Notas iniciais
Minha mãe faleceu, to cheia de trabalho no colégio e tô com uma dor de cabeça terrível faz umas três semanas, e essas são minhas explicações...

Eu e Joey estávamos sentados no banco que liga o corredor ao jardim, conversando. Nessas semanas que somos amigos, Joey se mostrou um amigo e tanto. Eu e ele vivíamos conversando, trocando mensagem e visitando um ao outro no quarto da Dalton.

Claro que em hipótese nenhuma eu me apaixonaria por Joey. Sinto como se ele fosse meu irmão, como Coop.

– Quem é Kurt...? — Joey falou, quebrando um silêncio que se instalava por alguns segundos. — Quer dizer... Eu sei quem ele é... Mas o que ele é na sua vida?

– P-por quê?

Quase um mês de amizade e eu não havia criado a coragem de falar a Joey minha sexualidade. Na verdade, a oportunidade boa não havia chego... Eu não iria simplesmente chegar no meu novo amigo e falar "Oi, eu sou gay, prazer."

– Porque o Nick e seu namorado conversar comigo. Sobre você e Kurt. — Joey parecia normal. Sem raiva ou desapontamento aparente.

– Muita informação para pouco tempo... — Tinha um sorriso no rosto. Então me ajeitei no banco, virando para o castanho. — Nick e seu namorado?

– É... Um loirinho... Thad?

– Jeff.- Corrigi, ainda sorrindo. — Eles estão juntos?

– Eles não estão? — Levantou uma sobrancelha. — Porque se não estiverem, eu dei uma grande bola fora com eles...

Gargalhamos por pouco tempo.

– H-hurum. — Limpei a garganta e comecei. — Hã... Kurt é meio que meu ex-namorado.

– Meio que?

– Nós namorávamos... Não é uma história que você deva querer saber... Mas Joey, você tá tudo bem com isso?

– Sim, sim. Você lembra que eu falei sobre meu pai e minha mãe serem separados? — Concordei com a cabeça. — Então... Eles se separam num acordo total... Meu pai tinha outra pessoa, e minha mãe também...

– E? — Não estava entendendo aonde o castanho queria chegar.

– E digamos que eu tenho um padrasto e uma madrasta, porém o padrasto é por parte de pai e a madrasta por parte de mãe. — Deu um sorriso sem graça.

– Então quer dizer que eles...?

– Sim. — Levou a mão na parte traseira da cabeça. — E eu tive que me acostumar, e sou super tranquilo com isso. E pode ter certeza que vou querer ouvir essa sua história com Kurt. — Sorriu.

– Tudo bem... Começou quando os warblers iriam fazer uma performance improvisada. Eu como sempre, era o último a ser avisado, [...] fomos pegos no telhado, e hoje somos amigos. Ele está bem com Douglas, e eu estou bem sozinho. — Sorri, falsamente.

– Você ainda está totalmente apaixonado por ele... — Joey inclinou sua cabeça, me achando "fofo".

– Não. — Neguei automaticamente.

– Você não pode negar, já que seus olhos nunca brilharam tanto igual quando você falava dele... — Joey se levantou, colocando sua bolsa de ombro e virando pra mim, com um sorriso enorme no rosto. — Nick e Jeff vieram pedir ajuda pra mim. Falaram que eu devia me afastar de você, ou te lembrar como você se sentia com Kurt.

– Por quê? — Repeti o ato do moreno, curioso.

– Porque Kurt terminou com Douglas e quer ficar com você. — Meus olhos se arregalaram num vazio. — Blaine?

– E-é verdade?

– Pelo o que eu ouvi de você e dos meninos, aquele garoto é louco por você. Quando sentávamos juntos em História Americana e meu celular vibrava com seu nome em cima da mesa, ele rolava seus olhos, com ciúmes... — Um sorriso se abriu em meu rosto. — Blaine, ele ainda não sabe que sou hétero, muito menos que você ainda o ama...

