei a cabeça, talvez a noite não tenha sido um completo desperdício de tempo afinal das contas.
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