Roommate
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– Ordem, ordem. – Gritou Wesley tentando fazer todo o coral ficar quieto. Tudo começou quando o “presidente” do grupo sugeriu uma música de Jason Castro para ser cantada nas Regionais.
– Nossa set list foi feita há duas semanas, porque você quer mudar? – Perguntei ajeitando meu cabelo. O que Wes queria? Uma rebelião? Tínhamos menos de duas semanas para ensaiar a antiga coreografia e do nada ele resolve mudar. – Não consigo atingir o tom de certas músicas.
– Blaine, entenda. Somos um coral de muitas pessoas. – Wesley ainda tentava manter a ordem, mas todos ainda estavam contra as atitudes do líder. – Talvez alguém queira tentar um solo para a competição também.
– Mas nós já concordamos que Blaine iria fazer o solo nas competições desse ano. – Kurt me ajudou. Até que enfim alguém me entendia naquele lugar. Todo começo de ano, os Warblers faziam uma competição e o melhor seria solista o ano todo. Claro que minhas chances de ganhar eram maiores que as dos demais pelo alcanço de voz que eu conseguia, mas ainda assim, era algo justo.
– Exato. Todos aqui concordam com isso! – Levantei as mãos para o alto.
– Talvez eu queira um solo também.
Me virei, tentando procurar quem tinha sido o insolente quebrador de regras que havia me contrariado, e lá estava Douglas de pé me olhando com um olhar que não consegui decifrar o que era.
– Agora você me entende, Blaine? Declaro aberta novamente a competição para solista.
– Isso é totalmente injusto. Se houver outra escolha de solista, eu não participo. Que o solo fique com o novato então.
– Parabéns então, Douglas, o solo é todo seu. Ensaio encerrado por hoje. – Wesley bateu o martelo. Não me deixei ficar naquela sala junto com os injustos Warblers. Eu sei que estava sendo egoísta da minha parte não deixar outra pessoa cantar na competição, mas eu havia ganhado aquele direito.
– Blaine, BLAINE. – Kurt corria atrás de mim pelo corredor. Eu queria continuar, mas ele era meu namorado e eu devia satisfações. Parei e me virei, esperando-o me alcançar. – Eu sei que você queria muito esse solo, mas...
– Não, você não me entende. – Gritei. Talvez essa fosse a primeira vez que eu gritava com Kurt. – Parece que esse tal de Douglas entrou na minha vida pra me infernizar. Primeiro ele começa a ser o queridinho do professor que mais me odeia na face da terra. Depois ele me rouba você, e agora quer roubar meus solos? – O corredor ecoava o som dos meus gritos.
– Por que você está gritando comigo? E desde quando ele me roubou de você?
– Desde quando eu te chamo pra sair e você não pode porque está ocupado demais escolhendo roupas, ou assistindo documentários sobre desfiles. Desde quando eu te mando mensagem mas você não tem mais crédito pra responder porque gastou os seus mandando mensagem ou ligando para seu amigo “Doug”. – Gesticulei aspas com os dedos. Quanto mais eu falava, mais irritado eu ficava. Eu nunca fui de ser ciumento, mas aquele Douglas estava me tirando do sério.
– Isso não tem nada a ver com o Douglas, tem? Ele não é assim, ele...
– Kurt, pára. Como você pode ser tão tapado pra essas coisas? Ele é um garoto, provavelmente é gay também e dorme com você todos os dias, fala com você todo momento e quando eu estou com você ele arranja alguma desculpa pra tirar você de perto de mim!
– Eu não sou tapado, Blaine. – Kurt se virou e saiu. E nossa primeira briga havia sido por causa de Douglas. Estávamos indo tão bem no primeiro mês de namoro, foi só esse cara aparecer que estragou tudo. Eu estou de cabeça quente, Kurt está de cabeça quente. Talvez o melhor não seja resolver nossa discussão agora. Voltei a caminhar por aquele corredor frio, lembrando de tudo que estava acontecendo. Eu estava desmoronando.
Nova manhã, novo dia. Me sentei na cama assim que acordei, tendo a mínima vontade possível de levantar e iniciar a mesma rotina tediosa. Esfreguei meus olhos com a irritação que o sol causava. Eu simplesmente odiava o começo da primavera.
– Bom dia, princesa. – Nick entrou no quarto segurando um pacote que eu podia adivinhar pelo cheiro que era de prezzels. Nick só acordava de bom humor dias que ele ganhava visita da namorada, o que provavelmente iria acontecer já que era uma terça-feira.
Resmunguei alguma coisa que eu não estava a fim de decifrar e fui até o banheiro me preparar para mais um longo dia de aula. Algumas horas depois eu já estava pronto, mas era como se algo faltasse para meu dia começar. A companhia de Kurt. Eu geralmente acordava com mensagens, ligações e hoje eu acordei sem nada. Eu realmente exagerei.