– Sim. — Meus olhos estavam marejados. Por quê?

– Então você está esperando o quê pra ir correndo até ele contar como se sente? — Joey me deu um tapa no ombro. — Vai.

Balancei a cabeça, pra ver se as notícias entravam melhor em minha mente. Pelo visto, Kurt ainda era apaixonado por mim, e agora não tinha mas aquele chato de Douglas em seu pé.

Joey tinha uma feição esperançosa, e foi a última coisa que vi até sair correndo por aqueles corredores, ignorando os monitores que me viam passar. Tudo o que queria era chegar o mais rápido possível no dormitório de Kurt... e Douglas.

Parei imediatamente. Eles podiam ter terminado, porém ainda dormiam juntos. Mudei meu rumo no corredor, correndo até o MEU dormitório. Poucos minutos depois lá dentro, retomei minha corrida, e cheguei arfando na porta que não era mais conhecida minha. Algumas batidas (quase arrancando a porta do lugar) me levou à voz de Kurt, doce como sempre.

– Entra. — Disse abafado, pelo som de alguma música que tocava no interior do quarto. Entrei e esbalei a porta atrás de mim, fazendo o castanho me olhar com uma sobrancelha lá em cima. — Blaine? O que você e-

– Vo-você terminou com Douglas. — Coloquei as mãos na cintura, tentando respirar devido à corrida e aos degraus que subi sem preparo.

Kurt sorriu encarando o chão e se levantou da cama, ficando frente a frente comigo. — Nick e Jeff? — Perguntou, corando.

– Na verdade, Joey.

Ao ouvir o nome, Kurt automaticamente revirou os olhos e voltou a se sentar em sua cama. Cruzou os braços e voltou a olhar pra mim.

– Eu podia jurar que você está com ciúmes, mas vou ignorar isso pra te contar que Joey é hétero, e foi ele que me convenceu a vir até aqui... — Ainda arfava. Minha respiração era rápida e pesada.

Kurt abriu o mesmo sorriso de antes e se levantou, se aproximando de mim. Conforme ele chegava mais perto, um sorriso em meu rosto se abria mais e mais.

– Desde quando você voltou a me amar? — Perguntei, me aproximando de Kurt também.

– Eu nunca deixei.

E nos calamos em um abraço quente e apertado. Meu rosto descansava na curva do pescoço de Kurt (maldita altura). Seus braços circulavam minha nuca, e os meus apertavam suas costas.

– Huunf. — Gemeu Kurt de dor, mesmo eu não o apertando muito. Foi quando nossa atenção foi desviada à porta, que abria lentamente.

– Interrompo? — Disse Douglas, entrando no quarto e jogando sua bolsa de ombro sobre sua cama. Iria falar alguma coisa, quando a porta foi aberta novamente por Nick e Jeff.

O moreno e o loiro colocaram uma pequena maleta preta sob a cama de Kurt, e ao mesmo tempo tiravam suas roupas do guarda-roupa e colocavam na mala.

– Mas o quê...? — Kurt disse, confuso à ação repentina de todos entrando no quarto.

– A partir de hoje, eu sou seu novo colega de quarto. — Falei num tom baixo, sorrindo para Kurt.

– E eu sou seu. — Nick deu um tapa no ombro de Douglas enquanto passava até o banheiro para pegar as coisas de Kurt.

– O que diabos está acontecendo aqui? — Perguntou o ex-namorado, confuso.

– Kurt nunca deveria ter morado aqui com você... — Dizia Jeff calmamente, enquanto tomava cuidado para não danificar nenhuma peça de roupa de Kurt enquanto as guardava na mala.

– Então estamos corrigindo uma coisa que devia ter sido feita meses atrás. A partir de hoje, Blaine e Kurt dividem um dormitório e eu e você outro. — Nick falou calmamente, saindo do banheiro e organizando as coisas de Kurt na maleta.

– M-mas isso é proibido. Eles não podem dormir no mesmo quarto já que estão namorando, e... — Se embaralhava nas palavras.

– Eles não estão namorando. — Jeff andou até Douglas, fazendo o clima ficar um pouco mais pesado. — E se você um dia SEQUER PENSAR em roubar o Nick de mim, eu te quebro de porrada. — Piscou, falando com seu rosto perto do de Douglas. Em seguida, colocou a mala pronta no ombro e foi até o dormitório aonde Kurt ficaria agora.

– Você armou tudo isso? — Kurt sorriu, sussurrando ao ver Douglas sem reação.

– Pode apostar que sim.

Agora Nick entrava com sua mala, espalhando seus pertences pelo local. Com um sorriso irônico no rosto, Jeff acompanhava a cena da porta. Douglas apenas saiu, bufando.

– Eu não sei o quanto te agradecer, Nick.

– Não por isso. — Me puxou para um abraço. — Eu até estava achando essa escola meio calma mesmo. Dormindo aqui com Douglas sei que as brigas irão começar logo logo. — Falou sorrindo. — E agora, é melhor vocês dois irem arrumar o novo dormitório de Kurt, antes que fique tarde e vocês não tenham tempo.

Antes que pudesse falar alguma coisa, Kurt pegou minha mão e me puxava pelo corredor. Alguns passos largos e já havíamos chego em nosso dormitório. Nosso.

Em poucas horas, aquele dormitório pareceu nunca ter sido de Nick. Os pedaços de pizza foram trocados por objetos sofisticados e revistas de moda. O guarda-roupa antes com apenas malha agora havia um montão de peças coloridas e de vários tecidos.

Após arrastar tantos móveis — Sim, mudamos o quarto todo de lugar. As camas que antes ficavam no sentido oeste, agora estavam com a cabeceira para o norte. Sem falar nos armários. — me joguei contra a parede, limpando as gotas de suor que escorriam.

– Satisfeito, Hummel?

– Muito. — Kurt sorriu e se jogou em sua cama, fazendo o novo lençol de seda vitoriano abalar. Após se deitar, tirando o cansaço, o castanho se sentou, me encarando sorrindo. — Precisamos conversar, eu acho.

– É. — Caminhei até o outro lado do quarto, abrindo meu armário. — Mas primeiro vou tomar um banho, porque esse arrasta-arrasta de móveis me deixou bem cansado.

Escolhi uma roupa confortável e duas toalhas e fui até o banheiro. Enquanto a água corria por meu corpo, ficava lembrando dos momentos que tive com Kurt... Da energia que percorria meu corpo quando nos beijávamos, ah, e que saudades daqueles beijos... Demorei um pouco mais no banho do que o normal, huh.

Saí do banheiro enxugando meu cabelo, deixando os pequenos cachos caírem sobre minha testa. Demorou alguns segundos até perceber Kurt me encarando, com os olhos um pouco fixados. Eu nunca havia me preocupado com isso, já que com Nick a moradia era diferente. Me senti igual a Douglas. Rapidamente, coloquei minha camiseta que repousava sob a cama e me sentei nela, encarando Kurt.

– Holly crap. — Soltou sussurrando, enquanto recuperava a respiração. Sorri lentamente, sabendo do que ele falava, porém fiquei quieto, esperando Kurt começar a conversa.

– Então...?

– Então... — Kurt cruzou as pernas mexendo a mão em um ritmo frenético, procurando palavras para começar.

– Eu ainda sinto as mesmas coisas por você, Kurt. Tudo que eu mais queria agora era me inclinar até você e te beijar... — Kurt sorriu. — Mas precisamos conversar. Preciso saber se você também sente a mesma coisa, e porque terminou com Douglas...

Kurt limpou a garganta e começou.

– Eu não estava feliz com ele, Blaine. E no começo eu até gostava da idéia de ficar ao lado dele pra te fazer ciúmes, mas passou dos limites... — Kurt se levantou e tirou o blazer, seguido da gravata e seus dedos percorreram até os primeiros botões de sua camisa branca.