Após comer um delicioso prezzel que Nick trouxe pra mim – e agradecer, é claro – fui caminhando até o quarto de Kurt. Eu não estava errado. Eu tinha todos os motivos para não gostar de Douglas. Desde que Ash plantou aquela idéia em minha cabeça, tudo tem sido tão confuso. Uma simples conversa que eu vejo já me irrita, algo que antes eu era totalmente liberal. Tem algo nesse menino que eu não gosto.
Cheguei finalmente à porta do quarto de Kurt, e o incrível é que eu estava sentindo o mesmo frio na barriga que eu senti quando beijei Kurt pela primeira vez. Ótimo, tudo o que eu precisava agora era insegurança. Coragem, Blaine. Não era isso que você dizia para Kurt? Girei a maçaneta e encontrei Kurt com um livro, sentado em sua cama. O castanho me olhou com um sorriso, mas acabou se lembrando que não podia sorrir pra mim. Virou o rosto e voltou a estudar.
– Oi. – Falei timidamente enquanto alcançava sua cama, sentando na beirada procurando aqueles olhos azuis que estavam vidrados em algum livro. – Kurt, me desculpa. – Finalmente eu tinha conseguido a atenção de Kurt. – Eu estava alterado, não foi minha intenção gritar com você. É que eu me sinto inseguro. Estou perdendo tudo que me fazia sentir bem. Você deveria entender.
– Blaine, você lembra quando estava lá em casa e Finn e Rachel brigavam a cada cinco minutos? – Assenti com a cabeça. – Eu não quero ser um casal assim. Eu acho totalmente desinteressante e desnecessário esse tipo de relação. Cresci aonde meu pai tinha o amor de minha mãe e depois de perdê-la começou a amar mais ainda. Eu não quero que você só me dê valor quando me perder.
– Eu te perdi? – Falar isso foi como uma apunhalada nas costas.
– Não, mas poderia ter perdido. Eu quero que você confie em mim. – Kurt alcançou minhas mãos. – Não estou com você por diversão. Namoro realmente significa algo pra mim, e eu quero levar isso adiante. A não ser que você queira continuar com esses ataques.
– Eu prometo parar. É só que... – Ouço o barulho de uma porta se abrindo e me viro para encarar o que é e não gosto nem um pouco da cena que eu vejo. Douglas está saindo do banheiro com apenas uma toalha enrolada em seu corpo. Isso é ridículo. Eu compartilho meu quarto com Nick há muito tempo e nunca ultrapassamos as barreiras, o que Douglas fez em muito pouco tempo com Kurt.
– Me desculpa, eu achei que o Kurt tivesse sozinho. – Ele deu um passo para trás.
– Mesmo se ele estivesse, você não vê problema algum em se apresentar assim? Ele tem namorado. – Falei cerrando meus punhos. Prometi confiar em Kurt, mas não falei nada sobre confiar em Douglas.
– Eu achei que não tivesse problemas, afinal como você disse, ele tem namorado e não deve se importar com isso. – Douglas deu um passo a frente, como se estivesse me enfrentado. Kurt ficou apenas sentado, parecendo gostar em ter dois caras brigando por ele.
– Não é muita falta de educação sua chegar no meio do ano, roubar meu solo nas regionais e ainda andar semi-nu na frente do meu namorado? – Me levantei, ficando frente a frente com aquele cara que me irritava. Nunca me vi desse jeito, mas se precisasse, eu o socaria no rosto ali mesmo.
– Eu acho que isso é falta de insegurança da sua parte. – Douglas deu mais um passo a frente. – Digo, antes de eu chegar você era o “chefão” daqui. Tinha tudo e todos em sua mão, e agora que eu cheguei, você percebeu que não é tão bom como pensou que era.
Dei um passo pra trás abafando uma risada. Quem ele pensa que é? – Bom, Kurt e eu estaremos lá fora esperando você colocar roupas adequadas. Vamos, Kurt.
Fui até a porta esperando a presença de Kurt, que continuou sentado olhando pra mim.
– Você não vem?
– Eu preciso estudar.
Era tudo o que eu precisava ouvir. Meu namorado preferia ficar em um quarto com um homem semi-nu do que ficar em minha companhia. Encarei Kurt por alguns segundos esperando um “brincadeira” ou até mesmo um sorriso, mas nada. Meu olhar se desviou para Douglas, que também olhava pra mim com um rosto vitorioso. Que seja.
Dei meia volta e saí daquele lugar. Eu havia prometido a Kurt que confiaria nele, mas não sei se na prática fica melhor que a teoria. Eu não sou do tipo de namorado que impede o outro de sair ou até mesmo falar com seus amigos, não. Mas vejo que terei problemas com esse tal Douglas.
Notas finais
Nesse meio tempo que não escrevi aqui, atualizei minhas outras fanfics, um exemplo é a Friends With Benefits que está postada no fanfiction.net (o link está no meu perfil) e comecei uma nova história, Blank Pages (http://fanfiction.com.br/historia/342745/Blank_Pages/). Espero que essa minha falta de tempo termine. Aproveitem esse capítulo, irei compensar no próximo. Beijos.
FELIZ KLAINERSÁRIO PRA VOCÊS! DOIS ANOS DE MUITO "You move me, Kurt." ♥
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