– Whoah, Kurt! — Falei, alertando-o.

– Calma, eu quero te mostrar uma coisa... — Kurt desabotoava sua camisa, deixando lentamente um peitoral pálido aparecer.

O castanho se virou, ainda tirando a camisa. Uma vez que a mesma já estava na cama, meus olhos se arregalaram e ao mesmo tempo, se enchiam de raiva.

– E-ele fez isso com você? — Falei cerrando os dentes ao ver o grande roxidão nas costas de Kurt. Eu havia falhado na missão de o proteger?

– Quando terminamos. — Falou, se virando. Em um instinto, me levantei da cama e o puxei para um abraço forte. Eu havia prometido para Kurt jamais deixar alguém o tocar dessa forma, e pelo visto, havia falhado.

O castanho afogava seu rosto em meu ombro, enquanto minhas mãos passavam lentamente sobre o machucado. Deixei Kurt sentar em sua cama, e segurei suas mãos, o deixando continuar.

– Foi depois daquele dia do telhado. Eu sabia que ainda sentia algo por você. Assim que acordei ao seu lado, queria sorrir e nunca ter que sair daquele lugar... E Douglas apareceu e... Você sabe... — Kurt tomava cuidado com as palavras, para elas não o machucarem. — Brigamos por uma semana inteira. Foi quando falei que queria terminar. Ele chorou, falou que iria mudar e que confiaria em mim novamente, mas o problema era que eu não o queria mais. Neguei, e ele veio agressivo pra cima de mim... — Kurt soltou um suspiro longo. — Nem tenho o que te agradecer por ter me tirado daquele dormitório...

E novamente, estávamos abraçados. Aquele momento Kurt não precisava de um namorado que o beijasse, e sim de seu velho amigo Blaine, que o abraçasse e dissesse que tudo ficaria bem.

– Tudo vai ficar bem, ok? — Falei, tendo Kurt assentindo ao se separar do abraço e se levantando, colocando a camiseta novamente. Me levantei também e o ajudei.

– Obrigado. — Disse se virando e aproximando seu rosto do meu. Assim que senti que nossos lábios iriam se tocar, virei meu rosto e o beijo acabou acertando minha bochecha. — V-você não... Ah meu deus. — Kurt se apavorou, andava de um lado para o outro.

Andei até o castanho, segurando seus dois braços e o fazendo olhar no fundo dos meus olhos.

– Ah, eu quero. — Ele sorriu. — Mas não agora. É cedo ainda. Você saiu de um namoro de três meses semanas atrás, e se ficarmos juntos agora sua fama na escola não vai ficar muito boa... Todos vão achar que você usou Douglas e isso nã-

– Ah meu Deus. — Kurt voltou a andar em círculos. — Todos acham que eu usei D-ah meu Deus. E se ele achar isso? V-você acha isso?

Repeti o gesto, segurando os braços firmes de Kurt, o parando e fazendo-o me olhar.

– Não, NÃO! Eu e todos os outros, até Douglas, sabemos que você não o usou. Você só estava confuso, ok?

– Okay. — Falou quase sussurrando.

– Só precisamos de um tempo. Vamos ter tudo que tínhamos novamente, mas com passos de bebê, ok?

– Okay. — Assentiu lentamente.

– Agora, o senhor vai se deitar... — Acompanhei Kurt até sua cama, o fazendo sentar. — Porque você precisa de uma boa noite de sono. Eu preciso. Nós precisamos. Ok?

Kurt assentiu lentamente, e mesmo com o uniforme da escola ainda vestido, Kurt se aconchegou em seu lençol confortável. Dei a volta em sua cama e me deitei em minha.

Alguns minutos depois os dois já estavam dormindo, e eu dormia tranquilo, sabendo que se acordasse por algum motivo, Kurt estaria ali comigo.

Notas finais
Coleguinhas de quarto, awn